Detroit Metal City
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Detroit Metal City
Nagahama Hiroshi - Studio 4ºC
Anime - 12 Episódios
2008
9 em 10
Estamos em casa, não temos ideias do que ver e eu lembro-me... Que nos podemos rir bastante. Então coloco a sacar um dos meus animes de comédia preferidos: Detroit Metal City! Atenção, têm de dizer isto de maneira vocalmente agressiva. Já é a terceira vez que vejo este anime e a verdade é que nunca me canso de o ver!
Negishi é um rapaz da aldeia, uma pessoa querida e simples que tem um sonho: criar uma banda de pop sueco. Assim, vai para Tóquio de forma a poder cumprir com o seu sonho e viver a vida hipster que sempre sonhou. Infelizmente, nem tudo corre bem... De alguma forma ele vê-se como o cabeça de cartaz de uma banda que representa tudo o que ele sempre abominou: DEATH METAL. E eles são os... DETROIT METAL CITY.
Temos a fórmula perfeita para uma comédia contagiante e hilariante. Confesso: para mim é impossível parar de rir histericamente do início ao fim. As piadas e os gags baseiam-se essencialmente no nosso personagem principal, um rapaz simples que, no fundo, tem um distúrbio de personalidade. Nas piores ocasiões, ele tem de se transformar em Krauser II, o líder da banda mais horrífica do momento. E a forma como ele lida com estas transformações, com a sua dupla vida, é de morrer. No fundo, é a luta de uma pessoa que tenta ser normal num mundo onde nada é normal. Ou, visto de outra forma, a maneira de colmatar a sua figura gentil com a de um terrorista do inferno. As duas imagens misturam-se e chegamos ao ponto em que deixamos de saber qual deles é o Negishi real: o hipster dos casacos de malha ou o psicopata dos dez FUCK por segundo.
As situações são de tal forma improváveis, arrastando-se para um universo de absurdo e non-sense que, apesar de por vezes as piadas parecerem um pouco repetitivas, nunca deixamos de nos rebolar a rir com cada um dos momentos.
Para além disso, este anime é uma crítica agressiva e acutilante ao universo da música indie, no Japão e não só. Vários grupos estão representados, cada um mais louco que o outro, e todos eles são ridicularizados. Não são só o indie pop e o death metal que são vítimas! E não são só os músicos que são vítimas! O anime faz questão de gozar com todo o tipo de fãs. Afinal de contas, grande parte do universo musical é feito por eles.
Coroando todos estes temas, existe uma banda sonora original que, funcionando como paródia a cada um dos géneros, é também brilhante por si só. Apesar de as letras não fazerem qualquer tipo de sentido, se olharmos para elas com os nossos elitistas óculos do "coisas a sério", em termos musicais, melódicos e harmónicos, são músicas muito boas e que ficam na cabeça. Satsugai Satsugai!!
A animação poderia ser a parte mais fraca do anime, mas a verdade é que este estilo, extremamente simples e ausente de detalhe, funciona na perfeição dentro do contexto. Como uma espécie de sitcom, os cenários diminutos transmitem na perfeição o ambiente dos concertos e quase que nos fazem desejar estar lá para participarmos da loucura.
Assim, com um grupo de personagens louquíssimo (Presidente, estás na minha lista!), músicas cheias de brutalidade e situações do mais extremo bizarro, temos um anime perfeito para partir a barriga em gargalhadas numa noite qualquer, em que não haja nada para fazer.
By : ladyxzeus
Ulisses
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Pareceu-me que esta primeira parte (primeira e segunda partes, oficialmente, para além de um bom pedaço da terceira) são a manifestação de Bloom enquanto homem descontente com o seu casamento. A sua esposa é Molly e ela é vagamente referida ao longo de todo este texto, mas não sabemos muito sobre ela e, sinceramente, acabamos por nos esquecer da sua existência. Bloom liberta-se num ócio bêbado, envolvendo-se com pessoas de diversas estirpes, até - finalmente - se acalmar e chegar a casa, para beber um chocolate quente. Subitamente, o narrador muda: e agora é Molly. Ficamos a saber, de repente, que Molly também não está contente com o seu casamento.
Assim, o dia em que se passa toda esta história é uma espécie de revelação. "Ulisses" fez uma viagem pelo inferno, para regressar a casa e estar tudo errado. É exactamente o oposto da "Odisseia". Consideremos também, conforme vinha escrito na contracapa do livro, que o dia em que se passa esta história é o mesmo dia em que James Joyce conheceu a sua mulher. Assim, "Ulisses" é o oposto de James Joyce. O pesadelo poderia representar tudo aquilo que o autor viveu antes de conhecer a sua mulher. E, assim, o livro poderia ser uma muito estranha declaração de amor. Gostaria de pensar assim, talvez.
É o tipo de livro que necessita de várias leituras e bastante estudo para se poder interpretar convenientemente e para se ter uma compreensão absoluta sobre ele. Mas eu não o vou voltar a ler em tempo breve. Estou livre. Foi uma leitura muito intensa que nunca irei esquecer. Mas terminar foi um verdadeiro alívio.

Ulisses
James Joyce
1914-1921
Romance (??)
Este livro foi-me oferecido pelo Natal do ano passado. Assim que abri o presente, fiquei aterrorizada. Este é o oneroso livro que nunca ninguém que eu conheça conseguiu acabar de ler. A pessoa que mo ofereceu não conseguiu. Até o meu pai, meu exemplo e modelo enquanto leitor, não conseguiu. Mas, ainda assim, eu disse para mim própria... "Não passa de um livro, eu vou lê-lo". Recolhi coragem até agora. E, durante um mês que se revelou um verdadeiro inferno, prossegui a lê-lo. Por isso não houve comentários a livros durante este Agosto: estava presa no universo do Ulisses. Consegui? Bem, cheguei ao fim. Só me falta o posfácio, fica para mais tarde. Mas compreendi? Não sei. Gostei? Não sei.
A primeira coisa que devo dizer sobre este livro é que, em minha opinião, não é o tipo de narrativa que está feita para ser "percebida". Está feita, na verdade, para ser "percepcionada". A percepção que cada um de nós tem deste livro será, então, muito variada. É algo de tão confuso e sensorial que cada um terá a sua interpretação. Falarei, assim, da minha.
Existem três personagens centrais, embora um deles só apareça realmente no final. Começamos com Leopold Bloom, um homem que falha bastante na vida, que sai de casa para ir a um funeral. Algures no meio do caminho encontra-se com Stephen Dedalus e, penso eu, saem para beber copos em diversos locais, que envolvem bares e um barco (talvez). Durante este encontro (todas estas 700 páginas relatam apenas um percurso de 24 horas) eles discutem diversas coisas, que são repetidas até à náusea e que parecem ser algo sobre as próprias opiniões do autor. Alguns assuntos discutidos são, por exemplo:
- Shakespeare
- O teu deus é judeu
- Upe
- Corridas de cavalos (cavalo Ceptro)
- Cães diversos
- Prostitutas e a ciência do sexo
Pareceu-me que esta primeira parte (primeira e segunda partes, oficialmente, para além de um bom pedaço da terceira) são a manifestação de Bloom enquanto homem descontente com o seu casamento. A sua esposa é Molly e ela é vagamente referida ao longo de todo este texto, mas não sabemos muito sobre ela e, sinceramente, acabamos por nos esquecer da sua existência. Bloom liberta-se num ócio bêbado, envolvendo-se com pessoas de diversas estirpes, até - finalmente - se acalmar e chegar a casa, para beber um chocolate quente. Subitamente, o narrador muda: e agora é Molly. Ficamos a saber, de repente, que Molly também não está contente com o seu casamento.
Assim, o dia em que se passa toda esta história é uma espécie de revelação. "Ulisses" fez uma viagem pelo inferno, para regressar a casa e estar tudo errado. É exactamente o oposto da "Odisseia". Consideremos também, conforme vinha escrito na contracapa do livro, que o dia em que se passa esta história é o mesmo dia em que James Joyce conheceu a sua mulher. Assim, "Ulisses" é o oposto de James Joyce. O pesadelo poderia representar tudo aquilo que o autor viveu antes de conhecer a sua mulher. E, assim, o livro poderia ser uma muito estranha declaração de amor. Gostaria de pensar assim, talvez.
É o tipo de livro que necessita de várias leituras e bastante estudo para se poder interpretar convenientemente e para se ter uma compreensão absoluta sobre ele. Mas eu não o vou voltar a ler em tempo breve. Estou livre. Foi uma leitura muito intensa que nunca irei esquecer. Mas terminar foi um verdadeiro alívio.
By : ladyxzeus
Kill Bill Vol. 2
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Kill Bill Vol.2
Quentin Tarantino
Filme
2004
7 em 10
Este filme não pode ser visto sem a primeira parte, nem a primeira parte sem este. Idealmente, terão de fazer o que eu fiz: ver os dois seguidos (e dormir às seis da manhã). Para saberem sobre a primeira parte, cliquem aqui.
Nesta segunda parte, mais detalhes importantes são dados sobre a história, sobre as razões da "vingança". Isto é feito através de diálogos exemplares, que permitem o desenvolvimento das personagens e mais razões para todos odiarmos Bill. A acção brutal da primeira parte é substituída, então, por estas inteligentes trocas de palavras, em que ficamos a conhecer mais sobre Black Mamba, sobre Bill, sobre o seu passado juntos e sobre como cada um se tornou aquilo que é hoje. Também ficamos a saber um pouco sobre o que realmente se passou antes do "casamento" e o que levou os personagens a chegar aí.
Para isto, o autor dá-nos momentos altamente intensos e extremamente impressionantes, em que a morte e a vida se confundem sem nunca haver, por um momento, a capacidade de perdão (excepto numa cena que tem tanto de terrível como de divertida, a da anunciação da gravidez). A obsessão da nossa personagem pela vingança é levada ao extremo, sendo que nem tudo corre de feição. Ainda assim, as soluções apresentadas estão muito bem pensadas, fazendo muito sentido tendo em conta os momentos de flashback que podemos ver ao longo desta segunda parte.
Estes poderão ser, talvez, os momentos menos interessantes e menos credíveis, podendo até cair no exagero temático do primeiro filme. Ainda assim, contribuem muito para o desenvolvimento dos personagens e, só por isso, valem sempre a pena.
Estas personagens não poderiam ter ganho vida se não houvesse por trás um excelente trabalho de actor. é momento para falar um pouco da actividade de Uma Thurman como Black Mamba: é perfeita. A actriz tem em conta o facto de a personagem ter saído de um coma, apresentando sempre um certo desiquilíbrio (explorado no esforço que ela fez para andar primeiramente, na primeira parte), misturado com a própria natureza de Black Mamba ser uma assassina perfeita. Assim, tão forte personagem tem sempre um elemento de fragilidade, explorado com grande subtileza, sendo o resultado extremamente fiel a esta realidade imaginada.
Em conclusão, posso dizer que Kill Bill como um todo é um filme especial e único, mesmo dentro do universo Tarantino. No entanto, não foi dos meus preferidos e não sinto grande vontade de o rever em tempos próximos, assim como não me deixou memórias muito vívidas como o fizeram outros filmes do mesmo autor.
By : ladyxzeus
Kill Bill Vol.1
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Kill Bill Vol. 1
Quentin Tarantino
Filme
2003
6 em 10
Acontece que só me faltava ver um filme do Tarantino e calhou mesmo que fosse este, que está dividido em duas partes. Infelizmente, talvez tenha sido o filme do Tarantino que gostei menos. Debati-me um pouco sobre se havia de o comentar todo junto (volume 1 e volume 2 no mesmo comentário) mas depois dos argumentos do Qui achei por bem dividir.
Se há coisa que o Tarantino sabe fazer é criar uma história fascinante. Neste filme temos uma história complexa, cheia de detalhes, que permite um desenvolvimento de personagens quase perfeito. Isto aplica-se às duas partes, sendo que a narrativa não possui um intervalo grandioso que nos permita separar perfeitamente a história num espaço-tempo. Uma mulher faz parte de um grupo de assassinos a soldo. Tudo começa com a sua "morte", no dia do seu "casamento". Na verdade, ela entra num coma, do qual acorda passados quatro anos. Quando acorda, só tem um desejo: Kill Bill. Bill foi o homem que orquestrou a sua morte e que ela amava. Para além de matar Bill, ela tem de percorrer um longo caminho e matar todos os outros participantes do espectáculo mórbido, os outros assassinos do grupo das víboras.
Esta primeira parte tem um estilo muito kitsch. Trata-se de uma espécie de homenagem aos antigos filmes de ninjas e artes marciais. A nossa personagem obtém uma espada e usa-a para matar uma série de gente, em lutas espectaculares que servem como uma experiência, um teste à capacidade do realizador de formular coreografias complexas que envolvem uma série de artistas físicos. No entanto, pareceu-me a mim que esta homenagem acabou por falhar: senti que Tarantino pode amar este tipo de filme, mas que a sua interpretação moderna teve grandes falhas, acabando por troçar do género em vez de o elogiar.
Contribuem para isto vários elementos. Para começar, há um uso um pouco horribilis de material digital, em CG que, apesar de moderno para a época, ficaria melhor se tivesse sido completamente evitado. Dá um aspecto irreal aos momentos, assim como todo o exagero das lutas, que são OTT numa escala pouco realista (dentro do imaginário destas lutas de espadas). O mesmo acontece com a caracterização dos personagens. Da mesma forma, as coreografias podem estar muito bem pensadas mas possuem um erro evidente: a perspectiva. Tudo está filmado da mesma perspectiva. Isto tira completamente o dinamismo das lutas e é como se o observador não estivesse realmente dentro da luta, mas sim admitidamente num cinema a ver um ecrã.
O filme tem, no entanto, um elemento gráfico muito original: uma cena de animação produzida pelo estúdio Production I.G. que, não tendo um estilo puramente oriental, está muito bem animada e é, sem dúvida, o momento mais impressionante de toda esta primeira parte.
Finalmente, pareceu-me também que a música foi muitas vezes anticlimática. As canções são, por si só, muito interessantes e originais. No entanto, a forma como estão usadas acaba por dar ao filme todo esse aspecto de gozo de que falei anteriormente.
Vamos, de seguida, à segunda parte. Aguardem por mim. :)
By : ladyxzeus
Soukyuu no Fafner: Dead Aggressor
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Soukyuu no Fafner: Dead Aggressor
Habara Nobuyoshi - Xebec
Anime - 25 Episódios (+ 13 Episódios)
2004
6 em 10
Há algum tempo terminei este anime, mas só agora tenho tempo para escrever sobre ele. Felizmente estes tempos de ocupações infinitas terminarão em breve, mas enfim, isso não interessa muito. Interessa, talvez, dizer que se me ocorreu um acidente e vi a segunda season antes da primeira. Este comentário serve para as duas, qualquer que seja a ordem.
Pois bem, numa ilha remota e paradisíaca um grupo de jovens vê-se com o problema de ter de conduzir robots gigantes para tentar lutar contra uma entidade maléfica invencível. Toda a ilha está preparada para lutar contra estas criaturas, o resto do mundo aparenta não existir... Mmm, parece haver aqui algo em comum com uma outra série... Pois é. E as semelhanças continuam. Assim, em termos narrativos e de desenvolvimento de personagem, esta série aparece como uma pálida imitação de outras do mesmo género, que se estabeleceram dentro do universo robot-orgânico como exemplares. Aqui o nosso Fafner não é exemplar precisamente por retirar demasiadas ideias de outras obras e transparecer pouca originalidade no respeitante ao contexto de história.
Tendo isto em conta, a série poderia ter-se salvado se pelo menos os conceitos introduzidos fossem alguma coisa de verdadeiramente original. No entanto, Fafner apresenta uma série de termos e conceitos de rajada, que acabam por não fazer grande sentido e não têm qualquer tipo de consequência directa no desenrolar da história e no crescimento das personagens. Este é muito previsível, acabando por haver uma evolução um pouco errática: os personagens começam como miúdos normais e acabam por desenvolver uma espécie de carapaça em que tudo o que fazem deixa de ter qualquer tipo de objectivo ou sentimento.
Artisticamente, temos alguns momentos bons, mas a grande maioria do anime é passado sem que a animação seja um elemento com importância. O design dos robots é estranhíssimo, o design do(s) monstro(s) não se coaduna com a explicação que é dada sobre eles. E o design das roupas dos personagens é pavoroso e não faz sentido nenhum (aqueles fatos de licra com o rabo à mostra...) De resto, as cenas de acção poderiam beneficiar de efeitos mais cuidados, sobretudo tendo em conta o elemento aquático sempre presente, que não tem grande fluidez.
A música foi, para mim, aborrecida e repetitiva. O mesmo acontece com as vozes, sendo que todos passam a maior parte do tempo a gritar para devolverem coisas ou pessoas.
Por isso se diz "sempre imitável mas nunca duplicável". Fafner depende demasiado do amor que temos pelos conceitos e tem muito pouco de si próprio.
By : ladyxzeus
Dragon Ball Z: Kami to Kami
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Dragon Ball Z: Kami to Kami
Toriyama Akira - Toei Animation
Anime - Filme
2013
6 em 10
Para variar um pouco e aproveitar o tempíssimo livre que tive (e que belo descanso foi!) voltei aos filmes de anime por um bocadinho.
A minha experiência com Dragon Ball é a mesma de qualquer miúdo dos 90s: o delírio, a emoção, a fantasia, parar as aulas para ver qualquer um episódio importante no bar da escola, viver e respirar um kamehame. Isto é, Dragon Ball tem por cima a lente da nostalgia. Olhando mesmo bem para a coisa, não é o melhor anime do mundo. Mas foi uma viagem muito emocionante na sua época. Assim tinha uma expectativa bastante baixa para este filme. Para começar, será que iria conseguir ver um filme sobre Dragon Ball sem a nostalgia em cima? Segundo, será que iria sobreviver às vozes japonesas? É que eu nunca vi o original.. Terceiro, será que ia ter paciência? A resposta é... Sim para todas! Porque este filme foi, surpreendentemente, um grande regresso ao passado e uma aventura muito engraçada de assistir.
O filme passa-se algures naquela fase de DBZ em que não se sabe muita coisa sobre o que aconteceu, o "gap" de 10 anos que se mantém um pouco oculto. Neste filme, há o acordar de um deus muito especial: Lord Bills. Trata-se de um deus que tem por função destruir planetas e que o faz frequentemente, sempre que se aborrece com alguma coisa. Ora, por acaso do destino este Lord Bills vai parar à festa de aniversário da Bulma! E todos têm de impedir que ele se aborreça, não vá destruir o planeta Terra! Quando isto acontece, desenvolve-se épica luta e, como é certo e sabido nos nossos shounens clássicos, tudo fica bem quando acaba bem.
A história é muito simples, quase básica, mas está recheada de pequenos momentos de humor que ligam muito bem com o contexto: aquilo que a nostalgia nos lembrava está aqui. Assim, é um filme muito divertido e fácil de ver e acompanhar, uma sessão de acção sem grande complexidade que serve o simples propósito de nos entreter bravamente.
Menos capazes serão as cenas de acção propriamente ditas. Estão animadas de forma excelente, isso é verdade, com um fantástico uso de perspectivas e uma paleta de cores suave, com cenários bastante cativantes, de céus cheios de nuvens ao espaço sideral. Mas o simples facto de o filme viver para que as lutas decorram em vez de ser ao contrário, isto é, estas existirem para complementar algum tipo de narrativa, torna tudo um pouco menos saboroso e deixa muito a desejar sobre os nossos personagens. Estes não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento exploratório, apesar de - sendo que os conhecemos tão bem - não existir grande necessidade para isso.
Musicalmente acontece a mesma coisa. Temos uma banda sonora pouco completa até aos momentos de acção, em que tudo é investido em épicos instrumentais e numa canção de pop-rock típica que está lá com a intenção de fazer o nosso coração bater mais forte. Mas como eu não tenho coração, tal não funcionou na minha pessoa. A música final é um novo take na abertura do shalala que conhecíamos do antigamente (se bem que Dragon Ball ZZZ teria ficado melhor, como qualquer bom português terá de admitir)
Em conclusão, posso dizer que foi um filme com o qual me diverti imenso e que me manteve ligada a ele durante toda a sua duração. No entanto, objectivamente, não se trata de uma boa obra em termos individuais, tratando-se mais de um espécie de doce, um bónus para fãs. Assim, recomendo-o para quem ainda ama Dragon Ball. :)
By : ladyxzeus
Gankutsuou
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Gankutsuou
Maeda Mahiro - Gonzo
Anime - 24 Episódios
2004
7 em 10
Já terminei o anime no início da semana, mas o tempo anda tão escasso que só agora tenho tempo para falar um pouco sobre ele. De entre a lista de recomendados do meu clube, apenas este me faltava ver. Como sempre, estas pessoas dão excelentes recomendações! :)
Este anime é uma interpretação livre do romance de Alexandre Dumas, "O Conde de Monte Cristo". Infelizmente, já faz muitos anos que li o livro e, portanto, recordo muito pouco sobre ele. Assim, o meu comentário será sobre o anime em si, não enquanto adaptação mas enquanto obra singular.
Tudo começa quando um jovem nobre conhece um misterioso conde, o Conde de Monte Cristo. A narrativa processa-se enquanto o conde conhece todas as pessoas envolvidas na vida deste jovem e procede a destruir as suas vidas, aparentemente sem razão. Mas tudo é revelado no final. Trata-se de um processo complexo e muito misterioso, que nos cativa imediatamente. Isto não seria possível sem um conjunto de personagens muito interessante, embora por vezes um pouco inutilizado dentro do contexto de evolução da história. As motivações do Conde de Monte Cristo são o mote principal para a evolução, permitindo-nos conhecer mais sobre o passado de todas as personagens, estando tudo interligado de forma a permitir um futuro brilhante para os que vêm depois.
O foco principal do anime é, sem dúvida, a arte. Trata-se de um dos exemplos mais flagrantes de utilização de cores e padrões em grande escala, com formas que se movimentam e uma escolha estilística complexa. O resultado é algo de espectacular, uma interpretação futurística que mantém sempre um toque clássico. Nesse aspecto, é um anime único.
Musicalmente, também nos mantemos nesta linha clássica. Com OP e ED calmas mas originais, que têm toda a relação com o tratado no anime, temos também outras músicas dentro da banda sonora que se aplicam perfeitamente aos momentos, trazendo cada vez mais intensidade.
Trata-se de um anime diferente e muito original. Vale, certamente, a pena ver.
By : ladyxzeus