• Myra

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    Myra
    Maria Velho da Costa
    2008
    Romance

    Recebi este livro numa prenda do BookCrossing com o tema "Animais", juntamente com o Cat Stories. Os comentários no site não eram muito positivos, mas não posso dizer que tenha desgostado.

    É um livro triste sobre uma rapariga russa que veio para Portugal com os pais e sempre viveu na miséria. Decide fugir à procura do caminho de volta para a sua terra, para a sua avó, e encontra Rambo, um cão de luta que também precisa de fugir de uma vida precária. Caminham pelos campos junto ao mar e conhecem várias pessoas, cada uma oferecendo um novo tipo de visão para a vida de Myra, que tem muitos nomes, um para cada pessoa que encontra.

    Cada história individual, a história das pessoas, tem o seu interesse. Gostei sobretudo da história do velho cego na casinha ao pé da praia. No entanto, os diálogos são um pouco desajustados, a maioria com uma complexidade demasiado madura para a idade de Myra (por mais inteligente que ela seja). Também é um pouco confuso distinguir os diálogos verdadeiros, de travessão, dos diálogos internos ou imaginários ou ouvidos por trás da porta, sem travessão. Além do mais, o tipo de linguagem usado pelos vários tipos de pessoa revela uma certa ignorância sobre os tipos de pessoa. Sobretudo a mitra maligna.

    O livro vem acompanhado de um conjunto de pinturas que ilustram a primeira parte da história, o encontro de Myra com Rambo, da autoria de Ilda David, que são obras muito interessantes, que complementam a história com uma certa emotividade, como se os sentimentos fossem uma tempestade.

    Talvez esta história precisasse de um final feliz. O cão merecia.
  • Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera

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    Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera
    Ki-Duk Kim
    Filme
    2003
    7 em 10

    Depois de um dia a manifestar-nos pela paz, e de (re)ver o Quinto Filme de Kara no Kyoukai porque não um momento um pouco mais espiritual?

    Este filme coreano trata de um templo budista no meio de um lago. O mestre tem um pupilo e as estações do ano vão passando, mostrando a vida do pupilo. Primavera, é educado a proteger e a amar. Verão, descobre a luxúria e o amor. Outono, cede à pressão. Inverno, regressa para se descobrir. Primavera, o ciclo recomeça.

    É um filme muito bonito, com paisagens de um lugar idílico que, existindo, nem cabe nos nossos sonhos. Não me importava nada de ter uma casinha daquelas, a flutuar na água. É um filme cheio de simbolismos que nos remetem para a busca da perfeição pessoal, para o encontro do caminho da luz do budismo. No fundo, é uma história sobre a vida e sobre como a espiritualidade nos pode salvar.

    Toda a narrativa é de paz constante, mesmo nos momentos de tensão. É impossível parar de ver, como custou interromper para as necessidades mais básicas!, é impossível não sermos arrastados para este lugar e não nos sentirmos inspirados a procurá-lo dentro de nós.

    Recomendo-o muito, sobretudo depois de manifestação pela paz.
  • Feitiços de Amor

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    Feitiços de Amor
    Barbara Bretton
    2008
    Romance

    Confesso que não estava mesmo nada à espera deste livro. Por vezes no BookCrossing aparecem surpresas e uma delas foi um ring em que ninguém sabia qual era o livro em questão. Era este. Quando o recebi fiquei, como se costuma dizer, completamente à nora. Não fazia ideia porque razão haveria de ter pedido um livro destes! Até que fui ver da surpresa. Ah, tudo esclarecido.

    Eu não costumo gostar muito de livros de autores que aos 50 anos já publicaram quarenta romances. Autores profissionais, digamos assim. Um livro por ano parece-me um pouco abusivo e um livro por ano não pode significar que o livro seja extraordinário, a menos que o autor seja extraordinário. O que não é vulgar. Este romancezinho até é engraçadinho, mas não tem a parte do extra.

    Sugar Maple é uma terriola saída de um postal de Natal em que toda a gente tem poderes mágicos. Toda a gente menos a pessoa que precisava mesmo de ter poderes mágicos, Chloe de seu nome. Chloe tem uma loja de articos de tricot chiques e muitos gatos. E não tem poderes mágicos, mas precisava deles porque a sua família tem a função de proteger a cidade contra olhares alheios e impedir que haja crimes e acidentes. Quando acontece um crime e aparece um polícia jeitoso vindo da metrópole, tudo muda.

    É uma historieta de amor em que todos os componentes parecem incompletos. O componente da magia é muito pouco desenvolvido, ficamos a saber muito pouco dos hábitos de uma cidade tão interessante. O componente do tricot (apesar de me ter dado uma certa inspiração para voltar ao meu cosplay de Utena que está ali parado dentro do cesto dos projectos) revela pouco estudo da parte da autora. Aliás, o seu estudo - segundo a parte final do livro - parece resumir-se a uma consulta rápida a blogues de tricotar. O componente dos gatos é infeliz, sobretudo para mim que sei muitas coisas sobre a referida espécie. O único elemento que parece ter algum desenvolvimento é o da fofoquice feminina.

    A escrita é divertida e directa, apesar de ter muitas referências exclusivamente americanas que me levam a pensar porque raio haveriam de traduzir o livro. Aliás, a história parecia mais uma série com pouca produção do AXN do que a de um livro.

    Tudo está bem quando acaba bem, mas não é uma autora a repetir (nem uma aventura a repetir, se calhar... Se calhar não!)
  • The Help

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    The Help
    Kathryn Stockett
    2009
    Romance

    Tinha curiosidade em ver o filme, mas já que apareceu o livro no BookCrossing... Porque não começar pela leitura?

    É um livro muito interessante, sobre as criadas negras do Mississipi no anos 50-60. Tudo começa quando Skeeter decide escrever um livro sobre as criadas, com a sua ajuda. Juntas, acabam por formar uma estranha amizade e lutar contra a maldade e o racismo das outras mulheres de Jackson, uma pequena vila conservadora.

    O encanto está nos personagens, que têm uma voz muito própria, cada uma com um tipo de escrita única que as distingue mesmo sem ler os nomes que estão por cima dos capítulos. Confesso que só reparei neles muito mais tarde. As narradoras são Aibileen, mais velha, mais cuidadosa e aquela que mais ajuda na construção desse livro secreto, Minny, uma criada respondona que encontrou lugar junto a uma estranha "senhora branca", e Miss Skeeter, a escritora que começa a compreender como é a vida das criadas e essa dicotomia de amor entre classes que, por esta altura, eram completamente distintas. Admito que a minha preferida foi Skeeter.

    A história desenvolve-se com muito humor, mas também com um toque de realidade que nos faz pensar "será que isto aconteceu mesmo". O final é feliz para uns, menos bom para outros, mas quase que me fez chorar. E confesso também que foi a Skeeter que me fez mais feliz no final. Talvez porque tenha sido com ela que me identifiquei mais.

    Este livro dá uma perspectiva diferente ao problema racial nos Estados Unidos e recomendo-o a qualquer pessoa que queira saber um pouco mais ou simplesmente queira terminar o dia a sorrir. Demorei um certo tempo a lê-lo, mas foi um prazer.
  • Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru.

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    Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru.
    Yoshimura Ai - Brains Base
    Anime - 13 Episódios
    2013
    6 em 10

    Pelos vistos pulei este anime na minha escolha de animes para ver. O que foi uma pena porque gostei imenso. Também conhecido por "My Teenage RomCom SNAFU", é um harem com um twist. Para eu gostar de harem tinha mesmo de ter um twist, né? Já agora, alguém me sabe informar o que é que é o "snafu"?

    Mas bem, temos aqui um harem igual a todos os outros: um adolescente está numa escola e vai-se rodeando de raparigas bonitas, cada uma com o seu problema. Onde está o twist? Nas personagens. O personagem principal é um jovem inadaptado e sem amigos, com uma visão pessimista da vida. Passa-se que ao longo de todo o anime ele se mantém consistente nessa sua visão, recheada de diálogos interiores que são uma delícia, o que é uma raridade dentro do género. É sem dúvida um personagem especial, que não tem nada de atractivo, nada de memorável e que nunca se torna memorável ao longo da série. Faz amigos? Talvez. As suas colegas são igualmente inadaptadas, cada uma de maneira diferente. Procuram-no para pedir ajuda, a ele e a Yukino. Yukino poderia ser considerada a personagem "tsundere", branca como o seu estereótipo, mas ultrapassa-o porque a sua tsunderice não advém de uma incapacidade de lidar com os seus sentimentos. Ela é por si só uma pessoa solitária que sabe perfeitamente quais são os seus sentimentos e coloca-os na mesa logo desde o início. Em contraste, temos Yui, que se vê perante a solidão precisamente porque não consegue falar daquilo que a atinge. E assim temos um trio implacável a resolver problemas pessoais dos seus colegas, todos eles relacionados precisamente com a sua incapacidade social.

    O resultado é uma crítica à sociedade em geral, à sociedade das escolas secundárias Japonesas e ao próprio género: nesta comédia romântica, tudo corre fora do esperado. Isto dá um certo teor humorista à série, mas de forma delicada: não é uma série que arranque gargalhadas a torto e a direito, é algo que nos faz sorrir com uma certa maldade. Sobretudo se forem como eu e se identificarem perfeitamente com a situação de não ter amigos e de todas as experiências passadas indicarem que o melhor é não os ter de todo (por experiência pessoal, posso admitir que isso é mentira, mas estes personagens ainda não o descobriram. Não vou ser eu a dizer-lhes).

    A animação é parca, dado que a série se dedica mais a diálogos do que a outra coisa. Ainda assim poderia ter sido feito uso mais original de perspectivas e de cores, se bem que as que estão presentes é que oferecem ao anime a sensação de que "isto é igual a tudo o resto mas... É diferente"

    OP e ED agradáveis, cantadas pelas actrizes de voz. Músicas do parênquima nem se dá por elas.

    Uma série pela qual eu não daria nada, mas que vale a pena pelas personagens.


  • Yami Shibai

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    Yami Shibai
    Kumamoto Hiromu - TV Tokyo
    Anime - 13 Episódios
    2013
    5 em 10

    Claramente o vencedor de "anime mais bizarro da season". E o último. Também vi a segunda season de Hakkenden mas achei que não vale a pena escrever um comentário, não tenho nada a dizer. Adiante!

    Não sabia da existência deste anime até que de repente começaram a aparecer episódios no site que costumo usar para os meus downloads. Fui ler a sinopse e "histórias de terror japonesas" pareceu-me interessante. Não me lembrei que eu tenho um pavor absoluto de histórias de terror. Assim, logo ao primeiro episódio, pus isto a passar ao lado, porque se me focasse especialmente nisto não iria conseguir dormir à noite. Porque é realmente perturbador.

    As histórias são muito estranhas e não são exactamente as histórias de terror tradicionais que conhecemos do Japão. Por acaso gostaria de as explorar um bocadinho, mas talvez um livro fosse melhor do que um filme ou anime, porque ler não me causa tanto medo. Se alguém tiver uma recomendação... Agradeço! Enfim, são histórias simples que mexem com as nossas cabeças. Se olharmos para elas sem o ambiente que as circunda, não são nada assustadoras, mas misturado com os visuais e com a música o efeito é horrendo.

    Os visuais, esses, são muito simples, quase uma animação de faculdade. São apenas desenhos recortados que se mexem muito pouco. Mas estão bem pintados, com texturas e o efeito de recortes em cima de recortes é muito interessante.

    Os efeitos sonoros são os típicos do terror (aquele crescendo e o culminar). Nota para a ED que é da minha querida Hatsune Miku, oferecendo ainda mais estranheza mas servindo também como situação anticlimática, quase a dizer "isto são apenas histórias, histórias para crianças".

    Como cada episódio tem três minutos, acho que qualquer um pode ver isto e experienciar a bizarria também.
  • Fantasista Doll

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    Fantasista Doll
    Saitou Hisashi - Hoods Entertainment
    Anime - 12 Episódios
    2013
    6 em 10

    Do meu grupo de conhecidos, creio que fui a única a acompanhar este anime. Gostei muito, era o meu anime relaxante da season. Porque simplesmente é tão amoroso e bem humorado, foi um prazer acompanhá-lo.

    Uzume é uma menina que jogava cartas competitivamente mas que se deixou dessa infantilidade ao ir para o quinto ano. Nesse momento, recebe outras cartas: Fantasista Doll, bonecas feitas de dados que lutam umas com as outras. O anime tem uma história que une os episódios, mas também tem uma natureza episódica, em que é explorada a personalidade de cada uma das bonecas e elas estabelecem laços fortes com Uzume. Todas elas têm uma personalidade simples mas definida (a minha preferida foi a Shimeji), tal como os outros personagens que aparecem, nomeadamente as colegas do clube de cartas - que também têm bonecas - e a directora do "Grupo".

    É refrescante ver um anime de luta em que em vez de sangue temos florzinhas. A arte é muito brilhante, colorida, com designs de bonecas extremamente originais e fáceis de gostar. A animação não está nada má e temos muitas cenas de acção que têm um brilho especial, com muito fumo cor de rosa e - está claro - muita florzinha por todo o lado.

    A música é fácil e entra na cabeça, mas os efeitos sonoros não têm nada de extraordinário.

    Apenas gostaria que as regras do "jogo" tivessem sido estabelecidas e explicadas, é um pouco difícil de seguir as lutas quando não sabemos as regras.

    No geral, um anime muito simpático e relaxante.
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