• Kanon

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    Kanon
    Masuda Nobuhiro - Toei Animation
    Anime - 13 Episódios + 1 OVA
    2002
    5 em 10

    Por alguma razão tinha adicionado os dois Kanon à minha PtW. Para saberem sobre o horror que foi o remake, que vi primeiro, cliquem aqui. Mas bem, não sei porquê, mas gostei um pouco mais desta versão. Talvez estivesse mais disponível emocionalmente para a ver. Ou simplesmente porque é mais curta, tem metade dos episódios.

    Enfim... A história é essencilamente a mesma, cortando em alguns pontos menos essenciais. Continua com todos os defeitos estranhíssimos que caracterizavam a narrativa do remake e todos os mistérios sem sentido que estão lá apenas, penso eu, para dar mais densidade a uma história que não tem qualquer tipo de conteúdo.

    As personagens são exactamente iguais em termos de complexidade, que é nenhuma. Inócuas, ocas, sem qualquer motivação e sem qualquer tipo de caracterização essencial. Os designs são um pavor e nenhuma das raparigas é distinguível.

    A arte é um pavor. Os designs são a coisa menos bem pensada de que se podiam ter lembrado, a animação é descuidada e amadora, a paleta de cores é demasiado vibrante para o ambiente que tentam recriar, os cenários não têm qualquer tipo de detalhe. Mesmo assim, a versão KyoAni irritou-me mais que esta.

    A música está aceitável, muito romântica e isso.

    Portanto, conclui-se que não vale a pena ver nenhum dos Kanon.
  • Amy

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    Amy
    Asif Kapadia
    2015
    Filme
    6 em 10

    Tinha esquecido de comentar sobre este filme, que vimos o fim de semana passado. Trata-se de um documentário sobre a famosa Amy Winehouse, artista que (por acaso) conheço bem. Isto é, conheço bem a música, o resto das coisas pouco conhecia, porque todos os eventos dos últimos anos da sua vida - os mais famosos - me passaram ao lado.

    Fazendo recurso a vídeos caseiros e fotografias oferecidas pela família e amigos, assim como os seus relatos e entrevistas, este filme faz um retrato emotivo da vida desta rapariga que, no fundo, queria apenas cantar. Trata com delicadeza a sua ascenção e posterior descida espiralada até ao mundo da droga, fazendo também foco na sua doença psicológica, a bulimia.

    Fiquei, então, com a ideia de que Amy era apenas uma rapariga normal que tinha dificuldades em controlar-se e em encontrar um equilíbrio em si própria, procurando-o na música que fazia, mas a quem não foi permitida uma salvação, por diversos factores pessoais. Simplesmente, ela dependia demasiado das pessoas "erradas" e nem os seus amigos poróximos a conseguiram convencer do contrário.

    Achei curiosa a evolução do estilo de vestir, que era mesmo foleiro ao início.

    No entanto, o filme acaba por ser um bocadinho inócuo devido ao ênfase dado às letras das canções que, apesar de ficarem no ouvido e serem muito apropriadas a cada uma das situações, não são exactamente belos poemas líricos e pecam pela simplicidade extrema na sua estrutura..

    Um filme que vale a pena ver, mesmo para quem não conhece a artista, e que mostra - mais uma vez - a tristeza da fragilidade humana.

  • Rebecca

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    Rebecca
    Daphne du Maurier
    1938
    Romance

    Foi a minha primeira experiência com esta autora, sobre a qual vinha nutrindo alguma curiosidade. Recebi este livro numa troca do BookCrossing e foi, assim, o momento ideal para o ler.

    É um romance misterioso, em que uma personagem (cujo nome não sabemos) vive atormentada pelo fantasma da ex-mulher do seu novo marido. Esta, está morta desde há algum tempo, mas a sua presença na casa senhorial do homem, Max, continua muito vívida e não há maneira de a afastarem para poderem ter uma vida feliz e normal.

    A história evolui pela perspectiva desta personagem, um rapariga tímida e sem grandes qualidades sociais. É a parte mais interessante do livro, de facto, a caracterização desta rapariga. É uma pessoa sem qualquer interesse, totalmente passiva, cuja solução para qualquer problema é roer as unhas. Assim, todas as coisas que lhe acontecem não são infundadas, mas sim fruto da sua incapacidade de lidar com esses momentos.Existe uma evolução patente a partido do momento em que é feita a primeira revelação, sendo muito interessante ver a mudança que se opera na personagem.

    No entanto, as revelações (há duas mais importantes) acabam por ser um pouco previsíveis, cortando com a aura de mistério que rodeia toda a situação. Para além disso, há um ênfase dado às descrições do mundo natural, o que pode tornar a leitura um pouco maçuda, tendo em conta que está escrito num inglês clássico que pode ser difícil de enfrentar (para um ignorante como eu, um nativo terá certamente outra facilidade).

    Descobri mais tarde, informação do Qui, que este livro é também um filme do Hitchcok. Acredito que o seu efeito visual seja ainda mais forte, pelo que fiquei com vontade de ver o filme. :)

    Uma excelente leitura, apesar dessas pequenas coisas, que recomendo a todos. Sobretudo porque não é muito comum ver uma perspectiva clássica do feminino nos anos 30, que é o ambiente retratado. :)

  • Ping Pong

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    Ping Pong
    Yuasa Masaaki - Aniplex
    Anime - 11 Episódios
    2014
    7 em 10

    Trata-se de um curioso anime de desporto, altamente atípico e uma verdadeira viagem na maionese! Ou será numa mesa de ping pong?

    Dois amigos são muito diferentes um do outro. Smile nunca se ri, é tido como um robot. Se calhar, é mesmo um robot. Peco diverte-se, extrovertido e altamente emocional. São o oposto um do outro, mas há algo na infância que os une. E o ping pong também. Smile podia ser melhor jogador se se esforçasse. Peco achamq que é o melhor dos jogadores mas não se esforça. Explorando a relação entre eles, este anime leva a que as personagens avancem nos termos das suas limitações e realmente evoluam de alguma forma. é na exploração do seu passado e nas atitudes presentes que o anime estabelece um futuro risonho para estes personagens, estabelecendo uma maior ligação emocional entre eles, o que funciona extremamente bem.

    No entanto, a narrativa peca por ser demasiado curta e por não dar Ênfase suficiente aos personagens secundários, que aparecem simplesmente como propulsores da evolução de Peco e Smile. Teria sido interessante se houvesse alguma espécie de rival que os remetesse ao passado (apesar de isto poder, também, cair facilmente no cliché). Por este aspecto, coibi-me de dar uma nota mais alta na minha avaliação final.

    A arte é, pura e simplesmente, genial. Há muito tempo que não via tanta experimentação, tanta emoção nas linhas, uma arte tão única e característica como a deste anime. Tornam momentos de jogo altamente intensos, mas não deixa de manter um certo foco melancólico nas cenas do passado. A paleta de cores está usada de forma excelente e todo o conceito por detrás de cada design é puramente original e livre de preconceitos.

    Finalmente, a música. Com OP e EDs muito energéticas, estabelecemos logo um ritmo veloz e sem tempo para respirar para todo o anime. No entanto, isto acaba por funcionar contra o seu objectivo, porque pode tornar a visualização numa experiência um pouco stressante. Ainda assim, existem momentso musicais de génio, como por exemplo a música que fizeram com os sons de bolas de ping-pong a bater nas mesas.

    Um anime que recomendo vivamente, pelo simples facto de ser um raio de luz no meio desta indústria tempestuosa! E por ser completamente diferente de tudo aquilo a que já nos habituámos!

  • Galaxy Express 999

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    Galaxy Express 999
    Nishizawa Nobukata - Toei Animation
    Anime - 113 Episódios
    1978
    6 em 10

    Depois de terminarmos o filme do Galaxy Express 999, o Qui disse que seria realmente uma grande aventura ver a série. Bem... Agora está vista. Foi uma grande aventura, é verdade. É um anime muito longo, com um baixo valor de produção, de finais de anos 70. E eu realmente pensei que este anime fosse muito doloroso de ver, por ser tão longo, mas a verdade é que se revelou precisamente o oposto.

    A história é a mesma do filme, mas com muito mais detalhes. Desta vez o Galaxy Express para numa série de planetas, todos diferentes, cada um com as suas características e com os seus personagens. Em cada um deles, os nossos viajantes vivem uma aventura. E todas as aventuras revelam uma profunda humanidade e uma capacidade de autocrítica do ser humano. Porque muitas vezes as pessoas destes locais não vivem como seres humanos deveriam viver, seja pelas características da sociedade em que estão inseridos ou pelas próprias características físicas do planeta. Tendo isso em conta, há sempre uma pequena história muito lógica e bem estruturada, em que há diversos intervenientes humanos ou mecanizados (normalmente um casal), que explicam um pouco as diferentes maneiras de viver e que acabam por admitir que podem ser felizes dentro do seu contexto.

    Assim, é um anime que está sempre a inovar-se e que permite aos personagens o sonho e a esperança. Nesse aspecto, tem uma moral muito bonita, para além do facto de sermos todos viajantes que um dia se irão separar. A vida, em si, é uma viagem.

    Infelizmente, a arte revela a idade deste anime. Existem muitos e constantes erros de animação, assim como em termos de detalhe e profundidade. Apesar de os universos serem bastante complexos, por vezes pecam por falta de detalhe gráfico e podem acabar por ser um pouco monótonos. Curiosamente, este é o tipo de anime cujo valor de produção não vai sendo reduzido ao longo do tempo: à medida que os anos passam (a série terminou apenas em 1981) a paleta de cores vai ficando progressivamente mais abrangente, havendo também uma maior variedade de texturas e uma redução dos erros simples.

    Musicalmente, temos uma banda sonora excelente e muito original, mas curta para tantos episódios. Apesar de os momentos serem sempre emocionantes, podem parecer um pouco repetitivos pelo facto de as músicas serem sempre as mesmas e serem utilizadas sempre no mesmo tipo de ocasião.

    No entanto, devo admitir que foi um verdadeiro prazer assistir a esta série. Ainda por cima, estou neste exacto momento a preparar um cosplay desta fonte... E, por isso, sinto-me muito motivada! Até tenho mesmo vontade de ver a segunda season! Mas acho que vou deixar para outra ocasião... :p

  • A Ilha de Sukkwan

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    A Ilha de Sukkwan
    David Vann
    2008
    Romance

    Livro que recebi num BookRing do BookCrossing.

    É um livro incomodativo e muito desagradável, logo desde o início. Um pai vai com o seu filho de treze anos viver para uma ilha isolada do Alaska. Vivem o dia a dia construindo coisas e caçando, até ao momento em que acontece uma desgraça e a vida do pai se desorienta, entrando numa espiral depressiva sem limites.

    As descrições são sinistras e todo o ambiente natural da ilha está retratado de forma a que o leitor possa compreender que estes personagens não estão, nem podem nunca vir a estar, felizes ali. A caracterização é feita com muito recurso a imagens da vida passada, a momentos felizes que se passaram, em oposição aos momentos horríveis que ali se estão a viver. No entanto, houve dois elementos que me deixaram de pé atrás. O primeiro é a questão: como é que um rapazito de treze anos tem a capacidade mental e a força física de estar a serrar troncos, a cortar lenha e a caçar veados com uma carabina? Isto não me parece muito lógico e acaba por quebrar um pouco a realidade da história, porque, simplesmente, não é verosímil. O segundo elemento duvidoso é o porquê da desgraça que se abate sobre eles. Porque é que o rapaz tem aquela atitude? Nada na sua caracterização, nem depois na avaliação do pai, indica que tal possa acontecer. Funciona como surpresa para os personagens tanto como para o leitor, mas nada nos leva a acreditar nessa realidade. Assim, o realismo do livro perde-se e as atitudes futuras, as que vêm depois do acontecimento, parecem um pouco irreais.

    No entanto, o livro funciona perfeitamente como forma de caracterizar uma depressão, retratando perfeitamente o desespero de um pai perante tal situação. A forma como a segunda forma está narrada é palpitante e perturbadora, levando-nos a unir-nos em cada momento e a questionar como vamos sobreviver nesta ilha estranha até ao dia seguinte.

    Assim, não se pode dizer que tenha gostado muito do livro ou mesmo que seja um dos "livros mais interessantes da temporada", como diz na contracapa. É interessante em certa medida (tanto que o li num único dia), mas aparenta ser um choque pelo simples facto de desejar chocar, sem ter realmente um conteúdo lógico e unido.

  • Manazuru

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    Manazuru
    Hiromi Kawakami
    2006
    Romance

    Este livro foi comprado na Feira do Livro. Na realidade, nada sabia sobre a autora ou a sua obra. Apenas o comprei porque a a autora é Japonesa e sentia falta de ler alguma literatura desse país. Nessa altura, senti-o.

    Trata-se de um romance misterioso e místico, que segue a vida de uma mulher - Kei - cujo o marido a abandonou sem dizer uma palavra. Já se passaram dez anos desde essa altura e a filha que tinham já é adolescente, assim como é quase adulta a relação que mantém com um homem casado. No entanto, a memória de Rei, o homem que desapareceu, continua muito vívida, sob a forma de sombras misteriosas que perseguem Kei e a obrigam a ir até Manazuru, uma aldeia piscatória em que algo poderá, ou não, ter acontecido.

    Assim, o livro é uma espécie de libertação da personagem do fantasma do homem desaparecido e a evolução enquanto mulher para se entregar a outro tipo de actividades e finalmente poder viver uma vida normal. No entanto, as sombras que aparecem, os fantasmas, as pessoas misteriosas, todos esses elementos acabam por parecer um pouco confusos e mesmo desnecessários. Apesar de as viagens a Manazuru serem essenciais, poderíamos não ter os elementos místicos e creio que o romance teria sido muito mais denso e verdadeiro em termos emocionais.

    As descrições acabam por ser a melhor parte. Apesar de não serem muito longas, são estranhamente coloridas e muito visuais, o que acaba por dar ao livro uma outra consistência e traz curiosidade acerca da tal cidade de Manazuru.

    É um livro muito típico do seu país e dentro da sua época (a do agora), mas que não me sinto tentada em reler.
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