• A Culpa é das Estrelas

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    A Culpa é das Estrelas
    Josh Boone
    2014
    Filme
    5 em 10

    Este fim de semana foi dia dos namuraduhs e, por isso, aproveitei um voucher da Odisseias para ir passear com o Qui. Fomos a Palmela, onde ficámos instalados num complexo turístico, num quarto com uma cama, uma mesa e um microondas. Também tinha uma varanda!

    Vista da Varanda
     
    Pois então fomos ao bar do complexo beber um café e umas jolans e, depois de uma luta dos empregados contra a box da televisão, apanhámos este filme a um terço da sua duração. Por isso, acho justo comentá-lo, sobretudo porque já tinha lido o livro.

    Comparativamente, a história é mantida na sua totalidade, com excepção daqueles momentos em que os personagens fazem gráficos um para o outro. No entanto, a performance de todos os participantes torna este filme menos que mediano. Para começar, os personagens deveriam estar doentes, muito doentes. No entanto, os actores actuam como se fossem adolescentes normais e cheios de energia, com excepção de um ou dois momentos. Também há vários erros de edição e montagem, sobretudo aqueles relacionados com o transporte da garrafa de oxigénio.

    O tema é forte, mas um dos momentos fulcrais (o encontro final com o autor mau) é resumido por forma a tornar-se mais um elemento da história de amor. Esta, é triste mas acaba por não impressionar pois não conseguimos acreditar que estas pessoas estão realmente perto da morte.

    Achei curiosa a forma como eles mostram as mensagens que foram escritas, mas isto também infantiliza um filme que, sendo sobre adolescentes, tem um tema demasiado forte para ser levado de forma tão leve.

    E depois acabou o filme e começaram as notícias que relatavam uma tempestade imensa e cheias por todo o país. As outras pessoas que estavam lá ligaram o rádio, que eu depois mudei para a Antena 2, que estava a dar ópera.

  • As Cidades Invisíveis

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    As Cidades Invisíveis
    Italo Calvino
    1972
    Romance (?)

    Tinha muita curiosidade em ler este livro e, por um golpe de sorte, apareceu disponível para um RABCK no BookCrossing. Ainda demorei um pouco a chegar até ele (maldita lista de leitura!) mas agora já o li. Foi um instante, bastaram duas viagens de autocarro!

    Marco Polo e Kublai Khan estão nos jardins suspensos deste e falam sobre a vida. Ao início não se percebem muito bem, mas depois começam a saber a língua um do outro. E de que falam? Das cidades do reino que Marco Polo visitou nas suas viagens. E são muitas cidades, todas diferentes, com curtas descrições.

    São simplesmente fascinantes. Cada cidade contém em si uma crítica para a sociedade actual, cada cidade é única e cada cidade são todas as cidades que existem no nosso mundo. Nelas, as pessoas vivem com mais ou menos felicidade, mas revela-se que é tudo um mito e que muitas delas têm gémeas, espelhos, onde as pessoas têm outra visão da vida, oposta, irreal. Nesse aspecto, talvez o autor se tenha prolongado um pouco demais nesta divisão indivisível, nas cidades do fim.

    Algumas são muito belas, outras são muito feias. Mas nenhuma parece um sítio muito bom para se viver. A minha preferida foi a cidade onde só há canalizações e banheiras, sem edifícios, onde mulheres tomam banho a toda a hora.

    Pelo meio das descrições destas cidades que também são nossas, existem momentos filosóficos nas conversas de Marco Polo com o seu patrão. Estes momentos são densos, mas ajudam muito a explicar a visão do autor sobre a vida e sobre a polis em si.

    Por outro lado, o Qui reparou que todos os nomes das cidades são de mulheres e que, por isso, talvez estas cidades sejam uma visão do autor sobre as mulheres que ele algum dia conheceu. Se assim for, torna o livro muito mais romântico do que se poderia esperar.

    Foi uma leitura muito interessante e fiquei fascinada. Só não roubo o livro para mim porque o meu pai já o tem, portanto é como se o tivesse também. :p

  • Poesia Ortónima

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    Poesia Ortónima
    Fernando Pessoa
    Anos 20 
    Poesia

    Esta colecção de livros saiu com o Jornal Expresso, mas só fiquei com alguns (o meu StepFather só compra o jornal de vez em quando). Trata-se de uma colecção com a obra essencial do nosso muito querido Fernando Pessoa.

    Com este volume, vemos alguma da sua poesia, aquela que foi escrita por ele e não por nenhum dos outros malucos. De qualquer forma, ficamos a saber um pouco mais sobre o autor através dos seus poemas e a conclusão a que chego é que ele estava completamente doido ou, pelo menos, extremamente deprimido.

    Pois todos os poemas falam de uma vida sofrida e de um desejo de morte. Diz ele que "O Poeta é um fingidor", mas não me parece que ele esteja a fingir quando fala do horror emocional que sente. Os poemas são muitas vezes belos, outras vezes indiferentes. Um ou outro chega a ser cómico. Mas todos eles falam da infelicidade do autor, o que me deixa um pouco triste porque ele haveria de ter sido boa pessoa e ninguém merece estar envolvido neste spleen
     
    Deixo aqui o poema que mais gostei, que é parte de um poema um pouco maior.

    Chuva Oblíqua - II
     
    Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
    E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
     
    Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
    E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
     
     O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
    Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
    Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
    E sente-se chiar a água no facto de haver coro....
     
    A missa é um automóvel que passa
    Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
     
    Súbito vento sacode em esplendor maior
    A festa da catedral e o ruíd da chuva absorve tudo
    Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
    Com o som de rodas de automóvel...
     
    E apagam-se as luzes da igreja
    Na chuva que cessa...
  • O Exótico Hotel Marigold

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    O Exótico Hotel Marigold
    Deborah Moggach
    2004
    Romance

    Livro que recebi num BookRing, pelo BookCrossing.

    Famoso por se ter rapidamente tornado num filme, é um romance que se processa precisamente dessa forma: como num filme. E isso, penso eu, não é de todo agradável.

    Um médico indiano em Inglaterra está farto da vida e decide, com um primo, abrir um lar de idosos na sua terra natal. Para lá vão diversos idosos ingleses, cada um pelas suas razões. Supostamente o livro falaria de como a terceira idade é uma nova vida, mas isso não é enfrentado pelos personagens, que continuam a agir exactamente da forma como o fariam no seu lugar de origem. Existem muitas pessoas neste livro, que está constantemente a mudar de perspectiva, sendo que todas as descobertas e acasos parecem extremamente improváveis: há um limite real para as coincidências.

    Num livro passado na Índia, gostaríamos de ter algumas descrições efusivas da vida nesse país longínquo, mas tudo se limita a uma perspectiva de pobreza extrema e descrições de mendigos e como a juventude desse país está fascinada com Inglaterra, origem dos outros personagens. No entanto, o livro acaba por mostrar a cultura indiana numa perspectiva pouco racista, o que é um erro em que é fácil cair, o que se traz um certo alívio ao leitor. Ainda assim, as pessoas e as suas atitudes são extremamente cinematográficas, o que também é frustrante. Para termos noção, o ponto alto do livro é o final em que todos cantam uma musiquinha, o que no filme deve funcionar muito bem mas que aqui é um pouco pindérico.

    Ainda assim foi uma leitura muito simples e muito rápida.

  • Grenadier

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    Grenadier
    Koujina Hiroshi - Group TAC
    Anime - 12 Episódios + 7 Specials
    2004
    6 em 10

    Esta história é passada no Japão feudal. Mas um Japão feudal onde a arma de eleição é a pistola e a espingarda e todas as coisas que tenham balas!

    Tendo isto em conta, seguimos as aventuras de uma belíssima atiradora, com grandes (grandes) atributos. No entanto, o que ela mais deseja é que vivam todos sossegados e em paz. Ainda assim, vê-se sempre na situação de ter de dar um tiro ou outro a uns meliantes e a todas as pessoas que, por alguma razão, desejam vencê-la. Entretanto faz amigos e vão todos juntos por aí.

    O conceito é divertido e carinhoso, mas em termos de execução falha por ser demasiado repetitivo. Para mais, os personagens são muito fracos, sendo que a sua caracterização está limitada a uma característica e não há qualquer tipo de história pregressa ou futura para ajudar a explicar a sua personalidade. Eles estão ali e são assim, basta isso.

    Mas, graças a este conceito de armas num mundo de espadas, Grenadier dá-nos a oportunidade de ver algumas cenas de animação bastante bem coreografadas, o que sempre serve como entretenimento descerebrado. A arte está suficientemente capaz para a época, fazendo muito bom uso das cores vivas e brilhos. O design dos personagens é também original, sendo que não há um abuso extremo dos atributos fantásticos da nossa moça principal. Isto é, é um anime que poderia cair no reino ecchi com muita facilidade, mas consegue manter-se puramente familiar.

    Musicalmente, OPs e EDs pouco inspiradas e o resto da banda sonora muito pouco clara.

    Um anime mediano que poderá divertir algumas pessoas.

  • Os Oito Odiados

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    Os Oito Odiados
    Quentin Tarantino
    2015
    Filme
    6 em 10

    Na véspera de Terça-Feira Gorda (segunda-feira, portanto) fomos ver este filme ao cinema. E eu sei que vai magoar algumas pessoas, nomeadamente o Qui, eu dar-lhe uma nota tão mediana, mas tenho de confessar que não foi o meu filme Tarantinesco preferido.

    "Os Oito Odiados" (The Hateful Eight) fala sobre o encotnro de vários personagens detestáveis numa casa, onde estão fechados devido a uma tempestade de neve. Um deles leva consigo uma mulher para ser enforcada, por razões que não são completamente desvendadas. No entanto, algo nesta casa está diferente... E à medida que se vão revelando mais elementos, a violência começa a deflagrar, terminando tudo, como habitualmente, num portentoso banho de sangue.

    Este filme recorda outros filmes do autor, nomeadamente o Reservoir Dogs: um grupo de pessoas está fechado num espaço e há alguém que não tem boas intenções. No entanto, ao contrário deste, o filme está completamente limitado aos personagens, que pouco revelam sobre si próprios para além do facto de serem seres humanos desprezíveis. Qualquer revelação feita serve apenas para insistir na ideia de que eles são realmente "hateful", odiosos, execráveis, pavorosos. E isso acaba por se tornar um pouco aborrecido, sendo que grande parte do filme se situa apenas na insistência deste ponto, um repetir do conceito que acaba por aborrecer.

    Não aborrecem os diálogos e o último terço do filme. Os primeiros porque, temos de admitir, estão muito bem executados e, sobretudo, bem interpretados. O segundo por motivos sanguinários. Falando nas interpretações, deixo a nota para a única mulher odiosa, que faz um papel soberbo, retratando em si uma violência inerente que mantém sempre um mistério imenso, já que o seu passado nunca é totalmente revelado.

    Outro aspecto importante a referir é o grafismo e fotografia. Este filme foi gravado no fantástico *Ultra Panavision 70mm*, isto é, uma fita analógica comprida e grande. Talvez tenha sido questiúncula relacionada com o cinema em si, mas as cores não me impressionaram, apesar das paisagens nevadas serem muito belas. Acredito que o filme poderia ter tido outro efeito se estas tivessem sido mais exploradas, sendo que o tamanho da fita me parece desaproveitado no único cenário interior. Talvez este dê uma sensação teatral ao filme, mas todos os outros elementos retiram essa característica.

    Finalmente, ao contrário dos outros filmes de Tarantino, este não possui uma banda sonora baseada em canções populares obscuras, mas sim instrumentais poderosos e um tema folk. Há um marcado uso do silêncio, apenas interrompido pela sempre presente tempestade.

    É um filme intenso e cujas três horas passam num instante, mas a verdade é que o achei muito inferior a outros da filmografia.

  • Tsubasa Chronicle

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    Tsubasa Chronicle
    Mashimo Koichi - Bee Train
    Anime - 26 + 26 Episódios + 3 + 2 OVA + 1 Filme
    2005
    5 em 10

    Pelo que conheço do mundo cosplaico, esta é uma série famosíssima, da qual toda a gente deseja fazer fatos sem fim. Mas pelos vistos o que é fixe e mágico é o manga, porque o anime ficou muito aquém das expectativas.

    Desta feita, o grupo CLAMP decide teorizar de que existem mundos paralelos e que as suas personagens vivem em todos eles. Sakura e Syaoran são amigos no mundo Clow, onde ela é princesa. No entanto, por razões pouco claras, as memórias de Sakura são transformadas em penas triangulares e espalhadas por todo o tipo de universo paralelo. Assim, pedem à Dimensio Witch (xxxHolic) que os deixe viajar entre os mundos para recuperarem as penas.

    Este anime pareceu-me, logo desde o início, muito mal estruturado em termos de narrativa. Em minha opinião, deveria ter sido um anime episódico, em vez de cada mundo estar dividido em arcos por vários episódios. Desta forma, teríamos visto mais variedade de situações e o material teria ficado melhor distribuído. De qualquer maneira, os arcos de história não têm muita qualidade: as pequenas aventuras vividas são muito inconsequentes e os personagens não dão vivacidade às situações.

    Estes, são incompletos e indefinidos. Não existe sequer uma caracterização básica como ponte sólida para as suas reacções e, no fundo, apenas Syaoran faz alguma coisa em cada um dos arcos. Sakura é uma infeliz que não consegue fazer nada (também, não tem memórias), Fai é todo risinhos e Kurogane a força bruta. Estes, juntamente com Mokona, servem de alívio cómico numa série que por si só é muito leve. Só nos OVAs finais algum desenvolvimento é dado aos personagens e, consequentemente, a narrativa fica muito mais interessante. No entanto, tinham-lhes dito logo ao início "a consequência de viajares pelos mundos é que a vossa relação vai mudar".... E isso não acontece? Parecem sempre cada vez mais apaixonados, mesmo com a revelação final (que não muda nada).

    A arte não é incapaz para a época, sendo que conseguimos notar uma evolução constante entre as seasons e entre os OVAs. Os designs são estranhos, como as CLAMP costumam fazer, e poderiam ter insistido mais na sua delicadeza para que os personagens fossem transmitidos idealmente. Não existem grandes cenas de animação, excepto mesmo no final em que a luta está muito bem feita. De resto, as outras lutas não estão bem coreografadas na medida em que os personagens saltam e correm em movimentos perfeitamente inúteis para o contexto em que estão.

    Finalmente, a música. Para muitos, o ponto forte deste anime. Temos de admitir, realmente, que as peças corais são muito interessantes e emocionantes. No entanto, há uma repetição constante de dois ou três temas vocais e de algumas outras peças, que acabam por aborrecer: "outra vez esta música?"

    Talvez o manga seja muito melhor, mas não ganhei curiosidade para o ler. Fica definido, que não será nesta vida o meu cosplay de Sakura Hime.

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