• Big Hero 6

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    Big Hero 6
    Don Hall & Chris Williams
    Animação
    2014
    6 em 10

    Depois de diversas festividades de fim de semana, observaremos este filme. Será que é desta que a Disney se vai redimir de falhanço atrás de falhanço? Acho que não. Um filme mediano, simplista e, no geral, muito pouco cativante.

    Em São Fransokyo, uma mistura de São Francisco com Tóquio, um miúdo de origens nipónicas, Hiro, é considerado um génio da robótica. É levado pelo seu irmão a visitar a faculdade, onde fica interessado em ingressar. Para isso, constrói mini-robots que são destruídos, juntamente com o irmão, num fogo. Resta-lhe a herança familiar de um robot de características medicinais, Baymax, que está programado para resolver os seus problemas. Depois há um super-vilão e ele torna-se num super-herói.

    Na verdade, a história é mais ou menos uma cópia daquelas dos super-heróis Marvel que, pertencendo à Disney, podem ser usados a bel-prazer. O filme apresenta-se como uma "homenagem" a estes filmes e à banda desenhada e também como "homenagem" à indústria do anime, mas a forma como tudo é apresentado, de forma básica e infantilizada, parece-me uma redução de ambos os géneros a uma actiivdade para crianças. Ora, os fãs sempre recusaram este epíteto na sua fandom. Anime e banda desenhada nem sempre são coisas para crianças. E este filme vai exactamente contra isso, demonstrando a toda essa faixa americana ignorante que sim, todas estas coisas, todo este neo-Tóquio, é uma coisa altamente apropriada para os meninos e meninas.

    No respeitante a personagens, há uma evolução evidente e previsível, assim como toda a linha narrativa, de Hiro e Baymax. Baymax, enquanto robot, não convence. Não obedece às leis da robótica instauradas por Asimov e tem uma evolução de personalidade que não se adequa à inteligência artificial. Na verdade, é apresentado como uma "criança" que cresce até se tornar num "herói", assim como todos os outros personagens. O grupo de nerds, que apesar de tudo é o que tem mais piada no filme todo, é redutor e quase ofensivo: "também tu amigo geek podes ser um super-herói se levares uns upgrades em tudo". O filme em tudo segue uma linha altamente vulgar e demasiado simples para ser considerado.

    A arte tem traços suaves, que em nada recordam anime ou banda desenhada, mas achei que os cenários estavam muito pouco detalhados, sendo que as cenas nocturnas não tinham luz suficiente para o ambiente urbano apresentado. As cenas de acção são muito simples e trazem pouca emoção, sendo que os intervenientes pouco ou nada fazem e é apenas o nosso "Hero" que faz tudo e dirige toda a gente, como se o resto dos "heroes" não tivessem identidade.

    A música é terrível, sendo que o tema principal não tem ponta por onde se lhe pegue e não tem qualquer relação com o tema do filme.

    Por isso, Disney, desculpa lá mas tens de continuar a tentar. Ainda assim, é evidente que este filme vai ganhar o Oscar. Como se esse prémio ainda merecesse respeito.
  • Lupin III - Daisuke Jigen's Gravestone

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    Lupin III - Daisuke Jigen's Gravestone
    Koike Takeshi - TMS Entertainment
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    Este filme é uma sequela à instância Mine Fujiko to Iu Onna. Para saberem mais sobre Lupin III, consultem aqui os outros comentários.

    Com um título destes seria de esperar que o filme se focasse em Jigen. No entanto, é apenas mais uma aventura de Lupin, em que eles querem roubar algo e arriscam a vida para o fazer. A história é bastante fraca comparativamenete ao anime do passado, sendo que o elemento cómico está praticamente suprimido e todo o filme se resume a um conjunto alargado de cenas de acção. Existe uma falta de respeito constante pela figura feminina, representada especialmente por Mine Fujiko, que sofre bastante no decurso da história.

    Nem todos os personagens da história original de Lupin são contemplados neste filme, sendo que isto é um desapontamento bastante grande. Quanto aos outros, apesar de se manterem as vozes habituais, parecem estar descaracterizados e reduzidos ao estereótipo que criaram nos anos 70.

    Felizmente, temos uma arte que recebe uma nota muito positiva, com uma variação de cores e texturas muito interessante e uma qualidade superior nas cenas de acção. Os designs são detalhados e originais, sendo que a opção estilística de todo o filme é bastante criativa e divertida.

    Musicalmente, temos uma ED que recorda ao passado, mas quanto ao resto da banda sonora há um sentimento de desapontamento, pois não tem os elementos característicos das aventuras de Lupin, todo o groove e todo o jazz.

    Se a prequela não me tinha agradado, este filme nada fez para melhorar a minha opinião. Se querem fazer coisas sobre o Lupin, mantenham-se fiéis às origens da história. Uma arte curiosa não resolve todos os outros problemas.
  • Birdman

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    Birdman
    Alejandro Gonzales Iñarritu
    Filme
    2014
    7 em 10

    Numa crítica a todo o cinema e a todo o teatro, Birdman é um filme viciante que também serve de homenagem a ambos os géneros.

    Riggan é um actor que ficou famoso por fazer de Birdman, nos anos 90. Agora, numa tentativa de se libertar da personagem, dá tudo por tudo para estrear uma peça de teatro na Broadway. Infelizmente, nem tudo corre pelo melhor e Riggan continua a ser atormentado pelo seu alter-ego. Nisto tudo, começa a alterar-se e a degradar-se, a um ponto que - se à primeira vista parece o não retorno - acaba por o tornar numa nova estrela em asecenção.

    O filme está narrado como um acto-contínuo, como se tivesse sido gravada apenas uma cena muito grande, seguindo os personagens de um lado para o outro. Isto aparenta ser, para mim, uma espécie de piscar do olho à arte teatral, em que tudo é feito apenas uma vez e tem de sair bem logo dessa vez. O ambiente criado dentro do teatro, uma loucura e caos generalizados, parece-me caracterizar muito bem o que realmente se passa nos momentos antes de levar uma peça a palco. E isso é delicioso.

    Em termos narrativos, observamos uma evolução da personagem, envolvida com elementos de realismo mágico que por vezes podem parecer um pouco confusos. É realmente ambíguo o facto de Riggan ter ou não ter os poderes místicos. No entanto, a introdução deste tema oferece-nos um final muito divertido e cheio de esperança.

    Isto não seria possível sem um trabalho libertador dos actores. Curiosamente, Michael Keaton - o nosso actor principal - também sofre o mesmo estigma que o seu personagem. Tentando libertar-se de um papel famoso, é com este filme que o consegue com todo o sucesso. A evolução da neurose da personagem deixa-nos estáticos e é quase surpreendente. Todo o filme tem uma veia cómica, mas isso não é causado pelo diálogo, mas sim pelas situações que estes personagens vivem, levados à vida por este conjunto de excelentes actores.

    A banda sonora é praticamente toda tocada em percussão, o que é sem dúvida um elemento muito original, por vezes até stressante dependendo do contexto.

    Um filme excelente que recomendo e que espero que seja recompensado na corrida aos prémios.
  • Dai-Guard

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    Dai-Guard
    Mizushima Seiji - Xebec
    Anime - 26 Episódios
    1999
    6 em 10

    Confesso que já começo a estar um pouco farta de robots gigantes, vulgo mecha. Quando fiz a minha lista de coisas para ver, tinha lá uns quarenta, espero já ter avançado bastante ou que, pelo menos, o random.org espere um bocado até dizer para eu ver um deles. Enfim...

    Dai-Guard, ou Terrestrial Defense Corp Dai-Guard (em Japonês, "Chikyuu Bouei Kigyou Dai-Guard") é um pequeno twist no género que teria a sua graça, não fosse o facto de as diferenças se notarem pouco com o decorrer da série. Há uma série de anos o mundo estava a ser invadido por uma força alien, heterodyne de seu nome. Para isso construíram o Dai-Guard, um robot. Entretanto, desapareceram e o fulano ficou por ali a servir de enfeite. Agora que voltaram, precisamos do enfeite. Apenas três pessoas o sabem conduzir. E tudo isto leva a uma série de problemas burocráticos e de nível prático. Como por exemplo, transportar o objecto de um lado para o outro. Ou preencher relatórios sobre o objecto. E as críticas sociais em relação ao objecto.

    Depois, o objecto começa a funcionar propriamente e acaba-se aí a diferença deste para outros animes do género. A coisa tem a sua graça, ainda assim.

    Os personagens são bastante vulgares, com um protagonista bem shounen e uma protagonista com triste vida passada. O seu desenvolvimento é parco e efectuado por uma série de flashbacks, que se repetem (tanto em conteúdo como em forma). No resto da equipa temos um grupo de pessoas que poderia ter sido interessante se tivesse sido explorado de alguma forma. Aquela lolita cientista teria sido um sucesso se não fosse tão irritante.

    A animação não é extraordinária, mas temos algumas cenas de acção aceitáveis. O anime poderia ter ganho bastante se o sombreamento fosse um pouco mais detalhado, assim como merecia algumas melhorias no design de maquinaria.

    Tanto a OP como a ED são bastante divertidas e têm boas intenções. De resto, variamos em temas que recordam uma certa imitação do folk americano, mas que não ligam muito bem com o teor nacionalista que o anime contém (os Japoneses também sabem ser assim)

    Um anime mediano.


  • The Ideon: Be Invoked

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    The Ideon: Be Invoked
    Tomino Yoshiyuki - Sunrise
    Anime - Filme
    1982
      7 em 10
     
    Vejam aqui sobre o primeiro filme. Entretanto aprendi algumas coisas sobre isto. No início, era uma série. Mas essa série foi cancelada e os últimos quatro episódios saíram neste filme de que agora vos falo. Dizem por aí que esta conclusão inspirou Neon Genesis Evangelion. E agora que falam disso, realmente faz sentido. Muitas vezes perguntam-me porque não paro de ver séries que não me estão a agradar, porque não faço o "drop". E, mais uma vez, aqui se prova a razão. Porque Be Invoked, o Hatsudou Hen de Ideon, é simplesmente genial.

    Em relação ao primeiro filme há poucas diferenças na narrativa e no desenvolvimento de personagens. Como sabemos, Yoshiyuki Tomino mata pessoas indiscriminadamente. Aqui, ninguém está livre desta premissa. Ninguém é poupado e o final tem tudo para ser trágico. Neste filme, está ilustrado o fim da humanidade, numa guerra apenas causada por um racismo inerente entre as duas facções (que, no fundo, são iguais), por maus entendidos e por uma geral falta de compreensão entre as partes. Mas a sequência final... Essa sim, é algo que faz falta nos animes de hoje. Quando tudo parece estar perdido, entramos numa viagem pelo espaço, protagonizada por novas estrelas, que caminham, voam pelo nada até chegarem a um novo lugar. Este final recordou-me com carinho um dos meus albuns preferidos, o "10.000 anos depois entre Vénus e Marte", do querido José Cid. Porque apesar de tudo o que acontece, no final, no pós-morte, há uma ressurreição em que todos aceitam as suas diferenças, em que todos compreendem que a humanidade é, afinal, apenas uma. E assim reencarnam num novo planeta que, pelas imagens reais do final, aparenta bastante ser o nosso. Por isso, será que este será o futuro? Ou será que foi a nossa origem? Dá que pensar e é um exercício de esperança.

    Na arte, há algumas melhorias nas cenas de acção, mas sobretudo na cena final, em que a viagem das estrelas é retratada em tons suaves e muito orgânicos, transmitindo uma sensação de "isto poderia mesmo acontecer". Nas lutas finais, a guerra, também protagonizada por alguns personagens recentemente introduzidos, há grande variedade de cores e explosões, o que - para a época - é algo muito positivo. Apenas o design da maquinaria e das roupas continua um pouco aquém do esperado.

    Musicalmente, poderia dizer que nada interessa, mas a peça final é de um poder grandioso, uma explosão de texturas sonoras que nos dá uma sensação de maravilhamento.

    Assim, retiro o que disse sobre o primeiro filme. Recomendo vivamente que vejam este anime e que se inspirem com ele.
     
     
  • A Dark Place to Die

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    A Dark Place to Die
    Ed Chatterton
    2012
    Policial

    E com este livro celebro o facto de ter terminado todos (ou quase todos!) os livros que sobraram da Convenção do BookCrossing 2013!! Viva! Viva!

    Este é um policial algo estranho, visto que desde logo sabemos tudo o que se passa com todos os personagens, de todas as perspectivas possíveis. Mas os personagens não sabem. Ainda assim, é difícil manter a concentração e focar-nos na história destas pessoas e destes crimes, pois não existe mistério nem expectativa.

    Temos um psicopata extremamente divertido e são as coisas que ele faz que tornam a leitura mais interesante, pois o tipo é totalmente passado da caixa dos pirolitos. No entanto, só mais para o fim é que ele teve o protagonismo devido. O herói Keane é muito sem sal, mas conseguimos identificar-nos com Koop, uma personagem que entra ao barulho mais tarde e que tem uma posição na vida muito simpática.

    O mais interessante será talvez a linguagem, que viaja entre os vários sotaques da língua inglesa, fazendo uso de muita gíria local que dá um tom bastante realista aos diálogos e à narrativa em geral.

    De resto, não é nada de especial. Agora vai viajar como RABCK. :)
  • Kanon

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    Kanon
    Ishihara Tatsuya - Kyoto Animation
    Anime - 24 Episódios
    2006
    4 em 10

    Toda a gente me dizia que Kanon, a versão de 2006, era genial e dos melhores romances que poderia haver por aí. A primeira coisa que eu disse quando comecei a ver, logo ao primeiro minuto, foi... "Mas isto é muita feio!" E não se ficou por aí. Os primórdios da KyoAni não trouxeram grande coisa ao mundo, como se verá.

    Um jovem, igual a tantos outros jovens em tantos outros animes, costumava ir passar temporadas a uma cidade onde neva constantemente (é sempre Inverno). Deixou de ir durante sete anos e esqueceu-se de todas as coisas. Quando volta, encontra meninas e mais meninas do passado, que se lembram dele. Mas ele não se lembra delas. Depois elas têm problemas e ele vai-se lembrando. E depois não se passa nada.

    O grande problema deste anime, já que a história já se viu em tantas outras ocasiões (feita de melhores e piores maneiras), são as personagens. Se temos um personagem principal insosso, com um sentido de humor um pouco preverso dentro do contexto, todos os elementos femininos acabam por formar um harém de atrasadas mentais. Porque todas elas estão infantilizadas, quer no design quer na personalidade, a um extremo tal que parece que todas as linhas da história estão a lidar com criancinhas da idade do Poupas Amarelo. Isto não só retira todo e qualquer realismo da história como é extremamente irritante. Uguu par aqui, uguu para ali, somos todos uguus, mas isso é muita chato e muita feio.

    A arte é tenebrosa. Já falei dos designs das personagens: quando metade da tua cara, do meio da testa à boca, é ocupada por olhos, fica muito difícil de nos concentrarmos nela. Não existem grandes cenas de animação e os cenários são aborrecidíssimos. A neve em si não é aborrecida, cenários de Inverno até podem ser muito bonitos, mas neste caso não há nada de distinguível, não há detalhe, tudo é branco e ondulado, uma chatice completa.

    Apesar de se chamar "Kanon" e de ter referências imensas a música clássica, a banda sonora não tem nada a ver com isso. OP e ED sem nada em comum com o teor da história e as outras músicas... Bem, parece simplesmente que estão a mais. As vozes são de uma irritância telepática, tornando todas as raparigas ainda mais idiotas, como se a essas vozes não estivesse associado um cérebro.

    Um anime que desaponta bastante e que recomendo. Que não vejam. Nunca.
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