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  • Gibiate

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    Gibiate
    Komino Masahito - Lunch Box
    Anime - 12 Episódios
    2020
    4 em 10 
     
    Apesar de todos me dizerem para não ver este anime, uma razão me impeliu para que o visse: samurais de batom. Eu podia ignorar a animação péssima, o CGI horroroso, as cenas de acção quebradas... Porque tinha samurais de batom.
     
    Mas depois revela-se a narrativa e, acho que o posso dizer porque ninguém vai ver esta coisa, depois revela-se que são todos aliens, incluindo o gajo amigo, e não se explica porque é que os samurais de batom vieram parar ao tempo presente e, afinal, o que é que isso interessa se eles têm batom. Infelizmente o gajo mais todo bom de batom da cena toda acaba por ser infectado e eventualmente morrerá numa eventual segunda season que também ninguém vai ver.
     
    Portanto tudo o que eu gostava no anime desapareceu e tudo é absolutamente ridículo e, por isso, não vejam este anime, porque apesar da maquilhagem não vale a pena. 

  • Dororo

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    Dororo
    Furuhashi Kazuhiro - Tezuka Productions
    Anime - 24 Episódios
    2019
    7 em 10
    Um clássico da animação revisitado. E o primeiro anime deste ano que terminei! Tenho estado um pouco afastada dos animes sazonais, mas estou a tentar actualizar-me. :)

    Uma criança encontra um rapaz misterioso que é todo feito de partes mecânicas. Os demónios roubaram-lhe partes do corpo à nascença e, por isso, tem de lutar contra eles para voltar a adquirir os seus sentidos. A premissa é muito interessante e, ainda mais, os momentos em que os sentidos voltam e realmente sentimos o que é a diferença entre uma pessoa sem eles e as pessoas regulares.

    Temos uma animação fluída, com cenas de acção muito cativantes, embora por vezes muito sangrentas. O design de cada monstro também é muito original e a forma como as batalhas se desenvolvem combina muito bem com a situação de Dororo e de cada criatura.

    Musicalmente, temos algumas peças mais clássicas mas sobretudo um rock animado que nos motiva a ver mais da série.

    Fiquei com muita vontade de ver o original!
  • Os Sete Samurais

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    Os Sete Samurais
    Akira Kurosawa
    1954
    Filme
    9 em 10
    Faltava-me ver este clássico do cinema mundial. Ainda bem que o vi, pois foi uma experiência brilhante!

    Uma aldeia no Japão feudal vive atormentada pela chegada de bandidos que vêm regularmente roubar as suas colheitas. Decidem contratar um samurai para os proteger, mas não têm como pagar. No entanto, reúnem sete samurais bem intencionados, que nada mais desejam senão proteger os camponeses a troco da sua honra.

    Cada personagem é única e cada uma tem um papel muito definido na história. A própria aldeia, com os seus camponeses, é uma personagem única. Temos momentos terrivelmente trágicos, mas também temos momentos de pura candura, humor e paixão arrebatada. É uma história completa, triste na sua conclusão e também muito revelador da própria natureza humana.

    As imagens são lindíssimas, de cortar a respiração. O olho do realizador mostra-nos uma natureza luxuriante e em fúria, tão brilhante quanto o preto e branco o permite. A montagem de cada cena é pensada ao mínimo detalhe, na estrutura e na forma. Temos uso de técnicas absolutamente revolucionárias na história do cinema. Já em 54 Kurosawa nos mostrava a luz do sol através da sua lente.

    Um filme maravilhoso, que me levou às lágrimas - de tristeza e também de alegria. Mas, como diz o velho samurai "no final perdemos nós". Espero que este filme nunca se perca.
  • Samurai Gun

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    Samurai Gun
    Sonoka Hideki - Studio Egg
    Anime - 12 Episódios
    2004
    6 em 10

    Vi este anime ao engano, a pensar que era um outro, ainda por cima com dobragem americana. Mas acabou por ser uma surpresa agradável e um bom exercício de visionamento.

    Estamos na dobragem da revolução industrial e o Japão não lhe fica atrás. Neste mundo que só agora se começa a separar do feudalismo, novas armas e novos tipos de luta começam a surgir. E é assim que temos um grupo de mulheres que são samurais com armas de fogo e que as usam para fazer prevaler a justiça.

    Para mim, o aspecto mais interessante deste anime é a caracterização inicial dada às personagens, que têm uma história pregressa forte e sólida que irá influenciar em muito as suas atitudes e a interacção entre elas ao longo da narrativa. Temos personagens que vêm de um passado violento e que agora o utilizam como força e mote para a acção.

    Esta, tem os seus momentos de interesse, mas muitas vezes peca por exagero e pelo facto de os antagonistas não terem a tal forte caracterização dos protagonistas. Na verdade, grande parte deles até parece um pouco ridículo na sua motivação. A animação não tem nada de extraordinário, tenndo até uns poucos erros evitáveis, mas funciona para o efeito.

    O mesmo acontece com a música que, oferecendo um certo twist moderno, se conjuga apenas o suficientemente bem para que o anime funcione.

    Não recomendaria à primeira instância, mas foi um anime engraçado na mesma.

  • Onihei

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    Onihei
    Miya Shigeyuki - M2
    Anime - 13 Episódios
    2017
    6 em 10

    E, finalmente, o último anime da season de Inverno de 2017.

    Um anime curioso que trata de uma época e tema que não são muito comuns no anime. Afinal, costumamos ver muita coisa sobre samurais e ronins mas não é todos os dias que os heróis são as forças policiais de Edo. Trata-se de um anime episódico, em que todas as semanas  um novo criminoso tem de ser apanhado e existe um mistério inerente e pessoas a serem salvas. Por vezes, as próprias autoridades têm de ser salvas. 

    Temos um conjunto de personagens original e com características únicas, quer nos seus designs quer em termos de personalidade. São pessoas plausíveis dentro da sua época, embora a linguagem utilizada seja um pouco causal de mais para ser realista.

    A animação está bastante aceitável, com cenários suficientemente detalhados e sequências fluídas, mas nada que se distinga como extraordinário. Na verdade, achei que as cores usadas eram demasiado escuras e muitas vezes os cenários se tornaram confusos devido a isto.

    A OP é bastante original, mas de resto a banda sonora não se distingue.

    Um anime entusiasmante, mas que poderia ter tido uma melhor execução.

  • Samurai Champloo

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    Samurai Champloo
    Shinichiro Watanabe - Manglobe
    Anime - 26 Episódios
    2004
    8 em 10

    Já tinha visto este anime há muito tempo e agora revi-o juntamente com o Qui, que vem gostando de trabalhos deste realizador e animador. :) E, mais uma vez, Watanabe não desaponta!

    Esta é a história de três pessoas que se unem em busca de um misterioso homem, depois de uma série de contratempos. Juntos, sempre prestes a separar-se, vivem aventuras diversas, sempre salvos pelo poder da espada. Na sua viagem encontram coisas cada vez mais bizarras e, também, mais perigosas. Será que vão conseguir safar-se?

    A história é semi-episódica, com alguns arcos de dois a três episódios, relatando o caminho diário destas três pessoas, Fuu, Mugen e Jin. Há muita crítica social e muita diversão à mistura, mas quando falamos de coisas sérias também há uma lógica dentro do arco e conseguimos manter sempre o foco no objectivo final, o de encontrar o samurai que cheira a girassóis. Nesta secção, o autor explora um assunto sério e que vemos pouco no anime: o tratamento dado aos cristãos no Japão na época Edo. Muito original e bastante bem concretizado.

    Mas o realmente cativante deste anime são as personagens. Cada um deles tem uma história pregressa que os tornou tal como são hoje, mas nem por isso deixam de evoluir, individualmente e, sobretudo, uns com os outros enquanto companheiros e amigos. A caracterização é perfeita, sendo que não se deixa de parte um certo traço cómico em cada um, e o desenvolvimento também não lhe fica atrás: os personagens que conhecemos no início já são outras pessoas daquelas que vemos no final da série.

    A animação é feita com poucos recursos, sendo evidente que o nível de produção não é especialmente alto (sendo que existem muitos flashbacks repetidos, por exemplo). Com os possíveis, foram feitas sequências com resultados impressionantes. Não é todos os dias que vemos uma luta de samurais em break-dance!

    Finalmente, a música. Trata-se de uma banda sonora com 4 volumes e é das minhas preferidas dentro do universo dos animes. Hip-hop instrumental, alguns sons spoken-word e muita música tradicional japonesa com respectivos instrumentos. Uma variedade brilhante com alguns temas absolutamente memoráveis, obra de Fat Jon e o saudoso Nujabes.

    Uma série que foi um gosto rever e que recomendo vivamente a todos!

  • Zatoichi

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    Zatoichi
    Takeshi Kitano
    Filme
    2003
    6 em 10

    Sábado, dia para trabalhar e, posteriormente, ver um filme do Takeshi :) Este filme é uma nova versão, modernizada, de uma figura lendária do universo da ficção japonesa: Zatoichi, o samurai cego.

    No entanto, este filme mostra-nos o personagem numa perspectiva um pouco diferente: porque a versão de Zatoichi de Takeshi Kitano é mais um (apenas mais um?) filme de yakuza, disfarçado de filme de época. Todos os elementos estão presentes, a família vingativa, a família que deve ser protegida, as lutas entre gangs, os maus tratos às pessoas. Mas, como tudo se passa numa época passada, não há armas de fogo presentes (digamos...): é tudo à base da espada.

    Tendo isto em conta, o efeito do filme acaba por ser mais cómico do que outra coisa. Os personagens estão plenos de gags que, em conjugação com a narrativa, retiram qualquer potencial de seriedade ao filme. No entanto, o objectivo de Takeshi parece ser precisamente esse: pegar no personagem mais sério da cultura popular japonesa, um mito literário intocável, e desconstruir a sua história para uma realidade actual com a qual nos podemos identificar.

    Ajuda a caracterizar tudo isto, um guarda roupa que busca exactidão histórica na forma, mas que a ignora na utilização, padrões e cores: apesar de todos usarem trajes típicos, a forma como estão usados é reminiscente da moda yakuza vigente no final dos anos 90.

    Apesar disto, a forma como os arcos narrativos dos personagens se interligam na ligação com Zatoichi, acabam por tornar o filme numa viagem muito interessante. A interpretação de Takeshi é única: para um actor que se caracteriza pelo uso do olhar, o facto de ter sempre os olhos fechados acaba por não ser uma limitação: antes, uma libertação do modelo.

    Assim, é um filme interessante em certos aspectos, mas que não consegue desviar-se muito do lugar comum. Guardemos Takeshi para outras ocasiões.


  • Hyouge Mono

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    Hyouge Mono
     Mashimo Koichi - Bee Train
    Anime - 39 Episódios
    2011
    6 em 10

    Também há algum tempo que não falava de animus, mas a verdade é que me demorei bastante neste... Simplesmente, nunca me apetecia vê-lo. Não que tenha sido excepcionalmente longo, 39 episódios não é nada, mas... Não me apetecia vê-lo.

    Então e porquê?

    Este anime é passado na época dos samurais, com suas guerras e seus problemas, mas com uma pequena variante: o personagem principal gosta de chá, de fazer chá e de coleccionar artigos relacionados com chá. Fora isso, foi dos animes mais aborrecidos que vi ultimamente. O que me choca, porque a maioria dos meus amigos lhe deu um sólido 10/10, que eu não consigo compreender de forma alguma.

    Para começar, estes personagens falam. Falam e falam. Passam o anime inteiro a falar. Falam de quê? De nada que interesse. A sua caracterização perde-se pelo meio de milhares de palavras que, para mim, não fizeram sentido algum. Os diálogos eram ininteligíveis e nada ajudados por um conjunto de vozes perfeitamente desapropriado. Todos os personagens pareciam falar de todos os assuntos com uma pontada de ironia cómica, que ficaria bem se se tratasse de um anime de comédia mas que acaba por ficar contra-natura num anime que tem intenção de ser um relato mais ou menos regular da vida e obra de um personagem em particular.

    O mesmo acontece com as expressões dos personagens. Dentro do contexto, aparecem absolutamente descabidas. As personagens, juntamente com o design, aliadas às vozes, tornam este anime de conversação numa experiência absolutamente bizarra, porque as coisas não jogam umas com as outras de forma alguma.

    Se temos um conjunto de designs fiéis à época que se pretende retratar, temos também alguns momentos de animação digital que, estando bem feitas, não estão integradas no resto do anime e destoam em absoluto. Mais um elemento que torna este anime de chá numa verdadeira sopa fria.

    E o facto final que se adiciona a este cozido de nhanha é a música. Certamente que em alguns contextos históricos a utilização de música pop funciona pelo contraste. Mas aqui é simplesmente anti-climática. As peças, individualmente, são bastante interessantes. Mas dentro da série não têm nada a ver com nada.

    Assim, este anime poderia ter sido excelente se, simplesmente, fosse completamente diferente. Parece-me a mim que, na minha opinião, falharam em juntar todo um conjunto de aspectos que, separadamente, funcionariam bem. No entanto, acredito que para os meus amigos do 10/10 seja precisamente este facto que os fascinou.

  • Ryo

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    Ryo
    Chigira Kouichi - Gonzo
    Anime - Filme
    2013
    5 em 10

    Estava tudo a correr tão bem com o projecto Anime Mirai... Mas tudo tão bem... Por isso tinha uma grande expectativa para este terceiro projecto, sob alçada da Gonzo, um pequeno filme sobre samurais. O resultado é um desastre.

    Comecemos pela história e personagens: o filho de um samurai perde os pais nuim ataque Inglês e torna-se guarda-costas (porquê e como não se percebe, porque é um miúdo pequeno) de um outro samurai. Isto poderia ser interessante, não fosse a comédia perfeitamente despropositada que povoa toda a narrativa e que destrói por completo qualquer laivo de seriedade que o anime poderia ter. Desenvolve-se uma certa amizade entre os dois samurecos, mas o final (ou início) parece forçado e pouco realista.

    Esse é o mote: pouco realista. Começando nos pentados e terminando nas acções dos personagens, nada apropriadas à época em que se está a viver.

    A animação tem certos momentos interessantes, mas não é nada de extraordinário, parecendo um desperdício que o governo japonês tenha gasto um yen que fosse a fazer isto. Poderia perfeitamente ter sido feito pelo estúdio isoladamente, pois se gastaram esse dinheiro todo nisto... Não se nota,

    Enfim, de todo o projecto este foi claramente o que teve piores resultados e não se espera grande coisa deste realizador no futuro.
  • Shigurui

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    Shigurui
    Ueda Yasayuki - Madhouse Studios
    Anime - 12 Episódios
    2007
    7 em 10

    Normalmente um anime de samurais está recheado de coisas como a honra, a força interior e todas esses atributos positivos. Shigurui é diferente. Shigurui é uma violenta história de traições e vingança, caracterizando a época Edo - a preferida de toda a gente (a minha é a Heian) - como um lugar terrível e ameaçador. Uma novidade para o género.

    Tudo começa com uma luta que será com espadas verdadeiras. Os samurais que se apresentam é um homem sem um braço e um cego aleijado. E com isto o anime entra num flashback que explica quem eles são, qual a sua relação e como vieram parar a esta situação. Infelizmente o final deixa muito a desejar, deixando muitas perguntas no ar. A história está incompleta no anime. Sei que me vão mandar ler o manga, mas não vale a pena, não vou investir nesta colecção. Porque eu gostei foi do anime.

    A história é suportada pela força horrenda destes personagens. Cada um é pior que o outro e fazem coisas horríveis uns aos outros, por motivos muito claros de "proteger a honra" (aí está ela) e, com isso, proceder a vinganças extremas. O estilo narrativo fascinou-me. A história progride lentamente, como uma peça de teatro No, apresentando grandes momentos de tensão. Isto não seria possível se tivessem escolhido outra forma artística para mostrar a história.

    A arte, para mim, é um ponto bastante forte. Apesar de a animação ser bastante incapaz e de haver algum CG muito feio (intestinos e cigarras, sobretudo), o anime tem um sentido artístico forte. A paleta de cores é escura, isto é quase um "filme" a preto e branco, mas que tem algumas cores. Azuis e verdes secos, sobretudo, contrastando com o vermelho sempre presente no sangue que espirra por todo o lado a toda a hora. A violência gráfica é inusitada, mas está feita de tal forma que se integra com o espírito do anime, sem parecer forçada ou exagerada.

    A música é um aspecto fascinante. Não temos exactamente temas musicais para caracterizar os momentos. Em vez disso, somos colocados em tensão por canções infantis e, sobretudo, por efeitos sonoros com os instrumentos tradicionais japoneses da época. Efectivamente, um shamisen pode não ser o instrumento mais melódico do mundo, mas possui uma alma muito característica própria para contar histórias deste género.

    Tive pena que o anime ficasse incompleto e, como não irei ler o manga, resta-me imaginar o que se irá passar a seguir. Não alimento a esperança de que façam uma segunda season, mas espero que - se a fizerem - lhe dêem uma animação correspondente ao estúdio.

    Nota Pessoal ou Porque é que eu quase nunca leio manga:
    Porque eu me recuso, recuso e R-E-C-U-S-O a não pagar pelos livros que leio. Já começo a aceitar o ebook como forma de livro mas, para mim, a edição em papel ainda é o mais importante. Por isso recuso a ler manga na internet, que é o que toda a gente faz. Recuso-me a ler scanlations do que quer que seja. Há muito manga que eu quero ler e que só existe em Japonês. E, assim, aprendo a ler em Japonês. Para poder ter os livros na mão e lê-los. Mas, efectivamente, também não aprecio manga por aí além. Aborrece-me lê-lo, desconcentro-me com os desenhos - sobretudo se a arte for muito boa - e perco-me na narrativa e tenho de voltar para trás. Acontece-me isto com toda a banda desenhada com histórias mais complexas, apesar de não ter experimentado muita e ainda desejar, bastante, entrar por esse universo um dia. Quando me fizer sócia de uma biblioteca. Porque eu não vou ler na net. Nem que o manga em questão me conte os segredos da existência da humanidade.
  • Rurouni Kenshin: Tsuiokuhen

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    Rurouni Kenshin: Tsuiokuhen
    Furahashi Kazuhiro - Studio Deen
    Anime OVA - 4 Episódios
    1999
    8 em 10

    Quatro episódios, como são quatro as estações do ano. Tuiokuhen, as memórias, é a prequela de Rurouni Kenshin, o samurai da nossa infância. Mas desta vez não é o Samurai-ai-ai-ai que nos fazia rir com as suas patanisquices. Esta é a história da sua origem, de como obteve a sua famosa cicatriz em cruz.

    É um anime exemplar em todos os aspectos. A história tem as suas nuances, mas resume-se a um romance trágico. A evolução dos personagens faz este curto OVA valer a pena. Kenshin apresenta-se como um assassino sem dó nem piedade, quase sem alma, que cresce em função do amor de Tomoe, uma mulher que ele encontra uma vez na rua e que adopta como sua por força das circunstâncias. Esta, por sua vez, tem uma faceta vingativa, que empalidece perante os sentimentos que crescem na sua convivência com o assassino. É a paixão a força motriz de todo o anime e o seu culminar é mortificante, no sentido literal. É com esta história que nasce o Kenshin de muitos segredos que todos conhecemos e é esta história que o torna num personagem ainda mais interessante do que se poderia pensar inicialmente.

    A arte é algo de extraordinário. Numa mistura de aguarelas com fotografias, dá-nos paisagens de uma beleza quase poética, que imprimem memórias de um Japão clássico como só o vimos na literatura. Temos algumas lutas animadas de excelente forma, mas elas não são o enfoque principal do anime. Sangue em grandes quantidades, mas a maneira como ele aparece não é desadequada nem exagerada, é algo que surge com naturalidade e como consequência dos sentimentos das pessoas envolvidas.

    Tal como as paisagens, a música remete-nos para os sentimentos nipónicos, com grande ênfase nos instrumentos tradicionais do país. Está sempre enquadrada nas cenas e adiciona-lhes o tempero tão necessário para que o público partilhe das emoções transmitidas.

    Pode ser visto por qualquer um, mesmo que não tenha visto a sequela original. Assim, recomendo vivamente. São duas horas que se passam muito bem.
  • Tenpou Ibun Ayakashi Ayashi

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    Tenpou Ibun Ayakashi Ayashi
    Nishikiori Hiroshi - Bones
    Anime - 25 Episódios
    2006
    6 em 10

    Pela primeira vez vou DES-recomendar um grupo de subs: Lunar. Montes de erros de playback nesta versão, horrível.

    Mas adiante!

    Tenpou Ibun Ayakashi etcoetera é mais um anime passado na época dos samurais (Edo), com monstros e fantasmas. Fala de um grupo de caçadores dos ditos fantasmas, que por fachada têm um grupo de estudos de literatura e trabalhos estrangeiros. É um anime muito ligado à literatura e às palavras, pelo que talvez seja mais interessante quando o espectador está familiarizado com os significados ocultos por detrás do kanji. O que não é o meu caso. Apesar de tudo, não desgostei da série.

    A história é bastante simples e ao início apresenta-se como um "monstro da semana". Depois há progressão para uma história mais complexa. Dizem, quem viu isto sem erros de playback de três em três minutos, que a história a partir do meio foi apressada e que não funciona bem, dado que isto era suposto ter sido uma série de cinquenta episódios. Terá sido reduzida pela falta de popularidade logo ao início. É fácil ver porque é que a série não foi popular. Os personagens principais são adultos. Com cara de adultos. Mas são interessantes. Apesar das suas histórias pregressas serem um pouco lugar-comum, estão bem concebidos e temos uma grande variedade, de selvagens a travecas.

    O que me fascinou mais foi os poderes utilizados para combater os monstros e fantasmas. O personagem principal consegue transformar os nomes das coisas em armas, o que - não sendo de todo original (já o tinha visto em Loveless) - não deixa de ser interessante. Os designs dos monstros também estão muito engraçados, apesar das histórias em que cada um aparece não serem nada por aí além.

    Em termos de animação, nada de especial. Não existem grandes coreografias, o CG está mal disfarçado. Não são lutas muito cativantes, o que é falho para um anime que tenciona basear-se nelas.

    Estou dividida no que respeita à música. Por um lado, as segundas OP e ED combinam muito bem com o espírito do anime. Mas por outro lado, tudo o resto parece estar um pouco fora do lugar. Para mim faria mais sentido um anime passado nesta época e neste local ter uma música menos ocidental.

    Não é um mau anime.
  • Muramasa

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    Muramasa
    Osamu Tezuka - Tezuka Productions
    Anime - Filme
    1987
    8 em 10

    Este é um filme de 8 minutos dirigido por Osamu Tezuka, o rei do anime e pioneiro da animação japonesa.


    Aí está para vocês verem, que vale muitíssimo a pena e não custa nada a ninguém.

    Um pouco de história só para ter a noção: era uma vez um tipo chamado Sendo Muramasa que fazia espadas. O gajo era um bocado passado da caixa dos pirulitos, por isso formou-se à volta dele uma lenda que dizia que quem pegasse numa espada dele ficava doidão. Mas mesmo sem esta noção, o anime desenvolve uma situação muito mais complexa que uma espada assombrada.

    "Aquele que segurar uma espada para destruir espantalhos também se tornará num espantalho"

    Seguimos portanto o caminho de um homem que começa por destruir espantalhos e a sua sede de sangue, ilógica e injustificada (como todas o são), se desenvolve até à sua própria morte. É um pequeno elogio à loucura, com uma moral discreta: também tu podes morrer sob o mesmo objecto que mata os outros. Quase se pode dizer que é um manifesto anti-guerra, anti-morte, anti-tortura, anti-sadismo, anti-sofrimento.

    Temos uma animação muito simples, duas frames de cada vez, mas muito eficiente em conjunto com a música. É uma curta que, como todas deveriam, prima pela simplicidade. Os desenhos são muito bonitos e os poucos momentos de animação estão muito bem feitos.

    Um perfeito exemplo do que uma pessoa verdadeiramente talentosa pode fazer. Muito recomendado.
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