Matadouro 5
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Matadouro 5
Kurt Vonnegut
1969
Romance
Este é mais um livro sobre a guerra, nomeadamente a Segunda Guerra Mundial. Um narrador intrometido esforça-se por contar a história de Billy Pilgrim, um optometrista inadapatado que esteve no Bombardeamento de Dresden, evento histórico mórbido e elevadamente fatal.
É uma narrativa cadente, sempre pontuada pela frase chave: "Coisas da Vida". Cada vez que algo de terrível acontece, ou mesmo algo bom, são coisas da vida. Assim, temos um ritmo bastante agradável, um embalar dentro da história, que torna os horrores vividos na guerra como algo secundário e até mesmo pouco importante, como se tudo o que se passou tinha sido uma necessidade do acaso ou do destino. Na verdade, o livro pula entre vários momentos da vida do personagem principal, pois ele ganha a capacidade de viajar no espaço-tempo devido à amizade feita com uma tribo de alienígenas, os tralfamadorianos. Estranho, não é?
Eu interpreto toda esta vertente de ficção científica não como realidade mas como uma interpretação do stress pós-traumático (PTSD- post traumatic stress disorder). Billy Pilgrim ficou tão perturbado com o que viu na guerra que provoca em si próprio uma imersão num mundo fantástico onde tudo são apenas "coisas da vida" e onde pode encontrar algum conforto e afastamento da realidade, onde o consideram louco e onde não tem qualquer sucesso e tudo lhe corre mal.
Quanto às imagens horrendas, não há muitas, propriamente ditas. O livro é mais uma sucessão, com muita ironia e bom-humor, das coisas pouco lógicas que aconteceram com estes prisioneiros de guerra americanos. Isto é, são descritas coisas feias, mas na perspectiva tanto do narrador como do personagem, elas servem apenas como mote para ilustrar a falta de lógica destes combates.
Um livro curto, que se lê bem e é divertido.
By : ladyxzeus
Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune
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Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune
Bessho Makoto - Xebec
Anime - Filme
2014
6 em 10
Este filme é uma sequela da série de remake do original de Leiji Matsumoto. Para saberem mais sobre elas, cliquem aqui.
A história pega exactamente no ponto em que nos deixaram após o OVA de 26 episódios. Agora, a Yamato vê-se num confronto contra uma outra raça de alienígenas, uns gigantes que desejam a sua destruição. Assim, decidem escapar-se por um buraco no espaço tempo, indo parar a um estranho planeta. Em termos narrativos a história não avança para lado algum, não nos permitindo chegar a alguma conclusão sobre o caminho da nossa nave espacial Yamato. Eles vão a um lugar e depois voltam, sem que nada de extraordinário tenha acontecido para além de mais uma aventura para os nossos personagens. É curioso, no entanto, ver um pouco mais da vida diária na Yamato e um ligeiro desenvolvimento das relações entre os personagens. Estes, não mudam nada desde que os conhecemos originalmente e não sofrem nenhuma adição na sua caracterização. Assim, este filme tem muito pouca densidade para que possamos considerá-lo como uma sequela. Trata-se mais de uma história aparte para os fãs da série.
A animação não é menos do que excelente. Temos cenas fabulosas de batalhas espaciais, com grandes efeitos de luzes e explosões de cor, para além de paisagens astronómicas maravilhosas e inspiradoras. Esta modernização da arte de Yamato é espectacular e um gosto para os olhos, num espectáculo visual invejável.
Não gostei do que fizeram com o tema original da série, tornou-se vulgar e aborrecido. A música, no geral, é bastante normativa e limitada.
Assim, temos um filme com uma animação excelente mas que nada acrescenta em termos narrativos. Um bónus para apreciadores.
By : ladyxzeus
Druaga no Tou - The Aegis of Uruk
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Druaga no Tou - The Aegis of Uruk
Chigira Kouichi - Gonzo
Anime - 12 Episódios + 1 Special
2008
6 em 10
Às vezes o Random.org não escolhe o anime ideal para eu ver. Ver este anime, com um tema fantástico, logo depois de Claymore tornou a experiência, comparativamente, um pouco aquém.
Este é o tipo de anime em que o primeiro episódio engana muito. Pensamos estar dentro de um jogo e que se trata de uma comédia, mas - logo a partir do segundo episódio - percebemos logo que estamos errados. É um jogo, sim, a inspiração para este anime, um jogo de fantasia por níveis. Nesse aspecto, The Aegis of Uruk caracteriza muito bem o estilo de jogatina que se faz: um grupo de pessoas, uma party, encontra-se numa masmorra (dungeon) com vários níveis que tem de ultrapassar progressivamente, lutando contra inimigos mais ou menos fortes e reunindo-se com outras pessoas que podem ou não ter os mesmos objectivos. O início da série caracteriza muito bem este tipo de jogo e, por isso, é muito divertida. Tem muitos momentos de comédia que, ao contrário do esperado, funcionam bastante bem. Depois torna-se um pouco mais sério, mas sempre com um pouco de graça que nunca se perde.
Os personagens pecam por ser pouco memoráveis e por se inserirem exclusivamente dentro da sua classe de combate. Isto é especialmente bom quando existem lutas, mas no respeitante a desenvolvimento e caracterização é um pouco fraco. Os designs são pouco inspirados e, no geral, são personagens são grande potencial.
A arte torna-se progressivamente pior. Se ao início temos batalhas bastante interessantes contra grandes criaturas, nos últimos episódios estas criaturas são montadas digitalmente, de forma muito arcaica e simplesmente desnecessária. Afinal, se animaram o primeiro dragão por métodos tradicionais qual a necessidade de fazer o último monstro em CG? Também a animação, no geral, não é muito forte, apesar de ser satisfatória. As coreografias estão bem pensadas dentro do contexto, mas é tudo bastante simples.
A música tem pouco interesse e não caracteriza bem o ambiente. A sequência da OP é estranha, dentro do contexto, assim como a música.
Um anime que facilmente será esquecido.
By : ladyxzeus
Claymore
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Claymore
Maruyama Masao - Madhouse Studios
Anime - 26 Episódios
2007
8 em 10
Há algum tempo que não via um anime que me envolvesse tanto e do qual gostasse desta forma. Apesar de ser largamente criticado por "não seguir o manga", eu não leio o manga e portanto tal facto foi completamente irrelevante para mim. Claymore revelou-se, então, uma fantástica série de fantasia, com muito mais nela do que alguma vez poderia esperar.
Neste universo, existem umas criaturas maléficas, os "yoma", que se alimentam de seres humanos. Para os destruir, existe uma associação, um grupo de pessoas, que coordena guerreiras chamadas "Claymore". Estas, são especiais porque têm em si características yoma e, por isso, podem detectá-los e lutar contra eles com enormes espadas. É curioso observar e tentar perceber os meandros desta organização e a forma como está tudo coordenado na luta contra os demónios. No entanto, aparecem demónios cada vez mais fortes, num processo comum a todos os shounen (inimigos cada vez mais fortes e cada vez mais poderes) que fazem com que as personagens revelem a sua verdadeira natureza maléfica, correndo o risco de se converter nas criaturas que tanto odeiam.
Esta história, que é mais complexa do que aparenta, é suportada por um conjunto de excelentes personagens. Cada Claymore tem a sua motivação para odiar os yoma e para querer lutar contra eles, mas é quando tudo parece perdido que a sua natureza, que pode mesmo chegar a ser completamente insana, se revela. Os personagens perdem-se dentro das suas próprias mentes, o que é uma caracterização original e muito interessante. A sua história passada ajuda na resenha das suas personalidades, mas são as suas acções do presente que as tornam fortes, características e memoráveis. Todas elas são especiais, mas há uma que ganhou um lugarzinho no meu coração: Clare, a nossa personagem principal. É curioso porque ela é considerada a mais fraca, a mais inútil, mas apesar disso tem uma força mental e uma motivação tão grandes que acaba por ser ela a resolver as situações. Assim, é com grande orgulho que anuncio que ela foi adicionada à minha lista de cosplays futuros, no Cosplay Portfolio. :)
Com cenas de acção espectaculares, este anime prima por uma arte radicalmente forte, com traços carregados e cores escuras e quentes. Apesar de haver alguns momentos de animação menos bons, todo o design de cenários e personagens é muito agradável. Quanto à acção, essa sim, é única. Com cenas de luta muito bem coreografadas, todos estes momentos são muito intensos e deixam-nos na ponta da cadeira, esperando o que pode acontecer a seguir. De todos os modos, são lutas muito bem pensadas, não apenas uma guerra de força bruta mas um suceder de estratégias pensadas no momento que são surpreendentes e originais.
A banda sonora é, também, muito interessante, com peças orquestrais bastante melancólicas que se coadunam na perfeição com o ambiente. Nos momentos mais intensos, um bocadinho de densidade electrónica vem mesmo a calhar.
Um anime que, apesar de não contar a história toda, dá muito que pensar e nos deixa curiosos para saber tudo o que irá acontecer a seguir. No entanto, achei que terminou mesmo no lugar certo, de certa forma embrulha todos os elementos e aponta-nos para uma direcção em que podem acontecer muitas coisas, que poderemos imaginar (eu gosto de pensar num final feliz e, bem, não vou ler o manga). De todos os modos, recomendo vivamente, pois é um exemplo fantástico de um anime shounen de fantasia e coloca a fasquia bem alta dentro do género.
By : ladyxzeus
Amada
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Amada
Toni Morrison
1987
Romance
Foi a minha primeira experiência com esta autora, detentora de um Prémio Nobel, e fiquei com uma opinião bastante dividida.
"Amada" é a história de uma mulher negra que, depois de fugir da escravatura, tem um acesso de loucura e mata a sua filha bébé. Esta filha regressa sob a forma de fantasma para a atormentar. Assim, temos um relato místico, que mistura crenças de lugares antigos com a realidade sofrida pelas pessoas na realidade. É uma mistura interessante, pois o lugar depois da morte acaba por representar o lugar antes da vida, o lugar onde estão estas pessoas que durante tanto tempo foram maltratadas e violentadas.
Os relatos desta realidade são fortíssimos, muito intensos, aterrorizantes. Uma pessoa realmente sente o medo destes personagens (que poderiam mesmo ter existido), os seus sentimentos, a sua fuga perante os sentimentos, a fissão entre o que querem e as consequências dessas vontades. A necessidade de não ter vontade para poderem sobreviver. Nesse aspecto, o livro é excelente, pois dá uma imagem fria, cuidada, exacta da época no contexto dos personagens. No entanto, talvez peque um pouco pelo exagero da imagem, pela fomentação do ódio, pela incapacidade de perdão que todas estas pessoas têm e que não lhes permite avançar nas suas vidas. Talvez seja exactamente isso o que o fantasma simboliza.
Falando no fantasma, foi a parte que achei menos boa. Na verdade, não sinto que para que a mensagem fosse transmitida houvesse necessidade de incluir estes elementos místicos. Ainda assim, as partes de pesadelo, de autorreflexão e de retrato destes momentos estão muito bem escritas e, por isso, a leitura é sempre um prazer.
Uma escritora para manter debaixo de olho.
By : ladyxzeus
Gangsta.
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Gangsta.
Murase Shukou - Bandai Visual
Anime - 12 Episódios
2015
5 em 10
Considerado por todos o melhor anime da temporada, do ano e da década, tenho a dizer que... Non. Está certo que esta season só vi dois animes. Um era normal. O outro era mau. O outro era este.
A intro engana. Vamos ao engano para este anime convencidos que teremos um hard-boiled action cheio de estilo, cheio de sexo, drogas e rock'n'roll. Mas é mentira. Na verdade este anime é uma sucessão de machos reprodutores que têm umas lutas mas que, aparentemente, estão lá apenas para gáudio e felicidade de um grupo específico de senhoras.
Mas vamos ao início: a história. Não é muita coisa. Dois fulanos (muito, muito giros...) fazem pequenos serviços (muito, muito perigosos...) para variadas pessoas (muito, muito estranhas...). Depois encontram uma rapariga que, segundo consta, é prostituta. A partir daí encontram mais pessoas muito, muito estranhas e fazem outras coisas muito, muito perigosas, sem grande insistência numa progressão narrativa, num objectivo para a história ou algo que, simplesmente, ligue os acontecimentos numa massa coesiva. Assim, o anime resume-se a lutas entre vários personagens, que aparentam querer muito caracterizar este universo como violento e terrível, a dog eats dog world, mas que - no fundo, no fundo - é absolutamente inconsequente.
Poderíamos ser salvos pelos personagens, já que este anime se foca sobretudo no seu desenvolvimento. Mas este é feito de forma tão óbvia, em alguns casos, ou tão errática, em outros casos, que estes homens acabam reduzidos às suas cicatrizes e aos sofrimentos que passaram em eventos passados. Penso eu que factores traumáticos no passado poderiam ter algum interesse se fossem, bem... Mais intensos. Podem argumentar que um cigarro no olho não é intenso, mas a violência física é bastante limitada, no respeitante ao que existe por aí em termos de eventos traumáticos em anime.
Sucedem-se outras personagens psicóticas, em maior ou menor escala, que procuram matar tudo e todos numa guerra de gangs intemporal que não tem objectivo definido, nem qualquer sentido. Estes personagens secundários não sofrem qualquer tipo de exploração, ficando muito aquém das expectativas e limitados apenas à sua sociopatia.
A arte não é boa. A arte é limitada. As coreografias são simples, a animação é estática. Esta cidade tem interesse, eu admito que tem interesse. Mas os cenários pouco mostram dela e é tudo muito redutor. Tudo é simples, as texturas digitais simplesmente não funcionam, e as sombras estão exageradas nos lugares errados. É uma confusão artística que acaba por tornar toda a narrativa em algo ainda menos coesivo.
Finalmente, a música. Haja algo a favor! Temos a tal intro que é muito interessante e, dentro do parênquima (que, apesar de tudo, é muito silencioso. Não no bom sentido) temos alguns beats que, apesar de simples, carregam de intensidade estas cenas mal conseguidas.
Portanto, fiquem com os senhores muito muito giros. Bem vindos ao mundo do Bara. Divirtam-se.
By : ladyxzeus
Arslan Senki
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Arslan Senki
Abe Noriyuki - Magic Capsule
Anime - 25 Episódios
2015
6 em 10
Este anime já veio da season que passou, a de Inverno. Desses, é capaz de ter sido o melhor. Simplesmente porque é bastante diferente do que os animes que têm dado nas televisões japonesas ultimamente.
Para começar, o ambiente, o universo deste anime, é muito original. Passado numa terra com tendências medievais, algo como uma mistura entre a antiga Ásia e o Médio Oriente, fala de uma guerra de encontros e enganos, com foco num príncipe perdido, Arslan. Sendo que este príncipe procura recuperar o seu trono, que lhe foi arrancado com a brutal morte do pai numa guerra de traições, desenvolvem-se então muitas estratégias interessantíssimas e bem pensadas, que culminam em diversos combates, quer a nível colectivo quer individual. Para que isto possa acontecer, temos um conjunto de personagens provido de inteligência estratégica que ajudam Arslan a conseguir os seus feitos. Têm uma boa caracterização, mas não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento. No entanto, Arslan tem melhorias visíveis desde o início da série, apesar de se processarem de forma muito discreta. Só conseguimos reparar na mudança se colocarmos lado a lado a pessoa do primeiro episódio com a que temos no último. E, devo dizer, é verdadeiramente surpreendente.
Infelizmente, a narrativa tem algumas pontas soltas que nunca voltam a ser relatadas, esquecendo-se de personagens e de factos que aconteceram e passando a ignorá-los como se nunca tivessem ocorrido. Muitas vezes algumas acções não têm qualquer consequência, dando essa aparência de terem sido esquecidas, e também muitas vezes ficamos a pensar o que aconteceu a tal ou tal pessoa.
Coisa que também não liga bem com o ambiente, um pouco negro, da série são os momentos de humor que aparecem nas situações mais inusitadas, tornando tudo muito anti-climático e quebrando a concentração do visionante.
A animação tem uma grande utilização de CG que, nas cenas de grandes batalhas, destoa bastante do resto dos designs. Existem, sim, algumas batalhas que são surpreendentes não pela animação mas pelo contexto. Falo, nomeadamente, da batalha contra o exército de elefantes. Mas, enfim, a animação não é especialmente brilhante. Os designs são interessantíssimos e muito variados, não deixando de ser completmaente originais.
Na música, temos uma variedade de OPs e EDs muito enérgicas que podem ser um pouco desadequadas dentro do contexto clássico do ambiente do anime. No parênquima temos peças que se coadunam com as situações, tornando-as mais intensas ou comoventes (ou, palavra que odeio, "épicas"). Destaco o trabalho do actor de voz de Arslan, que transmite na perfeição o seu crescimento enquanto pessoa e personagem e a sua transição para uma vida adulta.
É um anime curioso pela sua originalidade, que será sobretudo apreciado para quem goste deste contexto em cenas de estratégia e grandes batalhas hípicas.
By : ladyxzeus
