Jackie Brown
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Jackie Brown
Quentin Tarantino
Filme
1997
7 em 10
Segue-se então um filme bem diferente do anterior, apesar de se manter na mesma temática de criminosos e gente perigosa no geral.
Com uma estrutura um pouco diferente do habitual, este filme fala de várias histórias que se cruzam numa personagem central: Jackie Brown. Esta, é uma hospedeira de bordo que - por acaso - traz pequenos presentes (somas de dinheiro) dentro da sua bagagem. Quando é apanhada, torna-se na próxima vítima do grande chefe do tráfico de armas, que deseja matá-la para que ela não possa falar no nome dele. Tudo se vem a montar com outros personagens, desde o advogado de litígio aos parceiros do traficante.
Com um final inesperado, é uma história original, mas aparenta ser o único filme do Tarantino inspirado num livro, isto é, não foi ele quem teve a ideia. No entanto, a força motriz deste filme encontra-se nas personagens. Cada uma delas tem um tipo de personalidade diferente, em que nada é o que parece. Pessoas muito simpáticas podem ser psicóticas e o inverso também acontece. A massa unificadora encontra-se também num personagem: o advogado. Este aparenta ser a única pessoa puramente boa, de uma forma limpa, dentro de toda esta história. Com ele, desenvolve-se uma espécie de romance impossível, que acaba por ser comovente.
Não é um filme com grandes momentos de acção e ainda bem, pois devido ao poder humorístico e chocante do diálogo não necessitamos deles.
Foi um filme diferente dentro do universo Tarantino e gostei muito de o ver.
By : ladyxzeus
Reservoir Dogs
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Reservoir Dogs
Quentin Tarantino
Filme
1992
7 em 10
E já que Domingo é o dia do Pasco (uma pessoa interessantíssima que conhecemos durante as nossas micro-férias), decidimos dedicá-lo a filmes do Quentin Tarantino. Sendo que o Qui já os viu a todos, eu continuo com o meu visionamento bastante incompleto. Aqui, então, se apresenta o primeiro filme deste autor, que iniciou com força o seu estilo e movimento e o catapultou para o sucesso.
Um grupo de criminosos assalta uma loja de jóias. Eles têm nomes às cores. Porquê? Porque sim! Enfim, o assalto à loja corre muito mal, porque um dos assaltantes - Mr. Blonde - se passa da marmita e mata toda a gente e polícias e tudo. Os sobreviventes acabam por se reunir num armazém, onde discutem o que fazer uns com os outros, com um polícia, com os chefes e com um pobre infeliz que se está a esvair em sangue (Mr. Orange).
Apesar da intensidade dos diálogos, é irónica a forma como ninguém chega a conclusão nenhuma e tudo se transforma numa enorme confusão, com sangue e balas à mistura. Apesar dos personagens terem receio uns dos outros, também querem sobreviver com estilo e não se deixam sublimar pela presença mais ou menos forte dos seus pares, as outras cores.
O curioso neste filme é toda a aura minimalista que o rodeia. Os cenários são apenas os essenciais: um par de carros e um armazém. Os personagens são os essenciais. O sangue é o essencial. No fundo, está tudo muito condensado, sem abusos, sem exageros e limitado apenas àquilo que o espectador necessita para ter o seu espectáculo. Assim, em vez de um filme recheado de acção e tripas, como se veio a tornar um costume, temos um aspecto psicológico muito vivo, caracterizado por personagens de quem não gostamos mas que acabamos por aceitar como nossas.
É o tipo de filme que se acaba com aquele sorriso culpado. O que é sempre uma coisa boa.
Nota com Spoiler: Eu acho que morre no fim.
By : ladyxzeus
Chico & Rita
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Chico & Rita
Fernando Trueba e Javier Mariscal
Animação
2010
6 em 10
Depois de viajar pela Macaronésia, fui com o Qui um pouco mais perto, até ao meu casinhoto na fantástica terra Moçarria, terra essa onde se lê bastante e se vêm filmes. Pelo menos na minha casa é assim. Chegámos no Sábado e achámos por bem dedicar esta noite à animação, vendo este filme Espanhol (e não Cubano, ao contrário do que seria de esperar) e o End of Evangelion. Quanto a este último, não escreverei um comentário sobre ele agora, pois estou a aguardar por uma outra celebração para escrever uma análise extensiva e completa.
Mas voltemos ao Chico & Rita.
Tudo começa na Cuba pré-Castro, em que a arte musical se encontra livre e altamente sensual. Chico é um pianista com sonhos e ambições, que acaba por se unir numa paixão acesa a Rita, uma cantora. Quando trabalham juntos, o resultado é maravilhoso, mas as tendências poliamorosas de ambos comprometem a sua relação e acabam por se separar, viajando para os Estados Unidos onde obtêm cada um relativo sucesso.
A história é bastante simples, envolvendo muita música e muita dança, mas levando-nos a um universo de erotismo naturista e sensualidade que apenas seria possível num país livre da América Latina. O choque cultural com o continente do norte está muito bem expressado, não só através do diálogo como das próprias atitudes dos personagens. No fundo, trata-se de um romance que nunca pode funcionar mas que é verdadeiro e puro. Aí reside a força dos personagens, que apesar de tudo podem ter alguns comportamentos erráticos (ainda que bastante humanos).
A animação é mista, com uma utilização um pouco evidente de CG que, fazendo parte da estética, não se coaduna muito bem com os cenários. Os designs dos personagens são realistas e cativantes, sobretudo na expressão do olhar. Poderia ter sido feito um uso mais alargado de uma paleta de cores vivas, o que poderia representar a alegria destas pessoas em contraste com os momentos mais pesados.
Sem dúvida que o aspecto mais forte é a banda sonora, com um misto de ritmos latinos e jazz. O tema recorrente é belo e inspirador. São feitas referências diversas a artistas da época, mas eu não as compreendi porque o meu conhecimento sobre o reino do jazz é limitado (foi o Qui que explicou). Talvez o filme tivesse sido imensamente mais divertido se eu tivesse captado estas referências todas.
Um filme romântico e quente.
By : ladyxzeus
GaoGaiGar
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GaoGaiGar
Yonetani Yoshimoto - Sunrise
Anime - 49 Episódios + 8 OVA
1997
5 em 10
E o epítomo do shounen dos 90s encontra-se aqui. Uma série de super-robots recheada de acção, alienígenas bizarros, um leão robótico e uma data de robots gigantes
A série toma um rumo de vilão da semana ao início, estabelecendo a história real a partir do meio. Existem vários mistérios por trás destes robots e das pessoas que os conduzem. Para mais, há super poderes místicos. Tem tudo para ser uma excelente série de sábado de manhã e se eu tivesse sete anos certamente que teria adorado. Mas ponham mais 20 em cima e a perspectiva acaba por ser um pouco diferente. Ainda assim, é tudo muito OTT e espectacularmente emocionante, o que se enquandra dentro do estilo da época e torna a viagem em fonte de diversão.
Artisticamente, temos momentos menos bons intercalados com momentos um pouco melhores. No entanto, nunca aparece nada de espectacular em termos cénicos ou de moviementos. Há uma grande reciclagem de cenas, sobretudo as da montagem e desmontagem dos nossos robots, o que dá uma estrutura um pouco repetitiva a toda a série. Em termos de maquinaria, tudo é muito colorido, uma espécie de power rangers robóticos, e os inimigos são estranhamente tentaculados. Ainda assim não se pode dizer que tenha envelhecido muito mal.
A banda sonora é bastante apropriada, se bem que muitas vezes anticlimática: em situações bastantes a música para para dar lugar a um silêncio seguido de explosão, que calha muito mal. Mas, individualmente, são peças indiscutivelmente interessantes, orquestrais. OP de tonalidade épica, como convém a um shounen dos 90s e ED pacífica.
Sinto que não me teria feito falta ver esta série, mas já que aqui está, porque não?
By : ladyxzeus
Está Tudo Iluminado
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Está Tudo Iluminado
Jonathan Safran Foer
2002
Romance
Recebido pelo BookCrossing, era um livro para o qual tinha expectativas completamente diferentes. Saindo frustradas, foi uma leitura aborrecida e irritante. Desde logo me irritou a cara do autor, hipster de Queens e claramente identificado com a sua identidade religiosa a ponto de não falar de outra coisa.
É certo que é muito difícil falar da segunda guerra mundial sem se falar de judeus e vice-versa. No entanto, este conteúdo foi forçado a um nível de pura falta de lógica e de imaginação, numa espécie de troça respeitosa aos trâmites da religião. Isto teria sido divertido se a coisa fosse simplesmente mais organizada, se tivesse sido feita uma pesquisa da época mais cuidada e se, no meio disto tudo, tivéssemos personagens um bocadinho menos irritantes. Pelo menos ao ponto de não me apetecer enchê-los de estalos a cada frase, sobretudo depois de perceber que cada capítulo era escrito por um deles.
Aqui, variamos de estilo, muito bem. Parte dos capítulos contam a história do avô judeu, na cidade de Trachimbrod, mas com uma falta de tacto e uma dose de fantasia tão grande que torna tudo simplesmente aborrecido e, muitas vezes, difícil de compreender. Mas não é uma dificuldade estilística: parece que a coisa se torna complexa e confusa pelo simples prazer de se fazer algo confuso ou mesmo, o mais provável, por o próprio autor estar a improvisar. A outra parte é narrada por um Ucraniano e é bem mais interessante. Para começar, está escrito de uma forma muito estranha (que acredito que seja muito mais engraçada no inglês original), que vai melhorando à medida que os capítulos decorrem, talvez pela interacção entre este personagem e o americano. Este personagem, Alex, é também desenvolvido de forma muito mais apelativa.
Ainda assim, a relação entre os personagens "Avô" e "Augustine" acaba por ser inconclusiva, o que nos leva a perguntar o porquê de haver tantas referências à sua envolvência um com o outro (ou com pessoas conhecidas de ambos?)
Gostei apenas de Sammy Davis, Junior, Junior, que acaba por ser a única personagem lógica no meio disto tudo.
Um livro para esquecer.
By : ladyxzeus
Cobra: The Psycho-Gun
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Cobra: The Psycho-Gun
Terasawa Buichi - Magic Bus
Anime OVA - 4 Episódios
2008
5 em 10
Esta foi a minha primeira experiência com o franchise "Cobra".
Cobra é uma espécie de Lupin do espaço, num ambiente pulp e muito punk, que mistura todo o tipo de elementos que caracterizaram toda uma era da cultura pop. Esta versão é um pouco mais moderna, mas mantém o mesmo estilo: agressividade, muito metal e mulheres sem calças.
A história, apesar de bastante típica dentro deste estilo altamente masculinizada, acaba por ser um pouco infantil - considerando a agressividade dos eventos e dos personagens. O mesmo acontece com estes últimos, que apesar de terem raios laser nos braços e de estarem acompanhados por moças em cuecas de cabedal, acabam lutando contra um arqui-inimigo feito de vidro.
Neste OVA, a animação está bastante terrível. Apesar de haver momentos cénicos com algum interesse, a utilização de CG era completamente desnecessária e apenas dá à animação um ar barato, pouco cuidado e muito rugoso.
A música será a parte melhor, com OP e ED cantadas num estilo antiquado mas sempre muito apreciado e apropriado às origens deste género.
Apesar de tudo, fiquei curiosa para com os Cobras mais antigos.
By : ladyxzeus
Tieta do Agreste
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Tieta do Agreste
Jorge Amado
1977
Romance
Recebi este livro num RABCK do BookCrossing. Escolhi-o porque o Jorge é Amado e porque apenas me lembrava muito vagamente da novela (quase nada, eu nunca fui muito de ver televisão). Apresenta-se um livro à primeira vista difícil, com uma linguagem muito própria, mas que depois do choque inicial é deliciosamente divertido.
Contado numa estrutura próxima ao do folhetim de revista, fala da história de Tieta que regressa a casa décadas depois de ter sido expulsa, agora rica e cheia de sucesso. O seu regresso provoca uma série de acontecimentos públicos, políticos e pessoais, aventuras sexuais desregradas e toda uma confusão que acaba por se resolver quando tudo é revelado: Tieta obteve o seu sucesso não por se casar conforme deus manda - com um homem muito rico - mas por ser dona e gerente de um tal de "Refúgio dos Lordes" (cuja função poderão adivinhar pelo nome)
A narrativa tem momentos hilariantes e segue sempre em frente com poucas pausas para meditar. Quando estas acontecem, os eventos podem ser um pouco aborrecidos (não gostei, sobretudo, dos dilemas de Ascânio), mas na maioria das vezes são muito gratificantes em termos de desenvolvimento de personagem (como no caso das confissões de Cardo)
Todo o livro é de uma ironia ardente e acutilante, atacando a sociedade brasileira da actualidade do contexto com uma subtileza que não deixa de ter muita força. O resultado final dá para muitas gargalhadas.
E é por isso que o Jorge é Amado. :)
By : ladyxzeus
