• Prosa Crítica e Ensaística

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    Prosa Crítica e Ensaística
    Fernando Pessoa
    Anos 10 - 30
    Crónica

    Dizia eu há uns minutos que se calhar prosa não é o forte do nosso amigo Fernando. Mas veio-se a revelar muito rápido que essa afirmação é uma mentira! Porque este livro de críticas e ensaios curtos, crónicas (por assim dizer) é um regalo para mente!

    Aqui, Pessoa discorre sobre os mais diversos assuntos que atormentam a sua alma crítica. Fala de todo o tipo de assunto, da literatura ao funcionamento dos eléctricos, passando por contemplações sobre a natureza feminina e o estado do tempo. E faz isto com tanta acidez e humor que uma pessoa até ganha uma úlcera no duodeno de tanto mostrar os dentes.

    "Um crítico de segunda ordem tem, por natureza, tanto poder de teorizar como uma tainha ou um caracol". Espero eu não ser uma comentadora de segunda ordem, porque não quero ser tainha! Embora não me importasse de ser caracol... Enfim, uma pequena frase para ficarem com uma ideia da forma como Pessoa trata dos seus combates pessoais.

    É desta feita que finalmente conhecemos um pouco mais de Lisboa destes anos, não através de puras descrições do ambiente, mas sobretudo através das pessoas que nele vivem e que o autor nos mostra a pouco e pouco nos seus comentários. Talvez a parte que tenha gostado menos tenha sido o prolongado ensaio sobre os direitos e deveres das criaturas fêmea, que estão brutalmente desactualizados e revelam uma natureza muito pouco didática sobre o assunto, revelando que Pessoa - apesar de escrever muito bem - não sabia grande coisa sobre o assunto.

    Gostei deste livrinho! Será libertado ao vento, sob o jugo do BookCrossing!

  • O Vale da Paixão

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    O Vale da Paixão
    Lídia Jorge
    1998
    Romance

    O primeiro livro que li desta autora não me agradou muito... Mas este superou plenamente as minhas expectativas!

    Esta narrativa está localizada num enorme casarão numa ladeia perto de Sagres. O dono desta velha casa, também ele velho, tem vários filhos mas um deles é do piorio: anda sempre a vagabundear e acaba por engravidar uma rapariga. E a história é narrada pela filha destes, sendo que para ela o pai é o "tio" e o seu tio acaba por se tornar o verdadeiro "pai". Mas o personagem principal é, realmente, este homem que anda sempre em viagem, livre como um pássaro, como os pássaros que desenha nas suas cartas vindas de todo o mundo.

    Pelos olhos desta menina, depois mulher, vemos o que causa a ausência deste pai, seguida da partida de (quase) todos os irmãos, deixando uma unidade familiar sozinha numa enorme casa sem sentido e sem caminhos, tão grande que se conseguem distinguir as pessoas pelo som dos seus passos. Mais do que um drama de família, este é um relato da vivência de um grupo de pessoas perante condições inabaláveis e que tanto afectaram (e afectam) os mais variados grupos de pessoas neste país. 

    O tema central é sempre a solidão.

    Escrito com mestria, a narradora conta-nos a história de seu "tio" e da sua família misturada com as suas próprias aventuras. Assistimos ao seu crescimento, de criança ignorada a única pessoa presente, através de palavras escolhidas com toda a certeza, mas também com toda a delicadeza própria de uma escrita eminentemente feminina.

    Um livro claro e brilhante.

  • O Livro do Desassossego

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    Livro do Desassossego
    Bernardo Soares
    Anos 10-30
    Crónicas

    Fernando Pessoa é um dos ícones da cultura literária Portuguesa, mas sobretudo um ícone da sua culutra Pop. Por todo o lado vemos o seu bigode e os seus óculos redondinhos, que popularizou mesmo antes do rapaz com o raio na testa. Ora, talvez essa iconicidade tenha uma razão de ser para além da genialidade dos seus poemas. É que Fernando Pessoa também escreveu prosa e a maioria encontra-se reunida sob o nome de outra pessoa: Bernardo Soares.

    Mas Bernardo Soares não é um heterónimo puro, mais uma das personalidades desviantes de uma Pessoa de Fernando. Na verdade, Fernando assinava muitas vezes em conjunto com ele. Assim, poderíamos depreender que Soares é apenas um nome que Fernando usou para dizer coisas que achava sobre a vida e que lhe apeteciam. Mas eu espero bem que não.

    Porque Bernardo Soares escreve tal e qual uma miúda hipster de meados de anos 2000.

    Os seus assuntos grassam sobre temas tão relevantes como "sou feio", "estou triste", "não tenho amigos". Todas as suas frases dão grandes citações quando tiradas do contexto. E é nisso que este livro se torna: um livro de citações sobre a decrepitude da vida, tal qual como seria vista por uma rapariguinha inadaptada na sua escolinha.

    Esta amálgama de citações acaba por não nos levar a lado nenhum, já que as opiniões que Soares prega sobre o mundo são completamente destituídas de maturidade e, consequentemente, de interesse. Não revelam nada sobre os usos e costumes da sua época, não descrevem qualquer tipo de paisagem urbana, o que teria muito interesse (já que se trataria da cidade de Lisboa), referem a passagem do tempo como uma tortura mental por ser sempre igual e sempre igualmente deprimente.

    Portanto, este livro irritou-me de sobremaneira. Portanto, adeus.

  • Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans

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    Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans
    Nagai Tatsuyuki - Sunrise
    Anime - 25 Episódios
    2015
    6 em 10

    Tenho estado um pouco ausente deste espaço porque estou numa aglomeração brutal de trabalhos diversos. Na verdade, neste momento encontro-me um pouco enlouquecida de sono. Mas em breve colocarei aqui uma série de comentários (uma dúzia, para aí, a maioria de livros). :)

    Mais uma season e não perdi o novo Gundam. Mas acho que esta foi a gota de água que me fez perder completamente a esperança neste franchise. E acabo por detectar que o problema não é a timeline: IBO é UC. O problema é que as ideias são boas, mas a execução é tão frustrante que o resultado final acaba sempre por cair no limiar da mediocridade.

    Nesta instância, assistimos a uma rebelião num local onde as crianças são obrigadas a trabalhar em esforços violentos. Depois, há grandes revoluções políticas desregradas em que as crianças se tornam independentes. Ora, isto é tudo muito bonito mas o anime esquece-se que as crianças são efectivamente infantis. Como poderia um grupo de adolescentes e miúdos liderar uma revolta política se não num universo animesco pouco inspirado? Assim, as respostas para todos os males destes personagens são sempre limitadas a um conceito de "os adultos são maus, baw". E isto irrita-me, porque eu sou um deles.

    É certo que os personagens de alguma forma evoluem. Se ao início estão um pouco perdidos, encontram o rumo e percebem o que se está a passar. Mas a inclusão de novos antagonistas, uns a seguir aos outros, ao longo de toda a série, tornam o anime repetitivo e narrativamente incoerente, sendo que tudo isto parece acontecer para que grandes lutas entre robots gigantes possam brilhar. E estas... Bem, se não temos pilotos cativantes, como nos poderão interessar estes combates? Pela animação?

    É luminosa, colorida, cheia de detalhes no respeitante a estes dados. Mas as coreografias parecem-me recicladas de outras instâncias Gundam (o que prova que há sempre uma reciclagem, em qualquer que seja o campo) e, tendo isto em conta, serão insossas para um fã mais antigo. Os designs dos personagens são um pavor, com cabelos que não lembram ao diabo mais velho e roupas que não fazem qualquer sentido dentro do contexto. Mais uma característica que infantiliza o franchise e o torna, mais uma vez, numa máquina de vender bonecos. O design da maquinaria não chama a atenção pela diferença.

    Musicalmente, temos uma banda sonora bastante normalóide que não traz nada de novo ao panorama.

    Portanto, acho que por uns tempos vou desistir do meu querido Gandamu.
  • Itoshi no Muco

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    Itoshi no Muco
    Higa Romanov - DLE
    Anime - 25 Episódios
    2015
    7 em 10
     
    Talvez um dos melhores animes da season que passou e, sobretudo, um anime que me deu imenso gozo ver.

    Este é um anime muito simples sobre a vida diária de... Um cão. Muco é uma cadelinha, de raça shiba inu, que vive com o seu amado dono num estúdio de artes em vidro. Tem vários amigos humanos e vive diversas aventuras cheias de simplicidade e vivacidade, que apenas mostram o bom que é ter uma vida de cão. É um anime muito simpático, bastante infantil, mas com muita graça e candura, que me fez rir às gargalhadas em demasiados momentos. Talvez o grande defeito da série seja apenas percebido por profissionais da área (como eu): o facto de muitos dos comportamentos de Muco não serem realistas do ponto de vista do comportamento canino. Mas acabo por perdoar isso, porque a série é demasiado amorosa para darmos atenção a esse tipo de coisa (que, sendo irritante, é defeito meu)

    Tal como a história, também a arte é muito simples. Vemos um excelente mix entre animação 3D digital e um 2D típico, sendo que a sua mistura dá azo a alguns truques de perspectiva bastante interessantes. Os fundos têm detalhe quanto baste e todo o aspecto é muito agradável à vista.

    Musicalmente, temos alguns temas constantes, mas fique a nota para a excelente OP: não só caracteriza a relação de um cão com o dono como é simplesmente viciante!

    Talvez isto seja algo totalmente subjectivo, porque adoro cães, mas gostei imenso desta série! Recomendo a quem quiser ter alguns momentos de riso descontrolado.


  • Fairy Tail (2014)

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    Fairy Tail (2014)
    Ishihira Shinji - A1-Pictures
    Anime - 102 Episódios
    2014
    4 em 10

    Esta era daquelas séries que eu comecei a ver em continuidade com a primeira season. Adianto desde já que estava convencida de que ia ser mais uma daquelas séries intermináveis que nunca, nunca, nunca ia acabar. Mas, subitamente, aparece a notícia de que termina para a semana, isto é, que terminou agora mesmo. Bem, essa foi a parte boa. Porque este foi dos shounens mais fracos que tive o desprazer de ver nos últimos dois anos.

    Passou-se tanta coisa que já nem me lembro de cada arco narrativo. Sei que cada arco narrativo, por si só, é totalmente inconsequente: nada leva ao fim da série. Os personagens não evoluem emocionalmente, por mais novos poderes que recebam uma e outra vez, a história não nos leva a lado nenhum. Chegamos ao ponto de termos um arco inteiro dedicado a personagens que já morreram ou que estão idosos. Nesta season, finalmente, apareceram os tais dragões: o foco principal desde o início de Fairy Tail era encontrar os dragões para que Natsu pudesse falar com aquele que o educou. Agora que os encontraram, vão-se todos embora e... Continua a série. Mais um arco. Mais uma história. Isto é absolutamente exaustivo, já que os personagens acabam por perder o interesse e tornam-se apenas mais um e outro estereótipo cansativo e repetitivo. E os momentos de humor? Inexplicavelmente absurdos, não jogam com nada do que é apresentado nos momentos mais séries, chegando mesmo a interrompê-los, o que leva a uma completa quebra do ritmo.

    Se eles pararam a primeira season para melhorarem aspectos como a arte e animação, devemos dizer que não conseguiram. Quando muito, ainda fizeram pior. Os novos designs são execráveis, com um aumento crescente dos implantes mamários de todas as personagens e constantes erros de perspectiva, de expressões, de movimentos. A animação é fraca, até mesmo nos momentos das lutas (como digo, são convenientemente interrompidos por momentos de comédia em que há liberdade para que a arte seja incapaz). As cores são pálidas, escuras e, no geral, a qualidade decresceu muito.

    A música torna-se rapidamente repetitiva e previsível, dando-nos logo mote para qual vai ser o tema de cada cena. Assim, sabemos qual é a altura em que vai haver um flashback, em que os personagens vão chorar (há muita tragédia neste anime, mas toda ela forçada), quando vai haver um momento cómico, etc., etc.

    Enfim, se por um lado fiquei surpreendida por a série ter terminado, por outro lado fico bastante feliz, porque já estava farta dela. Diz-me um amigo que o manga é infinitamente melhor mas... Este anime é um shounen puro, com uma estrutura idêntica a tantos outros, sem qualquer característica positiva que o consiga distinguir. Se ao início era divertido, acabou por se tornar numa viagem sem fim, cansativa para os olhos e para a mente. Caso volte, não tenciono repetir.
  • Prince of Stride: Alternative

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    Prince of Stride: Alternative
    Ishizuka Atsuko - Madhouse Studios
    Anime - 12 Episódios
    2016
    6 em 10

    Começo, finalmente, a terminar os animes desta season de Inverno. Confesso que não tenho tido muito tempo para ver animus, com grande pena minha, mas vou tentar despachar-me para meter a minha PtW na linha!

    Comecei a ver este anime porque tem o cunho Madhouse e porque pensei que me faria bem à cabeça ver um anime de desporto. Este veio a revelar-se algo um pouco diferente, mas foi divertido na mesma. Este anime fala sobre um desporto inventado: o Stride. Este jogo é uma espécie de mistura entre corrida de estafetas, corrida de obstáculos e parkour. Acompanhamos uma equipa que está na mó de baixo, o nosso underdog, por sucessivas vitórias e derrotas, até os personagens se encontrarem a si próprios de alguma maneira.

    Assim, o anime depende muito dos seus personagens. Estes acabam por estar demasiado presos ao seu estereótipo, sendo que fazem demasiado uso de flashbacks para conseguirem encontrar a força para as suas vitórias. Como se a sua força não viesse dos esforços do presente, mas apenas de desejos do passado que são lentamente revelados, apenas quando é mais conveniente. Para além disso, parece que sempre que sofrem uma derrota não aprendem nada com isso, para além de se envolverem num pequeno momento de auto-comiseração. Assim, apesar de a equipa acabar por vencer (mesmo trocando um membro), parece que a sua força continua exactamente na mesma e que foram os oponentes que ficaram mais fracos por alguma razão.

    A animação está bastante boa, como este estúdio nos vem habituando, sendo que este jogo é muito interessante em termos gráficos, pois mostra grandes habilidades físicas que acabam por ter um efeito muito emocionante. é um anime cheio de brilho e cor, como demonstrado logo pela cena de abertura na OP. No entanto, grande parte dos episódios acaba por ser dedicado a mostrar os rapazes (o que nem sequer faz sentido neste contexto, pois a nossa rapariga não aparenta ter interesse por um ou mais deles, nem eles nela), vestidos de várias maneiras. Um deles, por alguma razão que me transcende, é sempre uma princesa.

    Musicalmente, temos um mix variado de músicas electrónicas que, apesar de por si só serem bastante fracas, trazem energia bastante para os momentos gráficos, acabando por servir como complemento.

    Não recomendaria este anime, mas foi uma experiência divertida. Fica o desejo para que criem mesmo este desporto!

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