• Kill Bill Vol.1

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    Kill Bill Vol. 1
    Quentin Tarantino
    Filme
    2003
    6 em 10

    Acontece que só me faltava ver um filme do Tarantino e calhou mesmo que fosse este, que está dividido em duas partes. Infelizmente, talvez tenha sido o filme do Tarantino que gostei menos. Debati-me um pouco sobre se havia de o comentar todo junto (volume 1 e volume 2 no mesmo comentário) mas depois dos argumentos do Qui achei por bem dividir.

    Se há coisa que o Tarantino sabe fazer é criar uma história fascinante. Neste filme temos uma história complexa, cheia de detalhes, que permite um desenvolvimento de personagens quase perfeito. Isto aplica-se às duas partes, sendo que a narrativa não possui um intervalo grandioso que nos permita separar perfeitamente a história num espaço-tempo. Uma mulher faz parte de um grupo de assassinos a soldo. Tudo começa com a sua "morte", no dia do seu "casamento". Na verdade, ela entra num coma, do qual acorda passados quatro anos. Quando acorda, só tem um desejo: Kill Bill. Bill foi o homem que orquestrou a sua morte e que ela amava. Para além de matar Bill, ela tem de percorrer um longo caminho e matar todos os outros participantes do espectáculo mórbido, os outros assassinos do grupo das víboras.

    Esta primeira parte tem um estilo muito kitsch. Trata-se de uma espécie de homenagem aos antigos filmes de ninjas e artes marciais. A nossa personagem obtém uma espada e usa-a para matar uma série de gente, em lutas espectaculares que servem como uma experiência, um teste à capacidade do realizador de formular coreografias complexas que envolvem uma série de artistas físicos. No entanto, pareceu-me a mim que esta homenagem acabou por falhar: senti que Tarantino pode amar este tipo de filme, mas que a sua interpretação moderna teve grandes falhas, acabando por troçar do género em vez de o elogiar.

    Contribuem para isto vários elementos. Para começar, há um uso um pouco horribilis de material digital, em CG que, apesar de moderno para a época, ficaria melhor se tivesse sido completamente evitado. Dá um aspecto irreal aos momentos, assim como todo o exagero das lutas, que são OTT numa escala pouco realista (dentro do imaginário destas lutas de espadas). O mesmo acontece com a caracterização dos personagens. Da mesma forma, as coreografias podem estar muito bem pensadas mas possuem um erro evidente: a perspectiva. Tudo está filmado da mesma perspectiva. Isto tira completamente o dinamismo das lutas e é como se o observador não estivesse realmente dentro da luta, mas sim admitidamente num cinema a ver um ecrã.

    O filme tem, no entanto, um elemento gráfico muito original: uma cena de animação produzida pelo estúdio Production I.G. que, não tendo um estilo puramente oriental, está muito bem animada e é, sem dúvida, o momento mais impressionante de toda esta primeira parte.

    Finalmente, pareceu-me também que a música foi muitas vezes anticlimática. As canções são, por si só, muito interessantes e originais. No entanto, a forma como estão usadas acaba por dar ao filme todo esse aspecto de gozo de que falei anteriormente.

    Vamos, de seguida, à segunda parte. Aguardem por mim. :)

  • Soukyuu no Fafner: Dead Aggressor

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    Soukyuu no Fafner: Dead Aggressor
    Habara Nobuyoshi - Xebec
    Anime - 25 Episódios (+ 13 Episódios)
    2004
    6 em 10

    Há algum tempo terminei este anime, mas só agora tenho tempo para escrever sobre ele. Felizmente estes tempos de ocupações infinitas terminarão em breve, mas enfim, isso não interessa muito. Interessa, talvez, dizer que se me ocorreu um acidente e vi a segunda season antes da primeira. Este comentário serve para as duas, qualquer que seja a ordem.

    Pois bem, numa ilha remota e paradisíaca um grupo de jovens vê-se com o problema de ter de conduzir robots gigantes para tentar lutar contra uma entidade maléfica invencível. Toda a ilha está preparada para lutar contra estas criaturas, o resto do mundo aparenta não existir... Mmm, parece haver aqui algo em comum com uma outra série... Pois é. E as semelhanças continuam. Assim, em termos narrativos e de desenvolvimento de personagem, esta série aparece como uma pálida imitação de outras do mesmo género, que se estabeleceram dentro do universo robot-orgânico como exemplares. Aqui o nosso Fafner não é exemplar precisamente por retirar demasiadas ideias de outras obras e transparecer pouca originalidade no respeitante ao contexto de história.

    Tendo isto em conta, a série poderia ter-se salvado se pelo menos os conceitos introduzidos fossem alguma coisa de verdadeiramente original. No entanto, Fafner apresenta uma série de termos e conceitos de rajada, que acabam por não fazer grande sentido e não têm qualquer tipo de consequência directa no desenrolar da história e no crescimento das personagens. Este é muito previsível, acabando por haver uma evolução um pouco errática: os personagens começam como miúdos normais e acabam por desenvolver uma espécie de carapaça em que tudo o que fazem deixa de ter qualquer tipo de objectivo ou sentimento.

    Artisticamente, temos alguns momentos bons, mas a grande maioria do anime é passado sem que a animação seja um elemento com importância. O design dos robots é estranhíssimo, o design do(s) monstro(s) não se coaduna com a explicação que é dada sobre eles. E o design das roupas dos personagens é pavoroso e não faz sentido nenhum (aqueles fatos de licra com o rabo à mostra...) De resto, as cenas de acção poderiam beneficiar de efeitos mais cuidados, sobretudo tendo em conta o elemento aquático sempre presente, que não tem grande fluidez.

    A música foi, para mim, aborrecida e repetitiva. O mesmo acontece com as vozes, sendo que todos passam a maior parte do tempo a gritar para devolverem coisas ou pessoas.

    Por isso se diz "sempre imitável mas nunca duplicável". Fafner depende demasiado do amor que temos pelos conceitos e tem muito pouco de si próprio.
  • Dragon Ball Z: Kami to Kami

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    Dragon Ball Z: Kami to Kami
    Toriyama Akira - Toei Animation
    Anime - Filme
    2013
    6 em 10

    Para variar um pouco e aproveitar o tempíssimo livre que tive (e que belo descanso foi!) voltei aos filmes de anime por um bocadinho. 
     
    A minha experiência com Dragon Ball é a mesma de qualquer miúdo dos 90s: o delírio, a emoção, a fantasia, parar as aulas para ver qualquer um episódio importante no bar da escola, viver e respirar um kamehame. Isto é, Dragon Ball tem por cima a lente da nostalgia. Olhando mesmo bem para a coisa, não é o melhor anime do mundo. Mas foi uma viagem muito emocionante na sua época. Assim tinha uma expectativa bastante baixa para este filme. Para começar, será que iria conseguir ver um filme sobre Dragon Ball sem a nostalgia em cima? Segundo, será que iria sobreviver às vozes japonesas? É que eu nunca vi o original.. Terceiro, será que ia ter paciência? A resposta é... Sim para todas! Porque este filme foi, surpreendentemente, um grande regresso ao passado e uma aventura muito engraçada de assistir.

    O filme passa-se algures naquela fase de DBZ em que não se sabe muita coisa sobre o que aconteceu, o "gap" de 10 anos que se mantém um pouco oculto. Neste filme, há o acordar de um deus muito especial: Lord Bills. Trata-se de um deus que tem por função destruir planetas e que o faz frequentemente, sempre que se aborrece com alguma coisa. Ora, por acaso do destino este Lord Bills vai parar à festa de aniversário da Bulma! E todos têm de impedir que ele se aborreça, não vá destruir o planeta Terra! Quando isto acontece, desenvolve-se épica luta e, como é certo e sabido nos nossos shounens clássicos, tudo fica bem quando acaba bem.

    A história é muito simples, quase básica, mas está recheada de pequenos momentos de humor que ligam muito bem com o contexto: aquilo que a nostalgia nos lembrava está aqui. Assim, é um filme muito divertido e fácil de ver e acompanhar, uma sessão de acção sem grande complexidade que serve o simples propósito de nos entreter bravamente.

    Menos capazes serão as cenas de acção propriamente ditas. Estão animadas de forma excelente, isso é verdade, com um fantástico uso de perspectivas e uma paleta de cores suave, com cenários bastante cativantes, de céus cheios de nuvens ao espaço sideral. Mas o simples facto de o filme viver para que as lutas decorram em vez de ser ao contrário, isto é, estas existirem para complementar algum tipo de narrativa, torna tudo um pouco menos saboroso e deixa muito a desejar sobre os nossos personagens. Estes não sofrem qualquer tipo de desenvolvimento exploratório, apesar de - sendo que os conhecemos tão bem - não existir grande necessidade para isso.

    Musicalmente acontece a mesma coisa. Temos uma banda sonora pouco completa até aos momentos de acção, em que tudo é investido em épicos instrumentais e numa canção de pop-rock típica que está lá com a intenção de fazer o nosso coração bater mais forte. Mas como eu não tenho coração, tal não funcionou na minha pessoa. A música final é um novo take na abertura do shalala que conhecíamos do antigamente (se bem que Dragon Ball ZZZ teria ficado melhor, como qualquer bom português terá de admitir)

    Em conclusão, posso dizer que foi um filme com o qual me diverti imenso e que me manteve ligada a ele durante toda a sua duração. No entanto, objectivamente, não se trata de uma boa obra em termos individuais, tratando-se mais de um espécie de doce, um bónus para fãs. Assim, recomendo-o para quem ainda ama Dragon Ball. :)

  • Gankutsuou

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    Gankutsuou
    Maeda Mahiro - Gonzo
    Anime - 24 Episódios
    2004
    7 em 10
     
    Já terminei o anime no início da semana, mas o tempo anda tão escasso que só agora tenho tempo para falar um pouco sobre ele. De entre a lista de recomendados do meu clube, apenas este me faltava ver. Como sempre, estas pessoas dão excelentes recomendações! :)
     
    Este anime é uma interpretação livre do romance de Alexandre Dumas, "O Conde de Monte Cristo". Infelizmente, já faz muitos anos que li o livro e, portanto, recordo muito pouco sobre ele. Assim, o meu comentário será sobre o anime em si, não enquanto adaptação mas enquanto obra singular.

    Tudo começa quando um jovem nobre conhece um misterioso conde, o Conde de Monte Cristo. A narrativa processa-se enquanto o conde conhece todas as pessoas envolvidas na vida deste jovem e procede a destruir as suas vidas, aparentemente sem razão. Mas tudo é revelado no final. Trata-se de um processo complexo e muito misterioso, que nos cativa imediatamente. Isto não seria possível sem um conjunto de personagens muito interessante, embora por vezes um pouco inutilizado dentro do contexto de evolução da história. As motivações do Conde de Monte Cristo são o mote principal para a evolução, permitindo-nos conhecer mais sobre o passado de todas as personagens, estando tudo interligado de forma a permitir um futuro brilhante para os que vêm depois.

    O foco principal do anime é, sem dúvida, a arte. Trata-se de um dos exemplos mais flagrantes de utilização de cores e padrões em grande escala, com formas que se movimentam e uma escolha estilística complexa. O resultado é algo de espectacular, uma interpretação futurística que mantém sempre um toque clássico. Nesse aspecto, é um anime único.

    Musicalmente, também nos mantemos nesta linha clássica. Com OP e ED calmas mas originais, que têm toda a relação com o tratado no anime, temos também outras músicas dentro da banda sonora que se aplicam perfeitamente aos momentos, trazendo cada vez mais intensidade.

    Trata-se de um anime diferente e muito original. Vale, certamente, a pena ver.

  • Fantasia 2000

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    Fantasia 2000
    Vários
    Filme
    2000
     8 em 10

    Este é um filme amado, que vi no cinema quando saiu. Desde minúscula que sempre fui fã do Fantasia original (aliás, eu só comia a papa se me pusessem a ver o segmento da Pastoral de Beethoven) e este é uma belíssima homenagem.

    Referem no início do filme que o conceito de "Fantasia" deveria ter sido um trabalho contínuo. No entanto, só 60 anos depois é que lhe pegaram. A ideia é simples: fazer animações que correspondam a peças de música clássica e erudita, que podem ser histórias ou simplesmente ideias abstractas. Agora com uma animação renovada, utilizando métodos digitais variados, Fantasia 2000 cumpre exactamente esse propósito.

    Cada uma das animações é única e extremamente memorável. Se logo no início desejamos um pouquito de ácido lisérgico para conseguirmos acompanhar, imediatamente a seguir o filme se estabelece como um pouco mais leve e infantil, falando de pequenos momentos de felicidade e contando histórias simples, mas com finais felizes e cheios de esperança.

    As animações em si estão brilhantes, fazendo uso das técnicas mais recentes e experimentando sem preocupações todo o tipo de coisa. Também os designs são bastante diferentes daquilo a que estamos habituados na animação ocidental, acabando por ser um resultado muito original e cheio de ideias para futuros cosplays (mas não adicionarei nenhum à lista, porque tem de ser uma escolha bem pensada, hehehe)

    Talvez a parte menos boa do filme sejam as sequências entre cada animação, em que há uma breve explicação sobre o que se vai ver a seguir, com um toque de humor que acaba por não funcionar muito bem devido aos actores escolhidos para o fazer.

    Ainda assim, é um filme memorável e que amo desde que vi. Recomendo a todos, sobretudo se forem fãs do Fantasia original.

  • What Happened Miss Simone?

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    What Happened Miss Simone?
    Liz Garbus
    Filme
    2015
    7 em 10

    Como o Qui queria conhecer um pouco mais sobre Nina Simone, vimos este documentário. Eu sabia pouco ou nada sobre esta senhora, tendo muito pouco conhecimento sobre as músicas. Este documentário foi, então, de certa forma esclarecedor.

    Fazendo uso de diversas entrevistas a conhecidos e amigos, ficamos a conhecer Nina Simone desde o tempo em que ela ainda não tinha esse nome e sonhava ser pianista clássica. Após muito estudo, tudo correu mal, devido à segregação racial que então se fazia sentir nos Estados Unidos. Por um golpe de sorte (ou azar) ela foi descoberta por um militante do jazz e apresentou-se num festival, de onde acabou por nascer todo o seu sucesso.

    Ficamos a saber as voltas que a sua vida deu, a infelicidade de ter um marido psicótico e o seu envolvimento na luta pelos direitos civis. Mais tarde, descobrimos que há mais nela para além do que se passava no palco, sendo uma pessoa de extremos e de arranques de humor que acabam por se tornar problemáticos. O filme faz notar que dentro desta pessoa havia uma grande quantidade de demónios a ser batalhados, mas não explora muito bem a natureza destes problemas. Refere todos os seus lados negros, mas acaba por delegar a "culpa" deles no marido violento e numa doença pouco esclarecida. Nesse aspecto, gostaria que tivessem falado um pouco mais na dimensão da doença, que acaba por ficar desconhecida.

    Também me pareceu que muitas das entrevistas, sobretudo as da filha, estavam pré-escritas, havendo muito pouca naturalidade nestes factos e podendo mesmo haver uma falsificação dos relatos para se adequarem à imagem que a produção gostaria de mostrar.

    Por outro lado, o filme - um pouco longo - está recheado de excelentes exemplos musicais, gravações de todas as épocas da vida da artista que demonstram perfeitamente o seu poder enquanto cantora e performer, a sua capacidade extraordinária para cantar, a técnica perfeita e muito original de tocar e todas as coisas que encantaram o público na sua época.

    Fica, por isso, um exemplo. A música que mais gostei. Irei também procurar alguns albuns, para ficar a conhecer melhor a pessoa :)


  • What we do in the shadows

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    What we do in the Shadows
    Jemaine Clement e Taika Waititi
    2014
    Filme
    7 em 10
     
    E, depois de uma comédia, que tal... Outra comédia?
     
    Este é um filme de vampiros feito para gozar com filmes de vampiros. E de adolescentes. E filmes, em geral. Pois bem, um grupo de vampiros centenários vive há algum tempo isolado na Nova Zelândia, numa cidade insuspeita. São colegas de apartamento e, por isso, têm todos os problemas que um grupo de "jovens" tem quando partilha um apartamento. Quem lava os pratos? Quem sujou o sofá? Mas, sobretudo, têm um problema grave em adaptar-se à vida actual. Cada vez mais têm dificuldade em encontrar vítimas para se alimentarem e as dificuldades de comunicação entre eles e com as pessoas que os rodeiam são cada vez maiores.
     
    O filme está feito como se se tratasse de um documentário, gravando opiniões dos seus intervenientes e aproximando-se do assunto com uma aura bastante improvisada, fomentada também pelo próprio improviso dos actores. O resultado é simplesmente hilariante. Com uma narrativa solta, seguimos pequenos momentos da vida destes vampiros, que só querem viver sossegados e divertir-se tocando música (muito mal) ou mesmo fazendo performances de danças eróticas uns para os outros.
     
    Nada disto seria possível sem um talento fabuloso da parte dos actores, que encarnam as suas personagens de forma ligeira mas, mesmo assim, muito pura. Estão de tal forma integrados, e bem caracterizados, que todos os momentos da vida diária destes vampiros se tornam muito reais e dão mesmo vontade de nos tornarmos num deles, apenas para nos podermos divertir assim para o resto das nossas (não) vidas.
     
    Gostei especialmente da caracterização, aparentemente aleatória, dos espaços e das roupas, que dão todo um ar de absurdo extremamente realista dentro do contexto.
     
    Cheio de momentos de comédia memoráveis, este é um filme para ver e rever mais tarde, com amigos ou com os nossos avós.

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