• Em Busca do Tempo Perdido 2 - À Sombra das Raparigas em Flor

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    Em Busca do Tempo Perdido 2 - À Sombra das Raparigas em Flor
    Marcel Proust
    1919
    Romance
     
    Passamos ao segundo volume do romance "Em Busca do Tempo Perdido", do qual eu havia lido o primeiro muito recentemente. 

    Neste volume, continuamos efectivamente em busca de um tempo que já há muito terminou. Desta feita, o narrador começa a fazer descobertas relacionadas com a sua adolescência, nomeadamente a sua relação com a sexualidade e o romantismo que a envolve perante as situações sociais em que se encontra.

    Não apreciei tanto este livro como o anterior, confesso. A verdade é que achei sumamente aborrecidas todas as "raparigas em flor" pelas quais o narrador (que, vim a saber, será provavelmente o próprio autor) se apaixona seguidamente. Todas elas parecem um retrato picaresco de uma sociedade que se encaminha para a extinção. No entanto, o narrador aparenta conhecer isto: os elementos que ele relata encontram-se plenos de uma certa ironia discreta que poderá passar desapercebida aos olhos menos atentos.

    Este volume encerra também uma mudança de espaço, sendo que o ambiente urbano é repentinamente substituído por umas férias na praia. Claro que as actividades nesse local são bastante reduzidas e a narrativa se dedica a descrever plenamente todas as raparigas que o narrador vai encontrando pelo seu caminho, quer estas tenham algum tipo de influência na sua história pessoal quer estejam apenas de passagem.

    Outro aspecto que achei um pouco aborrecido foi o facto de nunca se perceber claramente qual a idade do narrador neste momento da história. Num momento diz que foram brincar no parque, pelo que o imagino uma criança. Mas no outro momento diz que não há barbeiro e que tem de passear com barba, pelo que isto fica tudo bastante confuso para mim.

    No entanto, espero que o próximo volume se redima destes problemas e, por isso, aguardo impacientemente o encontro com o meu pai em que ele mo entregará por empréstimo. :)

  • Angel's Egg

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    Angel's Egg
    Mamoru Oshii - Studio Gallop
    Anime - Filme
    1985
    7 em 10

    O Qui requisitou um filme de anime e lembrei-me de lhe mostrar este. Já o havia visto há muitos anos e, recordo, na altura compreendi muito pouco do que se passou. Na verdade, inventei uma interpretação qualquer só para fingir que tinha percebido, mas admito agora que os seus significados me passaram ao lado. Assim, achei que seria bom revê-lo com outra pessoa, com quem o pudesse discutir e, assim, obter uma nova opinião. A classificação que ali está atribuída é a primeira que lhe ofertei, já que tendencialmente nunca mudo a minha classificação inicial, mas talvez agora lhe desse um pouco mais.

    Tentarei, desta vez, apresentar uma opinião um pouco mais capacitada.

    Primeiramente, devemos observar o contexto deste anime (que me foi revelado pelo Qui, que teve a curiosidade de ir pesquisar): um dos trabalhos iniciais de Mamoru Oshii, que ganhou a fama depois de ter dirigido o primeiro filme de Ghost in the Shell, aparece numa altura da sua vida em que este se encontra desapontado com o mundo da religião e da espiritualidade em geral. Tendo isto em conta, apresenta-se-nos um anime complexo, denso, negro e pessimista, que nos leva até a um universo sem vida.

    Uma menina (aspecto discutível) anda por um mundo desolado, uma cidade cheia de monstros e de elementos predominante aquáticos, em busca de água para encher mais uma garrafa. Consigo, tem um ovo, que deve proteger e incubar para que nasça uma criatura alada que encontre a saída para aquele mundo. Entretanto, encontra um misterioso homem, que se decide a acompanhá-la e com quem vai trocando várias palavras. É numa destas conversas que aparece um conceito que me ficou fixado na mente: a arca de Noé nunca encontrou terra e está a afogar-se num mar infinito. 

    Ora, ao início vemos que pousa dentro de água uma estrutura estranha, semelhante a um olho, povoada de estátuas que podem ser qualquer coisa: humanos perdidos, humanos falecidos, santos antigos. No meu entender, pegando no conceito de que isto poderia ser a arca de Noé que se perdeu, este elemento poderá representar as pessoas que se esforçam por se libertar de um mundo espiritual que se encontra decadente e que só pode ser consertado através da chegada de um novo ser iluminado, representado pelo esqueleto do humano alado e, portanto, do ovo que tem a menina. No entanto, repare-se que no final descobrimos que este objecto está pousado nas águas de uma praia e que o homem misterioso é o habitante deste local. Como ele destrói o ovo, posso inferir que talvez a terra segura, o homem (repare-se que ele transporta uma cruz e usa um crucifixo) é o representante das crenças antigas que ainda se estabelecem e que, com tudo isto, impede estas pessoas de chegar a terra firme e de serem livres para terem os seus próprios anjos.

    Talvez esta ideia seja suportada pelo conceito dos peixes, que em sonhos representam normalmente um certo tipo de liberdade sexual e emocional. Na cidade perdia, pescadores tentam apanhar sombras de peixes, isto é, continuam presos à ideia de temer a mudança, podendo mesmo atacar a menina e o seu ovo que os representam. No entanto, considerando que eles estão dentro de água e cada vez mais se afundam nela, as sombras podem realmente ser apenas isso: sombras de peixes reais que nadam em volta da cidade.

    Como digo, é um filme bastante complexo e talvez tenha de o rever mais tarde para o compreender na sua totalidade. Segundo consta, nem o próprio Oshii sabe muito bem o que fez disto. No entanto, podemos ver directamente o que ele criou: apesar da fraca animação, em que apenas os personagens manifestam algum tipo de movimento, há um cuidado extremo no detalhe dos cenários, sendo que todo este universo aparece quase como uma interpretação surrealista de uma cidade muito populosa. Também a música contribui muito para este efeito de quase pesadelo, sendo que há um conjunto contínuo de peças corais que nos envolvem e absorvem de forma a que entramos realmente neste universo.

    Este é um filme que é igualmente amado e odiado pelos fãs e crítica, mas que - ao longo dos anos - se veio a tornar um culto dentro dos visionantes mais experientes. Assim, gostaria de o recomendar para saber também qual a vossa opinião acerca dele, para ver se conseguimos - todos juntos - encontrar uma explicação que nos satisfaça a todos.
  • Bestiário

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    Bestiário
    Julio Cortázar
    1951
    Contos

    Siga para bingo, o segundo livro obtido na Feira do Livro! Também é um livro de contos e decidi ficar com ele porque, mais uma vez, gostei da capa e do tema relacionado com animais.

    Este é um contista da América Latina, com um estilo bastante característico dos autores da sua época e do seu continente. Num universo que mistura o campo do real e o do fantástico, apresenta-nos várias histórias com um tema em comum: animais.

    No entanto, os animais não figuram como os elementos principais dos contos. São antes algo que perturba os personagens, que faz parte da sua vida e que, na maior parte do tempo, faz parte do seu problema. A escrita é muito leve e cativante e remete-nos a cidades e ambientes muito típicos,  para além de bastante variados.

    O meu conto preferido foi o do homem que vomita coelhinhos, porque isso parece ser altamente inconveniente.

    De resto, é uma leitura muito interessante, embora por vezes um pouco cansativa, pois os contos tendem a prolongar-se um pouco para além do estritamente necessário para a caracterização narrativa e dos personagens.

  • Contos Escolhidos

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    Contos Escolhidos
    Anton Tchekhov
    Século XIX
    Contos

    Esta é a minha primeira leitura dos livros da Feira do Livro. Apesar de já ter um volume de contos deste autor, adorei a edição e a capa e tomei o cuidado de ver no índice que ainda não tinha lido quase nenhum destes contos.

    São simplesmente fascinantes.

    Através de um olhar irónico e quase surrealista, Tchekhov observa os hábitos e costumes da Rússia da sua época, levando os seus personagens a tomar as atitudes mais humanas e lógicas dentro do contexto de cada conto. As suas palavras revelam uma grande paixão pela escrita e pela vida em geral, sendo que temos contos com temas muito variados mas que, apesar de tudo, nos mostram o que é viver enquanto pessoa numa sociedade que - por vezes - quase não se identifica como humana.

    Assim, temos contos sobre raparigas infelizes, sobre homens que perderam membros da família. Sobre um cão. Temos até um conto só sobre comida! E as pessoas destes contos vivem como se, realmente, tivessem existido realmente e tudo isto não passe de uma biografia colectiva de um mundo que já se perdeu.

    Confesso que me soube a pouco e que queria ler ainda mais contos deste autor. Mas, se calhar, vou procurar antes as suas peças. :)

  • Filho de Saul

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    Filho de Saul
    Lászlo Nemes
    Filme
    2015
    7 em 10

    É verdade que ando muito desnaturada com este espaço. A realidade é que esta última semana foi de loucos e mal tive tempo para vir aqui, sendo que dediquei todo ele a escrever o portentoso comentário do Anicomics. E este filme foi visto precisamente na noite anterior, por sugestão do Qui. Trta.se de um filme húngaro (o meu primeiro filme húngaro, penso eu), que ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

    É um filme curioso e tem um interesse abertamente evidente, já que relata a partir de outra perspectiva a vida dos reclusos de um campo de concentração nazi. Mas, desta feita, analisamos os reclusos que "trabalham" no campo de concentração, tendo por tarefa a eliminação dos outros prisioneiros.

    O tema tratado é forte e vem com o acrescento do desespero destas pessoas. O personagem principal é Saul, um homem que encontra uma criança morta e vê nela o seu filho (nunca é clarificado se ele realmente tem um filho). Perante isto, ele promete a si próprio que irá enterrar a criança devidamente, com a oração propícia dita por um rabino. Mas onde encontrar um rabino?

    Está tudo filmado da perspectiva deste homem, sendo que a imagem nunca se afasta muito dele. Assim, todos os horrores do campo de concentração passam em pano de fundo, como se se tratasse de algo puramente normal dentro desse contexto. Isto impressionaria muito, não fosse o azar de eu ter lido "As Benevolentes" há pouquíssimo tempo. Quero dizer que, comparado com este livro, o filme que vimos é um passeio no parque. Assim, o efeito saiu um pouco frustrado pela minha parte.

    No entanto, é extraordinário o trabalho de actor e de caracterização do cenário, que aparece claustrofóbico e horrendo, quase podemos sentir o cheiro nauseabundo. Ainda assim, achei a narrativa um pouco romanceada, pela forma como o personagem se safa sempre por golpes de sorte seguidos uns aos outros (que, felizmente, terminam num final espectacular).

    Assim, acabou por ser um filme que não pode ultrapassar a imagem que agora mantenho sobre os horrores da grande guerra. No entanto, acredito que o posso recomendar.
  • Anicomics Lisboa 2016

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    Anicomics Lisboa 2016
    Evento

    Já vou atrasada a escrever este portentoso comentário. Aliás, começo a escrevê-lo hoje, Segunda-Feira, e não tenho a certeza de que o consiga terminar em tempo coerente por motivos de cansaço. Na verdade, termino-o agora, Quarta-Feira. Ontem cheguei a casa e não me mantinha em pé, porque realmente foi um evento muito agitado para mim. Mas, falemos aqui de toda esta situação!
    Ora, tudo começou muito antes do evento propriamente dito. Começou no início do ano, quando decidi fazer um novo fato para participar no concurso normal do Anicomics. Subitamente, a minha colega marca férias para o Sábado do evento! Não! Mas eu pensei... "Ainda posso ir ao ECG!" Porque tudo o que eu queria, queria mesmo, era fazer um sukito. Qual o meu horror quando soube que o ECG também ia ser no Sábado! Ora, em casual conversa na zona de fumantes do Iberanime, encontrei a mente que ordena e manipula os acontecimentos deste evento, o Mário. E disse-lhe isto e ele disse "olha, mas podes ir ao show :)" E eu fiquei... Yay! Passado um tempo, confirmei que realmente a situação era verdadeira e podia efectivamente ir ao show: como se uma pessoa mediocremente miserável como eu, mero insecto na grande escala divina da humanidade, tivesse realmente a importância devida para participar em coisa de tal importância! Portanto, preparei-me da melhor forma possível para fazer um sukito que tinha planeado há séculos, anos talvez!
    Assim, terminei o meu fato (embora tenha ocorrido um acidente com as orelhas) e na Sexta-Feira fui ao local ensaiar. Infelizmente, o meu cérebro é do tamanho de um tremoço e fui estacionar na Alameda. De lá, vim carregada com um malão com o fato, um escadote e uma cesta com uma maçã... Para chegar ao local e ver lá escrito, em grandes letras "Assembleia Municipal". E o meu cérebro diminuto pensou... "isto não deve ser aqui, aqui eles devem estar a debater o aborto ou outra coisa qualquer". Felizmente, encontrei a Leonor (Grácias) a meio do caminho e ela disse-me que era realmente ali, que eles só debatiam as coisas uma vez por semana.
    Lá chegada, reparei logo que o espaço era bem diferente do que o Anicomics sempre nos habituou. A própria estrutura aparentava ter capacidade para muito mais pessoas, o que seria uma coisa boa: afinal, a crítica principal nos anos anteriores era a falta de espaço. Entrando no auditório, vi que havia muito mais lugares sentados e que o palco era muito maior do que o habitual. Infelizmente, o palco - sendo maior - não era melhor que o anterior. Não sei, sempre nutri um carinho muito especial pelo palco da Biblioteca Orlando Ribeiro, que era acolhedor, simpático e, na realidade, excelente. Este novo palco tem muito potencial para muitos feitos, mas vi desde logo que o meu skit era muito pouco elaborado para o seu tamanho. Enfim, lá entreguei o meu audio ao Nhocas, que como sempre é o dominador do campo sonoro :) História curiosa, esta do audio: tinha ido almoçar com o meu pai e, quando me estava a ir embora, ocorreu-se-me que não tinha levado uma pen com o ficheiro. Assim, pedi à unidade parental masculina que me emprestasse uma pen e me deixasse ir ao seu computador sacar o ficheiro de um e-mail. A pen está cheia de discursos políticos destilando ódio, o que me parece algo excelente e merecido de ser partilhado. Talvez numa outra ocasião! =D
    Tinha planeado ser a primeiríssima a chegar, mas tinha um grupo e um rapaz à minha frente, devido ao percalço da Alameda. Mas fiz a minha cena duas vezes, sendo que a dúzia de pessoas que estava a assistir pareceu achar-lhe graça. A Fátima (coração do Anicomics) deixou que eu abandonasse o meu escadote aos cuidados dos voluntários, sendo que o deixei disponível caso fosse necessário subir para algum local moderadamente alto.
    Depois fui sair um bocadinho com o Qui e fui dormir para casa.
    Sábado acordei com dores pavorosas no corpo todo e fui trabalhar. Provavelmente devido ao facto de ter carregado um escadote ao ombro. Depois o Qui deu-me um banho de Voltaren, para que eu me sentisse melhor e funcionou mais ou menos.

    E assim chegamos ao

    Evento Propriamente Dito

    Cheguei por volta do meio-dia e fazia-se sentir um calor atroz. Desta feita, estacionei por debaixo do Fórum Lisboa. Pela primeira vez, reparei que havia um jardim, pleno de pessoas caninas que brincavam umas com as outras. Isso relaxou-me logo, pois amo estas criaturas inanas. Fui deixar a minha maleta pesada nos camarins e recuperar o meu escadote, que foi transferido para uma sala cheia de adereços, props, cenários e outros objectos fascinantes. Comentei que as pessoas, no geral, levam sempre coisas muito grandes, já que eu sou apreciadora do minimalismo cénico. No entanto, quem sou eu para falar o que quer que seja?! Eu tinha um motherfucking escadote! Um escadote inútil! Pesado e inútil!

    Depois vagueei por aqui e por ali, em busca de pessoas para tirar fotos e com quem trocar dois ou três dedos (dedos a sério, não de conversa!). Assim, obtive um lamiré do espaço, agora com habitantes. Estava, sem dúvida, bem estruturado. Na entrada, podíamos partir para dois lados. Num deles estavam jogos, coisa que não me cativou de sobremaneira. Para o outro lado, encontrávamos imediatamente uma loja com belas t-shirts e,de seguida, um bar com comidas e bebidas. Depois, de um dos lados, uma imensa banca da Kingpin, recheada de BD e bonecos de grandes cabeças (Pops é o nome?), enquanto que do outro lado ilustradores e artistas (que são bons artistas). A grande vantagem deste espaço é que estava relativamente fresco, perante o calor que se sentia, e tinha lugar suficiente para todos nós.

    Espaço por dentro 

     Espaço por fora

    Apenas mais tarde, depois de ter encontrado a Ana-san (tínhamos combinado que eu lhe emprestaria o meu computador portátil, de nome Asimov, para ela dar o seu workshop de Japonês), descobri que no andar de cima também havia artistas (que são bons artistas). Tinha na minha posse um cartão multibanco e cinco euros em moedas, que gastei nos seguintes artigos:

    • Um livro chamado "Vampiros", BD tuga
    • Uma rifa da Bubble Tea que me deu direito a umas bolachas de koala
    • Uma rifa em que ganhei um marcador da Haruhi e um ceno para o telefone (o gato)
    • Um porta-chaves com uma disquete, já que o Qui havia pedido um subenire
    • Diversos cartões de pessoas giras
    • O booklet do evento
    • Algures no tempo e no espaço perdi a minha credencial :(
    Ainda arrisquei perguntar a uma artista (que é boa artista) se tinha multibanco, já que lhe queria comprar a banca toda, mas ela olhou para mim como se eu fosse um tremoço com olhos. Era a moça que tem trajes típicos portugueses desenhados em estilo mega fixe.

    Ora, tanto gastei os meus cinco euros em moedas que fiquei sem dinheiro para comprar água e lanche. O que revela a minha inteligência superior, um perfeito exemplo de Mulher Sapiens... Entretanto encontrei uma série de pessoas amorosas, com as quais estive conversando e actualizando as actualidades do universo cosplaico. Conheci as mocinhas que ganharam o ECG, que eram do Porto e que, como corresponde às pessoas do Porto, eram extremamente simpáticas e fofinhas e bem vestidas. No entretempo apoderei-me de uma garrafa de água que havia ficado abandonada perto destas pessoas benevolentes, afirmando para mim mesma que "o dono desta garrafa certamente que não tem herpes!" Encontrei as minhas amiguinhas piriri (que tenho a certeza que nunca sabem quem é que eu sou, porque estou sempre de fatos diferentes xD ) e estivemos a debater quem venceria num combate mortal, se a Elsa ou a Sailor Rita. Mais tarde, divertiram-se a puxar-me a cauda: fiquei muito feliz por esta ter sido um sucesso junto das pessoas baixinhas! =D

    Pelas três horas da tarde fui-me vestir e saber quando deveria estar no backstage para o show. Disseram-me às quatro, sendo que depois me disseram às cinco (pois houve um atraso, o que é natural). Mas enfim, fui vestir-me.

    E ia morrendo.

    O meu fato, Holo de Spice and Wolf, consiste em três a quatro camadas de tecido. De lã, para ser mais exacta. Felizmente que a camisola era malha e tinha uns buraquinhos por onde entrava uma ligeira brisa. Achei por bem não por as orelhas, porque ficaram pavorosas (experimentei uma técnica nova, que não funcionou nada bem), mas o resto da construção do fato poderão analisar no meu Cosplay Portfolio, que actualizarei um dia destes. :)

    Suando que nem uma lula gigante do oceano pacífico, mantive-me conversando com as pessoas simpáticas, que aturam a minha incapacidade social com toda a mestria (tomem um coração <3 ) e tirando fotografias diversas a pessoas diversas. O desapontamento despontava quando progressivamente constatei que ninguém me iria tirar uma foto. O que me deixa sempre um pouco triste, porque este cosplay deu uma trabalheira medonha e porque todos deviam ver esta série e ler as novels porque é uma série fixe. Mas olhem, faz parte da vida e assim ela continua. Se uma pessoa se for importar demasiado com estas coisas, acaba por não se divertir nada e ficar demasiado frustrada para continuar a progredir nos objectivos em que acredita. :)

    Finalmente, fui para os camarins, onde um ar condicionado mantinha o ambiente minimamente habitável. Lá, diverti-me com as outras participantes a aparvalhar solenemente com o universo ao redor, partilhando canções memoráveis, como o techno cristão que um amigo descobriu no SoundCloud. Chegou perto de nós uma gaja mesmo linda vestida de WonderWoman e só muito mais tarde (para aí uns dez minutos depois de estar a falar com ela) é que percebi que era a Fátima e fiquei passada porque o fato lhe ficava belíssimo e eu não estava à espera e wow! Depois entrámos e a coisa foi mais ou menos assim:



    Ora bem, foi a Ana-san que gravou e quando ela chegou ao backstage para me devolver a câmera disse que não tinha percebido nada. Fiquei horrorizada! Para começar, fiquei horrorizada porque os meus objectos não estavam nas posições facilitadas que tinha planeado e fiquei cheia de medo de ter feito figura de palerma no palco, ainda por cima numa situação tão importante como o show... Isto porque, por maior que seja a boa vontade dos voluntários (que merecem um forte abraço na cabeça <3 ), o cenário nunca fica exactamente montado como nós idealizamos em casa. Daí ser importante ter cenários minimalistas, o que não foi o caso. No entanto, depois de ver o vídeo, fiquei mais aliviada porque afinal até está com bom ar :) Agora, o facto de não se ter percebido é que me estranha, porque realmente não havia nada que perceber. Era apenas uma música sobre lobisomens (que é quase o caso da Holo, não fosse ela um lobo transformado em rapariga) para as pessoas baterem palminhas e dançarem com seus rabos nas cadeiras. Infelizmente, aconteceu algo que eu havia previsto mas que, de qualquer forma, não queria: não houve adesão e não houve palminhas nem rabos dançantes. Isto é, não houve o efeito multidão que se tinha no espacinho antigo: era tudo tão aconchegado que se uma pessoa se ria, toda a gente começava a rir também. Aqui, era tudo tão grande que, me parece, os números ficaram diluídos. Quero dizer que, apesar de ter a certeza de que o público foi tão vasto como em anos anteriores, o local era enorme o suficiente para parecer que não estava quase ninguém no evento... Algo a pensar para o futuro, talvez :)

    De resto, a Ana-san cometeu a loucura simpática de gravar os skits todos do Show :) Portanto, deixo-vos aqui para os observarem! =D

    Eu vi este sukito das laterais e vi o pânico que ocorreu. Portanto, gostaria de deixar a mensagem às meninas que o resultado final está maravilhoso, apesar do senão! :)

    O meu foi o segundo e estaria aqui se eu não tivesse posto antes

     Sukito estreante para muitos participantes, que fixe! =D


     

     Quando ouvi os estrondosos gritos do público perante este sukito, percebi que a minha ideia do efeito multidão talvez fosse absolutamente despropositada... Confesso que me senti um pouco injustiçada, mas como pode o Ney vencer uma música como o LERIGOO? lool De resto, adorei ver estes vídeos e adoro aquele Olaf, só dá vontade de o comer!

    Depois, procedi a tirar toda a minha roupa e ficar de roupa interior a apanhar fresco. Contemplei ir assim para a rua e dizer que era um cosplay de pepino. Preparei tudo para me ir embora, recuperei o escadote e carreguei-o por ali abaixo até ao parque de estacionamento (cuja conta final foi exorbitante!)

    Cheguei a casa, tomei banho e dormi que nem um pedregulho com mil anos.

    Só depois vi as fotos que tirei. Fotos? Ela disse fotos?

    Sim.

    VIVA A FOTOFOTO!!





















    E assim vos deixo, com mais um pedido de desculpas pelo atraso na composição desta missiva. Foi um evento muito interessante e uma excelente experiência num novo palco! Espero que tenham todos apreciado, desde os participantes aos voluntários, passando por qualquer eventual plantelminte foliácio! =D Para o ano há mais e espero poder voltar a participar de alguma forma!

  • Em Busca do Tempo Perdido 1 - No Caminho de Swann

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    Em Busca do Tempo Perdido 1 - No Caminho de Swann
    Marcel Proust
    1913
    Romance

    E, como sou louca, iniciei-me numa outra empreitada literária: Em Busca do Tempo Perdido, um romance em sete volumes do início do século XX, escrito pelo muito famoso Marcel Proust.

    Ora, este livro corresponde exactamente ao seu nome: a procura de um tempo que já passou, um tempo que se perdeu. Mas, ainda assim, a sua leitura nunca se poderia considerar "tempo perdido", porque é deliciosa. É fabuloso ver como um livro que fala sobre absolutamente nada pode ser tão cativante, enquanto que livros modernos em que acontecem milhentas coisas acabam por ser perfeitamente inúteis (não irei citar nomes para não ofender algumas almas)

    Neste primeiro volume, o narrador é ainda criança e fala das suas vivências em Combray, uma terra um pouco afastada que se perde na natureza. No entanto, há um personagem constante, sobre o qual o livro se detém durante longo tempo: Swann. Qual a importância deste personagem na grande escala das coisas? A verdade é que o narrador acaba por se sentir influenciado por esta presença que, não sendo constante na sua vida, tem uma grande força moral no mundo infantil. Afinal, trata-se do pai do primeiro amor.

    Assim, temos uma grande parte do romance dedicada à forma como Swann conquista a sua actual esposa e como esta acaba por o fazer sofrer de diversas formas por não corresponder ao nível do seu amor. Isto pode parecer pouco consequente para a narrativa, mas serve como uma forma de caracterizar a época em que se vive. Repare-se que, para caracterizar a época, o autor não recorre a prolongadas descrições do ambiente dos salões ou das roupas. Em vez disso, prende-se nas questões dos hábitos e na qualidade dos diálogos.

    Um livro que se lê rápido, apesar da densidade, e que é simplesmente fascinante. Estou ansiosa por continuar a minha senda e passar desde já para o segundo volume, mas tenho outras leituras intercaladas para não fartar :p
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