Kokoro Connect
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Kokoro Connect
Oonuma Shin - Silver Link
Anime - 13 Episódios + 4 Specials
2012
6 em 10
Um anime muito interessante que joga com elementos da psique humana.
Cinco jovens pertencem a um clube na escola que não tem muito interesse relativo. No entanto, uma figura misteriosa decide brincar com eles. Ao início, subitamente, começam a trocar de corpo uns com os outros. Isto é, a mente de um passa para o corpo de outro e assim por diante. Isto leva a que, progressivamente, eles descubram mais uns sobre os outros e sobre os problemas que os atormentam.
É um conceito muito interessante e o desenvolvimento dos personagens está muito bem estabelecido. Se em termos narrativos temos alguns arcos (em que os "truques" que acontecem aos personagens diferem), temos uma evolução progressiva em que estes jovens enfrentam os seus problemas e, com ajuda uns dos outros, acabam por os ultrapassar. No entanto, achei que as relações amorosas, nomeadamente o triângulo, foram um pouco forçadas e pouco naturais, sendo que o foco não deveria ter entrado por aí para um confronto ideal entre a mente e as crises da mente. Ainda assim, são todos personagens cheios de conteúdo e valor, dispostos em várias camadas e com uma verdadeira natureza humana.
A arte é bastante simples, com um estilo muito moderno e fluído. Mas não há grandes cenas de acção nem cenários vívidos que possam elevá-la a outro estatuto. Assim, o anime acaba por se disfarçar um pouco sob uma camada de fatia-de-vida, o que pode levar o visionante menos atento a ignorá-lo e a perder estes fantásticos personagens.
Temos uma variedade musical elevada, com várias EDs e OPs, mas que está bastante limitada ao pop mais comum destes anos 10.
Assim, temos um anime que poderemos considerar incompleto, pois se dedica totalmente à concepção e desenvolvimento dos personagens, cumprindo - nesse aspecto - o objectivo na sua plenitude, enquanto que nos outros elementos acaba por ser bastante regular.
By : ladyxzeus
Sora no Otoshimono
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Sora no Otoshimono
Saitou Hisashi - AIC
Anime - 13 + 12 Episódios + 1 OVA + 2 Filmes
2009
4 em 10
O anime mais patético que vi nos últimos tempos. Trata de um jovem que sofre de um atraso mental no pénis que encontra uma mamalhuda com asas que afirma ser sua escrava (consequentemente, ele é o seu mestre). Depois aparecem outras pessoas aladas, com mais ou menos ósculos mamários, e há muitas situações inusitadas muito, muito, muito, extremamente!, engraçadas.
Ou então não.
Temos alguns episódios com uma estrutura narrativa, sendo que a história de base é muito simples. As pessoas aladas vêm de um mundo paralelo, a sinapse, onde são escravizadas por um totalitarista maléfico. Este envia-as à terra para se destruírem umas às outras mas acabam todas por se tornar amigas do nosso taradão principal. No último episódio de cada season há uma épica e totalmente inconsequente luta. E é isso.
Os personagens também não têm ponta por onde se lhe pegue. Por trás de uma caracterização superficial, estão escondidos múltiplos estereótipos. Os personagens também não têm reacções adequadas uns aos outros. Por exemplo, porque é que ninguém estranha minimamente que estas pessoas tenham asas? Porque é que nunca há conflito para além de "apalpaste-me a perereca"? Porque é que depois do taradão fazer trinta por uma linha continuam todos a gostar dele? Isto não são reacções normais nem humanas.
A arte é deprimente: sempre recorrendo a chibis e outros que tais, esforça-se por brilhar nas três ou quatro cenas de luta. Mas falha redondamente, pois o valor de produção foi poupado ao máximo e as ditas não estão suficientemente bem coreografadas para fazer um brilharete.
Musicalmente, há muita variedade de EDs, mas todas limitadas a uma espécie de pop cómico que não faz qualquer tipo de sentido.
Portanto, se há série que causa ódio, esta é uma delas. Nunca lhe toquem, nem com um pau comprido e bicudo.
By : ladyxzeus
The Hunger
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The Hunger
Tony Scott
1983
Filme
6 em 10
E como David Bowie é uma paixão amada, continuamos a ver a sua filmografia. Desta feita, um filme de vampiros um pouco diferente, que coloca as coisas em perspectiva.
John e Miriam são um casal misterioso. Ficarão juntos para sempre. Porquê? Porque são vampiros. Mas a vida de vampiro de John aproxima-se do fim e, rapidamente, ele começa a deixar de conseguir dormir e a envelhecer numa progressão extremamente rápida. Então, entra em contacto com Sarah, uma especialista do ramo do envelhecimento. Infelizmente, nem tudo é o que parece... O que irá acontecer?
Neste filme uma diferente perspectiva sobre a lenda do vampiro é relatada. Aqui, há muita relação com a mitologia egípcia e às personagens são oferecidas várias camadas que lhes permitem progredir dentro da narrativa. Por um lado, vemos o desespero do vampiro que "morre" sem nunca poder deixar o plano terreno. Por outro lado, vemos que Miriam afinal não é tão boa pessoa quanto nos parecia ao início e é ela a verdadeira vampira: pois não se alimenta apenas de sangue, mas também de emoções.
O filme tem partes de puro horror (que me impressionaram um pouco) e também muitas partes altamente erotizadas, no feminino, o que é uma mistura bastante bizarra mas que, dentro do contexto, acaba por funcionar muito bem.
A conclusão é fatídica e impressionante. Mas o mais surpreendente de tudo isto é o trabalho dos artistasd e maquilhagem, que fazem uma caracterização tão perfeita do envelhecimento de Bowie que o tornaram muito parecido àquilo que ele veio a ser no final da sua vida terrena.
No final deste filme, ficamos com uma imagem: os vampiros nunca morrem. Pois bem, o David Bowie também não :)
By : ladyxzeus
O Castelo
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O Castelo
Franz Kafka
1922
Romance
Este livro foi-me oferecido pelo Qui pelo meu aniversário em 2015. Depois de ter lido O Processo e as Cartas ao Pai, vinha alimentando a vontade de ler o resto da obra de Kafka. Agora surgiu esta oportunidade.
Este é um livro um pouco diferente d'O Processo na medida em que o pesadelo vivido por K., o personagem principal, consiste na busca pela autoridade, enquanto que no livro anterior ele fugia desta. O que se passa é que K. é contratado como agrimensor para ir trabalhar para um castelo mas, chegado à aldeia vizinha, percebe que não há maneira de lá chegar nem de contactar com ninguém que lá viva ou trabalhe. Assim, K. envolve-se numa série de meandros burocráticos, que não têm fim e que não fazem qualquer tipo de sentido. O livro está cheio de detalhes que tornam tudo como num sonho, um puro exercício de surrealismo, como ser de manhã e de repente ficar de noite ou os personagens estarem sempre a contradizer-se nos seus discursos.
Desta feita, K. conhece uma série de pessoas com as quais se relaciona, mas todas elas parecem ser apenas marionetas influenciadas pelo Castelo, a grande personagem principal, o grande ponto inatingível. Os seus discursos são longos e não trazem nenhuma informação últil. Aliás, confundem tanto o personagem principal como o próprio leitor, uma característica deste livro. Nunca sabemos o que um personagem nos vai dizer a seguir: num momento amam K., no outro momento desprezam-no. São estas relações que tornam esta busca pela autoridade num verdadeiro terror.
Este é mais um livro inacabado, para além de ter sido publicado após a morte do autor. Mas, segundo o posfácio, o final iria ser tão maléfico e inconclusivo como resto da história. Mas, no geral, é um livro intenso e maravilhoso, em que descobrimos sempre novas coisas por detrás de cada esquina e que nunca deixa de surpreender.
By : ladyxzeus
Labyrinth
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Labyrinth
Jim Henson
Filme
1986
7 em 10
Pois é, o fatídico dia aconteceu. Todos pensávamos que ele ia sobreviver ao resto da humanidade, mas a verdade é que David Bowie entrou na nave espacial para voltar ao seu planeta natal. Fiquei triste, mesmo muito triste. Até chorei um bocadinho, é verdade. Mas a melhor forma de celebrar um artista não é chorar a sua morte, nem brindar vezes e vezes sem fim enquanto nos entristecemos ainda mais. A melhor forma é mesmo admirar a sua obra. Portanto, para além de terminar de ouvir a discografia, de ouvir repetidamente o novo (e último) album... Vamos ver os filmes que me faltavam ver! Começamos pelo Labirinto, um filme de fantasia dos anos 80 que veio mesmo a calhar, pois *adoro* este tipo de filme!
Uma miúda mimada vive num mundo de fantasia, em que o Rei dos Goblins é o seu apaixonado e onde ela pode fazer tudo o que quiser. Mas quando o verdadeiro Rei dos Goblins aparece e leva o seu irmão bebé para longe, para o tornar num goblin, a rapariga tem de mudar um pouco a sua perspectiva de vida. Pois, para salvar o irmão, tem de ultrapassar um misterioso e complicado labirinto, cheio de criaturas estranhas que nem sempre são muito simpáticas.
É um filme simples, com uma moral amorosa no final. Afinal, é revelado que tudo não passa da imaginação da moça, os goblins, Jareth (o rei) e até mesmo os seus amigos, e que a imaginação pode controlar uma pessoa até a dominar completamente. O melhor é focar-nos na vida real e voltar a esse reino encantado só de vez em quando, para fazer uma festa.
A minha parte preferida é, sem dúvida, o universo em que isto se passa. Os bonecos e marionetas estão todos muito bem feitos e são muito realistas, embora alguns efeitos especiais estejam já desactualizados. Os personagens têm todos muita força, uma capacidade inata para nos encantar e desejar viver neste reino dos goblins onde David Bowie é o rei. Para mim, é realmente o rei de todo o filme. Não só porque compôs uma banda sonora cheia de vivacidade, fazendo as vozes necessárias a todos esses personagens, como manda naquela gente toda e é o mais maluco do conjunto. <3
Talvez a parte menos boa tenha sido a actriz principal, que não foi muito expressiva e que não demonstrou correctamente a evolução da sua personagem.
Mas confesso que adorei o filme: eu gosto imenso desta fantasia cinematográfica dos anos 80 e por mim via estes filmes todos os dias!
By : ladyxzeus
Digimon Adventure Tri: Saikai
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Digimon Adventure Tri: Saikai
Motonaga Keitarou - Toei Animation
Anime - Filme
2015
6 em 10
Confesso que foi com grande excitação que recebi a notícia deste filme. Afinal, Digimon foi uma parte integrante da minha infância e adolescência. Lembro-me que ao início rejeitei vê-lo: "não passa de uma imitação barata do Pokémon!". Mas depois, à medida que me fui embrenhando no mundo digital, fui percebendo as diferenças essenciais e passei a viver o mundo como se eu própria fosse uma digi-escolhida. Qual seria o meu amigo digimon? Bem, gosto de todos. :) Menos daqueles que são baratóides.
Enfim, este filme foi uma grande emoção. Foi realmente comovente ouvir a música logo ao início, que cantei atabalhoadamente em Português enquanto recordava aquela vez num evento de anime que fizeram um comboio quando passou (foi um pouco deprimente, mas foi fixe também). Mas, à medida que o filme foi decorrendo, re-ganhei a minha objectividade e acidez característica e acabei por admitir que não lhe podia dar mais que uma nota mediana, tal como o dei às séries que vi.
Pois bem, neste filme tudo começa com a vida normal dos nossos amigos na escola. Um dia desses, há vários eventos importantes: um concerto, um jogo de futebol, etc. E nesse dia, há uma falha qualquer na divisão do mundo normal e do mundo digital e o nosso universo é invadido por um feioso que se mete a destruir tudo. Tai prepara-se para o parar com as suas próprias mãos quando... Aparecem os nossos amiguinhos digitais!
Até aqui tudo bem. Infelizmente, achei que o facto de todos terem digivoluído assim que aparecem um pouco exagerado e sem contexto, como se as digivoluções fossem apenas uma oferta para os fãs e não fossem de todo necessárias para a narrativa. Esta, não tem consistência e não procede com um ritmo adequado. Apesar de o filme estar cheio de acção, acaba por não se chegar a lado nenhum, servindo apenas como um ponto introdutório ao tema. Sei que existirão outros filmes (mais três, segundo consta), mas gostaria que tivesse havido mais conteúdo nesta primeira instância.
A animação não está má mas, apesar dos elevados valores de produção, não existem cenas espectacularmente bem feitas. Está bastante mediano, até. Surpreendentemente, ao contrário de muita gente, até gosto bastante dos novos designs. Nos digimons não se nota muita diferença (estão mais magrinhos, talvez), e nas pessoas a evolução do estilo combina bem com o crescimento físico dos personagens. Infelizmente, estes não são explorados nas suas diferenças em toda a plenitude. Existem vários momentos em que os personagens referem o quanto mudaram ao longo dos anos, mas no fundo a mudança não é de todo evidente e mantêm-se exactamente iguais àquilo que eram há 10 anos atrás.
A música é absolutamente nostálgica e uma das melhores partes do filme.
No entanto, todo o filme acaba por ser um aviso à nostalgia, apenas um presente de fãs para fãs. Não me parece que sirva bem para introduzir novas pessoas no universo desta fandom e acaba por ser uma mera bolachinha que, sabendo bem, acaba rápido e se esquece facilmente.
By : ladyxzeus
Otaku no Video
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Mori Takeshi - Gainax
Anime OVA - 2 Episódios
1991
6 em 10
Um anime muito curioso, pois trata-se de um peça documental. Isto é muito raro neste meio e talvez tenha sido o primeiro e único documentário em anime que vi. Faz uma análise moderna e coerente sobre o fenómeno "otaku" no Japão, recorrendo a uma história em anime, um fio condutor que está mais ou menos baseado na fundação do estúdio produtor (Gainax), e várias entreviastas aos verdadeiros "otaku", mostrando dados estatísticos muito interessantes.
Para começar, é importante definir o termo: "otaku" é aquele que tem um envolvimento tão profundo num hobbie ou subcultura que acaba por descurar outros aspectos da sua vida, nomeadamente a vida social. O que indica que nenhum de nós é isso, pelo que desprezo a utilização do termo por um mero weeaboo ocidental (gosto muito mais deste, aliás, até eu própria me caracterizo com ele). Para mais, "otaku" é um termo ofensivo que se aplica não só a fãs obsessivos de anime, mas também a fãs de muitas outras coisas. Por exemplo, pode haver um otaku de perfumes ou de camisolas de lã.
Agora que temos isto esclarecido, falemos do anime. Começando pelas entrevistas, achei-as a parte mais interessante do OVA, já que caracterizam directamente toda esta geração de fãs de anime, no final dos anos 80, inícios de 90, que revelam uma série de problemas a nível social mas que encaram essas limitações de forma positiva. Por exemplo, "não tenho namorada mas tenho os meus animes e gosto muito deles". Este tipo de relato, o da relação amorosa, tem sido muito explorado academicamente, pois parece ser o problema mais prevalente neste tipo de pessoa. Mas também gostei da perspectiva ocidental, em que entrevistam um americano a viver no Japão e a viver a cultura pop. No entanto, achei também muito curioso que todos os entrevistados respondessem "não" à pergunta "és feliz?" Isto parece-me revelar muita coisa.
Quanto às partes animadas, estas acabam por ser ofuscadas pelo interesse das entrevistas. Mostram como uma pessoa normal acaba por se tornar num "otaku" e ganhar a vida com isso. A narrativa pareceu-me exagerada e bastante afastada da realidade, apesar de servir para tentar retratar em animação os aspectos que depois são abordados pelos dados estatísticos. Para mais, a animação não tem nada de especial, havendo muitas vezes perda de detalhe na forma e falta de cuidado no desenho base.
Musicalmente, temos OP e ED bastante apropriadas e quase cómicas.
Um anime muito interessante para quem quer conhecer mais sobre este termo, mas que poderá estar um pouco desactualizada em relação aos anos 10 em que nos encontramos. No entanto, terá também um certo valor histórico que não podemos ignorar.
By : ladyxzeus
