Star Wars - Episode VII: The Force Awakens
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Star Wars - Episode VII: The Force Awakens
J.J. Abrams
Filme
2015
7 em 10
E, para finalizar as celebrações de ano novo, vamos ao cinema! Como sabem, eu só vi a trilogia original, pelo que ia com uma ideia muito pouco modernizada sobre o que ia ver. Ainda assim, estava um bocadinho (só um bocadinho) motivada para ver o filme, por causa de tanta gente a falar dele a todo o instante. Mas atenção! Obrigada, meus amigos, porque não apanhei um único spoiler sobre nada!!
Pois bem, este novo Guerra das Estrelas começa num ponto muito depois do anterior. Os Jedi são um mito e uma Nova Ordem aparece para tomar conta da situação. Felizmente, existe uma Rebelião liderada pela (ex) Princesa Leia que está a tentar resolver o problema. Tudo começa quando um ponto essencial é colocado num droid, o BB-8, e lançado no meio da confusão. Um stormtrooper fugitivo e uma sucateira unem-se para o entregar ao seu dono. E o que acontecerá depois? Bem... Muitas explosões e uma profusão de cenas de acção.
A narrativa é simples e tem muito espaço para evoluir. Gostei imenso dos diálogos, que estão cheios de momentos de humor, e da relação entre os personagens. Fique a nota para o trabalho de actor, para os novos actores sobretudo, que capta muito bem o espírito necessário a uma guerra nas estrelas.
Mas, sem dúvida, o mais impressionante é o grafismo e as cenas de acção. Para começar, todo o cenáruio e personagens alienígenas é de um realismo brutal, de uma vivacidade fantástica que só seria possível juntando as técnicas antigas com as mais recentes. O cenário é altamente detalhado, tornando todos os locais em presenças vívidas e memoráveis. Há quem se queixe que o filme não tem acção... Nomeadamente a minha irmã (que não vai ler isto...)... Mas isso é mentira. O filme está recheado de cenas de perseguições, a pé, aéreas, motorizadas, cheio de lutas entre naves espaciais, explosões e coisas giras por todo o lado para a gente ver.
No entanto, pareceu-me que alguns pontos foram um pouco menos aprofundados, nomeadamente o trabalho de Harrison Ford (que parecia completamente indiferente em relação ao seu personagem) e o SPOILER que era, de certa forma, bastante previsível tendo em conta os filmes anteriores.
Fique também uma nota para a banda sonora, que se mantém pura em relação às ideias anteriores.
Não se pode fazer melhor reciclagem do que esta. Um filme apropriado para as novas gerações, mas que mantém vivo o espírito original. Estou ansiosa pelo próximo episódio, embora acredite que venha a ser ume desilusão depois de tudo o que vimos neste. ;)
Nota: vimos este filme no Almada Fórum numa sala especial de corrida com um tal som "Dolby ACTUS" ou uma coisa assim. Queria só dizer-vos que não se nota nenhuma diferença em relação a uma sala normal.
By : ladyxzeus
Amor Cão
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Amor Cão
Alejandro Gonzáles Iñarritu
Filme
2000
6 em 10
Há bastante tempo que queria ver este filme, pelo facto bastante simples de que gosto de cães. Mas não é um bom filme para quem gosta de cães, porque estes não passam de ferramentas narrativas.
Como é típico de outros filmes deste autor (este terá sido o primeiro de uma trilogia), há várias histórias que se cruzam num único momento, mas que não têm relação umas com as outras. O ponto que as conecta é um grande acidente de automóvel e os cães, que estão presentes em todas as histórias. Este filme caracteriza as várias faixas de uma sociedade mexicana que se esforça por se modernizar. Temos, então, a perspectiva das pessoas pobres na orla da criminalidade, a das pessoas ricas no topo do mundo, e de um homem que já se esqueceu da vida e está ali para os seus cães. São três momentos distintos que funcionam como oposição uns aos outros, sendo que cada um se exacerba nos anteriores.
A primeira história é sobre um rapaz que decide ganhar dinheiro pondo o cão do irmão a lutar contra outros cães e a apostar nisso. É uma história de encontros e desencontros, muito novelesca, em que por vezes não se compreende o porquê por trás das atitudes dos personagens. Pareceu-me a parte que estava melhor editada, pois conseguiram transmitir o espírito das lutas de cães (bem, nunca vi nenhuma com apostas, mas conheci muitas vítimas ao longo do meu percurso profissional) sem magoar cão nenhum.
A segunda parte tem ainda mais um pouco de novela dentro dela, mas há um explorar dos sentimentos dos personagens em relação à perda e à dor que tem algum interesse sentimental. O facto de haver uma separação e posterior reaproximação dos personagens, através do cãozinho, é importante, sendo que o final do arco consegue ser bastante comovente.
Finalmente, na última parte temos uma muito maior brutalidade, com um personagem memorável e muito bem caracterizado. O seu envolvimento com a família que deixou é muito emocional.
No fundo, tratam-se de narrativas de perdas e reencontros, o que tem o seu interesse, mas que estão disfarçadas por detrás de um jogo de edição que, por vezes, pode ser um pouco cansativo.
By : ladyxzeus
Blood Simple
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Blood Simple
Ethan Coen & Joel Coen
Filme
1984
7 em 10
Como fã dos Coen que sou, era uma falha gigante ainda não ter visto o seu primeiro filme. Feito logo depois de terminarem a faculdade, tem todos os elementos que depois vieram a caracterizar o seu cinema.
O mistério inicia-se com um estranho caso amoroso entre a mulher de um famigerado dono de bar e o empregado deste. Mal sabem eles que estão a ser seguidos por um detective privado. Quando este temível personagem aparece, uma nova peça é colocada no jogo: ele é contratado pelo marido traído para matar o casal mas, em vez disso...
A narrativa aparenta ser muito simples, mas os personagens têm tal densidade que tudo se torna num jogo de gato e rato, num jogo de suspense e medo que todos têm de conseguir ultrapassar. Temos personagens incónicos, nomeadamente o detective (até escolhi um poster mais obscuro para por aqui para não o mostrar, porque é realmente único) e interpretações fantásticas. Há uma atenção ao detalhe evidente e preponderante, sem espaço para erros. Tudo nos cenários e objectos tem um sentido e objectivo, técnica teatral que muitos filmes esquecem.
O forte do filme é o estado de espírito das personagens, que se encontram numa espécie de calma depois de uma tempestade de pânico e horror, que nunca se sabe quando irá acabar. Há sempre alguma coisa a acontecer ou alguma coisa que pode acontecer e correr pelo pior.
Blood Simple é uma obra muito diferente de um primeiro trabalho. É a génese de todos estes filmes de homenagem ao ideal americano que os Coen tão bem sabem fazer. É o filme que diz "epah, estes gajos têm jeito para coisa!"
By : ladyxzeus
The Martian
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The Martian
Ridley Scott
Filme
2015
6 em 10
E subitamente, mais um filme em que temos de salvar o Matt Damon! O que é que lhe acontece desta vez... É simples: ele é apenas um astronauta que vai a Marte ver as vistas. Infelizmente, depois de uma tempestade de areia, ele fica lá sozinho, sendo que todos os seus companheiros estão convencidos de que ele está morto.
O que sucede de seguida é a parte mais interessante do filme: como sobreviver num planeta completamente inóspito? São as soluções apresentadas que tornam esta película numa grande aventura. Tudo o que pode correr mal, corre mal. Mas com a inteligência humana e alguns materiais mínimos, tudo é possível! Não me alongarei muito sobre isto para não contar o que se passou, mas achei a maioria das coisas simplesmente geniais.
Achei também curioso o uso da tecnologia, que está num futuro muito próximo (eu pensava que o filme era muito mais antigo) e que, por isso, é muito realista. Também temos paisagens paradisíacas de Marte, que parecem estar bem fundamentadas no pouco que se conhece até agora.
Infelizmente, não temos personagens ao nível desejado. O nosso perdido em Marte está desesperado mas tem semelhante ego que acaba por ser aborrecido. Poderiam ter usado esse traço da personalidade para provocar uma evolução patente da personagem, mas não o fizeram. Quanto ao resto dos personagens, não têm muita identidade.
Um filme divertido para festa de ano novo.
By : ladyxzeus
Sonatine
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Sonatine
Takeshi Kitano
Filme
1993
7 em 10
Começa agora a enchente de comentários sobre todas as coisas que foram observadas durante as festividades de Ano Novo. Estas, foram passadas em companhia do Mr. Brown, aquele Oficial da Earth Federation a quem eu fiz mal na MCM Expo. Mas bem, confesso que não poderei falar de tudo o que vi, porque não me lembro de algumas coisas... Foi por causa dos chocolates licorosos, creio eu.
Mas falemos de Sonatine. Depois de Hanabi tinha ficado bastante curiosa com o cinema de Takeshi Kitano, pelo que fiquei bastante feliz quando o Qui se apresentou com este filme no seu disco rígido. É um verdadeiro filme da Yakuza, a máfia do Japão, mas com uma atenção ao detalhe emocional invejável. Murakawa, um yakuza antigo e respeitado no seu meio, é enviado para Okinawa para resolver uma escaramuça entre gangs rivais. Lá, conhece um grupo de pessoas e, por força das circunstâncias, acaba isolado numa praia sem acessos.
Se por um lado a história aparenta ser muito simples, há nela muito mais do que um pequeno conto sobre a máfia. É uma análise soberba e comovente da emoção humana e daquilo que leva as pessoas a fazerem coisas que, em princípio, não seriam moralmente aceites. O personagem de Takeshi tem uma evolução curiosa: ele não cresce em direcção à conclusão, antes regride. O isolamento a que o grupo é obrigado leva-os a entreter-se com jogos diversos, brincadeiras de criança, em que o personagem é revelado como pessoa involuntariamente sádica, uma pessoa condenada à violência mesmo que esteja fora do contexto. A sua infantilização acaba com a cena final, em que há o abandono completo de si próprio e do mundo, a única solução possível para um sofrimento que poderia ter sido evitado se a escolha inicial (aquela que não vemos no filme) tivesse sido diferente.
A violência é rápida e eficiente, fria, sem chocar ou emocionar. Emocionam, sim, as imagens paisagísticas de praias e falésias, o retrato da solidão. Mas o que me impressionou, sobretudo, foi a forma de actuar de Takeshi Kitano: um génio. Dizem que tem pouca expressão, mas quem precisa de expressão quando consegue transmitir todo o tipo de sentimento apenas com o olhar?
Agora sinto-me pronta para ver ainda mais filmes deste autor!
By : ladyxzeus
Mazinkaiser: Shitou! Ankoku Dai Shogun
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Mazinkaiser: Shitou! Ankoku Dai Shogun
Murata Masahiku - Brains Base
Anime OVA - 1 Episódio
2003
4 em 10
Meu deus, mas que mal fiz eu ao mundo para ter isto na minha Plan to Watch (antiga) e me forçar a mim própria a vê-lo? Talvez com a esperança que fosse um pouco melhor que a prequela. Não é. Nunca poderia ser.
Neste OVA de um episódio, o nosso herói foi de férias mas é na mesma atacado por robots maléficos. Há robots de todos os géneros, à escolha para o menino e para a menina, bons e maus. Tudo num episódio de 50 minutos. A história não faz sentido, aparenta ser apenas "olha aqui umas coisas para tu lutares" e, de resto, é um anime tão infeliz como a sua primeira instância.
Não temos personagens de todos (de novo "olha aqui umas coisas para tu lutares") e a animação continua tão terrível como antes. Os designs não têm nexo, sendo cada robot uma mistura de elementos que não têm nada que ver uns com os outros, uma espécie de amálgama de tudo o que se puderam lembrar encaixada num OVA.
A música é de bradar aos céus, pedindo que pare, incluindo uma estranha cover do "Final Countdown" logo no início (com um efeito especial cheio de chamas feitas com um filtro do Power Point)
Gostava de ter um comentário maior e muito mais completo, mas realmente não há muito a dizer. Mazinkaiser é cócó.
By : ladyxzeus
D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte
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D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte
Miguel de Cervantes
1605
Romance
Tinha visto esta edição em volume manejável (relativamente) na Feira do Livro, mas estava tal fila para comprar que desisti. Mas não consegui resistir a comprá-lo mais tarde. E é nesta senda que tenho estado nos últimos tempos, sendo por isso que não escrevi nada sobre livros durante essa altura. Aproveitei o dia de Natal para terminar de ler a primeira parte (a segunda foi escrita dez anos depois, pelo que acho que tenho direito a um intervalo)
Que dizer? É de génio! Cervantes, com D. Quixote e o seu escudeiro Sancho Pança, cria o próprio romance moderno. Segundo me disseram, antes deste livro os personagens e cenários dos romances eram todos estáticos. E aqui há sempre uma evolução constante. Os nossos dois amigos viajam por mundos e fundos (sem nunca, no fundo, saírem do mesmo sítio) vivendo aventuras impossíveis, aventuras de gigantes e princesas perdidas mas que... E isto é a melhor parte.... Estão todas dentro da cabeça de D. Quixote!
Para mais, é um livro facílimo de ler. Não tenham medo da linguagem antiga: tudo se percebe perfeitamente. Para o que não se percebe, as traduções costumam ter notas. Mas a verdade é que é tudo tão claro e está tão bem escrito que se lê de uma assentada (ou duas, é muito grande...). Também é um livro recheado de momentos de humor absolutamente hilariantes.
A única parte um pouco menos boa, são os relatos de diversas aventuras paralelas. E os diálogos. No século XVII as pessoas fartavam-se de falar... As pessoas falavam 6 páginas seguidas e não se fartavam. Também achei um pouco surpreendente (e inútil) a transcrição de um outro romance, uma novela, que não sei se existe ou não (devia ter lido as notas) e que está só a ocupar espaço.
Agora, farei um breve intervalo (uns cinco livros) para depois me iniciar na segunda parte! Estou ansiosa! =D
By : ladyxzeus

