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  • Tootsie

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    Tootsie
    Sydney Pollack
    1982
    Filme
    6 em 10


    Um actor falhado e invejoso porque parece que as mulheres têm sempre mais sucesso que ele encontra a solução perfeita para encontrar papéis: vestir-se de mulher. E assim nasce Tootsie, uma senhora que se torna uma estrela de sucesso, e também uma nova vida dupla para este actor.

    Esta comédia coloca em causa os papéis de género, mas também coloca em perspectiva os direitos da mulheres, a posição da mulher no mundo artístico, o abuso sexual às mulheres e o abuso laboral. Tudo isto visto por um homem disfarçado, que subitamente compreende que ser mulher não é tão fácil como parece.

    Se ao início o filme parece injusto (como um homem se atreve a fazer de mulher e a ter mais sucesso que uma mulher verdadeira?), a conclusão é tão engraçada e bem feita que acabamos por perdoar a personagem. 

    Ainda assim, é um filme muito leve, e se nos faz pensar, rapidamente nos esquecemos dele.

  • Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica

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    Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica
    Natália Correia
    1966
    Livro

    Um livro interessantíssimo que surgiu na minha TBR. 

    No perigo que era para a cultura a década de 60 em Portugal, Natália Correia eleva a sua voz de artista para compilar, num extenso e muito detalhado trabalho de pesquisa, o melhor que a poesia nacional tem para oferecer dentro deste tema. E o tema.... Bem, o tema tem tanto de delicado como de divertido! Poesia erótica e satírica, dois géneros difíceis de distinguir às vezes, aqui reunida para a análise do imprevisto leitor.

    Temos poesia desde o século XIII até a autores contemporâneos, muitos deles ainda vivos na altura em que o livro foi lançado. A autora faz questão de nos explicar o contexto histórico e as significações escondidas em cada poema, o que torna este livro valioso para quem quer aprender um pouco da história da nossa literatura.

    Quanto aos poemas... Fartei-me de rir com a maior parte. Tudo começa com cantigas de amigo, passando para estilos clássicos e terminando em ponto de honra com a poesia moderna, crua, aleatória e disforme.

    Deixo-vos um dos poemas de que mais gostei, para aguçar a imaginação!



  • D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte

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    D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte
    Miguel de Cervantes
    1615
    Romance
     
    Interrompamos a nossa programação habitual para terminar de ler um dos livros mais geniais da humanidade. Durante esta curta semana, foi tempo de me deliciar com a segunda parte do grande D. Quixote de La Mancha, do nosso amigo Cervantes!
     
    Escrito dez anos após a primeira parte, este novo conjunto de aventuras situa-se - no tempo - algo depois das primeiras. Agora, já toda a gente sabe quem é D. Quixote, pois a primeira parte foi publicada e lida pelo mais variado tipo de pessoas. Quem a escreveu? Pois que Cervantes diz que foi um mouro e que ele próprio está apenas a traduzir a situação.

    O extraordinário deste livro é ver como os personagens evoluiram, e de que forma o fizeram. D. Quixote continua louco, mas um pouco mais terra à terra. Agora, nem sempre cai em todas as esparrelas, sendo que o seu discurso é muito mais lógico e bem situado. Já Sancho Pança, esse sim sofre uma transformação extraordinária. Agora, erra muito menos nas palavras e, continuando a dizer ditados a torto e a direito, di-los com muito mais certezas. Aliás, podemos ver a sua capacidade enquanto ser humano livre e justo quando lhe é dado o governo da tal ínsula que sempre desejou. No entanto, os personagens mantêm-se fiéis a si próprios, sendo que nunca deixam a sua simplicidade natural.

    Nas suas novas aventuras, o Cavaleiro da Triste Figura faz outra coisa revolucionária para a literatura: está sempre mudando de local. E todos os locais são diferentes. Esta viagem, retratada em grande detalhe, leva-nos por paisagens muito diversas, sendo que a capacidade descritiva do autor - apesar de arcaica - nos mostra com precisão aquilo que gostaríamos de ver. Para além disso, esta segunda parte é muito saborosa, com todas as descrições de comida que são feitas.
     
    Desta vez, o autor não nos maça com grandes novelas e histórias paralelas, o que demonstra uma capacidade de auto-crítica que falha em muitos dos autores de hoje em dia.

    O final é um pouco triste, mas também muito simpático. Li este livro enorme de uma assentada e não me arrependo. Agora, sinto-me ligeiramente mais completa. :)

  • D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte

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    D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte
    Miguel de Cervantes
    1605
    Romance

    Tinha visto esta edição em volume manejável (relativamente) na Feira do Livro, mas estava tal fila para comprar que desisti. Mas não consegui resistir a comprá-lo mais tarde. E é nesta senda que tenho estado nos últimos tempos, sendo por isso que não escrevi nada sobre livros durante essa altura. Aproveitei o dia de Natal para terminar de ler a primeira parte (a segunda foi escrita dez anos depois, pelo que acho que tenho direito a um intervalo)

    Que dizer? É de génio! Cervantes, com D. Quixote e o seu escudeiro Sancho Pança, cria o próprio romance moderno. Segundo me disseram, antes deste livro os personagens e cenários dos romances eram todos estáticos. E aqui há sempre uma evolução constante. Os nossos dois amigos viajam por mundos e fundos (sem nunca, no fundo, saírem do mesmo sítio) vivendo aventuras impossíveis, aventuras de gigantes e princesas perdidas mas que... E isto é a melhor parte.... Estão todas dentro da cabeça de D. Quixote!

    Para mais, é um livro facílimo de ler. Não tenham medo da linguagem antiga: tudo se percebe perfeitamente. Para o que não se percebe, as traduções costumam ter notas. Mas a verdade é que é tudo tão claro e está tão bem escrito que se lê de uma assentada (ou duas, é muito grande...). Também é um livro recheado de momentos de humor absolutamente hilariantes. 

    A única parte um pouco menos boa, são os relatos de diversas aventuras paralelas. E os diálogos. No século XVII as pessoas fartavam-se de falar... As pessoas falavam 6 páginas seguidas e não se fartavam. Também achei um pouco surpreendente (e inútil) a transcrição de um outro romance, uma novela, que não sei se existe ou não (devia ter lido as notas) e que está só a ocupar espaço.

    Agora, farei um breve intervalo (uns cinco livros) para depois me iniciar na segunda parte! Estou ansiosa! =D
     

  • Barry Lyndon

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    Barry Lyndon
    W. M. Thackeray
    1844
    Romance

    Comprei este livro (com uma edição diferente da desta imagem) na Feira do Livro, por influência do Qui. Bem, mais ou menos. Algum tempo depois de ver o filme fiquei sabendo que é um dos preferidos da personagem em questão. Assim, quando vi o livro à venda, pensei em cultivar-me e ver esta outra perspectiva.

    Em comparação com este livro, o citado filme toma muito poucas liberdades, embora tenha identificado três momentos chave em que Kubrick interpretou os eventos de maneira muito diferente. De resto, é um retrato muito fiel desta narrativa.

    De resto, trata-se de um conjunto de memórias de vida de um fidalgo imaginário. Este homem é, supostamente, um nobre arruinado e sem nome, mas que tudo faz para recuperar os seus domínios e enriquecer. Infelizmente, tem uma tendência enorme para esbanjar o dinheiro (somas avultadas) que vai adquirindo em coisas perfeitamente inúteis, como a renovação megalómana de um castelo, roupas da moda ou, simplesmente, em apostas que vai perdendo ou ganhando conforme a sua sorte.

    O livro é narrado pelo próprio personagem, que se refere a si próprio sempre com grandes atributos. Mas à medida que a história vai acontecendo, vamos percebendo que este homem não é propriamente uma boa pessoa. Com isto, temos momentos de muito humor e que me levaram mesmo a algumas gargalhadas públicas enquanto lia o livro no autocarro.

    Trata-se também de uma sátira disfarçada à nobreza deste século, em que se coloca em oposição esta nobreza "falsa" contra a verdadeira, a dos príncipes e princesas que, essencialmente, ignoram o personagem apesar de este não o admitir.

    Um livro muito divertido, cujo filme complementa. E, depois de o ler, percebi como a banda sonora deste era perfeita!
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