• Super GALS! Kotobuki Ran

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    Super GALS! Kotobuki Ran
    Kobayashi Tsuneo - Studio Pierrot
    Anime - 52 Episódios
    2001
    5 em 10

    Curiosamente, tinha lido um volume do manga que deu origem a este anime há bastante tempo. Arranjei-o em Madrid, quando fui lá a um evento de anime com a Hota-chan :)

    Este anime fala da vida diária de três raparigas muito fashion e dentro da moda, verdadeiras GALs, que era o antigo nome dado a esse estilo de moda que é o Gyaru. Infelizmente, o anime não explora nada sobre moda, nada sobre as personagens e nada de nada. É apenas o relato das suas aventuras e desventuras em Shibuya e estas, pois... Não têm interesse algum. Para começar, seria de esperar que um anime em que as personagens vivem e respiram moda falasse um pouco disso: moda. Mas não existe um único toque nesse aspecto. As personagens usam pouquíssimas combinações de roupa, o que até faz sentido já que são estudantes do secundário sem muito dinheiro, e a única reflexão sobre elas é que "precisam" das peças. Não há nenhum comentário social aos seus utilizadores, não há nenhuma comparação entre outros estilos de moda presentes na época fora o Gal e o Ganguro (e, acreditem, no final dos 90s e início dos 00s,Shibuya era um poço de contemplação e inspiração)

    Para lém disso, não há nenhuma narrativa coesa que ligue as diversas aventuras e que aponte para um final. Acontecem muitas coisas, é certo, mas nenhuma delas parece ter consequência de maior. Isto teria sido muito importante para que as personagens e pudessem desenvolver e isso não aconteceu. Na génese, as personagens são muito ocas e não têm complexidades, pelo que algum desenvolvimento teria sido bem vindo. Apenas Aya, uma das amigas, tem uma referência (logo no início da série) que teria sido importante e muito interessante em termos de crítica social, mas isso é rapidamente esquecido na medida em que ela é incluída nas aventuras. Acaba por ser ela a personagem mais interessante porque é a única "diferente": é a única que não fala aos gritos. Por mais que eu queira dar o braço a torcer às actrizes, aqui a prestação é muito insuficiente e ruidosa, tornando toda a experiência deste anime fastidiosa.

    A arte é terrível em todos os aspectos. Mesmo tendo em conta o ano de produção e o facto de isto ser um anime de paródia, as caricaturas feitas são muito estranhas e de aspecto hediondo, sendo que as cenas de animação estão incompletas e pouco cuidadas. Existem alguns momentos que teriam um potencial para a beleza, se não fossem interrompidos por situações caricatas e caricaturais que, constantemente, invadem o ecrã.

    No quadro da irritação causada, a música também contribui bastante. OPs e EDs estranhas e pouco relacionadas, músicas do parênquima com uma energia digital que apenas me causa taquicárdia e desconforto.

    Assim, este anime cai no ridículo e isso é muito triste. Porque ele teria potencial para ser algo bastante bom e para ser inspirador, mas não o consegue de maneira nenhuma.

  • Casulo

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    Casulo
    André Oliveira com Vários Artistas
    2015
    Banda Desenhada

    Como estou a tentar manter-me a par com as novidades da BD portuguesa, comprei este album quando foi lançado, no Anicomics deste ano 2015. Trata-se de um livro curioso, numa edição luxuosa de capa dura e páginas brilhantes e cheirosas, um conjunto de curtas de BD de um senhor chamado André Oliveira com colaboração de uma miríade de artistas.

    São histórias muito pequeninas, duas páginas a maioria, quatro se tanto, que falam de pequenas coisas mais ou menos boas que acontecem na vida. Também com um forte elemento de crítica social, este autor tem a arte de colocar em poucas palavras (e poucos desenhos) momentos muito significativos da vida diária das pessoas.

    A arte varia muito de história para história, mas devo dizer que os meus momentos visuais preferidos foram nas histórias (três histórias) dedicadas ao Natal. De resto, em termos narrativos, fiquei de sobremaneira impressionada com "Silêncio" e com a que vem imediatamente a seguir, que me tocaram profundamente. Os pequenos relatos de viagem não me tocaram como, talvez, seria pretendido.

    De uma forma ou de outra, este é um argumentista para manter no radar. Embora não tão poético como eu, pessoalmente, prefiro, tem um olho clínico para observar o dia a dia e isso é, sem dúvida, admirável.


  • Quando Fores Mãe Vais Ver

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    Quando Fores Mãe Vais Ver e Outras Pérolas do Folcore Materno
    Ana Saragoça
    2012
    Livro

    Depois de Todos Os Dias São Meus estava muito excitada para ler o outro livro de Ana Saragoça, nossa querida coleguinha do BookCrossing. Este livro foi-me emprestado pela mesma pessoa, obrigada! :)

    Com muito humor e candura, a autora conta-nos um pouco sobre aquelas frases feitas que todas as mães usam mais tarde ou mais cedo ao longo do seu percurso materno. Coisas como "Aqui está a chover imenso!" ou "Estás tuberculosa!", pequenos momentos que todos os filhos ouvem de suas mães em qualquer altura da sua vida. Assim, segue-se um relato das aventuras e desventuras de infância, sempre recheadas de preocupações diversas e todas as reclamações que um filho tem todo o direito a fazer. Pois, está claro, embora sejamos adultos as nossas mães continuam a falar desta maneira, como se fôssemos pequeninos.

    De certa forma senti que o livro era bastante pessoal e houve algumas coisas que me passaram ao lado, simplesmente porque não conheço as pessoas em causa e é, para mim, difícil de as visualizar. Não me consegui identificar plenamente com a posição de filha reclamante, porque a minha mãe nunca diz a maioria das coisas que as mães dizem neste livro. Isto parece-me mais uma mãe de uma outra geração, que não a da minha, que não se adaptou aos tempos modernos como... Bem... A minha. Ainda assim, é uma leitura leve e engraçada, que deu para grandes momentos de riso intenso e, sobretudo, muitos sorrisos rasgados. :)

    Tomei também conhecimento que a autora do livro é minha confessa arqui-inimiga, pois andou nos Maristas de Carcavelos (eu andei nos de Lisboa, muahahahaha)

    Apesar de ter gostado mais do livro anterior, este também é muito engraçado e vale a pena dar-lhe uma olhadela. Nem que seja para recordarmos coisas para nunca dizermos aos nosso filhos, num futuro muito longínquo. =D

  • Paprika

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    Paprika
    Satoshi Kon - Madhouse Studios
    Anime - Filme
    2006
    7 em 10

    Estávamos a ver uma lista de filmes de animação desconhecidos e encontrámos lá este. Que para mim não é assim tão deconhecido, já que é a terceira vez que o vejo. :v

    Do autor do afamado Perfect Blue, Paprika é uma história que podia muito bem acontecer, caso a tecnologia evoluísse bastante. Neste universo, foi inventada uma maquineta que permite a que se entre dentro dos sonhos das pessoas, de forma a que se possam partilhar entre amigos e, mas importante que tudo isso, fazer uma psicoterapia dirigida e ajudar as pessoas. Infelizmente, essa tecnologia cai nas mãos erradas e o mundo poderá ser destruído a qualquer momento. Entre realidade e sonhos está uma mulher: Paprika. Ela tem o poder de manipular a sua forma dentro dos sonhos das pessoas e ajudá-las e o seu trabalho será essencial para vencer esta força maléfica que se apoderou dos sonhos das pessoas e os tranformou num aterrorizante pesadelo colectivo.

    A narrativa é simples, sem mistério, sem suspense. Os momentos mais estranhos estão na mistura das duas realidades, mas tudo é claramente explicado ao longo do filme, de forma muito acessível e sem deixar lugar para dúvidas. Polvilhada com uma querida história de amor muito improvável, a narrativa baseia-se então - sobretudo - nas acções e desenvolvimento dos personagens. Isto é bastante satisfatório, pois vários sonhos se misturam e através deles conseguimos interpretar um pouco sobre cada uma das personagens e ficar a conhecê-las um pouco melhor. Cada uma é única e apaixonante, caracterizando elementos da sociedade japonesa do "agora" sem temores nem papas na língua.

    Outro aspecto muito interessante e querido é a homenagem ao universo cinematográfico. Satoshi Kon parece ver os sonhos como uma espécie de "filme" e discorre sobre as técnicas que poderia usar se eles fossem passíveis de ser filmados de forma muito apaixonada e dedicada.

    A animação é bastante boa, com muita fluidez e muitas cores, até ao momento em que aparecem cenas repetidas, uma cópia total, sobretudo nos momentos da parada dos objectos e dos electrodomésticos. De resto, fique uma nota para a intro que caracteriza perfeitamente a personagem de Paprika. Até faria cosplay dela, com todo o gosto, mas não gosto da sua outra faceta.

    Musicalmente, temos um curioso uso desse instrumento que é o "Vocaloid". As músicas são inteiramente digitais, o que transmite um ambiente muito moderno mas ao mesmo tempo surrealista e perturbador.

    Um filme que poderei recomendar como um dos melhores exemplos do autor, mas que não ultrapassa o sempre fantástico Perfect Blue.


  • A Peregrinação do Rapaz Sem Cor

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    A Peregrinação do Rapaz Sem Cor
    Haruki Murakami
    2013
    Romance

    Recebi este livro no aniversário do ano passado e só agora o li... Sendo que está quase de novo no meu aniversário, lol

    Para mim, Murakami deixou de ser um autor preferido. A sua escrita é muito contraditória, por vezes errática, muito inconsistente. Assim, tive um certo medo quando iniciei esta leitura, medo de não gostar, medo de me chatear de vez com o autor. Felizmente, isso não aconteceu, embora este romance esteja longe de ser o livro perfeito.

    Um rapaz muito igual a todos os outros, tem quatro amigos em Nagoia, terra onde sempre viveu. Estes anigos têm nomes de cores e por isso Tsukuro, o nosso personagem principal, sente-se "sem cor", como se fosse invisível. Subitamente, expulsam-no do grupo. Ele tenta esquecer o que se passou, mas uma nova namorada motiva-o a, dezasseis anos depois, procurar o grupo e perceber o que aconteceu. E assim Tsukuro, o "rapaz sem cor" inicia uma viagem em que também busca o auto-conhecimento.

    É uma escrita leve e fluída, embora as descrições dos momentos sensuais sejam bastante frias e afastadas da realidade, sendo que os sentimentos do personagem em relação a elas (e são deveras importantes) limitam-se um pouco a "ficou perturbado". Temos alguns momentos gráficos muito interessantes, com descrições vívidas de paisagens, urbanas e rurais. A narrativa em si tem muitos pontos de interesse, sobretudo no respeitante à caracterização das personagens, que são únicas e muito vívidas, apresentando-se numa realidade tangente em oposição ao mundo irreal dos sonhos e das histórias do passado.

    No entanto, fiquei com o sentimento de que toda esta "peregrinação" acabou por ser inconsequente, pois demasiadas perguntas ficam por responder. E confesso que estava realmente curiosa em saber estas respostas. O final aberto, o assassinato inconclusivo, os simbolismos que aparecem mas que nunca são explicados, tudo isto deixou-me com água na boca e o resultado foi muito insatisfatório. Foi como se o autor nem sequer tivesse pensado que estas perguntas se colocariam, não pensando muito sobre elas.

    Ainda assim, não é um mau exemplo para a literatura do autor. Mas, mais uma vez, não o apontaria para o Nobel.
  • Este País Não É Para Velhos

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    Este País Não É Para Velhos
    Ethan Coen & Joel Coen
    Filme
    2007
    8 em 10

    Sem ideias sobre o que ver numa calma noite, decidimo-nos por mais um filme dos Irmãos Coen, dos quais gosto sempre imenso.

    Este é um filme que fala de uma fuga e de uma perseguição. Chego, com ele, a uma certa conclusão sobre os filmes dos Coen... Todos eles se tratam de uma viagem visual por um ideal Americano corrupto e desmembrado, uma imagem de uma realidade que, se não aconteceu, poderia perfeitamente ter acontecido naquele contexto. Desta vez a viagem é feita pelos confins de um estado árido e desértico.

    Um homem comum encontra, por acaso, uma cena de morte e horror, com muita droga e muito dinheiro. Decide apoderar-se do dinheiro e esse é o seu primeiro erro: a partir desse momento vê-se perseguido por um psicopata muito escrupuloso, com ideias sobre a vida bastante distintos dos das pessoas comuns. Para além dessa pessoa, também é procurado por mais uma série de gente. No fundo, ele deseja apenas escapar mas... Parece que é inevitável.

    Recheado de diálogos interessantíssimos e muito filosóficos, este é um filme que sobrevive sobretudo com as suas personagens, que estão muito bem construídas e, sem dúvida, interpretadas de forma excelente. É sobretudo curioso este nosso "psicopata", pois o seu código moral é muito intricado e difícil de interpretar, mas claramente existe e ficamos muito curiosos com ele.

    Como disse anteriormente, o filme é uma viagem. Isso é caracterizado por imagens muito fortes dos elementos típicos deste local Americano, com um uso de fotografia agudo que funciona muito bem. Outro elemento curioso é o facto do filme não ter quase nenhuma música a acompanhá-lo: é uma narrativa feita de silêncios que, por sua vez, causam mais ansiedade do que qualquer ruído poderia.

    Um filme original, que dá que pensar. Como sempre, estes irmãos estão lá.


  • Read or Die

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    Read or Die
    Masunari Koji - J.C. Staff
    Anime - 26 Episódios + 3 Episódios
    2003
    6 em 10

    Há algum (bastante) tempo atrás este anime foi apreciado no meu clube, mas eu não o vi na altura. Desde então que sempre tive uma certa curiosidade em vê-lo, sobretudo tendo em conta o título. Infelizmente, comecei por ver o OVA que, comparativamente à série, é bastante menos despretensioso e, por isso funiona melhor.

    Este é um anime sobre algumas pessoas que têm o poder de controlar o papel, transformando-o em objectos laminados, projécteis e armas em geral. No OVA temos uma história muito simples, uma explicação do passado de duas personagens que depois virão a vir moderadamente importantes na série. Uma delas (The Paper) caiu-me logo no goto: gostei imenso dela e pensei logo em fazer cosplay. Mas depois de ver a série, em que ela não sofre mais nenhum tipo de desenvolvimento, perdi a ideia. Enfim, na série, uma sequela, temos três raparigas que tentam proteger uma autora de livros de uma estranha máfia livreira. A história desenvolve-se na exploração dessa entidade maléfica e explicações sobre o que fazem e porquê. É de certa forma interessante e original, mas acaba por se perder a paixão pelos livros que ligava todas as personagens: o facto do objecto em causa (o mote para toda esta aventura) ser um livro é puramente inconsequente.

    As personagens, apesar de serem bastantes, também não sofrem grande caracterização. Com excepção de Anita, a mais irritante delas todas, as raparigas acabam por ser ignoradas em detrimento da primeira, que vive praticamente todas as aventuras sozinha. De resto, elas não sofrem desenvolvimento, sobretudo no respeitante à evolução do "não gostar de ler" para passar a gostar de ler (o que teria sido previsível e bem-vindo). De resto, as personagens passam grande parte do tempo a chorar e a gritar o que, apesar do poder vocal das actrizes, é bastante desconcertante e incomodativo. Também não se compreende o porquê de se passar muito tempo a relatar a vida diária numa escola, pois as relações com estas personagens também não têm qualquer relevância.

    Sendo que no OVA a arte está bastante mais cuidada, não podemos dizer que o grafismo da série seja mau. Apesar dos designs muito simples e da falta da detalhe em geral, temos cenas de animação bastante satisfatórias, se bem que poderiam ser um pouco mais longas (considerando cenas de acção) para podermos observar melhor os movimentos, que até são interessantes. As cores são pouco variadas, mas no geral o aspecto funciona bem. Gostaria de ter visto um pouco mais de cuidado nas imagens de livros e papéis, que estão - essencialmente - em branco: isto não faz muito sentido pois todos os livros (excepto o famoso "Livro em Branco") têm letras.

    Musicalmente, temos alguns momentos bastante intensos, com uma OP jazzística muito interessante. De resto, não há muita coisa que distinga esta banda sonora de um shounen comum.

    Um anime que poderia ter sido excelente e entrar para o meu top de favoritos, se não tivesse cometido tantos erros. De resto, fica um piscar de olho para a ideia que, apesar de tudo, é bastante boa. :)

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