Todos os Contos
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Todos os Contos
Edgar Allan Poe
Vários
Contos
Este livro foi-me oferecido no passado Natal por duas pessoas diferentes. Tive de trocar um deles, mas claro que fiquei com o outro. Terminei-o agora. Como já havia lido vários contos, em outras edições (ver aqui) despachei-me bastante rápido, tendo em conta o tamanhão do livro.
Poe era um escritor de grande diversidade. Apesar de ser sobretudo conhecido pelos seus escritos de terror e ser um marco na literatura gótica, a maioria dos seus contos são providos de grande sentido de humor. Aliás, a maioria deles são críticas mais ou menos disfarçadas a elementos literários da época, sejam eles revistas ou outras pessoas. Com uma escrita elegante e muito erudita, ele faz troça de tudo e todos, recorrendo a trocadilhos e brincadeiras que, ainda assim, são muito ácidas e devem ter feito muitas pessoas chorar na sua época.
Existem também alguns contos futuristas, mas mesmo esses são também uma crítica social muito pertinente, em que Poe argumenta contra as correntes artísticas e literárias do seu tempo.
Desta vez, os contos que gostei mais foram precisamente os que se enquadram no género do terror. O conto do homem que foi mesmerizado, do que está a ser torturado pela inquisição, do enterrado vivo, até mesmo o do gato preto, são grandes exemplos do gótico americano e chegam a ser verdadeiramente arrepiantes, no sentido em que nos colocamos na situação presente e nos tentamos imaginar como esses personagens. No entanto, a grande maioria dos contos são, como referi anteriormente, pura comédia e sarcasmo.
Por vezes tornam-se muito aborrecidos, devido ao chorrilho de complexidades que o autor nos apresenta que, no fundo, são inconsequentes em termos palpáveis e apenas servem como crítica a situações que, nos tempos de hoje, desconhecemos e pouco interessam. O que seria a revista Blackwood que o autor tanto ataca?
De resto, é um livro muito grande e bonito, que fica muito bem na prateleira e, mesmo que não gostem da maioria dos contos, vale a pena arranjar pelo seu valor físico.
By : ladyxzeus
Freedom
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Freedom
Morita Shuhei - Sunrise
Anime OVA - 7 Episódios + 1 Special
2006
6 em 10
Infelizmente, tive de ver este anime com a manhosa dobragem Americana, pois as tracks de legendas não estavam a funcionar... Enfim!
Um grupo de jovens vive numa colónia na Lua e nada sabem sobre a Terra, o planeta de origem. Dedicam-se a corridas futuristas, moderadamente ilegais, em motas construídas por eles próprios. Dois amigos, depois de encontrarem umas fotografias, decidem ir à Terra ver o que lá está e se há pessoas a viver lá. O que acontece depois é uma grande aventura.
Este anime esforça-se por apresentar uma distopia em oposição a um universo de felicidade, fazendo para isso recurso de uma narrativa muito simples, consistindo em "fazer amigos -> salvar os amigos". É uma falha grande o facto de o universo apresentado não estar convenientemente explorado e tudo se dirigir para uma guerra fatalista e, de todos os modos, extremamente previsível. Também as atitudes dos personagens são indistinguíveis. A sua caracterização é mínima e os personagens secundários têm grandes limitações no seu desenvolvimento. Quanto aos principais, fora um discurso moralista que deveria ter grande intensidade, são indistintos e esquecíveis.
Um aspecto interessante deste anime é a arte. Fazendo uso de um arcaico CG com cell-shading (talvez uma das primeiras experiências neste estilo em grande escala), a animação está bem cuidada e temos cenas de acção de excelência que são muito agradáveis de ver. Os cenários são pintados de forma tradicional, tendo em si grande detalhe e uma construção de edifícios e maquinaria originais e fascinantes. As cores são vibrantes e uma delícia para os olhos.
Musicalmente, temos pouco a apontar, fora uma OP e ED que têm uma certa intensidade que liga muito bem com o tema do anime.
Este OVA de 7 episódios terá ficado para trás, mas é uma experiência curiosa e terá a sua importância técnica.
By : ladyxzeus
Houkago no Pleiades
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Houkago no Pleiades
Saeki Shouji - Gainax
Anime - 12 Episódios
2015
6 em 10
Vi este anime, muito rapidamente, por recomendação do meu clube. Trata-se de um simples anime de meninas mágicas, mas relacionado com o espaço.
Cinco meninas, que aparentemente não se conhecem mas que têm uma ligação no passado, unem-se para encontrar os pedaços da nave espacial de um habitante das Pleiades. Para isso viajam pela estratosfera montadas numas vassouras mágicas supersónicas. No entanto, têm um antagonista que procura os pedaços da nave para ele. E agora?
A história é muito simples e bem disposta, com uma posição positivista em relação à vida que é sempre agradável de se ver. É o tipo de história que depende totalmente dos seus personagens, que provavelmente necessitariam de mais episódios para atingir o ápex do seu desenvolvimento. Existe um episódio dedicado a cada uma das meninas, mas isso parece insuficiente para estabelecer as suas relações e para dar um rumo mais definido à história. Assim, apesar de elas serem muito simpáticas e de ganharmos carinho por elas, a sua caracterização é incapaz de as estabelecer como ícones e o anime, no geral, parece curto e incompleto.
Se há algo que é fantástico neste anime é, sem dúvida, a arte. Com designs amorosos, as personagens são desejáveis. Mas, sobretudo, são as visões paisagísticas do espaço que espantam e maravilham. Estão desenhadas com elevado detalhe, dando azo a momentos muito belos que fazem esta viagem valer a pena.
Musicalmente, temos músicas cheias de fofura, mas que não se distinguem de outros animes do género.
Considerando que este anime serve um pouco como spot publicitário para os criadores dos carros Subaru (Fuji Heavy Industries) é um exemplo curioso dentro do género. Acabei por não compreender bem o que desejavam eles anunciar, mas transmitem uma mensagem de bondade e esperança que funciona bastante bem. De resto, existem outros exemplos dentro do género que merecem melhores recomendações.
By : ladyxzeus
.hack//Sign
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.hack//Sign
Sawai Koji - Bee Train
Anime - 26 Episódios + 2 Specials
2002
6 em 10
Quando se fala de animes de fantasia e de animes de inserção em jogos de computador, .hack//Sign vem sempre à baila como exemplo fulcral deste "género" (se é que podemos chamar um género). Finalmente me calhou a vez de o ver e, devo dizer que não o posso considerar exemplar, apesar de ser original de certa forma.
Estamos dentro de um jogo, The World. Como é que lá estamos não é muito explicado, não se fica a conhecer muito bem o sistema de jogabilidade e tudo isso. Mas é um MMORPG passado num universo fantástico. Ora, neste universo há uma personagem, uma pessoa, que não consegue fazer log-out. E, para além disso, tem todas as suas memórias numa misturada. É procurando resolver o problema deste personagem (e também procurando uma tal chave) que um grupo se reúne e vive aventuras diversas, enquanto se encontram, desencontram e fazem novos amigos. Apesar de parecer algo muito infantil, a narrativa é bastante sólida e a premisa original. Infelizmente, o facto de "The World" ser um jogo acaba por ficar para trás e o anime dedica-se mais a mostrar um pouco sobre as persoanagens. Nesse aspecto, ficou aquém das expectativas.
Os personagens são coerentes e bem construídos, evoluindo ligeiramente à medida que se conhecem melhor e estabelecendo laços sociais. A história do nosso personagem principal acaba por ser um pouco previsível, assim como o seu desenvolvimento se torna um pouco errático com o passar d tempo. Todos os outros têm em si grande simplicidade, mas são agradáveis e acabamos por gostar deles. Trata-se de um conjunto de personagens muito reduzido, pelo que é fácil reconhecer as suas tarefas dentro do contexto narrativo. Na verdade, até teria sido melhor haver um pouco mais de variedade de pessoas: todos os que aparecem têm roupas que são variações das do grupo principal, demonstrando que neste jogo não há grande varieade no aspecto, e quando aparecem não fazem nada de importante que nos ajude a compreender melhor o universo em que estamos inseridos.
A arte e animação não estão más para a época, apesar da paleta de cores muito escura. Os cenários poderiam ser um pouco mais detalhados e, como disse, há pouca variedade no design dos personagens. Não existem muitas cenas de acção em que possamos observar uma animação espectacular mas, no geral, está aceitável.
Finalmente, a música. Tenho a dizer que a banda sonora está muito interessante e variada, com sons corais que são muito agradáveis. No entanto, a altura em que cada música aparece está um pouco desregrada e muitas vezes estas peças tão curiosas acabam por ser anticlimáticas.
Teria sido um anime muito melhor se tivesse feito uma maior exploração do universo e se se tivesse focado mais nesse aspecto. Tal como está, não passa de mais um simples anime de fantasia.
By : ladyxzeus
The Cockpit
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The Cockpit
Kawajiri Yoshiaki, Takahashi Ryosuke e Imanishi Takashi - Madhouse Studios
Anime OVA - 3 Episódios
1993
7 em 10
Este OVA, com três histórias curtas, é criação do sempre genial Leiji Matsumoto. Variando bastante dos seus temas habituais, são histórias que falam de aventuras vividas na segunda grande guerra. Fazem-no com uma profunda intensidade e, como sempre neste autor, revelando uma humanidade sofisticada e altamente coerente.
Em todas as histórias há dois temas comum: aviões e a falha. Depois de alguns animes menos bem conseguidos que vi, estava bastante agradada por ver aviões. Era mesmo o que me fazia falta. The Cockpit entrega esse tema na perfeição, com um twist: todas as missões destes aviões falham. E isso, em si mesmo, é o que revela o horror da guerra e a forma como os personagens se livram de ser participantes neste festival macabro. Colocando os personagens em cheque, no meio de dúvidas e temores, o argumento dá-lhes a oportunidade de escolha de participarem ou não nos actos terríveis a que são propostos. A decisão que eles tomam, que talvez seja um acaso, revela a sua força interior e a sua capacidade de, citando, "não venderem a alma ao diabo". Isto é extraordinário nos dois primeiros episódios, mas perde-se um pouco no último, que tem uma narrativa mais leve e infantil e parece não se coadunar com o resto da obra.
A arte é exemplar, com imagens aéreas surpreendentes e uma animação muito cuidada no respeitante às cenas de luta entre os aviões, com tiros e explosões à mistura que agradarão até aos maiores fãs de acção. Algumas cenas são muito belas e a conjugação entre os vários aspectos, tendo em conta o arco narrativo em que se encontram, tem um efeito por vezes comovente. Os directores não esquecem a ligação ao céu, sendo que grande parte das cenas se passam num ambiente luminoso de estrelas, um ambiente bastante original.
Não é muito completo em termos musicais, sendo que as peças utilizadas poderiam ter sido recicladas de outros animes. A ED é bastante apropriada e, no segundo episódio, temos alguns momentos de koto, um instrumento que adoro.
Um anime surpreendentemente belo, que não deixarei de recomendar.
By : ladyxzeus
Super GALS! Kotobuki Ran
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Super GALS! Kotobuki Ran
Kobayashi Tsuneo - Studio Pierrot
Anime - 52 Episódios
2001
5 em 10
Curiosamente, tinha lido um volume do manga que deu origem a este anime há bastante tempo. Arranjei-o em Madrid, quando fui lá a um evento de anime com a Hota-chan :)
Este anime fala da vida diária de três raparigas muito fashion e dentro da moda, verdadeiras GALs, que era o antigo nome dado a esse estilo de moda que é o Gyaru. Infelizmente, o anime não explora nada sobre moda, nada sobre as personagens e nada de nada. É apenas o relato das suas aventuras e desventuras em Shibuya e estas, pois... Não têm interesse algum. Para começar, seria de esperar que um anime em que as personagens vivem e respiram moda falasse um pouco disso: moda. Mas não existe um único toque nesse aspecto. As personagens usam pouquíssimas combinações de roupa, o que até faz sentido já que são estudantes do secundário sem muito dinheiro, e a única reflexão sobre elas é que "precisam" das peças. Não há nenhum comentário social aos seus utilizadores, não há nenhuma comparação entre outros estilos de moda presentes na época fora o Gal e o Ganguro (e, acreditem, no final dos 90s e início dos 00s,Shibuya era um poço de contemplação e inspiração)
Para lém disso, não há nenhuma narrativa coesa que ligue as diversas aventuras e que aponte para um final. Acontecem muitas coisas, é certo, mas nenhuma delas parece ter consequência de maior. Isto teria sido muito importante para que as personagens e pudessem desenvolver e isso não aconteceu. Na génese, as personagens são muito ocas e não têm complexidades, pelo que algum desenvolvimento teria sido bem vindo. Apenas Aya, uma das amigas, tem uma referência (logo no início da série) que teria sido importante e muito interessante em termos de crítica social, mas isso é rapidamente esquecido na medida em que ela é incluída nas aventuras. Acaba por ser ela a personagem mais interessante porque é a única "diferente": é a única que não fala aos gritos. Por mais que eu queira dar o braço a torcer às actrizes, aqui a prestação é muito insuficiente e ruidosa, tornando toda a experiência deste anime fastidiosa.
A arte é terrível em todos os aspectos. Mesmo tendo em conta o ano de produção e o facto de isto ser um anime de paródia, as caricaturas feitas são muito estranhas e de aspecto hediondo, sendo que as cenas de animação estão incompletas e pouco cuidadas. Existem alguns momentos que teriam um potencial para a beleza, se não fossem interrompidos por situações caricatas e caricaturais que, constantemente, invadem o ecrã.
No quadro da irritação causada, a música também contribui bastante. OPs e EDs estranhas e pouco relacionadas, músicas do parênquima com uma energia digital que apenas me causa taquicárdia e desconforto.
Assim, este anime cai no ridículo e isso é muito triste. Porque ele teria potencial para ser algo bastante bom e para ser inspirador, mas não o consegue de maneira nenhuma.
By : ladyxzeus
Casulo
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Casulo
André Oliveira com Vários Artistas
2015
Banda Desenhada
Como estou a tentar manter-me a par com as novidades da BD portuguesa, comprei este album quando foi lançado, no Anicomics deste ano 2015. Trata-se de um livro curioso, numa edição luxuosa de capa dura e páginas brilhantes e cheirosas, um conjunto de curtas de BD de um senhor chamado André Oliveira com colaboração de uma miríade de artistas.
São histórias muito pequeninas, duas páginas a maioria, quatro se tanto, que falam de pequenas coisas mais ou menos boas que acontecem na vida. Também com um forte elemento de crítica social, este autor tem a arte de colocar em poucas palavras (e poucos desenhos) momentos muito significativos da vida diária das pessoas.
A arte varia muito de história para história, mas devo dizer que os meus momentos visuais preferidos foram nas histórias (três histórias) dedicadas ao Natal. De resto, em termos narrativos, fiquei de sobremaneira impressionada com "Silêncio" e com a que vem imediatamente a seguir, que me tocaram profundamente. Os pequenos relatos de viagem não me tocaram como, talvez, seria pretendido.
De uma forma ou de outra, este é um argumentista para manter no radar. Embora não tão poético como eu, pessoalmente, prefiro, tem um olho clínico para observar o dia a dia e isso é, sem dúvida, admirável.
By : ladyxzeus
