• Contos Escolhidos

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    Contos Escolhidos
    Anton Tchekhov
    Século XIX
    Contos

    Esta é a minha primeira leitura dos livros da Feira do Livro. Apesar de já ter um volume de contos deste autor, adorei a edição e a capa e tomei o cuidado de ver no índice que ainda não tinha lido quase nenhum destes contos.

    São simplesmente fascinantes.

    Através de um olhar irónico e quase surrealista, Tchekhov observa os hábitos e costumes da Rússia da sua época, levando os seus personagens a tomar as atitudes mais humanas e lógicas dentro do contexto de cada conto. As suas palavras revelam uma grande paixão pela escrita e pela vida em geral, sendo que temos contos com temas muito variados mas que, apesar de tudo, nos mostram o que é viver enquanto pessoa numa sociedade que - por vezes - quase não se identifica como humana.

    Assim, temos contos sobre raparigas infelizes, sobre homens que perderam membros da família. Sobre um cão. Temos até um conto só sobre comida! E as pessoas destes contos vivem como se, realmente, tivessem existido realmente e tudo isto não passe de uma biografia colectiva de um mundo que já se perdeu.

    Confesso que me soube a pouco e que queria ler ainda mais contos deste autor. Mas, se calhar, vou procurar antes as suas peças. :)

  • Filho de Saul

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    Filho de Saul
    Lászlo Nemes
    Filme
    2015
    7 em 10

    É verdade que ando muito desnaturada com este espaço. A realidade é que esta última semana foi de loucos e mal tive tempo para vir aqui, sendo que dediquei todo ele a escrever o portentoso comentário do Anicomics. E este filme foi visto precisamente na noite anterior, por sugestão do Qui. Trta.se de um filme húngaro (o meu primeiro filme húngaro, penso eu), que ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

    É um filme curioso e tem um interesse abertamente evidente, já que relata a partir de outra perspectiva a vida dos reclusos de um campo de concentração nazi. Mas, desta feita, analisamos os reclusos que "trabalham" no campo de concentração, tendo por tarefa a eliminação dos outros prisioneiros.

    O tema tratado é forte e vem com o acrescento do desespero destas pessoas. O personagem principal é Saul, um homem que encontra uma criança morta e vê nela o seu filho (nunca é clarificado se ele realmente tem um filho). Perante isto, ele promete a si próprio que irá enterrar a criança devidamente, com a oração propícia dita por um rabino. Mas onde encontrar um rabino?

    Está tudo filmado da perspectiva deste homem, sendo que a imagem nunca se afasta muito dele. Assim, todos os horrores do campo de concentração passam em pano de fundo, como se se tratasse de algo puramente normal dentro desse contexto. Isto impressionaria muito, não fosse o azar de eu ter lido "As Benevolentes" há pouquíssimo tempo. Quero dizer que, comparado com este livro, o filme que vimos é um passeio no parque. Assim, o efeito saiu um pouco frustrado pela minha parte.

    No entanto, é extraordinário o trabalho de actor e de caracterização do cenário, que aparece claustrofóbico e horrendo, quase podemos sentir o cheiro nauseabundo. Ainda assim, achei a narrativa um pouco romanceada, pela forma como o personagem se safa sempre por golpes de sorte seguidos uns aos outros (que, felizmente, terminam num final espectacular).

    Assim, acabou por ser um filme que não pode ultrapassar a imagem que agora mantenho sobre os horrores da grande guerra. No entanto, acredito que o posso recomendar.
  • Anicomics Lisboa 2016

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    Anicomics Lisboa 2016
    Evento

    Já vou atrasada a escrever este portentoso comentário. Aliás, começo a escrevê-lo hoje, Segunda-Feira, e não tenho a certeza de que o consiga terminar em tempo coerente por motivos de cansaço. Na verdade, termino-o agora, Quarta-Feira. Ontem cheguei a casa e não me mantinha em pé, porque realmente foi um evento muito agitado para mim. Mas, falemos aqui de toda esta situação!
    Ora, tudo começou muito antes do evento propriamente dito. Começou no início do ano, quando decidi fazer um novo fato para participar no concurso normal do Anicomics. Subitamente, a minha colega marca férias para o Sábado do evento! Não! Mas eu pensei... "Ainda posso ir ao ECG!" Porque tudo o que eu queria, queria mesmo, era fazer um sukito. Qual o meu horror quando soube que o ECG também ia ser no Sábado! Ora, em casual conversa na zona de fumantes do Iberanime, encontrei a mente que ordena e manipula os acontecimentos deste evento, o Mário. E disse-lhe isto e ele disse "olha, mas podes ir ao show :)" E eu fiquei... Yay! Passado um tempo, confirmei que realmente a situação era verdadeira e podia efectivamente ir ao show: como se uma pessoa mediocremente miserável como eu, mero insecto na grande escala divina da humanidade, tivesse realmente a importância devida para participar em coisa de tal importância! Portanto, preparei-me da melhor forma possível para fazer um sukito que tinha planeado há séculos, anos talvez!
    Assim, terminei o meu fato (embora tenha ocorrido um acidente com as orelhas) e na Sexta-Feira fui ao local ensaiar. Infelizmente, o meu cérebro é do tamanho de um tremoço e fui estacionar na Alameda. De lá, vim carregada com um malão com o fato, um escadote e uma cesta com uma maçã... Para chegar ao local e ver lá escrito, em grandes letras "Assembleia Municipal". E o meu cérebro diminuto pensou... "isto não deve ser aqui, aqui eles devem estar a debater o aborto ou outra coisa qualquer". Felizmente, encontrei a Leonor (Grácias) a meio do caminho e ela disse-me que era realmente ali, que eles só debatiam as coisas uma vez por semana.
    Lá chegada, reparei logo que o espaço era bem diferente do que o Anicomics sempre nos habituou. A própria estrutura aparentava ter capacidade para muito mais pessoas, o que seria uma coisa boa: afinal, a crítica principal nos anos anteriores era a falta de espaço. Entrando no auditório, vi que havia muito mais lugares sentados e que o palco era muito maior do que o habitual. Infelizmente, o palco - sendo maior - não era melhor que o anterior. Não sei, sempre nutri um carinho muito especial pelo palco da Biblioteca Orlando Ribeiro, que era acolhedor, simpático e, na realidade, excelente. Este novo palco tem muito potencial para muitos feitos, mas vi desde logo que o meu skit era muito pouco elaborado para o seu tamanho. Enfim, lá entreguei o meu audio ao Nhocas, que como sempre é o dominador do campo sonoro :) História curiosa, esta do audio: tinha ido almoçar com o meu pai e, quando me estava a ir embora, ocorreu-se-me que não tinha levado uma pen com o ficheiro. Assim, pedi à unidade parental masculina que me emprestasse uma pen e me deixasse ir ao seu computador sacar o ficheiro de um e-mail. A pen está cheia de discursos políticos destilando ódio, o que me parece algo excelente e merecido de ser partilhado. Talvez numa outra ocasião! =D
    Tinha planeado ser a primeiríssima a chegar, mas tinha um grupo e um rapaz à minha frente, devido ao percalço da Alameda. Mas fiz a minha cena duas vezes, sendo que a dúzia de pessoas que estava a assistir pareceu achar-lhe graça. A Fátima (coração do Anicomics) deixou que eu abandonasse o meu escadote aos cuidados dos voluntários, sendo que o deixei disponível caso fosse necessário subir para algum local moderadamente alto.
    Depois fui sair um bocadinho com o Qui e fui dormir para casa.
    Sábado acordei com dores pavorosas no corpo todo e fui trabalhar. Provavelmente devido ao facto de ter carregado um escadote ao ombro. Depois o Qui deu-me um banho de Voltaren, para que eu me sentisse melhor e funcionou mais ou menos.

    E assim chegamos ao

    Evento Propriamente Dito

    Cheguei por volta do meio-dia e fazia-se sentir um calor atroz. Desta feita, estacionei por debaixo do Fórum Lisboa. Pela primeira vez, reparei que havia um jardim, pleno de pessoas caninas que brincavam umas com as outras. Isso relaxou-me logo, pois amo estas criaturas inanas. Fui deixar a minha maleta pesada nos camarins e recuperar o meu escadote, que foi transferido para uma sala cheia de adereços, props, cenários e outros objectos fascinantes. Comentei que as pessoas, no geral, levam sempre coisas muito grandes, já que eu sou apreciadora do minimalismo cénico. No entanto, quem sou eu para falar o que quer que seja?! Eu tinha um motherfucking escadote! Um escadote inútil! Pesado e inútil!

    Depois vagueei por aqui e por ali, em busca de pessoas para tirar fotos e com quem trocar dois ou três dedos (dedos a sério, não de conversa!). Assim, obtive um lamiré do espaço, agora com habitantes. Estava, sem dúvida, bem estruturado. Na entrada, podíamos partir para dois lados. Num deles estavam jogos, coisa que não me cativou de sobremaneira. Para o outro lado, encontrávamos imediatamente uma loja com belas t-shirts e,de seguida, um bar com comidas e bebidas. Depois, de um dos lados, uma imensa banca da Kingpin, recheada de BD e bonecos de grandes cabeças (Pops é o nome?), enquanto que do outro lado ilustradores e artistas (que são bons artistas). A grande vantagem deste espaço é que estava relativamente fresco, perante o calor que se sentia, e tinha lugar suficiente para todos nós.

    Espaço por dentro 

     Espaço por fora

    Apenas mais tarde, depois de ter encontrado a Ana-san (tínhamos combinado que eu lhe emprestaria o meu computador portátil, de nome Asimov, para ela dar o seu workshop de Japonês), descobri que no andar de cima também havia artistas (que são bons artistas). Tinha na minha posse um cartão multibanco e cinco euros em moedas, que gastei nos seguintes artigos:

    • Um livro chamado "Vampiros", BD tuga
    • Uma rifa da Bubble Tea que me deu direito a umas bolachas de koala
    • Uma rifa em que ganhei um marcador da Haruhi e um ceno para o telefone (o gato)
    • Um porta-chaves com uma disquete, já que o Qui havia pedido um subenire
    • Diversos cartões de pessoas giras
    • O booklet do evento
    • Algures no tempo e no espaço perdi a minha credencial :(
    Ainda arrisquei perguntar a uma artista (que é boa artista) se tinha multibanco, já que lhe queria comprar a banca toda, mas ela olhou para mim como se eu fosse um tremoço com olhos. Era a moça que tem trajes típicos portugueses desenhados em estilo mega fixe.

    Ora, tanto gastei os meus cinco euros em moedas que fiquei sem dinheiro para comprar água e lanche. O que revela a minha inteligência superior, um perfeito exemplo de Mulher Sapiens... Entretanto encontrei uma série de pessoas amorosas, com as quais estive conversando e actualizando as actualidades do universo cosplaico. Conheci as mocinhas que ganharam o ECG, que eram do Porto e que, como corresponde às pessoas do Porto, eram extremamente simpáticas e fofinhas e bem vestidas. No entretempo apoderei-me de uma garrafa de água que havia ficado abandonada perto destas pessoas benevolentes, afirmando para mim mesma que "o dono desta garrafa certamente que não tem herpes!" Encontrei as minhas amiguinhas piriri (que tenho a certeza que nunca sabem quem é que eu sou, porque estou sempre de fatos diferentes xD ) e estivemos a debater quem venceria num combate mortal, se a Elsa ou a Sailor Rita. Mais tarde, divertiram-se a puxar-me a cauda: fiquei muito feliz por esta ter sido um sucesso junto das pessoas baixinhas! =D

    Pelas três horas da tarde fui-me vestir e saber quando deveria estar no backstage para o show. Disseram-me às quatro, sendo que depois me disseram às cinco (pois houve um atraso, o que é natural). Mas enfim, fui vestir-me.

    E ia morrendo.

    O meu fato, Holo de Spice and Wolf, consiste em três a quatro camadas de tecido. De lã, para ser mais exacta. Felizmente que a camisola era malha e tinha uns buraquinhos por onde entrava uma ligeira brisa. Achei por bem não por as orelhas, porque ficaram pavorosas (experimentei uma técnica nova, que não funcionou nada bem), mas o resto da construção do fato poderão analisar no meu Cosplay Portfolio, que actualizarei um dia destes. :)

    Suando que nem uma lula gigante do oceano pacífico, mantive-me conversando com as pessoas simpáticas, que aturam a minha incapacidade social com toda a mestria (tomem um coração <3 ) e tirando fotografias diversas a pessoas diversas. O desapontamento despontava quando progressivamente constatei que ninguém me iria tirar uma foto. O que me deixa sempre um pouco triste, porque este cosplay deu uma trabalheira medonha e porque todos deviam ver esta série e ler as novels porque é uma série fixe. Mas olhem, faz parte da vida e assim ela continua. Se uma pessoa se for importar demasiado com estas coisas, acaba por não se divertir nada e ficar demasiado frustrada para continuar a progredir nos objectivos em que acredita. :)

    Finalmente, fui para os camarins, onde um ar condicionado mantinha o ambiente minimamente habitável. Lá, diverti-me com as outras participantes a aparvalhar solenemente com o universo ao redor, partilhando canções memoráveis, como o techno cristão que um amigo descobriu no SoundCloud. Chegou perto de nós uma gaja mesmo linda vestida de WonderWoman e só muito mais tarde (para aí uns dez minutos depois de estar a falar com ela) é que percebi que era a Fátima e fiquei passada porque o fato lhe ficava belíssimo e eu não estava à espera e wow! Depois entrámos e a coisa foi mais ou menos assim:



    Ora bem, foi a Ana-san que gravou e quando ela chegou ao backstage para me devolver a câmera disse que não tinha percebido nada. Fiquei horrorizada! Para começar, fiquei horrorizada porque os meus objectos não estavam nas posições facilitadas que tinha planeado e fiquei cheia de medo de ter feito figura de palerma no palco, ainda por cima numa situação tão importante como o show... Isto porque, por maior que seja a boa vontade dos voluntários (que merecem um forte abraço na cabeça <3 ), o cenário nunca fica exactamente montado como nós idealizamos em casa. Daí ser importante ter cenários minimalistas, o que não foi o caso. No entanto, depois de ver o vídeo, fiquei mais aliviada porque afinal até está com bom ar :) Agora, o facto de não se ter percebido é que me estranha, porque realmente não havia nada que perceber. Era apenas uma música sobre lobisomens (que é quase o caso da Holo, não fosse ela um lobo transformado em rapariga) para as pessoas baterem palminhas e dançarem com seus rabos nas cadeiras. Infelizmente, aconteceu algo que eu havia previsto mas que, de qualquer forma, não queria: não houve adesão e não houve palminhas nem rabos dançantes. Isto é, não houve o efeito multidão que se tinha no espacinho antigo: era tudo tão aconchegado que se uma pessoa se ria, toda a gente começava a rir também. Aqui, era tudo tão grande que, me parece, os números ficaram diluídos. Quero dizer que, apesar de ter a certeza de que o público foi tão vasto como em anos anteriores, o local era enorme o suficiente para parecer que não estava quase ninguém no evento... Algo a pensar para o futuro, talvez :)

    De resto, a Ana-san cometeu a loucura simpática de gravar os skits todos do Show :) Portanto, deixo-vos aqui para os observarem! =D

    Eu vi este sukito das laterais e vi o pânico que ocorreu. Portanto, gostaria de deixar a mensagem às meninas que o resultado final está maravilhoso, apesar do senão! :)

    O meu foi o segundo e estaria aqui se eu não tivesse posto antes

     Sukito estreante para muitos participantes, que fixe! =D


     

     Quando ouvi os estrondosos gritos do público perante este sukito, percebi que a minha ideia do efeito multidão talvez fosse absolutamente despropositada... Confesso que me senti um pouco injustiçada, mas como pode o Ney vencer uma música como o LERIGOO? lool De resto, adorei ver estes vídeos e adoro aquele Olaf, só dá vontade de o comer!

    Depois, procedi a tirar toda a minha roupa e ficar de roupa interior a apanhar fresco. Contemplei ir assim para a rua e dizer que era um cosplay de pepino. Preparei tudo para me ir embora, recuperei o escadote e carreguei-o por ali abaixo até ao parque de estacionamento (cuja conta final foi exorbitante!)

    Cheguei a casa, tomei banho e dormi que nem um pedregulho com mil anos.

    Só depois vi as fotos que tirei. Fotos? Ela disse fotos?

    Sim.

    VIVA A FOTOFOTO!!





















    E assim vos deixo, com mais um pedido de desculpas pelo atraso na composição desta missiva. Foi um evento muito interessante e uma excelente experiência num novo palco! Espero que tenham todos apreciado, desde os participantes aos voluntários, passando por qualquer eventual plantelminte foliácio! =D Para o ano há mais e espero poder voltar a participar de alguma forma!

  • Em Busca do Tempo Perdido 1 - No Caminho de Swann

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    Em Busca do Tempo Perdido 1 - No Caminho de Swann
    Marcel Proust
    1913
    Romance

    E, como sou louca, iniciei-me numa outra empreitada literária: Em Busca do Tempo Perdido, um romance em sete volumes do início do século XX, escrito pelo muito famoso Marcel Proust.

    Ora, este livro corresponde exactamente ao seu nome: a procura de um tempo que já passou, um tempo que se perdeu. Mas, ainda assim, a sua leitura nunca se poderia considerar "tempo perdido", porque é deliciosa. É fabuloso ver como um livro que fala sobre absolutamente nada pode ser tão cativante, enquanto que livros modernos em que acontecem milhentas coisas acabam por ser perfeitamente inúteis (não irei citar nomes para não ofender algumas almas)

    Neste primeiro volume, o narrador é ainda criança e fala das suas vivências em Combray, uma terra um pouco afastada que se perde na natureza. No entanto, há um personagem constante, sobre o qual o livro se detém durante longo tempo: Swann. Qual a importância deste personagem na grande escala das coisas? A verdade é que o narrador acaba por se sentir influenciado por esta presença que, não sendo constante na sua vida, tem uma grande força moral no mundo infantil. Afinal, trata-se do pai do primeiro amor.

    Assim, temos uma grande parte do romance dedicada à forma como Swann conquista a sua actual esposa e como esta acaba por o fazer sofrer de diversas formas por não corresponder ao nível do seu amor. Isto pode parecer pouco consequente para a narrativa, mas serve como uma forma de caracterizar a época em que se vive. Repare-se que, para caracterizar a época, o autor não recorre a prolongadas descrições do ambiente dos salões ou das roupas. Em vez disso, prende-se nas questões dos hábitos e na qualidade dos diálogos.

    Um livro que se lê rápido, apesar da densidade, e que é simplesmente fascinante. Estou ansiosa por continuar a minha senda e passar desde já para o segundo volume, mas tenho outras leituras intercaladas para não fartar :p
  • Hyouge Mono

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    Hyouge Mono
     Mashimo Koichi - Bee Train
    Anime - 39 Episódios
    2011
    6 em 10

    Também há algum tempo que não falava de animus, mas a verdade é que me demorei bastante neste... Simplesmente, nunca me apetecia vê-lo. Não que tenha sido excepcionalmente longo, 39 episódios não é nada, mas... Não me apetecia vê-lo.

    Então e porquê?

    Este anime é passado na época dos samurais, com suas guerras e seus problemas, mas com uma pequena variante: o personagem principal gosta de chá, de fazer chá e de coleccionar artigos relacionados com chá. Fora isso, foi dos animes mais aborrecidos que vi ultimamente. O que me choca, porque a maioria dos meus amigos lhe deu um sólido 10/10, que eu não consigo compreender de forma alguma.

    Para começar, estes personagens falam. Falam e falam. Passam o anime inteiro a falar. Falam de quê? De nada que interesse. A sua caracterização perde-se pelo meio de milhares de palavras que, para mim, não fizeram sentido algum. Os diálogos eram ininteligíveis e nada ajudados por um conjunto de vozes perfeitamente desapropriado. Todos os personagens pareciam falar de todos os assuntos com uma pontada de ironia cómica, que ficaria bem se se tratasse de um anime de comédia mas que acaba por ficar contra-natura num anime que tem intenção de ser um relato mais ou menos regular da vida e obra de um personagem em particular.

    O mesmo acontece com as expressões dos personagens. Dentro do contexto, aparecem absolutamente descabidas. As personagens, juntamente com o design, aliadas às vozes, tornam este anime de conversação numa experiência absolutamente bizarra, porque as coisas não jogam umas com as outras de forma alguma.

    Se temos um conjunto de designs fiéis à época que se pretende retratar, temos também alguns momentos de animação digital que, estando bem feitas, não estão integradas no resto do anime e destoam em absoluto. Mais um elemento que torna este anime de chá numa verdadeira sopa fria.

    E o facto final que se adiciona a este cozido de nhanha é a música. Certamente que em alguns contextos históricos a utilização de música pop funciona pelo contraste. Mas aqui é simplesmente anti-climática. As peças, individualmente, são bastante interessantes. Mas dentro da série não têm nada a ver com nada.

    Assim, este anime poderia ter sido excelente se, simplesmente, fosse completamente diferente. Parece-me a mim que, na minha opinião, falharam em juntar todo um conjunto de aspectos que, separadamente, funcionariam bem. No entanto, acredito que para os meus amigos do 10/10 seja precisamente este facto que os fascinou.

  • As Minhas Lembranças Observam-me

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    As Minhas Lembranças Observam-me
    Tomas Tranströmer
    2012
    Auto-Biografia 

    Pela primeira vez, participei numa BookBox no BookCrossing! Consiste no seguinte: existe um conjunto de livros que vão de pessoa para pessoa. Uma pessoa tira um e mete outro (ou mais). Eu tirei este e pus dois. Não conhecia o autor, um poeta sueco, mas como gostei do título achei que este seria um bom livro.

    É um livrinho simpático, que fala da infância do poeta e da forma como ele foi divergindo os seus interesses até chegar ao ramo da poesia, sendo que aparecem aqui alguns poemas inéditos, os seus primeiros. Para quem não conhece o autor, como é o meu caso, o livro acaba por servir mais como uma pequena forma de caracterizar a vida e a sociedade na época da segunda grande guerra.

    É um relato único dos sentimentos de uma criança filha de pais divorciados nesta época, da forma como ele se sentia diminuído perante os colegas mas também da forma como acabou por ultrapassar este elemento.

    Achei muito engraçado o seu interesse inicial pelo mundo da biologia, o que mais uma vez prova que a vida animal e vegetal é do interesse de (quase) todas as crianças (sendo que é raro manter-se na vida adulta, haha)

    Quanto aos poemas, são realmente poemas da juventude, mas remetem-nos para temas modernos para uma pessoa desta idade. Fiquei com vontade de ler os poemas que mereceram o prémio Nobel.

    Agora irá viajar até outras paragens! Obrigada! :)
  • 86ª Feira do Livro de Lisboa

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    86ª Feira do Livro de Lisboa

    Por estes dias, fomos também à Feira do Livro. Como já se sabe, é coisa que eu não posso perder, porque eu me alimento de livros e não posso morrer à fome (apesar de ter um stock de livros infinitos devido ao meu pai, que tem uma tara semelhante à minha)
    Fomos de autocarro até lá e a primeira coisa que reparei é que aquela zona está toda em obras. O que acaba por ser um pouco desagradável. Para além disso está cheia de autocarros cheios de turistas, o que ainda se torna pior. No entanto, a Feira em si até estava bastante vazia, pelo que foi fácil movimentar-nos e não morremos de calor e cansaço como das últimas vezes.

    O nosso circuito foi do lado direito para o esquerdo, depois subir o esquerdo e descer de novo pelo direito. Assim vimos tudo. E eu queria comprar tudo, mas eu tinha uma quota a cumprir que era a de cinco livros. O Qui teve de me agarrar por diversas vezes para que eu me conseguisse controlar, sempre com argumentos como "tu não queres esse" ou "o teu pai tem esse" ou "aouarrgh". Apesar de me ter sugerido um, o Dune, dessa vez fui eu a dizer "o meu pai tem esse". :)

    No entretempo, tirámos algumas fotografias para recordar e bebemos uma imperial. Depois, lanchei um gelado (um perna-de-pau), porque tenho andado fascinada com a ideia dos gelados.

    Os livros que obtive foram, então:

    - Lord Jim (Joseph Conrad) - tinha visto este livro numa lista de recomendações que partilharam no BookCrossing que nos tornariam pessoas melhores; assim, acabei por o adquirir. Mas não foi uma boa compra, porque o livro foi muito caro para o estado em que se encontra
     - The Hitchiker's Guide to the Galaxy (Douglas Adams) - uma versão que tem os cinco livros num único volume
    - Bestiário (Júlio Cortazar)
    - Contos (Anton Tchékov) - já li um deles, mas como tem muitos mais para além desse decidi comprá-lo, pois adoro este autor
    - Manual de Escrita Criativa - para ver se escrevo melhor

    Reparei que, este ano, os livros estavam muito mais caros. Não cheguei a encontrar nenhum que custasse menos de cinco euros, o que para alguns títulos me pareceu um exagero. Fiquei fascinada na banca da Europress, mas estava quase no fim da minha quota e decidi guardar a BD para quando for a um evento de anime (fica a dica para meterem mais BD tuga nos eventos de anime!).

    Fique também nota para as casas de banho que, apesar de serem portáteis, até estavam bastante aceitáveis no nível de limpeza.

    E assim, foi uma tarde muito simpática. Deixo-vos uma fotografia com o meu primeiro livro, dentro de um saquinho muito tradicional :)


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