• Young Black Jack

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    Young Black Jack
    Kase Mitsuko - TBS
    Anime - 12 Episódios
    2015
    6 em 10

    Termina a season e, com ela, todos os nossos sonhos e esperanças. Infelizmente, apesar de ter visto poucos do que estavam no ar, não se pode dizer que esta season de Inverno tenha sido alguma coisa de especial. De entre os que terminei, que foram apenas dois, talvez este tenha sido o melhorzito, tal como competa a uma história inspirada pelo mestre Osamu Tezuka.

    Este anime é uma espécie de prequela à história de Black Jack, o médico misterioso que opera sob condições impossíveis, exigindo também pagamentos impossíveis. Aqui vemos a sua juventude enquanto estudante de medicina e o seu envolvimento na guerra do Vietname, assunto que (curiosamente) não é muito explorado na animação nipónica.

    O anime pode dividir-se em alguns arcos em que ficamos a conhecer cada vez mais sobre cada um dos personagens, com especial ênfase para o nosso "Black Jack", pessoa misteriosa cheia de cicatrizes. O seu caminho até ao mundo da medicina é explicado e podemos ver os eventos que alteraram a sua vida até ele se tornar no ícone que todos conhecemos. Quanto aos outros personagens, têm eventualmente uma história de fundo com interesse, mas não sofrem muito desenvolvimento.

    O interesse principal desta história está, então, no tema. Assistimos a cirurgias implacáveis, com uma exactidão histórica que não deve ser ignorada, e com soluções tanto originais como, segundo o pouco que sei (nunca lhe dei muito em cirurgia), impossíveis. Ainda assim, é muito interessante ver os métodos, técnicas e materiais utilizados, que são de certa forma inspiradores para aqueles que tenham vontade de saber mais sobre o assunto.

    A animação não é brilhante, mas também não está má. Fazem uso de algumas soluções técnicas simples mas muito eficientes, o que torna a progressão das cirurgias em eventos compostos e muito intensos (quase tanto como uma cirurgia verdadeira que, devo dizer-vos, provoca um stress mental e emocional brutal). Talvez pudessem ter utilizado uma paleta de cores mais texturizada, para dar um efeito mais antiquado e apropriado à época em que a série se passa.

    Musicalmente, não há muita coisa a apontar, sendo que a OP e ED são bastante vulgares.

    Enfim, um anime que deixa vontade de ver original e conhecer mais sobre o personagem. Também inspirador para futuros médicos, se é que algum médico tem tempo para ver animus.

  • Little Witch Academia: The Enchanted Parade

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    Little Witch Academia: The Enchanted Parade
    Yoshinari You -  Trigger
    Anime - Filme
    2015
    6 em 10
     
    Depois de ver o muito fofinho Little Witch Academia, foi com grande excitação que recebi a notícia da sua sequela, que terminei de ver ontem. Infelizmente, nem sempre um maior valor de produção e um release no cinema fazem melhorias num conceito que, sendo muito original e sem dúvida bom, acaba por não ser aproveitado na sua totalidade.

    Acompanhamos uma nova aventura das nossas bruxinhas, que conhecíamos do pequeno filme original. Devido ao facto de terem feito muitas asneiras ao longo do ano, têm agora de organizar uma parada mágica para poderem passar de ano. Mas muitos problemas acontecem, culminando no acordar de um maléfico gigante que irá fazer um grande show. A história está altamente simplificada e não existem elementos constantes que nos permitam fazer uma organização mental das características deste universo. Assim, apesar de podermos aceitar todas as coisas estranhas, elas são um pouco difíceis de assimilar. Talvez fizesse mais sentido, no respeitante ao desenvolvimento do mundo fantástico, que estes filmes fossem tornados numa série.

    As personagens têm alguns momentos de oposição, mas não sofrem um verdadeiro desenvolvimento, já que mesmo após o conflito continuam exactamente iguais. Este, o conflito, é difícil de levar a sério por causa das expressões infantilizadas das personagens, que não transparecem emoções que vão para além da piada fácil. Isto acaba por ser muito anticlimático e um aborrecimento.

    Mesmo a animação poderia ser um pouco mais equilibrada e manter uma integridade. Apesar de existirem cenas de animação brilhantes, com uma fluidez surpreendente e uma velocidade na acção completamente alucinante, outros momentos estão bastante descuidados e, no final, todo o filme transparece uma imagem de falta de atenção ao detalhe.

    Musicalmente, não há muito a apontar, já que as músicas do parênquima aparentam ser reciclagens de temas usados na instância anterior e a ED é facilmente esquecível.

    Foi com muita pena que cheguei à conclusão de que este filme é bastante inferior ao anterior. Ainda assim, espero que tenha o maior sucesso, para que se possa - eventualmente - fazer a série que este tema merece.

  • Cutie Honey

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    Cutie Honey
    Katsumata Tomoharu - Toei Animation
    Anime - 25 Episódios
    1973
    5 em 10

    Depois de ver um muito bem conseguido remake, achei por bem ver o original, já que tinha ficado bastante curiosa. Produzido no início dos anos seventis, é um anime original e único em alguns aspectos, inspirando coisas que vieram a ser ícones num futuro não assim tão distante.

    Para começar, este anime inicia a moda das meninas mágicas, sendo Honey a primeira "Ai no Senshi" (guerreira do amor) criada para lutar contra as forças do mal. No entanto, e por outro lado, Honey é também um dos pontos de origem do género ecchi. Assim, temos um anime que por um lado está dirigido ao público feminino mas que, por outro, está sempre a mostrar "atributos" mais dirigidos a uma massa masculina. Isto é, de facto, algo bastante original e interessante, sobretudo para a época.

    A história é muito simples e baseia-se num esquema de "monstrenga da semana", em que Honey tem de utilizar os seus poderes de transformação em diversas pessoas diferentes para vencer uma criatura horrorosa, sempre diferente. É interessante ver como as suas oponentes, e até mesmo todas as suas amigas, são pessoas horrendas e feias (chegando uma delas a ter bigode?), em oposição à beleza clássica da personagem principal. Enfim, não temos uma história muito complexa.

    Também não é complexa a animação e arte, o que é esperado para a época. Temos muita variedade de cores e cenários originais, embora totalmente estáticos. Existem bastantes erros na animação, sendo também frequente o uso de frames repetidas ad nauseum. No entanto, se considerarmos o ano de produção, não podemos dizer que esteja assim tão terrível.

    É um anime que depende muito dos artistas de vozes, já que as acções dos personagens são muito fixas. Estes fazem um trabalho excelente, trazendo emoção a momentos inesperados. É curioso ver que no remake utilizaram a mesma OP, que é muito risonha, sendo que a ED é tipicamente romântica.

    Um anime com interesse histórico, mas que não recomendaria a alguém menos versado.

  • Tonari no Kaibutsu-kun

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    Tonari no Kaibutsu-kun
    Kaburaki Hiro - Brains Base
    Anime - 13 Episódios
    2012
    6 em 10

    Vi este anime por sugestão de um jovem num dos grupos portugueses, num jogo de "sugere um anime à pessoa acima".

    É um shoujo, anime romântico, que trata da relação entre uma rapariga que só pensa em estudar e de um jovem perdido em atitudes delinquentes que se recusa a ir à escola sem ser sob a influência daquela. Entretanto fazem mais amigos e têm pequenos momentos simpáticos e amorosos. É uma história muito simples que vive totalmente dos seus personagens. No entanto, estes poderiam ter um desenvolvimento mais patente e uma caracterização um pouco diferente. Tal como está, a rapariga principal - Shizuko - parece não sofrer qualquer tipo de evolução, servindo apenas como alavanca para a de Haru (o rapaz). E este... Bem... Não o posso considerar como o rapaz ideal para aparecer figurado num inspirador e romântico anime shoujo. Simplesmente tem atitudes demasiado violentas e abusivas dentro da relação (batendo em pessoas e tudo isso, apesar de muitas vezes se tratar de um "acidente"), que não abonam nada em seu favor e que tornam o anime num retrato de uma relação fragilizada e nada ideal como ponto de controlo de uma juventude desorientada, que é a que vê estes animes.

    Os outros personagens aparecem mais como fonte de elementos narrativos do que como personalidades em si, pelo que o anime perde rapidamente o interesse e acaba por se instalar numa profunda mediania.

    Temos uma arte moderna e colorida, com bons designs (como convém a alguma coisa já produzida nos nossos anos 10) mas sem grandes cenas que elevem a animação. Também os cenários são simples, apesar de terem algum grau de detalhe e uma certa textura que lhes dá profundidade.

    A música é vulgar, com honrosa excepção da ED que é muito querida.

    Um anime que será rapidamente esquecido, apesar de ter sido simpático vê-lo.

  • Shokugeki no Souma

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    Shokugeki no Souma
    Yonetani Yoshimoto - J.C. Staff
    Anime - 24 Episódios
    2015
    7 em 10

    Vi este anime por uma razão algo bizarra. Ora bem, estava eu no Nihon Sekai deste ano 2015 a tirar fotos a toda a gente (que é o que eu costumo fazer) quando me vejo a tirar uma foto a um rapaz semi-nu, de avental. Achei cómico. Mas o rapaz pergunta-me se eu sei qual é a sua personagem e, tendo uma resposta negativa, fica triste. Assim, prometi-lhe que veria a série em causa. Aqui está ela. Rapaz do Nihon Sekai!! Eu vi o teu anime! E gostei! Obrigada!

    Este poderia ser um anime de competição como outro qualquer. Podia também ser um ecchi como outro qualquer. Mas há algo neste anime que o faz distinguir-se dos outros. Será o tema? Mais que isso, é a sua execução. O tema é simples: um rapaz que sempre trabalhou sob alçada do pai num restaurante é aceite numa portentosa escola de culinária onde o valor dos alunos é instituído através de competições de comida, onde podem provar as suas capacidades. Como num anime de desporto, os desafios vão ficando cada vez mais complexos, sendo que o nosso personagem tem de os ultrapassar com originalidade e mestria. É um anime com uma energia cativante, que nos prende a atenção imediatamente e que nos faz desejar reproduzir aqueles pratos, pois têm todos um aspecto delicioso.

    Confesso que devo ter engordado uns oitocentos quilos enquanto vi este anime, porque não conseguia parar de comer e parar de ter fome.

    Os personagens principais contêm algum tipo de evolução. Mas Souma, o chef que seguimos constantemente, está um pouco agarrado demais à sua genialidade e acaba por ser um pouco frustrante que ele nunca falhe, para que dessa forma possa evoluir de maneira mais contundente. No entanto, alguns dos outros personagens têm esses momentos, o que acaba por ser satisfatório.

    A arte é lindíssima, cheia de brilho e com retratos deliciosos de comida (que espero que o Qui consiga reproduzir, nomeadamente o souffle de omelete e aquela empada de caril). Talvez haja um exagero nos momentos sensuais, o que não é muito atractivo para mim, mas é o tipo de coisa que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". As sequências de animação que se seguem ao provar de cada prato caracterizam perfeitamente o sabor que este, eventualmente, terá. Isto funciona extremamente bem e é uma óptima (embora por vezes anticlimática) forma de caracterizar um sentimento muito subjectivo.

    Musicalmente, há algumas falhas, sendo que a banda sonora já se ouviu repetidamente em outros animes do género. A primeira OP e ED são interessantes, mas as segundas não cabem dentro do contexto e são um pouco ridículas.

    No geral, um anime que me viciou e que é absolutamente delicioso!

  • Space Adventure Cobra

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    Space Adventure Cobra
    Dezaki Osamu - Tokyo Movie Shinsha
    Anime - 31 Episódios
    1982
    6 em 10

    Depois de ter visto Psychogun, acrescentei a série original à minha lista de animes para ver (a famigerada Plan to Watch, o PtW). Tinha ficado curiosa com o ambiente polposo do OVA. Fiquei bastante contente por ter tido a oportunidade de ver este anime, que - de certa forma - é único no seu contexto.

    Cobra é um ladrão ou pirata ou algo que o valha que anda pelo espaço com a sua companheira e ajudante, Lady Armoroid. Além de ser um gajo todo pimpão, um dos seus braços e a poderosa Psycho-Gun, uma arma de laser que funciona através da mente. Ora, Cobra é constantemente perseguido devido a estas características e, ainda mais frequentemente, envolve-se em diversas alhadas e aventuras. Mas duas coisas unem todos os episódios: putas e vinho verde. Sim, porque Cobra encontra sempre (sempre!) uma bacana qualquer toda gostosa que se apaixona por ele, ou o quer matar e depois se apaixona por ele.

    Neste aspecto, achei a sexualização feminina altamente exagerada, mas ainda assim típica da época. Temos toda a variedade de corpos femininos, desde a normal bond-girl (ou será uma Cobra-Girl?) até dançarinas com quatro braços e seis olhos. No entanto, nenhuma destas personagens sofre qualquer tipo de caracterização, o que acaba por lhes tirar a sensualidade e remetê-las para um efeito de boneco e objectificação total. Quanto a Cobra, apesar de ser um personagem divertido e muito leve, tem pouco mais densidade que as suas piadas e a sua capacidade física.

    O universo em que estas pessoas vivem está caracterizado de forma detalhada e intensa, levando-nos sempre a questionar que coisa bizarra virá a seguir e como é que Cobra se vai safar disso. No entanto, a arte está muito desactualizada. Aliás, quando comecei a ver atirei para o ar a década dos setentas, sendo com grande espanto que vi que tem mais dez anos que isso. As cores são limitadas, o sombreado é pouco detalhado e há pouco destaque para maquinaria ou paisagens. Apenas as mulheres parecem ter alguma dedicação posta nelas, mas o seu design é também bastante limitado e acabam por ser todas iguais (exceptuando o biquini que cada uma usa)

    Tal como no OVA, a melhor parte será, sem qualquer dúvida, a música. Que querem que faça, eu simplesmente adoro baladas azeiteiras japonesas dos 80s! Até agora continuo a cantar a ED, hehehe

    Mas enfim, um anime que vale a pena ver pela sua originalidade e valor histórico, mas que poderá irritar até os mais sensatos.
  • Ghost in the Shell: Innocence

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    Ghost in the Shell: Innocence
    Mamoru Oshii - Production I.G.
    Anime - Filme
    2004
    8 em 10

    Este filme está nomeado para o meu clube e, para mais, o Qui tinha interesse em vê-lo. Assim, foi boa ocasião para o rever, pois pouco me lembrava dele além do facto de ser brilhante. E isso confirma-se numa segunda visualização, apesar das legendas desta versão estarem um pouco aquém das expectativas.

    Este filme acaba por complementar o primeiro da saga e franchise. Se no primeiro filme falávamos da máquina enquanto entidade, Innocence é uma humanização desta, um exercício contemplativo sobre a capacidade de adaptação das pessoas neste universo, sobre o verdadeiro sentido de Ghost e sobre o funcionamento da mente humana.

    Após o desaparecimento do Ghost da Major Makoto Kusanagi no meio da rede, Batou e Togusa vêm-se juntos em equipa para investigar uma série de assassinatos perpetrados por robots sexuais, que têm vindo a assassinar pessoas de importância e cujo caso pode ser, ou não, uma manifestação de terrorismo. Vemos a vida tal como ela é depois do elemento aglutinador da Section 9, a Major, ter desaparecido. Estão todos à deriva e vemos, da perspectiva de Batou, como procuram adaptar-se a uma vida sem este elemento tão importante. Batou arranjou um cão, mas nem o cão é uma coisa viva. Será que conseguirá encontrar um sentido de família e pertença?

    À medida que a investigação prossegue, vemos uma narrativa de detectives mas, sobretudo, vemos a interacção entre os personagens e a sua caracterização, a forma como Togusa sabe que não pode substituir a Major, a forma como Batou não consegue lidar com a sua perda. A força da caracterização é impressionante e comovente, acabando todo o filme por culminar numa cena natalícia em que finalmente, parece, os personagens se encontram consigo mesmos.

    No entanto, não é apenas das personagens que o filme vive. Toda a situação do "crime" leva a um debate filosófico sobre a função do robot, sobre a alma da máquina, sobre o que é na realidade o Ghost e o cyberbrain. À medida que a nossa equipa se depara com diferentes situações, todos estes conceitos são postos em causa, sendo que acabamos por perceber mais diferentes opiniões sobre a situação do mundo "actual", sobre a realidade do filme. Esta, é a pura caracterização do cyberpunk, de tal forma aperfeiçoada que o universo se torna assustador: quão próximos estamos já de um mundo como este?

    Para complementar tudo isto, temos sequências de arte maravilhosas. Este filme é uma verdadeira viagem visual, por um universo de cores, texturas e maquinaria, apresentando-nos momentos que - associados à banda sonora - são altamente intensos e muito esclarecedores. Sem dizer uma palavra, o autor consegue mostrar-nos o que se passa, consegue apresentar-nos os conceitos e explicá-los apenas com recurso apenas a estes momentos animados. Apesar de tudo, alguns deles estão um pouco desactualizados e não envelheceram muito bem, mas devemos considerar que era o melhor que se fazia na época, sendo que o valor de produção do filme foi muito alto.

    Quanto à música, essa... Retomando os fogos corais a que nos tinham habituado no primeiro filme, são muito intensos e levam o espectador a encontrar novos significados nas cenas que ilustram.

    Um filme muito completo, mas também muito intimista. Para fãs, mas não só.

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