O Livro da Selva
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O Livro da Selva
Jon Favreau
Filme
2016
4 em 10
Na verdade, eu nem queria em absoluto ver este filme. Sabia que não ia gostar. Mas quando o filme que íamos ver deu erro, acabámos por pegar neste, que estava ali mesmo à mão. E, pois é... Não gostei.
Inspirado livremente tanto no filme de animação da Disney, que continua a ser a produtora deste remake em live-action (penso que numa tentativa de "reformar" os clássicos para um público mais jovem e apreciador dos métodos digitais), tal como no livro de Rudyard Kipling, conta a história de um menino na selva que foi criado por lobos e que tem de voltar para a humanidade por ameaça do perigoso tigre Sherekan.
A história é boa, apesar do final desagradavelmente pouco exacto, e os diálogos são bastante bons, com interpretações de actores de luxo que fazem um excelente trabalho.
O problema aqui está na imagética. Os animais, os cenários, TUDO, é digital. E tudo é horroroso. Técnicas arcaicas, sem fazer um bom uso da tecnologia e dos meios de produção disponíveis, a maior parte das vezes pareceu-me que estava a ver um jogo da playstation 2. Por alguma raão o rfoco principal do filme estão em cenas de acção que não fazem qualquer tipo de sentido. Porquê um tigre a lutar com uma pantera? Uma cobra a lutar com um urso? Um tigre a lutar contra um lobo? E porquê animais que não deveriam estar juntos, por não viverem no mesmo habitat, estão todos reunidos nesta floresta indiana? Kipling era *muito* exacto na localização geográfica e na ecologia das suas histórias. Este filme não faz jus à obra que pretende adaptar.
Para além disso, este miúdo que faz de Mowgli não convence ninguém. A minha teoria é que deve ser filho de um produtor qualquer e que nem sequer tem a mínima formação de actor. As suas falas são ditas com pouca clareza, com um realismo forçado, sem qualquer tipo de ligação com o personagem. Para além disso, o miúdo não faz quase acção nenhuma, sendo as cenas mais "perigosas" (digamos assim) retratadas de forma totalmente digital, o que é absolutamente evidente devido à falta de qualidade dos métodos usados.
Um filme que desaponta. E muito. Não esperava muita coisa dele e ainda assim fiquei horrorizada.
By : ladyxzeus
Alma
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Alma
Voltaire
1776
Ensaio Filosófico
Há já algum tempo que desejava experimentar um pouco de filosofia. Para além disso, nunca tinha lido nada de Voltaire, portanto pensei... "Porque não?" :)
Neste curto ensaio (cerca de 40 páginas), o autor debate consigo mesmo as várias perspectivas histórico-filosóficas do conceito de "alma". Assim, coloca várias questões, tentando respondê-las citando filósofos mais antigos: o que é a alma? Quem tem alma? Os animais têm alma? As plantas têm alma? As crianças têm alma? A partir de quando? Um débil mental tem alma?
São tudo questões muito válidas. Curiosamente, tendo em conta a perspectiva histórica do autor (afastado da religião, um pouco anti-semita...), este cita demoradamente passagens bíblicas do antigo testamento, para além de filósofos nitidamente cristãos. Isto faz com que o debate apresentado esteja um pouco enviesado.
Finalmente, Voltaire não chega a nenhuma conclusão por si próprio, após toda a pesquisa. No meio disto tudo, ele coloca as questões mas nunca chega a respondê-las com a sua própria opinião. É como aqueles estudos científicos que no final dizem "inconclusivo". Assim, a leitura não foi especialmente satisfatória.
No entanto, fiquei com vontade de filosofar um pouco mais, pelo que colocarei esses livros (que tenho no Kobo) semi-prioritários. :)
By : ladyxzeus
Gabriela Cravo e Canela
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Gabriela Cravo e Canela
Jorge Amado
1958
Romance
Este livro foi um pouco custoso e ler. Não exactamente pelo seu conceito ou forma de escrita, até porque é mais um de Jorge Amado, sempre divertidíssimo, mas mais exactamente pelo tamanho das letras, que eram diminutas e eu sou muito pitosga.
Tornado famoso pelas múltiplas novelas e adaptações para filme, teatro e dança, este livro fala de uma pacata cidade, Ilhéus, e as pessoas que lá vivem. Quando o árabe Nacib fica sem cozinheira, acaba por contratar Gabriela, que veio de terras secas para esta cidade próspera em cacau. Daí se desenvolve uma história de amor, intercalada com outros amores de outras personagens.
Estes estão bem construídos, embora não haja aqui tanto detalhe como seria de esperar. A caracterização principal é feita à cidade em si, com seus hábitos, cores e cheiros. Trata-se de um romance de costumes, que pretende mostrar como uma cidade pode mudar as suas concepções através das pequenas atitudes de cada um dos seus habitantes.
No entanto, não gostei muito da causa destas transformações. Isto é, se era aceitável no passado um marido traído matar tanto mulher como amante, será que é aceitável não os matar mas enchê-los de pancada? O livro parece ser bastante apologista da violência em relação à figura feminina, sobretudo porque esta não abandona de imediato a fonte de violência e continua a ela apegada até ao final.
Ainda assim, é bastante divertido acompanhar estas pequenas histórias. Pena as letras serem tão canochas.
By : ladyxzeus
Captain Fantastic
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Captain Fantastic
Matt Ross
Filme
2016
6 em 10
Sabemos todos que existem, espalhadas pelo mundo, comunidades de pessoal hippie e freakalhóide que vivem em contacto com a natureza, educando assim as suas crianças. Este filme é precisamente sobre uma dessas famílias, um conjunto de pai, mãe e cinco crianças que vivem isolados na floresta praticando os seus talentos físicos e intelectuais através de uma educação tanto rígida como libertária.
Mas o que acontece quando eles têm de ir ter com a cidade, com o "mundo real"? Motivados pela morte da matriarca, procuram ir ao seu funeral para a salvar de ser enterrada (já que é budista). Será que as coisas vão correr bem?
O filme tem os seus momentos engraçados mas, no fundo, trata-se de uma história familiar em que a figura paterna é confrontada com os seus ideais em termos educativos pelos seus próprios filhos. Os seus hábitos e celebrações são diferentes, mas a pouco e pouco vão acontecendo pequenas revoltas e fica demonstrado que podem saber tudo sobre a soma de integrais mas não saber nada acerca do mundo real, do convívio com pessoas, das reacções a ter quando em determinadas situações. Assim, o filme é um pouco agridoce, pleno de momentos cómicos mas também cheio de pequenos detalhes que demonstram o quão terrífico pode ser o isolamento social.
A história acaba por pecar um pouco devido à profusa quantidade de personagens: nem todas estão bem caracterizadas e o autor dedica-se mais a explorar os detalhes de três das crianças, quando elas são seis ao todo. As raparigas, por exemplo, ficaram bastante esquecidas.
O final é ambíguo e acabamos por não perceber o que realmente se passou com esta família. Ficam realmente todos juntos? É apenas alucinação? De qualquer forma, a celebração final é bastante bonita.
Um filme sobre famílias diferentes e como elas podem ter um lugar no mundo.
By : ladyxzeus
Ghost in the Shell (2015)
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Ghost in the Shell (2015)
Nomura Kazuya - Production I.G.
Anime - Filme
2015
7 em 10
Tendo em vista o visionamento do filme live-action que vai sair brevemente, decidi ver este filme com o Qui, de forma a mostrar-lhe o que fizeram com Ghost in the Shell, isto é, o reboot que deram à série e a nova perspectiva dada aos personagens, conforme conhecemos em Arise.
Todos estão mais jovens: este filme passa-se ainda antes da formação da Section 9 como todos a conhecemos. A Major Motoko Kusanagi e a sua equipa investigam o caso de uma bomba que explodiu nas mãos de um poderoso político, com todas as consequências que isso poderá ter na resolução da guerra que acabou de terminar. No processo, debate-se alguns assuntos relacionados com a manutenção das "shells" (os corpos mecânicos das pessoas) e a existência dos ghosts. O debate em si não é muito dedicado, acabando por insistir demasiadamente nos mesmos pontos. No entanto, a caracterização dos personagens está bem feita dentro do contexto: nesta fase, cometem muitos erros, são precipitados, isto é, não possuem a experiência necessária para acompanhar o desenrolar do mistério de forma totalmente eficiente.
Nesse campo, segundo o trailer que já nos foi mostrado, talvez o live-action nos venha a mostrar coisas muito interessantes.
A animação está bastante boa, com cenas de acção dinâmicas e bem coreografadas, assim como um conjunto de cenários muito atractivo. Existe alguma utilização de meios digitais tridimensionais, mas estão muito bem integrados e apenas um olho mais atento os irá reparar. Em termos de designs, parece haver aqui tecnologia demasiado avançada para um início da série, sendo que esse elemento acaba por estar um pouco desiquilibrado: algumas pessoas são apenas marionetes, enquanto que outras têm pleno acesso a meios muito avançados.
Finalmente, uma nota para a música: composta por Cornelius, mestre da electrónica actual, tem muito que se lhe diga, com peças sonantes, viciantes e perfeitamente enquadradas na acção que pretendem representar.
Recomendo o visionamento deste filme para todos os que têm interesse no live-action e conhecem pouco da série. Assim, estarão melhor preparados para o que aí vem.
By : ladyxzeus
Tokkou
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Tokkou
Abe Masashi - AIC Spirits
Anime - 13 Episódios
2006
6 em 10
Sabem que até este momento estava convencida que esta série era dos 90s? É que tem tudo para ser dessa década. Sendo de 2006, é quase vergonhoso. Vejamos:
Um jovem torna-se polícia para encontrar as pessoas que mataram os seus pais. O seu primeiro caso é um homicídio bizarro e descobre-se rapidamente que a cidade está invadida por bicharada estranha e demoníaca. Assim, ele conhece a secção 2 da polícia, composta de gajas boas e um tipo de óculos de sol e acaba por se juntar a eles na luta contra as forças do mal.
Até aqui tudo bem. Temos sangue, temos coisas nojentas aos gritos, temos miúdas a decapitar demónios com espadas. A história não está má de todo e reúne uma série de coisas características que a tornam numa boa fonte de entretenimento. O problema disto tudo está na arte. A arte mete medo.
Envelhecida, o problema começa nos designs dos personagens. Não fazem sentido nenhum. É certo que é muito loko ter bacanas tatuadas com as mamocas ao léu e cruzes ao pescoço, mas nem por isso faz sentido prático dentro do contexto. Parece ter tudo uma pontinha de exibicionismo que não funciona nada bem. Já a animação, é terrível. Certamente que pegaram em 500 paus e fizeram este anime, porque as cenas de acção são quase indecentes e existem erros de anatomia fatais.
Musicalmente, não temos nada que distinga de outros animes do género, com alguma reciclagem da banda sonora.
Um anime que podia ter sido muito mais interessante.
By : ladyxzeus
AmadoraBD 2016
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Finalmente, as compras! Eu tinha em mente comprar uma série de coisas e comprei todas, mais uns extras. Aqui estão elas:
Sinto que esta exposição está, de ano para ano, um pouco mais fraca. Os temas escolhidos parecem despropositados e preparados para chamar um público já idoso e crianças, sendo o resto da comunidade fã de banda desenhada plenamente ignorada. Não sei que rumo procuram para o AmadoraBD. Por mim, continuarei a ir na esperança de ver novas coisas.
AmadoraBD 2016
Evento
Este ano, esperei mesmo até à última. Mesmo, mesmo. Só fui ao AmadoraBD no último dia. Do que estava à espera? Que anunciassem o dia do cosplay. Nunca foi anunciado. A única coisa relativa no site do evento era que quem viesse vestido a rigor tinha entrada gratuita. Mas skits, desfile, alguma coisa... Nada.
Penso que isto marca o fim de uma era. O AmadoraBD, ex-FIBDA, foi um dos primeiros locais a aceitar cosplay como parte do seu programa. Agora parece que tudo está diferente. Eu penso que sei a razão pela qual nada aconteceu este ano, mas guardo-a para mim para não ferir susceptibilidades. Ainda assim, acho que vou mandar um e-mail para lá a perguntar as causas, só mesmo para saber.
Não que seja importante saber. Não houve cosplay e é isso. Se houve, foi tão restrito que nem soube de nada.
Adiante!
Chegámos por volta das cinco e meia, ainda faltava algum tempo para encerrar o evento. Anúncios periódicos avisavam-nos "falta x horas e y minutos para encerrar e não irá abrir amanhã".
A exposição principal deste ano tinha um tema interessante: o espaço e o tempo na BD. Seguimos algumas BDs por partes, desde a primeira página até à página do fim. No entanto, as actividades sugeridas não eram muito interactivas, como era habitual. Havia, em vez disso, várias pequenas salas em que passavam vídeos e sons de inícios, meios e fins de filmes e séries.
Depois havia uma pequena exposição dedicada a Lucky Luke, que faz 70 anos. Esta BD nunca me interessou, nunca me despertou qualquer tipo de emoção. Na verdade, até a achava bastante chata. Assim, a exposição não nutriu grande interesse para mim, para além de que não tinha muita coisa para além de citações de páginas e painéis, sem muito da planificação, argumento ou rascunho.
Morri
No meio estavam as lojas, mas já voltamos a elas porque só lá fui mesmo no final para gastar dinheiros. Também estavam as pessoas a dar autógrafos, mas não conhecia a obra de ninguém (excepto a do Mário Freitas, organizador do Anicomics e mente da Kingpin Books, que por acaso até ganhou um prémio catita. Fiquei com pena de não o ter achado, para lhe dar os parabéns pessoalmente, já que não o fiz na net)
No andar de baixo estavam outras exposições temáticas, específicas para várias BDs da actualidade e outras mais antigas. Havia também uma secção de ilustração infantil e um auditório em tudo semelhante ao do ano passado, onde estavam a passar curtas metragens de animação. Existia um espaço para crianças desenharem e uma exposição bastante grande das BDs que saíram este ano, incluindo coisas tão improváveis como volumes da Comix. Em compensação, o universo das zines parece ter sido ignorado.
Pude ver os participantes do concurso nacional de BD deste ano, sendo que algumas coisas me pareceram cheias de potencial. Mas, confesso, gostei mais das obras do concurso de ilustração. O tema deste ano era a ponte 25 de Abril.
Finalmente, as compras! Eu tinha em mente comprar uma série de coisas e comprei todas, mais uns extras. Aqui estão elas:
- "O Diário do Meu Pai", de Jiro Taniguchi, que queria desde o seu lançamento e nunca o apanhei
- "Luna Park", que me interessou no lançamento mas que perdi oportunidade de comprar
- "Crumbs", antologia de autores da Kingpin, que desde o início me pareceu interessantíssimo
- Uma zine que estava a um euro
- "Cadernos de Fausto", de Rafael Dionísio, com quem tive um curso e que achei piada comprar para ler, até porque estava em promoção (bahaha)
Sinto que esta exposição está, de ano para ano, um pouco mais fraca. Os temas escolhidos parecem despropositados e preparados para chamar um público já idoso e crianças, sendo o resto da comunidade fã de banda desenhada plenamente ignorada. Não sei que rumo procuram para o AmadoraBD. Por mim, continuarei a ir na esperança de ver novas coisas.
By : ladyxzeus
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