• Catching Fire

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    Catching Fire
    Francis Lawrence
    2013
    Filme
    6 em 10

    Entre Sábado de ensaio e Domingo de Iberanime não podíamos deixar de ver a continuação de Hunger Games. Infelizmente, este filme não se coadunou com as expectativas causadas pelo primeiro volume da saga, talvez pela mudança de realizador e equipa técnica de script e tudo o mais.

    A parte mais curiosa deste livro é a situação dos Hunger Games seguintes, em que o jogo está estruturado de tal forma que há patente desenvolvimento de todos os personagens secundários, havendo uma identificação do leitor com estes. Mas, neste filme, dedicaram-se sobretudo ao desenvolvimento dos personagens principais e da sua relação amorosa, que não é a mesma do que no livro.

    Assim, temos um filme algo mortiço, recheado de diálogos sem grande qualidade que acabam por demonstrar um pouco a infantilidade do livro de origem: apesar de tudo, continua a tratar-se de uma obra para a adolescência. A secção relativa aos jogos, isto é, à ilha, é relegada para a parte final do filme. Desta forma, acaba por não haver desenvolvimento merecido dos personagens secundários (ergo, os outros participantes do jogo), e muito menos da estrutura da ilha, o que era - sem dúvida - a minha parte preferida do livro.

    As cenas de acção aparentam também ser um pouco mais fracas, sendo evidente que a velhota foi frequentemente substituída por um boneco, mas continuamos sem abusar dos efeitos digitais, o que é sempre de valor.

    Aparenta ser o chamado "filme de transição", pelo que espero que o final da saga (composto por dois volumes em vez de um único filme, sabe-se lá porque razão) seja um pouco melhor.

    Nota: este filme prolonga-se por duas horas e meia e algures a meio dele começa a parecer que nunca mais vai acabar.

  • Iberanime 2016

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    Iberanime 2016
    Evento
    Ora bem, mais um ano, mais um Iberanime... E desta vez eu não estava a trabalhar! Viva! Viva eu! Desta feita, lembrei-me de um sukito de grupo que já queria fazer há muito tempo, mas para o qual ainda não me tinha ocorrido procurar pessoas que se ajuntassem para o projecto. Felizmente, assim que falei com algumas gentes, logo conseguimos reunir cinco pessoas maravilhosas para atrofiar em palco e fazer uma coisa que gira! =D
     
    Portanto, começarei pelo dia de Sábado, que foi uma espécie de pré-evento que se constituiu de um
     
     
    Ensaio!

    Sábado. Hora de almoço. Terminei a minha aula e chove, porque se trata do fim do mundo. Chove mesmo uma multidão imensa de gotas, grandes e pequenas, todas molhadas e encharcadas. O trânsito está um caos, a estrada está um caos, ainda preciso de ir ao Vasco da Gama almoçar e, entre weeaboos e turistas franceses com parkas vermelhas, está tudo um caos. Hiperventilando, engulo uma salada de massa fria que adquiri por um preço exorbitante, e vou a correr buscar o nosso prop ao carro, para o levar ao ponto de encontro. Chove. 

    No ponto de encontro, há um desencontro e acabamos por ser só três a ensaiar. Como vamos fazer isto? Para mais, já disse que estava a chover? É que estava e muito. O Pavilhão de Portugal, onde tínhamos pensado ensaiar, estava cheio de bicicletas e pessoas vestidas com papel de alumínio de cozinha. E tudo encharcado! Então, lá fomos os três (mais auxiliar :) ) para debaixo da estação dos autocarros, onde eu tinha visto um piquenique.

    Lá, pintámos o nosso prop: um belíssimo objecto recortado pela minha pessoa, com uma forma facilmente identificável, claramente um dos melhores cenários que alguma vez tive a graça de conceber. E pintado ficou ainda melhor! Porque pelo menos um elemento do grupo, tem jeitaça para pintar cenas!

    Ensaiamos bastante e chegámos à conclusão de que não íamos nunca aprender a dança que havíamos planeado. Então dançámos a carvalhesa, eu fiz a parte de uma pessoa que estava ausente, arrumámos mais ou menos as ideias e gravámos um vídeo para mostrar.

    Aguardo ansiosamente o download desse vídeo, para o colocar na minha página e mostrar ao mundo o processo de criação! =D Falando em processo de criação, vou-vos falar de uma cena: este skit, não fui eu que o fiz. Eu, por mim, só me lembrei da música idiota. O resto, fizemos toooodos juntos! Foram algumas semanas de conversas pelo face e pelo skype, a pensar em novas ideias, a fazer brainstorming, a corrigir detalhes do audiovisual... É sempre fantástico quando se reúne um grupo de pessoas malucas, todas a trabalhar pelo mesmo objectivo que é.... RIR!

    Portanto, passo a apresentar os membros da troupe!

    Com o poder do fogo! Pedro.... Gokuh!
    Com o poder da terra! Tatiana.... NamelessDreamer!
    Com o poder do ar! Tabby.... Tarzan!
    Com o poder da água! Catarina.... Catarina!
    E com o poder do pum! Eu!

    Juntos fazemos...

    Os Dragonbólicos Anónimos! 




    Depois, voltei para casa e o Bequi (o meu carro) aquaplanou numa poça de água gigante e eu ia morrendo do coração. Por um instante não ia haver Bulma D: Entretanto o Qui veio ter aqui onde estou, jantámos, vimos um filme (comentarei de seguida) e só no final reparámos que o filme tinha quase três horas e que já era de madrugada.

    Dia de Evento Propriamente Dito

    Tinha ido dormir sabendo que teria de acordar muito cedo e que, por isso, só ia dormir cerca de três horas. E assim foi: tocou o relógio, acordei, meti no snooze; o snooze tocou, acordei, desliguei e fechei os olhos para ganhar impulso para me levantar. Mas nunca mais me levantei. Só acordei às 8:50, uma hora e vinte mais tarde do que tinha planeado. Tinha de estar no backstage às 9:00. 

    Estão a ver o pânico induzido daquele momento de despertar? É que nem deu tempo para ter ressaca!

    Telefonando e mandando mensagens a todos os dragonbólicos ao mesmo tempo, despachei-me em tempo record e voei até ao Parque das Nações! Um caminho que costumo fazer em meia hora... Dez minutos e estava já a correr para o Pavilhão Atlântico (que eu sei que agora é Meo Arena, mas eu não o vou chamar isso, coitado). À chegada, vi o primeiro elemento estranho: uma fila com para aí uns mil e trezentos metros de comprimento, com pessoas à espera. Pensei que no dia anterior esta fila deve ter sido um sofrimento sofrido, porque chovia copiosamente. Vi a fila para apanhar as credenciais e dei uma de cara podre: estava uma hora e meia atrasada para a minha cena, podiam deixar-me passar à frente que era uma coisa rápida? Deixaram, porque o pessoal é todo super-fixe e bacanudo. <3 Infelizmente, demorou mais do que eu pensava: a senhora começou a fazer telefonemas diversos e só passado uns minutos me disse que não era ali, era acoli, numa porta que eu não havia encontrado no dia anterior.

    Repare-se que eu tinha falado com esta senhora no Sábado a propósito de outro assunto que relatarei aqui. Passou-se que nos enviaram um e-mail dizendo informações diversas, incluindo o facto de os acompanhantes precisarem de bilhete para entrar. Até aí tudo bem. No entanto, dizia também que eles não podiam entrar connosco às 9:00. Só às 10:30, na abertura de portas. Ora, isto para a senhora só fez sentido depois de lhe explicar, mas a verdade é que os cosplayers precisam de acompanhantes por razões diversas: carregar coisas, dar beijinhos, buscar águas, ajudar a vestir, etc. etc. No nosso caso, não precisávamos de muita ajuda, como é evidente. Mas estavam lá pessoas com fatos bem mais complexos a quem certamente faria falta um acompanhante para ajudar! E o acompanhante estava restrito! Quando eu expliquei isto à senhora no Sábado, ela ficou muito pálida, ciente de que isto era uma excelente ideia para eventos futuros. Disse que ia apontar. E, realmente, não sei o que fez a boa senhora, mas deixaram o Qui entrar para o backstage como uma pessoa normal, dando-lhe a merecida fita azul a dizer "Iberanime".

    Lá dentro, após uma sucessão de portas sem fim, encontrei o resto das pessoas. E fomos ensaiar! A primeira parte do dia consistiu, essencialmente, em ensaiarmos todos juntos muitas vezes, para alinharmos todas as ideias. A dança da carvalhesa foi eliminada (boo), acrescentámos mais detalhes que nos pareceram giros e rimos milhões no processo. Por exemplo, senhor do staff do Pavilhão Atlântico: "OH VEGETA!"

    E depois foi o concurso propriamente dito! Éramos os terceiros a entrar e nessa altura deu-me o buzz do palco e depois... Correu lindamente! Não podia ter corrido melhor! O público bateu palminhas, riu-se connosco, acho que gostaram :) Mas, o mais importante, para nós foi mesmo muito divertido, estávamos todos concentrados, demos o melhor que podíamos e foi um sukito cheio de uma energia que eu já não encontrava em mim própria há muito tempo!

    Deixo-vos aqui o vídeo, caso não tenham tido oportunidade de ver :)
    (Está a fazer o upload, amanhã já o devo por aqui)

    Depois, fomos almoçar e foi, mais ou menos, cada um para seu lado (embora nos tenhamos voltado a ver ao longo do evento). Infelizmente, só deu para ver um dos outros skits, um de LoL, que apanhámos de passagem de quando estávamos a voltar da rua entre a nossa actuação e o fim do concurso. Estava muito engraçado, pelo que vi, e as pessoas estavam a adorar! :)
    Almoço de hamburguesas e estamos de volta. Tinha começado a chover e estava um frio de morte matada. No regresso, depois de um merecido café, ainda considerei entrar pela porta dos normais, mas continuava uma fila desregrada. Assim, fizemos uso dos nossos poderes e fomos pelo backstage. Mas, devo dizer, que backstage complicado! Portas e mais portas, num ambiente quase kafkiano, sempre com seguranças, guardas e meninas de lenço azul a dizer que não podíamos estar ali, que devíamos estar em outro lugar, que isto e que coiso e que cena e que o elevador é só para as pessoas. Porque nós, na verdade, somos umas plantas que fugiram do Horto do Campo Grande.

    Agora, sobre o espaço.

    Um pavor. Aumentaram o espaço, é verdade, mas também aumentou a afluência. Apesar de Domingo ser um dia tipicamente mais calmo, a zona das lojas estava um verdadeiro motim. Mal havia espaço para andar, quanto mais ver o material que estava à venda! Acho que grande culpa disto se deve às pessoas em si... As pessoas não sabem circular, é tudo ao molho e fé em deus. Devíamos ser um pouco mais organizados e andar pela direita, facilitava logo tudo. O ar era quase irrespirável e tirar fotografias aos (poucos) cosplayers que ia vendo era uma aventura digna de Dante. Para além disso, pareceu-me que as bancas estavam organizadas de uma forma que em nada aproveitava o espaço disponível, tornando-o muito menor do que deveria ser.

    Quanto às lojas, pareceu-me haver um exagero na secção de gaming, sendo que praticamente metade do espaço era dedicado a este. Mas talvez para outras pessoas tenha sido o melhor do evento. A variedade era pouca, com muito pouco manga e quase nenhuma BD. Os preços era um exagero (5€ por um porta chaves com 1 cm de comprimento?) e havia muito pouca variedade nos produtos oferecidos, sendo que quase tudo era relativo às séries da moda ou simplesmente objectos randómicos, como peluches de bichos fofos. O meu objectivo do dia era comprar um porta-chaves, uma caneca e uma capa para o telemóvel, mas nesta parte do evento nada do que eu queria foi encontrado.

    Gostaria de deixar uma nota para os rapazes da banca dos jogos de tabuleiro, que foram mesmo muito simpáticos quando comprei um D20 roxo. Perguntaram-me porque queria o dado e eu expliquei que queria começar a jogar D&D mas que nunca tinha tido oportunidade de ir a um dos encontros organizados pelos grupos a que pertenço, pois calham sempre em dias que não posso. Imediatamente me deram uma série de nomes de grupos a quem me poderia juntar, o que foi realmente muito amigo da parte deles! :)

    Passámos pelo workshop de perucas da convidada especial, que parecia estar a ser difícil de compreender por causa da barreira linguística.

    Fomos assistir, seguidamente, à entrega dos prémios, mas não nos calhou nada. Parabéns aos vencedores! E depois de umas fotos no backstage e balneários, despedimo-nos para ir ver os

    Blasted Mechanism!

    Devo dizer-vos que já vi Blasted meia centena de vezes, em festas e festivais diversos, com pessoas e pessoas diversas. Assim, foi uma experiência algo engraçada vê-los num evento em que a populaça geral tem uma idade diminuta, relativamente à base de fãs desta banda. Foi um concerto cheio de energia, embora desse a entender que a banda estava a ter alguns problemas de gestão do espaço: o palco foi bastante bom para o cosplay, com um excelente auditório (embora um sistema de som um pouco deficiente), mas para uma banda que pula e rebola como os Blasted era manifestamente pequeno.

    Mas o público estava em altas e a banda comunicou perfeitamente com as filas da frente. Passados instantes, todos nós dançávamos, se bem que eu e o Qui aproveitámos o concerto um pouco mais afastados na lateral, onde eu podia dar largas aos meus fantásticos moves dançóides, que me fazem parecer uma débil física (com uma afro azul)

    Passado mais ou menos uma hora, achei por bem irmos ver os artistas (que são bons artistas), no andar superior. A escada parecia uma perspectiva aterrorizante, portanto usámos o elevador que era só para pessoas e não para nós (recordem que somos plantas). Lá em cima, um ambiente muito mais calmo e refrescante. Já lá tínhamos ido buscar uma cerveja, mas o preço não era nada apelativo. Enfim, visitámos as bancas e aí fiz eu a maioria das minhas compras que são as que se seguem:



    • Um porta-chaves com a Chii
    • Uma caneta com estrelinhas e duas pontas
    • Um D20 roxo
    • Um autocolante com aquela cena peluda
    • Um desconto de 15% no Horto do Campo Grande, onde poderei ir resgatar um dos meus familiares vegetais
    Repare-se que na banca dos bonsais o rapaz nos explicou muita coisa sobre eles, o que mais nega a minha vontade de ter um, porque são criaturas emocionais que precisam de muitos cuidados.

    Quanto ao resto das bancas, foi a parte mais interessante, porque havia muita coisa para ver. Achei que as das pontas ficaram muito renegadas, pois o público nunca tenderia a deslocar-se para lá. Havia também, curiosamente, alguma variedade de Zines. Estive quase para comprar uma com trajes portugueses (amei os desenhos!) mas já estava curta de dinheiros.

    Mas falta a parte que mais interessa a todos vós, sobretudo aqueles que tiveram a candura de aceitar o meu forçado cartão! Aí vêem elas.... São as....

    FOTOS!!! 

     Foto no banheiro, porque eu sou assim
     







     Fotos tiradas especialmente para o nosso Zé Gato ver :)
     










     Passei-me GRANDEMENTE quando vi este personagem, porque o amo de paixão e era um dos meus maridos e eu adoro e AAAAH
     

     Um concerto de algo que estava a dar na parte de cima


    Um bonsai com 40 anos, mais velho que eu
     
     
    Esta ficou no fim porque não queria fazer o upload, mas amei este fato e quero fazer um igual um dia!

     
    E assim se conclui o meu relato! Essencialmente, tive um grupo genial com o qual me ri milhões e tive o Qui comigo, o que é sempre uma variedade, mas.... O evento não valia a pena o dinheiro do bilhete. Nem pelo convívio, porque a confusão era tanta que nem consegui falar decentemente com quem quer que fosse (Ana-san, desculpa ter-te perdido!). Espero que oiçam as críticas como sempre têm feito e que para o ano o Iberanime volte a ser o evento familiar e amigo que sempre nos habituou a ser!

    Por agora, boa noite, que já se faz tarde!

     
  • Highschool of the Dead

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    Highschool of the Dead
    Araki  Tetsurou - Madhouse Studios
    Anime - 12 Episódios
    2010
    7 em 10

    Este anime é tão famoso e tão falado, que eu sabia mais ou menos o assunto que ia tratar: zombies e mamocas aos pulos. No entanto, acabou por me surpreender de tal forma que foi um vício absoluto até o terminar!

    É um dia de escola normal, quando aparecem os zombies! Os sobreviventes a esta primeira razia, têm agora que se unir e lutar contra esta força imparável e perigosamente difícil de vencer. Isto é a premissa habitual de um filme ou série com este tema: falar da luta pela sobrevivência de um grupo de pessoas. Temos zombies clássicos, desprovidos de intelecto e com alguma rapidez, em grandes números. Temos armas improváveis. E, sobretudo, temos muita roupa interior e grandes planos de anatomia feminina.

    Em que é que isto pode ser bom, perguntam vós? Tudo isto acaba por se aproximar da excelência a partir do momento em que os nossos personagens são desenvolvidos até ao tutano, revelando muito mais do que se poderia esperar dos modelos femininos de animes do mesmo género, ecchi. Cada personagem é revelada em várias camadas de complexidade, acabando por demonstrar ser muito mais do que aquilo que aparenta quando colocados em situações cada vez mais agressivas, quer em termos físicos quer psicológicos. Para além disso, a "força" física de cada personagem, e os talentos que podem ser usados na luta contra os zombies, é estabelecido logo desde o início, sendo que em todos eles há uma patente evolução na capacidade de resolução de problemas que torna toda esta aventura numa experiência quase fatigante: é como se nós, espectadores, também ali estivéssemos em guerra contra estas criaturas.

    A animação é extraordinária em todas as cenas de acção, sendo que estão coreografadas lindamente, sem nunca esquecer o abuso de esguichos de sangue. O ambiente é negro, fazendo uso de uma paleta escura para simbolizar o desespero destes personagens. Acredito que a maioria dos críticos fiquem de pé atrás pelo exagero das formas femininas (que aparecem em todas as situações, desde suporte para espingardas até miss t-shirt molhada), mas para mim este elemento foi - tal qual um filme B do piorio - parte do "estilo" escolhido para apresentar a história. Certamente que algumas cenas, sobretudo as envolventes de planos amorosos um pouco mal definidos, me desagradaram um pouco. Mas posso afirmar que este anime não ficaria melhor sem as cenas ecchi: as cenas ecchi fazem *parte* do anime.

    Musicalmente, temos muita variedade, toda ela bastante apropriada ao contexto, havendo diversas EDs quase viciantes por onde escolher.

    Foi um anime que me tocou de certa forma, um exemplo do excelente que se pode fazer dentro de um género que tem tanto de mau como de pessoas que o apreciam. A frase final arrepiou-me e, num todo, é um anime que recomendo vivamente, até para os que não são fãs do estilo.

  • Zetsuen no Tempest

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    Zetsuen no Tempest
    Ando Masahiro - Bones
    Anime - 24 Episódios
    2012
    7 em 10

    Tinha ouvido falar tanto deste anime que não supus que fosse gostar tanto como o que realmente aconteceu.

    Dois amigos vêm-se envolvidos numa luta entre magos e feiticeiros. Um deles encontra a forma de comunicar com uma princesa feiticeira que foi colocada dentro de um barril e enviada para a morte certa numa ilha isolada. Para a ajudar, ele faz uma troca: ele salvará o mundo e ela deverá dizer-lhe quem assassinou a sua irmã mais nova. Nisto tudo, o amigo começa a aprender sobre a magia e, de certa forma, de que maneira o pode ajudar.

    Para começar, os conceitos de "magia" neste universo são muito originais e estão bastante bem pensados, embora tudo comece a ficar um pouco confuso a partir do segundo arco (quando são introduzidos mais personagens e nos dedicamos, sobretudo, à parte do mistério relacionada com a irmã). Esta magia é liderada por uma "árvore mágica", que se alimenta de oferendas. E estas são a parte com mais interesse, pois são objectos da tecnologia humana. Tendo isto em conta, o anime desenvolve-se com um ritmo bastante bom e todos os mistérios acabam por ser resolvidos com surpresa para o visionante e para os próprios personagens.

    Estes, por si, estão bastante bem construídos, o que leva a um bom desenvolvimento (embora curto). Os dois rapazes têm uma relação curiosa, sempre pontuada pela presença da "irmã" e da "namorada". A relação evolui para o afastamento, seguido de uma aproximação final, o que é uma reacção muito natural aos acontecimentos, tornando este duo bastante humano na sua concepção. Os outros personagens são variados, mas acabam por ficar para trás perante os elementos narrativos, não sofrendo muito desenvolvimento da sua natureza nem da sua evolução.

    A animação está aceitável. embora um pouco fraca para a época em que nos encontramos. No fundo, o estúdio jogou pelo seguro e dirigiu-se a uma arte que funciona dentro do contexto mas que não impressiona. Os efeitos visuais da árvore podiam ser melhorados, sendo que acredito que teriam funcionado melhor se fossem um pouco mais experimentais. Já os designs dos personagens são realistas mas, ao mesmo tempo, muito originais.

    Musicalmente, temos duas OPs e EDs que, sendo agradáveis, parecem não se conjugar com o resto da série. O resto da banda sonora liga lindamente.

    Portanto, um anime que, não sendo perfeito, é muito recomendável!
  • Pulp

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    Pulp
    Charles Bukowski
    1994
    Romance

    Informo que, até notícia em contrário, estou de regresso às leituras no meu Kobo :) Antes deste li um curto discurso de José Saramago, que achei que não valia a pena comentar aqui por tão curto que era. Assim, passo logo adiante para este livro de Charles Bukowski, o último que escreveu e o primeiro que li.

    Por mais que os americanos da internet digam que este autor é um génio da contemporaneidade, esta obra não o prova e poderá mesmo dizer muita coisa em contrário a essa suposição. Em "Pulp"temos um estereótipo da chamada "pulp fiction", que apesar de tudo brinca consigo próprio, mas está escrito sem planificação e sem contexto, pelo que a leitura acaba pro se tornar um pouco confusa e inconsequente.

    Seguimos os últimos dias da vida de Belane, um detective falhado encarregado de encontrar uma série de coisas. À mistura temos a Dona Morte e aliens. Tudo parece ter sido criado em cima do joelho (do tipo "ora, não sei o que fazer a esta gente, deixa-me cá meter uns aliens") e o personagem acaba por não ser representativo. Dizem alguns comentários que este livro simboliza a aceitação do autor relativamente à sua própria morte, mas será que isto valida o facto de ser considerado uma obra excelente, quando não o é tecnicamente nem emocionalmente?

    Enfim, fico desejosa de ler o outro livro de Bukowski que tenho no Kobo, para por os pontos nos iis.

  • Rendida

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    Rendida
    Sylvia Day
    2012
    Romance

    Recebi este livro numa troca pelo BookCrossing. Se bem me lembro, podíamos fazer uma lista de "exigências" relativamente aos livros a receber. A única que fiz foi "um livro bem escrito, plz". Infelizmente, este livro não correspondeu de todo às expectativas.

    Trata-se de um romance corriqueiro, dos ditos "de cordel", sobre a grande paixão entre uma mulher muito rica e um homem ainda mais rico, num meio empresarial de pessoas muito ricas. Todas as pessoas muito ricas são, naturalmente, muito bonitas também. E o livro dedica-se, sobretudo, a descrever o quão muito bonitas são as pessoas muito ricas, entrando em detalhes aprofundados sobre a roupa que vestem ou o tipo de sapatos. O que é francamente desnecessário, sobretudo quando a autora tem um mau-gosto irascível.

    Os personagens não possuem mais desenvolvimento do que "altos, lindos, que fazem musculação". Ah, e têm perturbações do foro sexual que libertam amplamente em cenas de sexo supostamente escaldante, descritos num detalhe tão íntimo como inútil. Fui saltando estas cenas, que nem eróticas são. Autoras americanas modernas, reparem que "erótico" não se define por "mete as mãos na c**a e bate palmas". Isso são os Comme Restus.

    Assim, o livro vai avançando sem rumo definido para além do "quando chegamos à próxima cena de sexo num ambiente pouco usual" (como uma limusine ou o escritório do muito rico). A personagem principal é tão evidentemente uma projecção astral da vida frustrada da autora que não consegui deixar de a imaginar com a cara desta, o que tornou a leitura ainda mais perturbadora do que teria sido se pudesse ter visualizado a personagem tão perfeita como ela estava descrita.

    Imaginem esta pessoa a apanhar furiosamente o orifício anal dentro de uma biblioteca com uma desconhecida a ver:



    E com esta bonita imagem vos deixo. :)


  • Lazarilho de Tormes

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    Lazarilho de Tormes
    ???
    1554
    Romance

    Tendo conhecimento de que eu estava empancada na leitura do D. Quixote, um amigo decidiu oferecer-me este livro para me motivar. Trata-se de um volume muito curto, antecessor deste fundador do romance moderno, que conta a história de Lázaro de Tormes, um rapaz que se vê num desatino para encontrar um mestre bom e um rumo para a vida.

    Editado no século XVI, em Espanha, este livro representa o apogeu do chamado "romance picaresco", isto é, aquele tipo de romance que conta tipos de aventuras das pessoas normais, cheias de graça e de truques na manga. É precisamente isso que o nosso personagem faz ao longo de todo o livro: cada pessoa que encontra é vítima de partidas diversas, que beneficiam o personagem em todos os aspectos. No entanto, ele não faz isto por ser uma má pessoa nem nada que se pareça. Na verdade, ele é vítima de maus-tratos constantes, sendo sobretudo patente a fome que lhe infligem constantemente.

    É um livro cheio de graça que dá azo a umas boas gargalhadas. Também (mas isso pode ser mérito da tradução) está escrito numa linguagem muito corriqueira e, sobretudo, acessível. Isto é algo que nunca estamos à espera num livro tão antigo como este, em que acreditamos sempre que tudo vai ser Lusíadaco e muito difícil de compreender.

    Portanto, recomendo vivamente esta leitura, sobretudo para aqueles que também estão a enfrentar as aventuras Quixotescas. É sempre bom saber de onde vieram as coisas mais actuais!

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