• Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken

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    Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken
    Toei Animation - Takahata Isao
    Anime - Filme
    1968
    7 em 10

    Desta feita aconteceu uma raridade: o Qui recomendou-me um filme de anime! Descobriu-o enquanto procurava animes influentes no ocidente e em Hollywood. Esta é uma obra dos idos anos 60 que não deve passar ao lado de um conhecedor.

    Temos uma história muito simples, mas num universo altamente sofisticado e muito detalhado. Neste país indígena existe um medo para com o Inverno. O Inverno pode chegar a qualquer momento, pelas mãos de um terrível feiticeiro. Enquanto luta contra os lobos que são seus criados, um jovem chamado Horus encontra a Espada do Sol. Com ela, poderá impedir a tragédia. A história simplificada surte um efeito muito bom tendo em conta a animação, da qual falarei em seguida. Infelizmente, achei que o método narrativo poderia ter sido diferente e melhor aproveitado. Há um intercalar de cenas com divisões muito patentes, o que quebra um pouco o ritmo da história e pode torná-la aborrecida.

    As personagens são encantadoras e reconhecíveis, distinguindo-se dentro do contexto pela sua força física e moral. Achei especial interesse na personagem de Hilda, que se encontra dividida entre o bem e o mal e apresenta esta dicotomia de forma extremamente versátil. Quanto a Horus e o seu oponente, estão divididos dentro do seu estereótipo e acabam por ter atitudes um pouco previsíveis.

    O ponto alto deste filme é, sem dúvida, a animação. É excelente, tanto para época quanto para os dias do agora. Apesar de algumas limitações, existem cenas muito bem coreografadas e um nível de fluidez que roça o excelente. Os designs e todo o cenário deste universo são muito detalhados e criam um ambiente identificável e único. Até mesmo a utilização de sombras e efeitos de luz diversos são muito trabalhados, o que era muito raro nesta época.

    Trata-se, também, de um filme com muita música. Não podendo classificá-lo como um musical, o som é parte integrante desta película e através dele compreendemos mais e mais sobre o universo que se pretende retratar. As peças em si são muito originais e típicas de uma era que se perdeu.

    Assim, apesar da idade, é um filme que se excede. Recomendo-o a todos os que queiram saber um pouco mais sobre a história do anime.

    Nota: depois de ler um pouco sobre ele descobri que Hayao Miyazaki teve um dedinho no filme. Era apenas um de muitos Key Animators. :p
  • The Rocky Horror Picture Show

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    The Rocky Horror Picture Show
    Jim Sharman
    Filme
    1975
    7 em 10

    Este é o filme ideal para o Halloween, mas como maluca neo-pagã recuso-me a celebrá-lo. Portanto vimos o filme agora. Row row faite da powa.

    Nos idos anos 60 e 70 havia um tipo de sessão de cinema que era o Double Feature. Passava dois filmes de série B horríveis e eram sempre à meia noite. The Rocky Horror Picture Show é um musical de série B feito para gozar com os filmes de terror de série B das Double Feature.

    Tudo começa quando um casal de criaturas limpas e inocentes anuncia o seu noivado e decide ir visitar um professor que é seu amigo. Perdem-se na floresta, numa noite de chuva perniciosa, e batem à porta de um castelo, onde está a acontecer uma festa. E a vida deles muda, para melhor ou pior, quando conhecem o Dr. Frank N Furter, um travesti da Transexual Transylvania.

    É uma história que é difícil de definir, pois tem algo de terror, tem algo de comédia, algo de ficção-científica e tem algo de muito ilógico a acontecer. Este filme atira pela janela os estereótipos sexuais e, no fundo, tudo termina numa grande festa e numa inusitada orgia de cores e conceitos.

    Todas as músicas são excelentes, com um sentido de humor desprovido de vergonha e com letras de rimas tão improváveis e terríveis que se tornam absolutamente memoráveis.

    Gostaria também de deixar uma nota para os actores. A sua performance é dicotómica em certo sentido. Eles brilham nas músicas e coreografias, isso é certo, mas o seu método de acção é propositadamente mau, o que por vezes torna o filme um pouco maçudo, como se ninguém o estivesse a levar a sério. Ninguém está, mas podiam fingir. Outra nota fica também para o hipnotizante trabalho de maquilhagem. Exemplo a ser seguido.

    De resto, agora deixem-me sossegada que eu vou por a minha maquilhagem e cantar para o meu patooties.

  • Matadouro 5

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    Matadouro 5
    Kurt Vonnegut
    1969
    Romance

    Este é mais um livro sobre a guerra, nomeadamente a Segunda Guerra Mundial. Um narrador intrometido esforça-se por contar a história de Billy Pilgrim, um optometrista inadapatado que esteve no Bombardeamento de Dresden, evento histórico mórbido e elevadamente fatal.

    É uma narrativa cadente, sempre pontuada pela frase chave: "Coisas da Vida". Cada vez que algo de terrível acontece, ou mesmo algo bom, são coisas da vida. Assim, temos um ritmo bastante agradável, um embalar dentro da história, que torna os horrores vividos na guerra como algo secundário e até mesmo pouco importante, como se tudo o que se passou tinha sido uma necessidade do acaso ou do destino. Na verdade, o livro pula entre vários momentos da vida do personagem principal, pois ele ganha a capacidade de viajar no espaço-tempo devido à amizade feita com uma tribo de alienígenas, os tralfamadorianos. Estranho, não é?

    Eu interpreto toda esta vertente de ficção científica não como realidade mas como uma interpretação do stress pós-traumático (PTSD- post traumatic stress disorder). Billy Pilgrim ficou tão perturbado com o que viu na guerra que provoca em si próprio uma imersão num mundo fantástico onde tudo são apenas "coisas da vida" e onde pode encontrar algum conforto e afastamento da realidade, onde o consideram louco e onde não tem qualquer sucesso e tudo lhe corre mal.

    Quanto às imagens horrendas, não há muitas, propriamente ditas. O livro é mais uma sucessão, com muita ironia e bom-humor, das coisas pouco lógicas que aconteceram com estes prisioneiros de guerra americanos. Isto é, são descritas coisas feias, mas na perspectiva tanto do narrador como do personagem, elas servem apenas como mote para ilustrar a falta de lógica destes combates.

    Um livro curto, que se lê bem e é divertido.

  • Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune

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    Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune
    Bessho Makoto -  Xebec
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    Este filme é uma sequela da série de remake do original de Leiji Matsumoto. Para saberem mais sobre elas, cliquem aqui.

    A história pega exactamente no ponto em que nos deixaram após o OVA de 26 episódios. Agora, a Yamato vê-se num confronto contra uma outra raça de alienígenas, uns gigantes que desejam a sua destruição. Assim, decidem escapar-se por um buraco no espaço tempo, indo parar a um estranho planeta. Em termos narrativos a história não avança para lado algum, não nos permitindo chegar a alguma conclusão sobre o caminho da nossa nave espacial Yamato. Eles vão a um lugar e depois voltam, sem que nada de extraordinário tenha acontecido para além de mais uma aventura para os nossos personagens. É curioso, no entanto, ver um pouco mais da vida diária na Yamato e um ligeiro desenvolvimento das relações entre os personagens. Estes, não mudam nada desde que os conhecemos originalmente e não sofrem nenhuma adição na sua caracterização. Assim, este filme tem muito pouca densidade para que possamos considerá-lo como uma sequela. Trata-se mais de uma história aparte para os fãs da série.

    A animação não é menos do que excelente. Temos cenas fabulosas de batalhas espaciais, com grandes efeitos de luzes e explosões de cor, para além de paisagens astronómicas maravilhosas e inspiradoras. Esta modernização da arte de Yamato é espectacular e um gosto para os olhos, num espectáculo visual invejável.

    Não gostei do que fizeram com o tema original da série, tornou-se vulgar e aborrecido. A música, no geral, é bastante normativa e limitada.

    Assim, temos um filme com uma animação excelente mas que nada acrescenta em termos narrativos. Um bónus para apreciadores.
  • Druaga no Tou - The Aegis of Uruk

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    Druaga no Tou - The Aegis of Uruk
    Chigira Kouichi - Gonzo
    Anime - 12 Episódios + 1 Special
    2008
    6 em 10

    Às vezes o Random.org não escolhe o anime ideal para eu ver. Ver este anime, com um tema fantástico, logo depois de Claymore tornou a experiência, comparativamente, um pouco aquém.

    Este é o tipo de anime em que o primeiro episódio engana muito. Pensamos estar dentro de um jogo e que se trata de uma comédia, mas - logo a partir do segundo episódio - percebemos logo que estamos errados. É um jogo, sim, a inspiração para este anime, um jogo de fantasia por níveis. Nesse aspecto, The Aegis of Uruk caracteriza muito bem o estilo de jogatina que se faz: um grupo de pessoas, uma party, encontra-se numa masmorra (dungeon) com vários níveis que tem de ultrapassar progressivamente, lutando contra inimigos mais ou menos fortes e reunindo-se com outras pessoas que podem ou não ter os mesmos objectivos. O início da série caracteriza muito bem este tipo de jogo e, por isso, é muito divertida. Tem muitos momentos de comédia que, ao contrário do esperado, funcionam bastante bem. Depois torna-se um pouco mais sério, mas sempre com um pouco de graça que nunca se perde.

    Os personagens pecam por ser pouco memoráveis e por se inserirem exclusivamente dentro da sua classe de combate. Isto é especialmente bom quando existem lutas, mas no respeitante a desenvolvimento e caracterização é um pouco fraco. Os designs são pouco inspirados e, no geral, são personagens são grande potencial.

    A arte torna-se progressivamente pior. Se ao início temos batalhas bastante interessantes contra grandes criaturas, nos últimos episódios estas criaturas são montadas digitalmente, de forma muito arcaica e simplesmente desnecessária. Afinal, se animaram o primeiro dragão por métodos tradicionais qual a necessidade de fazer o último monstro em CG? Também a animação, no geral, não é muito forte, apesar de ser satisfatória. As coreografias estão bem pensadas dentro do contexto, mas é tudo bastante simples.

    A música tem pouco interesse e não caracteriza bem o ambiente. A sequência da OP é estranha, dentro do contexto, assim como a música.

    Um anime que facilmente será esquecido.

  • Claymore

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    Claymore
    Maruyama Masao - Madhouse Studios
    Anime - 26 Episódios
    2007
    8 em 10

    Há algum tempo que não via um anime que me envolvesse tanto e do qual gostasse desta forma. Apesar de ser largamente criticado por "não seguir o manga", eu não leio o manga e portanto tal facto foi completamente irrelevante para mim. Claymore revelou-se, então, uma fantástica série de fantasia, com muito mais nela do que alguma vez poderia esperar.

    Neste universo, existem umas criaturas maléficas, os "yoma", que se alimentam de seres humanos. Para os destruir, existe uma associação, um grupo de pessoas, que coordena guerreiras chamadas "Claymore". Estas, são especiais porque têm em si características yoma e, por isso, podem detectá-los e lutar contra eles com enormes espadas. É curioso observar e tentar perceber os meandros desta organização e a forma como está tudo coordenado na luta contra os demónios. No entanto, aparecem demónios cada vez mais fortes, num processo comum a todos os shounen (inimigos cada vez mais fortes e cada vez mais poderes) que fazem com que as personagens revelem a sua verdadeira natureza maléfica, correndo o risco de se converter nas criaturas que tanto odeiam.

    Esta história, que é mais complexa do que aparenta, é suportada por um conjunto de excelentes personagens. Cada Claymore tem a sua motivação para odiar os yoma e para querer lutar contra eles, mas é quando tudo parece perdido que a sua natureza, que pode mesmo chegar a ser completamente insana, se revela. Os personagens perdem-se dentro das suas próprias mentes, o que é uma caracterização original e muito interessante. A sua história passada ajuda na resenha das suas personalidades, mas são as suas acções do presente que as tornam fortes, características e memoráveis. Todas elas são especiais, mas há uma que ganhou um lugarzinho no meu coração: Clare, a nossa personagem principal. É curioso porque ela é considerada a mais fraca, a mais inútil, mas apesar disso tem uma força mental e uma motivação tão grandes que acaba por ser ela a resolver as situações. Assim, é com grande orgulho que anuncio que ela foi adicionada à minha lista de cosplays futuros, no Cosplay Portfolio. :)

    Com cenas de acção espectaculares, este anime prima por uma arte radicalmente forte, com traços carregados e cores escuras e quentes. Apesar de haver alguns momentos de animação menos bons, todo o design de cenários e personagens é muito agradável. Quanto à acção, essa sim, é única. Com cenas de luta muito bem coreografadas, todos estes momentos são muito intensos e deixam-nos na ponta da cadeira, esperando o que pode acontecer a seguir. De todos os modos, são lutas muito bem pensadas, não apenas uma guerra de força bruta mas um suceder de estratégias pensadas no momento que são surpreendentes e originais.

    A banda sonora é, também, muito interessante, com peças orquestrais bastante melancólicas que se coadunam na perfeição com o ambiente. Nos momentos mais intensos, um bocadinho de densidade electrónica vem mesmo a calhar.

    Um anime que, apesar de não contar a história toda, dá muito que pensar e nos deixa curiosos para saber tudo o que irá acontecer a seguir. No entanto, achei que terminou mesmo no lugar certo, de certa forma embrulha todos os elementos e aponta-nos para uma direcção em que podem acontecer muitas coisas, que poderemos imaginar (eu gosto de pensar num final feliz e, bem, não vou ler o manga). De todos os modos, recomendo vivamente, pois é um exemplo fantástico de um anime shounen de fantasia e coloca a fasquia bem alta dentro do género.


  • Amada

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    Amada
    Toni Morrison
    1987
    Romance

    Foi a minha primeira experiência com esta autora, detentora de um Prémio Nobel, e fiquei com uma opinião bastante dividida.

    "Amada" é a história de uma mulher negra que, depois de fugir da escravatura, tem um acesso de loucura e mata a sua filha bébé. Esta filha regressa sob a forma de fantasma para a atormentar. Assim, temos um relato místico, que mistura crenças de lugares antigos com a realidade sofrida pelas pessoas na realidade. É uma mistura interessante, pois o lugar depois da morte acaba por representar o lugar antes da vida, o lugar onde estão estas pessoas que durante tanto tempo foram maltratadas e violentadas.

    Os relatos desta realidade são fortíssimos, muito intensos, aterrorizantes. Uma pessoa realmente sente o medo destes personagens (que poderiam mesmo ter existido), os seus sentimentos, a sua fuga perante os sentimentos, a fissão entre o que querem e as consequências dessas vontades. A necessidade de não ter vontade para poderem sobreviver. Nesse aspecto, o livro é excelente, pois dá uma imagem fria, cuidada, exacta da época no contexto dos personagens. No entanto, talvez peque um pouco pelo exagero da imagem, pela fomentação do ódio, pela incapacidade de perdão que todas estas pessoas têm e que não lhes permite avançar nas suas vidas. Talvez seja exactamente isso o que o fantasma simboliza.

    Falando no fantasma, foi a parte que achei menos boa. Na verdade, não sinto que para que a mensagem fosse transmitida houvesse necessidade de incluir estes elementos místicos. Ainda assim, as partes de pesadelo, de autorreflexão e de retrato destes momentos estão muito bem escritas e, por isso, a leitura é sempre um prazer.

    Uma escritora para manter debaixo de olho.
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