Hyakko
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Hyakko
Fukuda Michio - Nippon Animation
Anime - 13 Episódios
2008
5 em 10
Mais um fatia de vida, desda vez acompanhando as aventuras e desventuras de quatro meninas não muito fofas mas cheias de energia. Elas estudam numa escola de contornos agigantados, em que frequentemente se perdem, encontram muitas pessoas novas e fazem asneiras em seguimento de outras asneiras.
Em termos de história, temos apenas a relação da vida diária dos personagens que, apesar de característico do género, acaba por se apresentar insuficiente. Isto porque os personagens em si não têm força bastante para que as suas interacções mantenham um nível elevado de interesse. Em cada episódio conhecemos novos personagens, que depois se tornam recorrentes, mas o desenvolvimento que é dado a cada um deles não tem nada de espectacular, tocante ou com alguma simples densidade, o que torna todos os eventos numa sucessão de caretas cómicas. Isto acaba por não funcionar muito bem, sendo que o anime rapidamente se torna irrelevante. O grupo principal tem as suas características próprias, mas os seus traços não estão bem definidos, acabando cada uma delas por cair dentro de um lugar comum ou mesmo por aparecer como pessoa em branco, sem qualquer tipo de desenvolvimento que lhes possa dar um lugar ao sol. Para mais, outras personagens têm comportamentos erráticos, com mudanças rápidas na personalidade que não jogam bem dentro do contexto.
A arte é brilhante, mas o design dos personagens é desactualizado para a época, existindo falhas recorrentes em termos de perspectiva. Para mais, grande parte do anime consiste nas tais caretas, nos gags, nos momentos cómicos, o que - em termos artísticos - necessitaria de uma abordagem diferente para funcionar de uma forma original e interessante para o nosso olhar crítico.
Finalmente, a música. Baseada sobretudo em peças eruditas muito conhecidas, é pouco inspirada e muito repetitiva. As vozes, essas, tornam as personagens um pouco mais cativantes, mesmo com todas as suas falhas.
Um anime que será rapidamente esquecido.
By : ladyxzeus
Non Non Biyori
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Non Non Biyori
Kawatsura Shinya - TV Tokyo
Anime - 12 Episódios
2013
7 em 10
Foi sugerido pelo meu clube. Na verdade, tinha as expectativas muito baixas. Quando olhei para o cartaz e li a sinopse, fiquei um pouco de pé atrás. Mas logo aos primeiros minutos juntei-me de novo ao clube do "nunca tenhas expectativas sobre nada", porque percebi logo que ia gostar. :)
Este anime conta a vida diária, uma fatia de vida, de quatro meninas numa aldeia isolada nos confins do Japão rural. Elas, mais um rapaz que não tem relevância para a história (infelizmente) são os únicos alunos da escola da aldeia. A sua vida processa-se de forma muito calma, com pequenas coisas que a distinguem de outros animes do género passados em meios urbanos, desde as paisagens ao comportamento dos personagens.
Estas, são simples mas caracterizadas de forma a podermos identificar os seus traços gerais, cada uma com um dilema específico e factores que as distinguem facilmente das outras. Assim, a sua interacção torna-se bastante interessante e é uma experiência relaxante assistir às suas conversas e brincadeiras que, no fundo, são apenas jogos de crianças. Aliás, a criança presente está muito bem caracterizada como tal, o que é uma coisa bastante rara. Talvez o design não tenha sido apropriado, sobretudo nos episódios em que as roupas são mais justas, mas acho que se pode perdoar isso tendo em conta os elementos emocionais constantes no resto da abordagem.
A arte é um dos melhores aspectos: brilhante, detalhada, de uma beleza extraordinária no que respeita a fundos e cenários. É ela o espelho da vida rural no Japão e o que demonstra que viver aqui pode ser uma experiência de pura paz e felicidade.
Finalmente, também não podemos descurar a música. Com peças muito bonitas, por vezes melancólicas, com um toque de solidão, encerram em si o ambiente bucólico e afastado da realidade presente em todo o anime.
Apenas gostaria que, talvez, tivessem insistido mais nos problemas decorrentes deste isolamento social, que certamente existe nestas aldeias tal como existe nas nossas. De resto, um anime excelente que merece a minha recomendação.
By : ladyxzeus
Universus da Poesia
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Universus da Poesia
Vários
2014
Poesia
Poderei alongar-me um pouco, portanto vou dividir esta postagem em quatro partes. :)
Parte 1 - Como vim parar a este livro
Dos vários grupos a que pertenço, alguns são de literatura. Também recebo notificações de vários concursos no meu e-mail, fazendo esforço por participar, mais por exercício mental de escrever sobre um determinado tema do que para ganhar o que quer que seja (o que, sendo improvável, já aconteceu uma vez ou outra). Assim, recebi o convite para participar nesta antologia poética sob a chancela UniVersus, com o tema "Universus da Poesia". Escrevi um poema a propósito e pediram-me mais, pelo que escrevi mais uns dois ou três e juntei outros que tinha guardados do passado. Acabaram por ser escolhidos esse escrito de propósito e uma letra que tinha escrito para o projecto musical Ocaso, do meu amigo R.
Claro que depois houve um dilema enorme, pois a editora desejava que eu falasse sobre mim e eu sou o tipo de pessoa que não tem nada de interessante para contar. Lá inventei uma coisa qualquer, de relativa piada. Também queriam uma foto e a primeira que mandei não foi aprovada por não considerarem "apropriada". Vejam lá e digam-me se é desapropriada!
Enfim, acabei por mandar um retrato que um artista Japonês me fez uma vez e que é o meu avatar em alguns locais.
Tendo tudo isto em conta, ainda era necessário pagar o livro. Aí está uma condição curiosa: para se participar tem de se comprar pelo menos um livro, caríssimo por sinal! Mas pensei "olha, é agora ou não é agora, boraí que se calhar vale a pena" Será que valeu... Fico à espera de outras opiniões. Bem, mais uma publicação com o meu nome escrito na prateleira...
Parte 2 - Coisas que eu acho sobre a poesia e essas cenas
Eu não sou grande apreciadora de poesia, admito desde logo. Quando era muito pequena, era o que eu gostava de escrever. Mas houve algum ponto de viragem, algures na minha vida, em que de repente me tornei senhora da prosa e passei a só gostar de escrever historietas. Ainda assim, vou lendo poesia de vez em quando e, ainda mais raramente, vou escrevendo um poemita ou outro.
Ao longo deste tempo, acabei por desenvolver uma teoria sobre a poesia. Há dois tipos de poesia: a inocente e aquela que sofre. A inocente é aquela que escrevemos quando somos adolescentes e pensamos que estamos a sofrer imenso. A que sofre é aquela que dói para nascer. Neste livro, a grande maioria é da primeira categoria. Isso não é uma coisa má, cada um escreve aquilo que sente e aquilo que lhe parece bem. Mas, pessoalmente, gosto mais da segunda.
Apesar de tudo, houve algumas passagens duvidosas, que me fazem duvidar da capacidade de selecção da editora. Coisas como "aves aladas" e assim (todas as aves têm asas...). Para mais, estranhei as pequenas notas biográficas dos autores, que na maioria pareciam uma enumeração de palmarés ganhos e publicações o que, dentro do contexto, não deixa de ser irrelevante. Interessa saber que ganharam a Menção Honrosa do Clube Caminho Fantástico? Eu podia ter posto isso....
Mas fica a nota, a nota muito importante, de que o artista é um bom artista. Portanto, todos os poemas desta antologia têm o seu valor, independentemente de eu ter gostado ou não deles. Gostaria de dar os parabéns a todos.
Parte 3 - Sobre o trabalho editorial
Isto sim, deixa muito, muito, MUITO a desejar. Primeiramente, a edição está cheia de gralhas. Por todo o lado. Depois, como participei, sei perfeitamente que nem contactaram os autores a propósito de uma eventual edição do texto. O que me pareceu foi que simplesmente fizeram um cópia-e-cola dos ficheiros word enviados: ninguém reparou (nem eu) que no poema da "Dança" falta uma vírgula e a formatação do poema da lua está completamente disforme, sem separação entre as estrofes - o que tira um grande significado à coisa.
As fotografias dos autores são pouco claras, havendo até uma (coitadinha da senhora) que está totalmente pixelizada.
Assim, UniVersus, mesmo que eu tivesse dinheiros para que me publicassem, não ia deixar.
Parte 4 - Um poema de que gostei
Entre uns e outros, houve poemas que gostei bastante e outros que gostei menos (até alguns que não gostei mesmo nada). Gostaria de citar o que me marcou mais. :)
Banco de Jardim
de Rui Machado
Foram muitas bocas a fazer chegar aos meus ouvidos
de que nunca se deve voltar
aos lugares onde fomos felizes.
Não acreditei.
Essas mesmas bocas já se tinham aberto antes,
para me dizer que o Amor era lindo.
Bocas que vomitam sílabas luminosas de mentira,
línguas que se movem como a vida nos desertos,
lábios que sabem a veneno doce.
São o maior perigo dos que precisam ouvir o Amor.
Para lá do bater do coração dos abralos,
para lá dos gemidos dos lençóis,
para lá dos olhos que incendeiam.
Hoje, senti bem cedo que o dia era traiçoeiro
para quem traz ainda estilhaços de Amor no corpo.
Sou um deles,
veterano de uma guerra
onde a cada Amor que fazia
ia adiando o hastear da bandeira branca dos fracos;
adiando a cada promessa,
a cada beijo o teu desembarque final,
o teu ataque cruel,
a tua desleal emboscada.
Ainda não sei bem o que fizeste acontecer.
Soube apenas que tinha acontecido coisa feia,
quando me deixaste derrotado,
estendido,
sem tratado de paz,
herói de nada,
peito sem condecorações de metal,
dilacerado pela pólvora das palavras,
estropiado de Amor
e abandonado ao desprezo
da ausência de um golpe de misericórdia.
Devaneio maior dizer-se que o Amor é lindo.
Devaneio supremo falar-se ou achar-se
que do Amor se possui alguma sabedoria.
Dele nada se saberá nunca,
tudo se sentirá sempre.
Incauto, por ventura,
para superar a saudade
que rasgava o avesso de mim,
voltei àquele jardim
Fui pisar-lhe o chão para me segurar ao mundo,
proteger-me na sombra das memórias que queimam,
fui rebentar um mar de saudada nas rochas duras da vida
que teima em não seguir caminho.
Procuro o nosso banco,
lugar do nosso Amor
onde a vida ganhou asas.
Procuro o lugar onde já fui feliz, sim.
Sem medo,
sem coragem,
incompleto,
quase vivo,
urgente.
Encontro-o.
Não me sento nele,
não sou tolinho de todo.
Sento-me no banco da frente,
num dia de semana
que esvaziou quase tosos os bancos daquele jardim.
Sem que quisesse desdobro,me por magia da nostalgia
que pede para voltar o que já esqueceu caminho.
Vejo-me no nosso banco,
estou feliz,
tenho na cara os olhos que te aguardam
e a boca que te deseja.
Espero-te pelas vezes que visito o relógio no meu punho.
Uma espera feliz, sei que nãom tardarás.
Curvam-se então os meus lábios,
num sorriso que inventei para te dar as boas vindas.
Chegas,
e antes de te sentares,
beijas-me.
Sentas-te, cheiras bem.
Não sei se é o cabelo,
a pele
ou a roupa,
que está a mais.
Enquanto nos bservo a olharmo-nos,
a trocar palavras,
beijos e toques,
assombro-me;
estou louco e encantado com isso.
A loucura devolve-nos às tábuas daquele banco de jardim,
palco do nosso Amor que em tantas matinés de Domingo,
enchemos de inveja os que passavam.
Vejo-me,
peghar numas chaves
para ferir o banco com os nossos nomes.
Enquanto gravo os nossos nomes na madeira,
tu ris e pedes-me para parar,
mas eu sei que é para continuar e continuo.
Termino.
Entre os nossos nomes deixo um coração.
O nosso.
Tu olhas, sorris e abraças-me.
Eu não me consigo deter e levanto-me para ir de encontro a nós,
ao nosso banco.
Corro até nós e antes de chegar,
explodimos como bolas de sabão.
Voltei a ser só eu.
Maldita poucura que não dura.
Olho o banco onde há pouco me via a escrever.
Não está lá nome nenhum,
nem o meu, nem o teu;
só metade do que parece ter sido um coração.
Sou metade de qualquer coisa que não tem nome sequer.
Nota:
Se tiverem interesse em ler as coisas que escrevo, consultem o meu deviantArt (estranhamente, tem muito pouco cosplay): http://ladylouve.deviantart.com
By : ladyxzeus
As Pequenas Memórias
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As Pequenas Memórias
José Saramago
2006
Autobiografia
Quando estive no Porto da última vez, na sempre fofinha companhia do Qui, quis muito passar na famosa Livraria Lello. E o que melhor para trazer de recordação do que um livro? Escolhi este pelo título. Afinal, também eu estava produzindo "pequenas memórias"...
Foi com alguma surpresa que o descobri como uma espécie de autobiografia, sem ordem cronológica, apenas relatos de pequenos momentos da infância deste autor, que gosto imenso, um amor de paixão. São minúsculas narrativas inseridas num passado esquecido, pelos olhos de um adulto que agora avalia o que foi ser criança numa época de pobreza e dificuldades. Ainda assim, com momentos de alegria, momentos de brincadeira. Mas digamos que os eventos tristes são bastante mais frequentes.
A imagética relatada, as descrições de paisagens, do sol, das terras, do céu, das pessoas, tudo isso remete-nos para um lugar que, tendo existido realmente, parece que saiu da fantástica imaginação do autor. Tudo isto regado com aquela pequena ironia que tanto o caracteriza, trazendo à tona a realidade das situações que, sendo por vezes terríveis, acabam por se tornar um pouco indiferentes: apenas memórias.
Também podemos debater qual o funcionamento real das nossas memórias. Saramago diz muitas vezes que não sabe se o que escreve são memórias verdadeiras ou falsas, coisas que existiram mesmo ou que se calhar ele inventou com o passar do tempo. Isto levou-me a pensar nas minhas próprias lembranças e foi um exercício muito interessante.
É um livro para ser lido apenas para quem ama este autor e queira saber um pouco mais sobre ele.
By : ladyxzeus
Seitokai no Ichizon
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Seitokai no Ichizon
Sato Takuya - Studio Deen
Anime - 12 Episódios
2009
5 em 10
De quando em quando, aparece este tipo de anime. Um anime que é feito para parodiar, gozar, com outros animes. Antigamente, gostava muito deles: eram um teste ao meu conhecimento. Se eu percebesse as piadas, significava que era uma animófila de primeira. Mas hoje em dia, com mais umas centenas de títulos no bolso, parecem-me demasiado acessíveis, simples e não lhes acho graça. Na verdade, como sabem, eu sou uma pessoa destituída de sentido de humor. Portanto comédias... É difícil para mim apreciá-las. Sobretudo se são assim.
Seitokai no Ichizon segue a vida diária de uma associação de estudantes, em escola anónima e em circunstâncias que levam a que todos os membros sejam miúdas giras. Fora o nosso personagem principal. O anime consiste, então, nas suas conversas que, por sua vez, deveriam ser muito engraçadas. Ignorando o factor supostamente cómico que elas deveriam ter, posso dizer que me pareceu que os gags eram demasiado excessivos, insistindo constantemente no elemento "isto é um harem". Acaba por ser uma paródia de si próprio, mas é levado à exaustão o que se torna repetitivo e cansativo.
Os personagens são folhas brancas, com características que os tornam exactamente iguais àquilo que tentam parodiar. Para mais, os seus designs são pouco únicos, a ponto de podermos confundir o único rapaz (fonte de comédia) com mais uma rapariga bonita. As vozes não me pareceram nada apropriadas, ficando eu com o sentimento de que outras pessoas quaisquer, que não os personagens, estavam a falar. Simplesmente não há uma associação coerente entre todos os elementos característicos desta gente, o que reduz o potencial que poderiam ter para nos fazer rir.
A arte é simples, apesar de luminosa, dedicando-se sobretudo a planos parados que consistem muitas vezes em cenas ecchi. O sentimento do anime é gozar com elas, mas para isso não faria mais sentido tornar estas cenas sensuais em algo ridículo?
Musicalmente, nada de especial a apontar, mas fique a nota de que os efeitos sonoros dos gags não eram assim tão desagradáveis.
Talvez isto tenha a sua graça para quem não tenha o corpo cheio de animes até à medula, que é o meu caso.
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By : ladyxzeus
Heroic Age
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Heroic Age
Noto Takashi - Xebec
Anime - 26 Episódios
2007
6 em 10
A ficção científica é um tema recorrente no anime. Heroic Age tem uma visão um pouco diferente e bastante original. Mas será que consegue avançar com a ideia de forma a colocar a série em outro nível? É o que veremos.
Neste universo, existem cinco tribos: Golden, Silver, Bronze, Heroic e Iron. Nós, seres humanos, somos Iron e somos os mais recentes. Por alguma razão, Silver e Bronze estão dedicados em destruir-nos. Para nos proteger, temos um elemento da Heroic, um jovem adolescente de 120 anos chamado Age (Eiji). Mas as outras tribos também têm o seu próprio monstro heróico... E agora, o que fazemos?
Esta é uma narrativa recheada de acção que irá satisfazer todos os fãs de space-opera. No entanto, existem alguns elementos que a impossibilitam de atingir um patamar superior. Para começar, está pouco explicada a origem e função das diversas tribos e raças. Fora os insectos Bronze, são todos muito semelhantes a seres humanos, o que - tendo em conta que têm poderes e características distintas - não faz muito sentido. Para mais, os elementos dourados são tidos como uma espécie de divindade extraterrestre, que mudou de dimensão ou de universo mas que, apesar de querer que os outros os acompanhem, condenou as outras tribos a cumprir uma série de missões e passar por muitos arcos em chamas para os poderem seguir. As explicações são poucas e, nesse aspecto, pareceu-me que a série era bastante incompleta.
Temos uma grande variedade de personagens, representativas das diversas espécies (fora os bronze - por alguma razão aparecem muito pouco-), que têm um desenvolvimento relativo. No entanto, o foco principal é dado a Age e à sua princesa Dianela (ou Daniela, como eu lhe chamo). Ambos são personagens bastante típicos, o rapaz bem disposto e a menina carinhosa, o que torna as suas interacções - à qual a série se dedica bastante - um pouco previsíveis.
A animação tem aspectos memoráveis, apesar da fraca utilização de CG. Fica a crítica ao design de alguns elementos, nomeadamente os monstros Heroic, que se parecem extraordinariamente (acaso ou não) com EVA Units.
A OP e ED puxam para uma emoção que não existe ao longo da série. Dentro do resto da OST, temos canções bastante típicas dentro do género, mas estão adequadas.
Apesar de tudo, é um anime agradável e com o seu interesse.
By : ladyxzeus
Peito Grande, Ancas Largas
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Peito Grande, Ancas Largas
Mo Yan
1995
Romance
Desde que tinha sido anunciado o Prémio Nobel de 2012, queria ler este livro, que é considerado a sua obra maior. Encontrei-o na Feira do Livro do ano passado e, agora, finalmente li-o. É uma obra prima e há algum tempo que não lia nada assim.
Percorrendo a China desde o início da segunda guerra mundial, este livro relata a vida de uma grande família localizada numa província campesina, que vive, luta e sofre ao longo dos tempos. A narrativa relata muitos eventos que aconteceram ao longo destes anos todos, sendo que esta família sofre às mãos de todo o tipo de regime, dos imperialistas aos comunistas, em acções que dizem muito sobre a realidade escondida do que se passou nestas épocas perdidas e esquecidas.
O personagem principal, Jintong, nosso narrador ao início e protagonista no final, tem características psicológicas muito especiais: ele é um inveterado apreciador de seios e do leite que deles jorra, a ponto de não se conseguir alimentar de mais nada durante muito tempo. Isso torna-o numa pessoa débil, fraca, cobarde, o que traz consequências negras para a sua vida e para o que o rodeia. É o último filho de uma mãe, figura poderosa e inquebrável, com oito irmãs que - movidas por uma incessante paixão - se unem a homens especiais, por vezes perigosos, o que também tem consequências graves para a vida de Jintong. O destino de cada uma das irmãs é traçado de forma imprevisível, sempre mutável pelas mudanças na vida política da China. Assim, o livro conta através delas todas estas alterações, sendo que a vida da família - entretanto reduzida a Jintong e à sua mãe - é profundamente afectada por elas. São pessoas que assistem à guerra, à fome, à solidão, ao horror. Mas também existem momentos felizes.
O que mais me surpreendeu, mais do que a história, é a técnica de escrita. O livro é altamente descritivo, mas nunca aborrece, pois todas as imagens relatadas são belas. Mas de uma forma crua, quase insensível. A forma de Jintong ver a vida está cheia de analogias à vida diária na aldeia em que vivem, com muitos elementos da natureza espalhados por todo o lado, com matizes de cor e textura que me fascinaram e apaixonaram. Por vezes as descrições são grotescas, a visão é nua, a visão é o espelho de uma realidade que muitos autores preferem omitir por ser tão horrível ou nojenta. Mas estão escritas de tal forma que conseguimos formar imagens perfeitamente exactas do que realmente se passa, por vezes de um estonteante belo.
Apesar da quantidade de personagens que existem, o livro é bastante simples de seguir e muito acessível. É uma escrita simples, sem complexos, muito clara. Isto parece-me simplesmente extraordinário. Passarei a recomendar este livro como uma obra fundamental, sobretudo se tivermos em consideração os factores políticos de que o autor foi vítima por o ter publicado.
Um livro essencial e muito recomendado.
By : ladyxzeus
