• Ghost in the Shell: Innocence

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    Ghost in the Shell: Innocence
    Mamoru Oshii - Production I.G.
    Anime - Filme
    2004
    8 em 10

    Este filme está nomeado para o meu clube e, para mais, o Qui tinha interesse em vê-lo. Assim, foi boa ocasião para o rever, pois pouco me lembrava dele além do facto de ser brilhante. E isso confirma-se numa segunda visualização, apesar das legendas desta versão estarem um pouco aquém das expectativas.

    Este filme acaba por complementar o primeiro da saga e franchise. Se no primeiro filme falávamos da máquina enquanto entidade, Innocence é uma humanização desta, um exercício contemplativo sobre a capacidade de adaptação das pessoas neste universo, sobre o verdadeiro sentido de Ghost e sobre o funcionamento da mente humana.

    Após o desaparecimento do Ghost da Major Makoto Kusanagi no meio da rede, Batou e Togusa vêm-se juntos em equipa para investigar uma série de assassinatos perpetrados por robots sexuais, que têm vindo a assassinar pessoas de importância e cujo caso pode ser, ou não, uma manifestação de terrorismo. Vemos a vida tal como ela é depois do elemento aglutinador da Section 9, a Major, ter desaparecido. Estão todos à deriva e vemos, da perspectiva de Batou, como procuram adaptar-se a uma vida sem este elemento tão importante. Batou arranjou um cão, mas nem o cão é uma coisa viva. Será que conseguirá encontrar um sentido de família e pertença?

    À medida que a investigação prossegue, vemos uma narrativa de detectives mas, sobretudo, vemos a interacção entre os personagens e a sua caracterização, a forma como Togusa sabe que não pode substituir a Major, a forma como Batou não consegue lidar com a sua perda. A força da caracterização é impressionante e comovente, acabando todo o filme por culminar numa cena natalícia em que finalmente, parece, os personagens se encontram consigo mesmos.

    No entanto, não é apenas das personagens que o filme vive. Toda a situação do "crime" leva a um debate filosófico sobre a função do robot, sobre a alma da máquina, sobre o que é na realidade o Ghost e o cyberbrain. À medida que a nossa equipa se depara com diferentes situações, todos estes conceitos são postos em causa, sendo que acabamos por perceber mais diferentes opiniões sobre a situação do mundo "actual", sobre a realidade do filme. Esta, é a pura caracterização do cyberpunk, de tal forma aperfeiçoada que o universo se torna assustador: quão próximos estamos já de um mundo como este?

    Para complementar tudo isto, temos sequências de arte maravilhosas. Este filme é uma verdadeira viagem visual, por um universo de cores, texturas e maquinaria, apresentando-nos momentos que - associados à banda sonora - são altamente intensos e muito esclarecedores. Sem dizer uma palavra, o autor consegue mostrar-nos o que se passa, consegue apresentar-nos os conceitos e explicá-los apenas com recurso apenas a estes momentos animados. Apesar de tudo, alguns deles estão um pouco desactualizados e não envelheceram muito bem, mas devemos considerar que era o melhor que se fazia na época, sendo que o valor de produção do filme foi muito alto.

    Quanto à música, essa... Retomando os fogos corais a que nos tinham habituado no primeiro filme, são muito intensos e levam o espectador a encontrar novos significados nas cenas que ilustram.

    Um filme muito completo, mas também muito intimista. Para fãs, mas não só.

  • Saiunkoku Monogatari

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    Saiunkoku Monogatari
    Shishido Jun - Madhouse Studios
    Anime - 39 Episódios
    2006
    6 em 10

    Para variar um pouco... Um shoujo! Histórico! Há quanto tempo não via um? ^_^

    Saiunkoku é uma terra misteriosa nos confins da Ásia dividida por vários reinos. Num deles, o imperador reinante é uma criatura irascível e irresponsável, que só pensa em divertir-se, apesar de todos os problemas do reino. Assim, quando convidam Shuurei para ser sua concubina em troca de uma elevada soma de dinheiro, ela aceita imediatamente! Shuurei é uma filha da nobreza caída em desgraça e fará tudo ao seu alcance para tornar este imperador numa pessoa decente. No entanto, será que o amor está no ar?

    É uma história de várias narrativas, algumas delas envoltas em mistério, suportada pela força dos personagens, que dão muita luz a este anime. Shuurei é de uma força inabalável, lutando sempre com humor e inteligência contra as contrariedades. Estive quase (mesmo quase) para a adicionar à minha lista de cosplays no meu Cosplay Portfolio, mas acabei por desistir porque, apesar de a personagem me chamar muito, não imaginei para ela algum tipo de performance, assim à primeira vista. Talvez a guarde para uma outra ocasião. De resto, os outros personagens não lhe ficam atrás. Apesar de termos uma grande variedade de rapazes que quase que tornam este anime num reverse harem (mas não totalmente), nem todos sofrem o desenvolvimento esperado. Na verdade, alguns são deixados para trás à medida que as narrativas se vão entrelaçando e evoluindo para outras situações, sendo substituídos. Poderiam ter sido melhor aproveitados para, depois, fazerem a história andar de feição.

    A arte é bonita e colorida, embora haja por vezes alguns erros de animação, sobretudo nas mãos. Os designs são maravilhosos e fascinantes, altamente originais e também historicamente informados. No entanto, os cenários são bastante repetitivos, numa sucessão de janelas ornamentadas, não havendo grande ênfase no mundo natural, o que apenas teria ficado bem dentro deste contexto.

    A OP e ED são simples e românticas, apropriadas à história, mas no resto da banda sonora não há nada de memorável.

    Ainda assim, um anime que apreciei e que me deu gosto ver, porque foi um pouco de variedade dentro da minha aborrecida PtW (que está MESMO QUASE A TERMINAR, ATENÇÃO!!)

  • Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone

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    Ghost in the Shell: Arise - Border:4 Ghost Stands Alone
    Kazuchika Kise - Production I.G.
    Anime - Filme
    2014
    7 em 10
     
    O último filme do conjunto especial "Arise - Border" que saiu ao longo do passado ano 2014. Das quatro instalações, parece-me que este foi, sem sombra de dúvida, o mais bem conseguido. Para mais, joga muito bem como filme de Natal (estamos na época, não é?)
     
    Neste filme a Section 9 enfrenta um misterioso hacker que, à semelhança de outros em situações passadas neste mesmo franchise, se infiltra nos ghosts, os cérebros, as mentes, de pessoas relevantes para a nossa vida social. No caso, infiltra-se nos ghosts de polícias, que imediatamente procedem a matar todos os participantes de uma manifestação pacífica contra a fome no mundo, num pós-guerra imaginário e futurista. A partir daí, desenvolve-se uma narrativa muito delicada, em que ficamos a compreender a dor deste hacker e os seus sentimentos, acabando por o retratar como um ser humano verosímil, apesar de um pouco louco. Isto processa-se de maneira breve, mas muito comovente e apropriada ao ritmo da história, acabando a revelação final por ser muito bela.
     
    Apesar destes elementos, não deixa de ser um filme recheado de cenas de acção deslumbrantes, o melhor que4 este estúdio tem para nos oferecer. As sequências estão altamente detalhadas e bem coreografadas o que, juntamente com a música, transformam o filme num jogo de expectativas que acabam sempre cumpridas. Esta, apesar de tudo, pode parecer um pouco repetitiva comparando com os outros filmes a série Arise, mas dentro deste contexto não deixa de estar totalmente apropriada.
     
    Gostei também, e muito, de ver - finalmente - um retrato fiel da relação Major-Batou, que por fim se vêm juntos numa cena de acção inesperadamente caótica.
     
    Vale a pena ver toda a série de filmes Arise só para chegar a esta última instância. Senti-me de volta aos anos 90 e ao verdadeiro cyberpunk.

  • Duas Publicações Oficina do Cego

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    Duas Publicações Oficina do Cego:
    As Borboletas não têm Dentes do Siso
    O Problema das Cerejas são os Caroços
    Vários
    2015
    Contos

    Como já terei informado algures, tenho agora um novo blog paralelo para as minhas aventuras escriturárias e literárias, de seu nome O Bentivi Urbano. Recentemente, iniciei na Oficina do Cego, uma oficina de tipografia, um curso de escrita narrativa com o formador João Rafael Dionísio e a companhia de mais duas pessoas fofinhas. :) O João deu-nos, então, os volumes anteriormente publicados relativos aos cursos anteriores. Demorei algum tempo a chegar a eles, mas finalmente dei-lhes uma leitura e, por isso, deixo aqui um breve comentário.

    Para começar, é curioso tentar ver a forma como estas histórias foram criadas, que terá sido pelo mesmo método que estamos nós a experimentar agora. Mantive-me sempre atenta a todos os traços dos personagens, de forma a tentar incluí-los naquela "ficha informativa" que também eu fiz.

    De resto, houve histórias que gostei muito, outras que gostei mais ou menos, mas não houve nenhuma que achasse terrível (ao contrário dos meus colegas, que leram apenas o segundo volume. O primeiro terei de lhos emprestar, pois tirámos à sorte quem ficaria com o único exemplar :p )

    Relativamente aos contos, vou deixar algumas notas sobre aqueles que me marcaram mais:

    Conversas de Esquina - Disse-me uma borboleta que este conto foi escrito por um médico, no entanto não está medicamente informado sobre o uso recreativo da ketamina.
    Visões de Um Cego em Terra de Reis - Sem dúvida o conto mais estranho, acho que foi o que gostei mais (apesar de toda a gente odiar a ilustração e de eu também não a compreender). Gostei imenso da forma como o personagem, que nunca é totalmente caracterizado, vê um mundo confuso e desregrado, com uma mistura de memórias e da realidade presente.
    As Incríveis Aventuras do Sherlock do Cacém - O Caso da Vanda - Ao início estava a detestar, mas depois entrei na história e queria mesmo saber quem era o misterioso perseguidor! Uma história cómica e cheia de detalhes.

    Zé, Joaninha, Ivone - Adorei a forma como a perspectiva das pessoas passa para os objectos. A narrativa do carro foi fofinha e fascinou-me um pouco! Na verdade, comecei a pensar que tipo de conversas o Bequi (o meu carro) teria com outros carros :)

    De resto, estas são edições modestas, manuais, mas ainda assim exalam uma aura de carinho e dedicação! Ainda não sabemos qual vai ser o nome da nossa, nem como vai ser a capa, mas prometo que estamos todos os três a trabalhar em histórias bem catitas! Visitem O Bentivi Urbano se quiserem saber um pouco mais sobre o processo. :)
  • A Scanner Darkly

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    A Scanner Darkly
    Richard Linklater
    2006
    Filme
    7 em 10


    Mais um fim de semana e, outra vez, o Qui tentou colocar-me a ver um filme do David Lynch. Mais uma vez consegui recusar-me afirmando que tenho medos (o que é verdade), pelo que acabámos por ver este filme de animação.

    Trata-se de uma película animada em rotoscópio, à imagem e semelhança de um certo anime que todos detestaram, Aku no Hana. Neste filme podemos, finalmente, ver as fantásticas vantagens desta técnica de animação, dentro do contexto. Para começar, os movimentos dos personagens tornam-se altamente detalhados, como apenas seria possível por actores reais. Também a mistura entre elementos reais e animados torna todo o filme numa experiência um pouco alucinada e, por vezes, exasperante e até cansativa. Isso vai de encontro aos objectivos propostos por este filme. No entanto, a grande desvantagem que vejo é precisamente o facto de a animação tornar o filme cansativo para os olhos, assim como o facto de os cenários - altamente detalhados - poderem parecer um pouco confusos.

    De resto, trata-se de uma adaptação de uma história de ficção científica de Philip K. Dick (o já famoso), que fala sobre os efeitos de uma misteriosa e muito potente droga conhecida por Substance D. Um agente infiltrado envolve-se nos meandros do consumo desta droga e deixa de saber quem é: afinal de contas, ele está a perseguir-se a si próprio. Assim, o filme acaba por se tornar no relato de uma viagem psicadélica, em que a trip e a realidade se confundem dentro da cabeça do nosso personagem principal, à medida que as suas ligações ao mundo terreno vão desaparecendo e ele deixa de saber o que é a verdade.

    O final do filme é fatídico e não nos traz qualquer tipo de esperança, sendo que as revelações finais podem ser um pouco misteriosas para um visionante menos atento. Ainda assim, se considerarmos (como eu o fiz) que o filme se trata dos caminhos tripados de um homem perdido no mundo, o filme torna-se bastante mais fácil de interpretar.

    Recomendo vivamente para que vejam que, realmente, o rotoscópio pode ter resultados fascinantes. :)
  • Aura Battler Dunbine

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    Aura Battler Dunbine
    Tomino Yoshiyuki - Sunrise
    Anime - 49 Episódios
    1983
    6 em 10

    Só agora vi que este anime foi realizado pelo Tomino, o génio por trás do meu amado Gandamu. Trata-se, também, de um anime de mechas, mas com uma particularidade: estes robots surgem numa guerra dentro de um universo fantástico, habitado por fadas!

    A partir desta premissa, desenvolve-se uma história que, apesar de tudo, não é muito diferente de uma guerra de mechas habitual. Existem muitos personagens com muitas relações poligonais entre eles, sendo que a busca final é a de uma certa liberdade poética entre o mundo real e o mundo das fadas. Desenvolve-se uma guerra fatal para muitos destes personagens e tudo termina numa nota inconclusiva.

    Quanto aos personagens, são demasiados para o contexto que nos é apresentado, sendo que apenas o principal sofre um desenvolvimento mais coerente, passando de jovem quasi-deliquente para um guerreiro poderoso que perdeu muitas das suas características pessoais originais (tal é visto no confronto com a sua família verdadeira). Talvez a parte mais interessante seja a relação entre este, Shou, e a sua amiga fada. À medida que a narrativa avança, vemo-los juntos cada vez mais vezes, situações de diálogos originais, pontuados por algum sarcasmo e desenvolvimento pessoal dos personagens e da sua relação.

    Artisticamente, temos traços típicos da década, mas não se pode dizer que seja dos melhores exemplos de animação. A paleta de cores é reduzida e os designs improváveis, sendo que senti muita falta de sombras que ajudassem a dar mais profundidade aos cenários e à maquinaria.

    A música é também típica e pouco memorável.

    Valerá a pena ver pelo seu elemento fantástico, bastante original neste género de anime.
  • A Conspiração dos Antepassados

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    A Conspiração dos Antepassados
    David Soares
    2010
    Romance

    E assim se completam os livros que comprei na Feira do Livro deste ano. Como sabem, sou uma grande fã deste autor, seguindo todas as suas publicações de banda desenhada sem falta. Quando soube que ele tinha um livro sobre o misterioso encontro entre as figuras mitológicas de Fernando Pessoa e Alistair Crowley, não podia deixar de o ler!

    Para começar, o autor faz uma caracterização fantasiosa, mas historicamente informada, dos dois personagens. Aparecem como pessoas reais e vivas, com muito mais defeitos do que as qualidades que os tornaram em figuras do nosso imaginário, sem falhas e de génio constante. David Soares mostra-nos uma versão alternativa, e muito mais realista, das duas pessoas, apesar de existirem muitos momentos em que me senti desconfortável (escatologia não está na minha zona de conforto).

    A partir do momento em que os dois se encontram, processa-se uma aventura inusitada e sem precedentes, em que tentam descobrir o paradeiro de D. Sebastião (tido como uma espécie de homunculo artificialmente criado) e tentam escapar-se das garras de uma poderosa e misteriosa organização liderada por híbridos de humanos e insectos. É uma história altamente imaginativa e, como sempre, fruto de uma pesquisa muito detalhada que torna todas as situações, por mais estranhas que sejam, muito realistas.

    Sem dúvida que a minha parte preferida foi a viagem de Crowley ao universo paralelo, que está descrito de maneira não só verosímil como muito original. Quase que sentimos vontade de fazer o tal ritual estranho para lá chegarmos (se é que teríamos essa capacidade) apenas para podermos andar em cima dos esquisitos insectos bovinos.

    Foi um prazer ler este livro e agarrou-me do início ao fim! Agora espero mesmo, mesmo, mesmo que me ofereçam mais livros do autor pelo Natal, porque quero lê-los todos. :)

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