• A Invenção do Dia Claro

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    A Invenção do Dia Claro
    Almada Negreiros
    1921
    Ensaio 

    Este livrinho, com menos de quarenta páginas, é um pequeníssimo ensaio introdutório a algumas ideias do autor sobre variados assuntos culturais, nomeadamente a literatura e a pintura.

    De uma maneira simples e com muito humor, Almada Negreiros conta-nos pequenas reflexões sobre a sua vida, sempre relacionadas com a sua forma de observar a arte e, muitas vezes, como esta o pode observar a ele.

    Nesta obra existem muitos textos e frases frequentemente citados por aí nas redes sociais. Por exemplo, aquela de a vida ser demasiado curta para se lerem todos os livros da livraria. Ou aquela do "qual a sua profissão? Poeta" No entanto, dentro do contexto desta obra, as tais citações acabam por se tornar menos relevantes do que as querem querer parecer.

    Um livrito rápido e com a sua graça.

  • O Silêncio dos Inocentes

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    O Silêncio dos Inocentes
    Thomas Harris
    1988
    Romance

    Confesso que sempre tive um medo imenso de ver este filme. Portanto, li o livro! E o livro não me assustou nada, portanto já tenho mais coragem para ver essa obra prima do cinema. :)

    Clarice é uma investigadora novata, ainda na academia de polícia, a quem pedem que entreviste o famosos psicopata Hannibal Lecter. A partir daí, envolve-se na resolução do caso de um outro serial-killer, um anónimo apenas conhecido por Buffalo Bill, contando com a estranha ajuda de Lecter, que partilha conselhos em troca de coisas interessantes em que pensar.

    Este livro é um policial bem estruturado, revelando um certo cuidado na caracterização dos personagens e dos seus problemas mentais e emocionais. Existem muitos detalhes sobre investigações policiais mas, sobretudo, sobre a caracterização das doenças do comportamento que os criminosos possuem. Certamente que houve uma investigação bem cuidada no planeamento deste livro, o que se nota bastante nos detalhes das descrições e, sobretudo, na forma como Clarice tira conclusões, apesar de sempre ajudada por Hannibal Lecter. A dinâmica entre os dois é bastante forte e pode ser lida em diversas camadas, cada uma igualmente profunda.

    Apenas achei que a conclusão foi um pouco precipitada e muito casual. Por mero golpe de sorte Clarice resolve os dilemas e, de certo modo, isso retira muito do realismo que tinha vindo a ser construído ao longo do livro.

    Não fiquei inspirada a ver o resto da série, mas agora gostaria de ver o filme e comparar. ;)

  • I, Daniel Blake

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    I, Daniel Blake
    Ken Loach
    2016
    Filme
    6 em 10

    Este filme estava no cinema aqui perto, mas não calhou ir ver e, por isso, acabámos por fazer a sessão cinematográfica em casa.

    Quando não se pode trabalhar, a vida torna-se complicada. Daniel Blake é um senhor que foi vítima de um ataque cardíaco e, por isso, se está a candidatar a receber o equivalente à segurança social do Reino Unido. Quando não aprovam a sua candidatura, aparentemente por má vontade dos empregados, ele procura alternativas. Acaba por conhecer uma rapariga com duas crianças e tornam-se amigos.

    Este filme é o retrato de uma realidade cada vez mais evidente, que pelos vistos se torna transversal a todos os países. Mostra o quão burocráticos são os elementos para que se possa receber uma ajuda no estado e como, muitas vezes, os utentes são vítimas de injustiças indiscriminadas devido à falta de disponibilidade e compreensão dos empregados do governo.

    Este filme torna-se uma espécie de pequeno ataque de ansiedade, à medida que a narrativa se vai desenvolvendo. Temos um trabalho aceitável pela parte dos actores, mas a verdade é que os personagens não puxam muito ao seu desenvolvimento. Também o final foi por demais evidente e pouco emotivo dentro do contexto.

    Um filme que vale o que vale pelo seu retrato social.

  • Gingitsune

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    Gingitsune
    Misawa Shin - Diomedea
    Anime - 12 Episódios
    2013
    6 em 10
     
    Um fatia-de-vida sobre a filha de um sacerdote num templo e sobre o espírito de uma raposa que lá vive.
     
    Makoto vê Gin desde muito pequena, desde a morte da sua mãe. Desde aí eles têm-se acompanhado um ao outro, com o espírito da raposa dando conselhos e a menina tentando viver uma vida normal com as suas amigas. Acompanhamos pequenos retalhos da vida de uma moça que consegue ver os espíritos dos templos, conversando com eles e obtendo conselhos.
     
    Apesar de termos um tema engraçado, este anime peca pela falta de desenvolvimento das personagens. Também é inconclusivo no respeitante a alguns ramos da história (por exemplo, porque é que o companheiro de Gin se foi embora). Os designs são um pouco fracos e muito simplificados, oferecendo aos espíritos uma certa aura cómica que não se coaduna com o seu conceitos.
     
    A animação é também muito simples, sem fazer uso de grandes sequências ou cenários. Assim, o anime acaba por se focar mais na relação entre as pessoas e os espíritos, mas de uma forma ainda assim muito incompleta.
     
    Musicalmente, temos algumas peças que, individualmente, têm o seu interesse. No entanto, a sua utilização é tão breve e discreta que acabam por sair rapidamente da nossa memória.
     
    Um anime que será esquecido a seu tempo.

  • Paterson

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    Paterson
    Jim Jarmusch
    2016
    Filme
    7 em 10

    Como a vida normal de um condutor de autocarros, numa cidade um pouco incógnita, se pode tornar numa análise poética das sensações humanas e do mundo que nos rodeia? Paterson, nome do personagem e da cidade onde vive, é um filme que consegue fazer precisamente isto.

    Seguindo uma semana da vida do jovem Paterson, assistimos a pequenos detalhes e problemas normais que, se formos a ver, não têm nada de importante. Mas Paterson tem uma característica muito própria: ele escreve poesia. Acompanhamos os poemas que ele vai escrevendo e pequenos dilemas que o inspiram. O mundo aparece como fonte de inspiração e concluímos com o facto de que não vale a pena desistir quando a inspiração chama mais alto.

    Um filme contido, introvertido e intimista, que faz uso dos detalhes com uma calma contagiante. Todos os elementos, desde os cenários à música, contribuem para tornar este filme numa espécie de poema visual.

    Acaba por ser uma experiência muito inspiradora. Recomendo!

  • Haikyuu!!

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    Haikyuu!
    Mitsunaka Susumu - Production I.G.
    Anime - 25 + 25 Episódios
    2014
    6 em 10

    Quando via a segunda season deste anime nomeada no clube, o meu primeiro pensamento foi: "será que, por uma vez, vamos ter um anime de desporto completamente original?" A resposta é, infelizmente, negativa.

    Este é um anime sobre voleyball. Voley, para ser mais simples. tudo começa com um rapaz baixinho que adora voley, mas perde grandemente no seu primeiro jogo na escola básica. Qaundo vai para o secundário, descobre que o seu oponente desse jogo irá ser seu colga. No meio deste antagonismo todo, será que vai tudo correr bem?

    Inicialmente, assistimos a treinos e a alguma caracterização de personagens, de forma a que a equipa em causa se consiga unir - apesar das suas diferenças - para ganhar a força necessária para vencer. Mas, a partir desse momento, começam os jogos. Jogos de treino e, mais tarde, jogos oficiais para que se classifiquem para os nacionais. E, assim, um anime que poderia distinguir-se de certa forma - fosse apenas um pouco mais focado nos seus personagens principais - acaba por ser absolutamente formulaico e vulgar. Apenas mais um anima de desporto...

    A animação está bastante boa e, por momentos, mimetiza bastante bem a experiência de assistir a um jogo. No entanto existem sequências que se tornam um pouco repetitivas, o que também é muito consequência do argumento: estes jogadores adaptam-se aos oponentes, mas acabam por utilizar sempre as mesmas estratégias. Assim, não se aprende muito sobre o desporto e os jogos tornam-se todos muito parecidos uns com os outros.

    A banda sonora é um pouco explosiva, ligando bem com as situações, embora a variedade de OPs e EDs sejam mais daquele pop-rock que aparece em todos os animes. Ainda assim, as animações da intro são muito boas (quase melhores que as do próprio anime).

    Talvez um dia me inicie na terceira season, mas por agora foi uma grande injecção de um desporto que nunca apreciei por aí além.

  • A Incrível Viagem do Faquir que ficou Fechado num Armário IKEA

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    A Incrível Viagem do Faquir que ficou Fechado num Armário IKEA
    Romain Puértolas
    2013
    Romance

    E, com este livro, termino oficialmente a TBR de livros da minha irmã! =D Ainda me faltam uns dois ou três, mas ela está a lê-los e, portanto, lá chegarei brevemente. :) Este fui eu que ofereci e fico muito contente por ter sido lido!

    Trata-se de uma história tão rocambolesca como simples, que acaba por tocar de forma emocional no tema dos refugiados e, também, nos mostra como uma pessoa pode mudar quando confrontado com as vidas de pessoas mais trágicas que a sua.

    Um faquir indiano dirige-se a França, para ir ao IKEA. Lá, irá comprar uma cama de pregos em promoção. No entanto, como não tem dinheiro nem lugar onde ficar, decide ficar a dormir na loja. Quando aparecem os empregados, esconde-se dentro de um armário. Que é expedido para Inglaterra. E aí começa a sua grande aventura.

    As situações são engraçadas e inusitadas, embora a escrita por vezes seja um pouco forçada, como que a pedir a todo o momento uma gargalhada. No final, é um livro que nos traz um grande sorriso, pois acaba por correr tudo bem. Apesar de o autor se referir a muitas etnias diferentes, por vezes de forma um pouco estereotipada, acaba por tentar trazer ao de cima sempre a melhor parte de cada pessoa. Assim, temos uma leitura muito divertida, em que sabemos que nada de errado pode vir a acontecer.

    O tema dos refugiados é, assim, tratado com candura e carinho: uma forma um pouco diferente de nos demonstrar que o problema existe e que poderia ser resolvido se todos tentássemos, tal e qual o faquir, tornar-nos pessoas melhores.

    Li este livro num instante e recomendo para quem quiser sentir o coração cheio.

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