• AmadoraBD 2018

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    AmadoraBD 2018
    Evento
    Apesar de nunca perder o AmadoraBD, este ano estava um pouco reticente sobre o que iria acontecer. Conhecendo algumas das pessoas responsáveis pelo serviço educativo e cenografia queria, por um lado, encontrar os seus projectos e assistir a uma das visitas (o que acabou por não ser possível). Por outro lado, outros visitantes afirmavam que este ano a exposição estava muito aquém das expectativas.

    O tema deste ano era o Brasil. Talvez seja um tema importante devido ao impasse político que se vive neste momento nesse país, mas penso que a forma como a exposição estava organizada não permitiu que todo esse tema fosse explorado em detalhe. Os cenários eram muito simples e com poucos momentos para tirarmos uma fotografia ou outra e as pranchas expostas diziam muito pouco sobre os autores e sobre a situação que eles desejavam retratar. Também as explicações dadas sobre cada um eram poucas e incompletas, referindo apenas idade, geografia e trabalhos mais importantes, sem fazer referência à sua importância ou influência no panorama actual. Assim, foi uma exposição principal que me causou um certo desapontamento pois, sinceramente, esperava muito mais.





















    Aproveitei para ler este álbum enquanto lá estava :)


    A exposição seguinte referia-se a bandas desenhadas vencedoras de prémios em outros festivais internacionais. Apesar de as imagens serem muito interessantes, também a falta de explicações em cada uma delas me deixou um pouco baralhada porque não sabia a que se referiam, qual o tema de cada uma nem sequer os seus títulos. Assim, mesmo quando vi estes volumes à venda com tradução em português, não senti vontade de os comprar: afinal, não fazia ideia do que tratavam.







    Finalmente, para terminar com o primeiro piso, a exposição de "homenagem". Desta feita foi organizada em favor de um dos grandes vencedores dos prémios do ano passado, autor do volume "Deserto/Nuvem", que me vem fascinando desde então (e que, finalmente, comprei!) Esta era uma exposição melhor organizada, com muitas informações que colocavam um bom contexto à do autor, muito rica e muito filosófica. Este cenário já dava azo a mais fotografias engraçadas e deixou-me com água na boca para comprar esse livro que já desejava.
















    Passamos ao piso subterrâneo. Mais uma vez, este ano a sua decoração era escura, assustadora e tudo parecia mais um parque de estacionamento abandonado do que uma exposição de BD. Mais uma vez, os dados sobre os materiais expostos eram vagos. Muitos dos cenários eram pouquíssimo detalhados e faziam mau uso da luz, sendo que em muitos deles era quase impossível ver as pranchas expostas sem g grande esforço.

    Fica a nota para a excelente exposição de homenagem a um grande criador dos primórdios da animação portuguesa, muito completa e com boas explicações.



















    Em resumo, apesar de ter sido um passeio agradável e de não ter sido tudo tão horrível comnforme era a minha expectativa, foi das exposições menos bem conseguidas que vi no AmadoraBD. Não sei se será a falta de orçamento, a falta de tempo, a falta de organização ou tudo junto, mas a verdade é que este festival terá de se reinventar para o ano que vem se quiser manter-se como relevante no nosso panorama.

    Nem falo do cosplay, que foi eliminado dos acontecimentos do festival há tempos. Falo de trazerem temas mais modernos, mais interessantes para as camadas mais jovens, deixando de lado o individualismo editorial e apostando nos temas populares. Acreditem que se tivessem uma prancha sequer do anime  ou do comic do momento teriam o evento pelas costuras.

    Noutra nota, acho importante referir que os livros colocados à venda pelas editoras estão na maior parte das vezes com preços proibitivos. Uma das características dos festivais é que podem servir para o "destralhar" das empresas, que normalmente oferecem valores especiais para as compras. Parece que os eventos de banda desenhada em Portugal são excepção, porque tenho a sensação que muitos livros estavam até mais caros do que comprados por outra via.

    Enfim, foi giro mas podia ser melhor. Para o ano (se houver para o ano!) espero que se redimam. :)

    Torrada em chamas!

  • A Minha Europa/My Europe

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    A Minha Europa/My Europe
     Produções Acidentais
    2017
    Teatro

    Inserida na Mostra de Teatro de Almada, apesar de já ter andado a correr mundo nos últimos tempos, "A Minha Europa" é uma peça num formato que nunca tinha visto: teatro documental. Espectáculo bilingue, apresenta-nos dois actores de diferentes nacionalidades mas que têm algo em comum: são europeus.

    Esta peça fala, então, de uma memória colectiva do que é a Europa e do que é a emigração. Remetendo-nos a memórias pessoais de um passado não tão longínquo, de uma infância fantástica plena de pobreza (o que, de certa forma, é um pouco exibicionista) e do interesse pela viagem e pelo outro país.

    O encontro entre os dois actores faz-se apenas no palco pois as suas histórias não se interligam de forma alguma, com excepção dos emigrados (expatriados) dos dois países.

    De todos os modos, é uma importante reflexão sobre os nomes dados a cada tipo de situação e sobre a comparação entre a pobreza portuguesa e a riqueza dos pobres ingleses. Ainda assim, o manifesto do "não temos nada" acaba por passar um pouco burguês e nada realista.
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