Harmonie
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Harmonie
Yoshiura Yasuhiro - Studio Rikka
Anime - Filme
2014
6 em 10
Anime Mirai é um projecto custeado pelo governo do Japão para promover novos autores de anime e animação em geral. Podem ver comentários a outros três pequenos filmes aqui, aqui e aqui.
Neste filme de meia hora, tudo começa com a vida normal. Todas as pessoas têm os seus interesses e a vida quotidiana é feita da sua partilha. Mas o nosso personagem principal não se quer limitar ao seu próprio universo pessoal. Quer conhecer o universo de uma rapariga, por quem ele nutre uma certa afeição e fascínio, apesar de nunca ter falado com ela.
De uma forma ou de outra, acaba por descobrir que ela tem um sonho. E o resto do filme é a consequência do mal entendido que daí advém. Aqui está a minha primeira crítica: o final inconclusivo pode ter um efeito ligeiramente cómico, mas é bastante frustrante. Se por um lado ficamos contentes por terem conseguido falar um com o outro, por outro lado é uma situação muito negativa, pois advém de sentimentos que não são verdadeiros.
A minha outra crítica é, precisamente, a sequência do sonho. Antes de mais, não se parece nada com um sonho. trata-se da sequência de uma história, num outro universo, em que há um cyborg e um tipo que toca frascos às cores (fazendo música). Essencialmente, é-nos dado a conhecer muito pouco de uma história muito maior, demasiado grande e estruturada para ser um sonho realista. O que dá a sensação é que a rapariga tem um poder qualquer que lhe permite ver o passado de um mundo futuro (se é que isto faz sentido), mas nada disto é explorado.
No que respeita a animação, não está má, mas também não está especialmente boa. Não existem cenas que demonstrem completamente as capacidades do realizador, pelo que não é um bom exemplo de showcase.
A música tem duas parcelas. A primeira é a sequência do sonho, que é mais e mais do mesmo que já ouvimos uma e outra e outra vez. A outra é a ED e essa sim é bastante bonita, embora terem-na passado com a repetição da mesma sequência tenha sido chatíssimo.
Enfim, é um anime simpático, mas não é nada de extraordinário.
By : ladyxzeus
Todos os Contos Volume 2
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Todos os Contos 2
Edgar Allan Poe
Vários
Contos
Ora bem.
Recebi este livrão lindíssimo pelo Natal, como presente do meu excelso pai. Ele prometeu que voltaria um dia com o primeiro volume, que se encontrava esgotado, mas até agora ainda não há resultados. Mas, como são contos, tanto faz ler o primeiro ou o segundo, porque não há conexão. Sobre o estilo de escrita, já conhecia um pouco, devido a uma outra edição de contos que já tinha (e que agora, provavelmente, irei vender). Mas aprofundemos um pouco:
Ao contrário do que eu pensava, Poe não é apenas um escritor do gótico. A sua literatura é extremamente variada, indo desde a crítica e análise à comédia surrealista. Revela ser uma pessoa extremamente culta, no que respeita a civilizações antigas e, estranhamente, a barcos.Mas, sobretudo, a sua escrita é muito descritiva. Existem contos que se compõem simplesmente da observação do mundo natural, da arquitectura ou, simplesmente, à disposição de móveis num quarto.
Poe revela ter um apuradíssimo sentido de humor, cheio de uma ironia absolutamente deliciosa. Apesar de não tratar de assuntos actuais, não podemos deixar de nos rir de uma forma ou de outra, porque está tudo escrito de maneira tão engraçada.
Existem alguns contos que falam sobre a vida e a morte, mas de uma forma muito mais profunda, através de diálogos entre personagens desconhecidos, num universo desconhecido que pelos vistos paira entre a vida e a morte. Achei-os muito tocantes, pelo seu estilo clássico.
Não consigo escolher um conto preferido, mas poderei falar de um que se destaca dos outros. Trata-se do último (Narrativa de A. Gordon Pym) e distingue-se por ser o maior, com mais de 200 páginas. É uma espécie de diário de bordo das aventuras de um jovem no mar, com naufrágios, piratas e selvagens em ilhas do pacífico sul. Apesar de eu não perceber quase nada sobre termos náuticos, usados e abusados, foi fascinante ver como sobreviveram ao naufrágio e como exploraram o (quase) Polo Sul. O final soube a pouco e deu muita vontade de ler o resto das aventuras que, convenhamos, ficavam cada vez e cada vez mais estranhas.
Portanto, meu pai! Venha depressa com o primeiro volume! Quero ler mais! Quero ler tudo!!!
By : ladyxzeus
Muppets Most Wanted
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Muppets Most Wanted
James Bobin
2014
Filme
6 em 10
Madrugada. Desejando beber montes de água e dormir um reparador e profundo sono, que filme é que se vê? Os Marretas. Claro!
Sempre que há um filme dos Marretas para ver, já se sabe que nos vamos rir. E é claro que, apesar de a minha motivação para ver o filme ser negativa, gargalhei a bandeiras durante o filme todo. Realmente, não há muito para dizer. Um marreta é um tipo de bicho que sabe rir de si próprio. Assim, todo o filme é a ridicularização do próprio filme, o que é positivamente hilariante.
Aparentemente, o grande interesse deste filmezinho são as aparições constantes de uma série de gente famosa. Ora bem, eu não conheço ninguém. Portanto, talvez me tivesse rido ainda mais se soubesse quem era quem. Só reconheci (atenção, spoiler) a Celine Dion (e fartei-me de rir)
As músicas e os momentos de dança estão muito simpáticos. Gostei sobretudo nas cenas dentro do Gulag, em que o Cocas transforma aquilo no Fame ou algo que o valha.
A capacidade interpretativa dos bonecos continua igual a si própria, mas devo informar que - sim - os Marretas chegaram ao futuro: CG e bastante.
Bom para relaxar, deixou vontade de ver mais bonecos.
By : ladyxzeus
Narutaru
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Narutaru
Kitoh Mohiro
Manga - 67 Capítulos / 12 Volumes
1998
5 em 10
Há muito, muito tempo, vi o anime. Marcou-me profundamente: tratava-se de uma bizarra desconstrução do género das mascotes mágicas, em que se inserem os Pokémons e Digimons e outros que tantos. Como o anime deixou um final de água na boca, sempre tinha tido vontade de ler o manga. E que desapontamento foi!
Shiina é uma mocinha que vive com o pai, piloto de aviões, e que vai a uma ilha visitar os seus avós. Nessa ilha, encontra um bicharoco em forma de estrelinha, a quem dá o nome de Narutaru. Depois disso, conhece outros miúdos com bicharocos semelhantes, chamados de "Shadow Dragons". E é aí que a coisa começa a ficar bizarra. Mas... É apenas isso. A história está confusa, mas não porque seja confusa na sua natureza. Simplesmente, muito pouca coisa é explicada, sendo que por vezes senti que a história "saltava" de cena para cena, sem conexão entre elas. Sofre com isto, sobretudo, a introdução de novos personagens, que aparecem na história como se nós, leitores, tivéssemos a obrigação de descortinar de onde é que eles vieram. Na realidade, o conceito é bastante simples, apenas se apresenta bastante baralhado. O final de tonalidade pós-apocalíptica é a prova disto.
Em termos artísticos, existe uma fissão completa em termos de design. As personagens e os cenários são todos extremamente simplificados. No entanto, numa oposição que muitas vezes cai mal, todas as armas, aviões... Tudo aquilo que esteja relacionado com a guerra: demasiado detalhado. Existem erros nas perspectivas que tornam tudo ainda mais confuso, sendo muitas vezes difícil de distinguir as acções dos desenhos à primeira. Convenhamos que a estrelinha é das coisas mais fofinhas de sempre, sobretudo quando corre, gira, dá abracinhos ou faz outras coisas amorosas. Deu-me até vontade de coser uma mochila em forma de estrelinha. Mas fora isso, há pouco de positivo a apontar.
E, agora, o extraordinário: apesar de a história ter muita violência e muito conteúdo sexual, o manga é muito pouco explícito. Diria mesmo que o anime é mais explícito, o que é de certa forma estranho.
Enfim, foi bastante diferente do que eu estava à espera. Simplesmente, demorou demasiado tempo a chegar a alguma conclusão e esforçou-se demais para estranhar, mas sem entranhar. O próximo será certamente melhor.
By : ladyxzeus
Tonari no Seki-kun
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Tonari no Seki-kun
Mutou Yuuji - Starchild Records
Anime - 21 Episódios + 1 OVA + 2 Specials
2014
6 em 10
Era para ter visto este anime enquanto estava saindo, mas já estava a ver tantos que achei que ver mais um seria demasiado para o tempo que tinha. Assim, fui sacando os episódios à medida que iam saindo, mas não os vi. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, quando me iniciei no visionamento, que os episódios tinham apenas 7 minutos, contando com OP e ED!
É um animezinho muito simpático e engraçado, sobre um jovem (Seki-kun) que está sempre a fazer por se distrair durante as aulas. A sua colega do lado, Yokoi, está sempre atenta, espantando-se com as brincadeiras extraordinárias e tentando estudar, apesar de sair sempre prejudicada.
A graça deste anime está nos vários métodos de entretenimento que Seki-kun arranja. São sempre coisas muito simples, pequenos jogos que todos fazemos quando somos pequenos (ou que as crianças japonesas fazem), mas em escala miniatura, do tamanho de uma secretária escolar. As constatações de Yokoi e a sua exasperação à medida que se vai envolvendo nos jogos são contangiantes.
Assim, como anime de gags cómicas, isto está bastante bom. No entanto, apesar de isso não ser um factor necessário para este tipo de anime, não posso deixar de lhe atribuir uma nota mediana por causa da arte. Infelizmente, é bastante fraca. O uso do CG é demasiado evidente, sendo que destoa bastante da simplicidade da história em causa.
A música, e efeitos sonoros, é muito engraçada. A ED fica-me na memória pela soa tonalidade jazzística.
Anime que se vê muito rápido e muito bem, bom para relaxar ao final do dia.
By : ladyxzeus
A Desumanização
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A Desumanização
valter hugo mãe
2013
Romance
Depois da viagem à montanha, uma rápida leitura, um pouco mais leve, de um autor que tenho vindo a descobrir e de que tenho gostado muito.
Numa aldeia nos confins da Islândia vive uma rapariga, que tinha uma gémea. Tinha: a gémea morreu. E esta história é a história da separação desta menina do seu ideal, a irmã, e do seu crescimento, tornando-se mulher mais cedo do que o esperado, com as consequências que isso pode trazer para ela própria e para os outros.
Este livro tem dois temas principais, que são explorados numa linguagem poética e muito filosófica: o desflorar da puberdade feminina e a paisagem islandesa. No primeiro aspecto, isto é transmitido de forma muito exacta, com todos os momentos e pensamentos assustadores e com exemplos de pensamentos que estão entre o infantil e o adolescente e que têm imagens muito bonitas. Gostei sobretudo da ideia das "flores das mulheres" que achei muito bonita, apesar dos problemas que daí vêm mais tarde. No que respeita à tal paisagens, percebo porque é que este livro pode desapontar os fãs do país. Não há descrições de momentos naturais espectaculares, nem há uma pintura do ambiente que rodeia os personagens em termos exactos. O que existe, e isso eu gostei muito, é uma percepção natural, integrando os elementos do universo em que se vive na própria vida. Isto é, estes personagens são nativos deste país. Não faria sentido colocá-los a descrever grandes coisas, pois são vistas todos os dias.
A história é triste e brutal, mas está escrita de forma muito bonita. Se por vezes o autor divaga um pouco nos pensamentos da personagem, isso pode ser tido como os momentos de dúvida e confusão da criança que cresce e, portanto, não necessariamente um erro.
Gostei bastante e estou ansiosa por ler mais deste autor.
By : ladyxzeus
Omoide Emanon
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Omoide Emanon
Tsuruta Kenji e Kajio Shinji
Manga - 9 Capítulos / 1 Volume
2006
6 em 10
Manga muito curto, que se lê no instante. Adaptação de um livro, deixa vontade de ler o livro... Mas não é muito bom em si.
Um jovem encontra-se num ferry a viajar entre duas ilhas do Japão e encontra uma bonita rapariga. À conversa, ela explica-lhe que tem todas as memórias desde o início da vida neste planeta. O conceito é excelente, mas peca pela falta de desenvolvimento. As explicações dadas são muito coerentes e dão que pensar, mas o que realmente gostaria de ter visto seria a vida da rapariga, Emanon, ao longo dos tempos e das eras, sob vários estados evolutivos, até chegar ao ponto em que se encontra. Quiçá, ver o futuro. Assim como está, não chegamos a nenhuma conclusão e sabe a pouco. É uma short story demasiado short, digamos assim.
Vários pontos para a arte, que se apresenta muito limpa e original. O estilo é altamente detalhado, com traços muito rígidos e um brilho nos negros muito patente. Talvez o design dos personagens não se conjugue muito bem com os fundos cheios de técnica e de rectidão. Ainda assim, passam para o exterior como pessoas absolutamente normais, iguais a todas as outras (talvez tenham sido as sardas a dar essa sensação). As imagens a cores também são muito bonitas, assim como todos os cenários com o mar à noite, que nos dão uma sensação de eternidade que liga bem com o tema da história.
Lê-se rápido, por isso... Porque não?
By : ladyxzeus