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  • Doutor Jivago

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    Doutor Jivago
    David Leans
    1965
    Filme
    7 em 10
    Vimos este filme em dois dias, porque é sem dúvida demasiado longo para a nossa existência. Terei de, necessariamente, compará-lo com o livro.

    Este épico do cinema conta-nos a história dos amores e desamores de Doutor Jivago, um médico apanhado no seio da revolução russa, com todos os problemas que isso acarreta. Infelizmente, Jivago é aqui caracterizado como uma pessoa plena de fragilidades, que ama apaixonadamente por razões arbitrárias, enquanto que no livro o personagem era uma pessoa ausente que ia mudando de cidade e de esposa com o vagar do vento, uma espécie de Don Juan inveterado interessado unicamente na sua procura pessoal. Aqui, existe enquanto poeta incompreendido pela sociedade, que se alterou subitamente, apresentando-se como uma pessoa passiva que não consegue controlar os seus impulsos de artista.

    Assim, a história do filme encontra-se completamente alterada relativamente à do livro, baseando-se nas duas mulheres de Jivago e da sua relação com este homem a quem só acontecem azares que levam à consequente separação daqueles que ama. Tudo o que lhe acontece é por acaso e ele não parece tomar nenhum tipo de decisão, excepto no capítulo final em que se recusa a abandonar a Rússia e, evidentemente, irá morrer às mãos dos revolucionários, uma espécie de suicídio cultural motivado por elementos estranhos ao personagem, que não aparenta ter uma causa e razão para s sua decisão fatalista.

    No entanto, o filme tem alguns pontos muito positivos que não poderemos deixar de notar. Os actores são surpreendentes na sua sinceridade e naturalidade, fazendo um trabalho que tem tanto de teatral como de cinematográfico. As suas expressões são detalhadas e delicadas, transmitindo precisamente todos os pensamentos e sentimentos das personagens, embora estas sejam um pouco fracas em comparação com o livro. Também a cinematografia, relativamente às imagens, edição e fotografia, é extraordinária. Apresentam-se-nos desesperantes paisagens geladas, de uma beleza petrificante, o que ajuda muito à transmissão do que realmente se passa em termos de caracterização.

    Também temos uma banda sonora épica, contundente, que muito ajuda na solidificação do filme enquanto unidade.

    Fiquei um pouco desapontada por ser muito diferente do que estava à espera, mas não deixa de ser um épico imperdível.

  • Dez Dias que Abalaram o Mundo

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    Dez Dias que Abalaram o Mundo
    John Reed
    1919
    Não-Ficção

    Recebi este livro como RABCK no BookCrossing.

    A Revolução Russa é um assunto do qual apenas soube nas aulas de história. Tinha uma vaga noção de que chegaram os bolcheviques e mataram a princesa Anastácia à queima-roupa. Com este livro, para o qual me inscrevi por puro acaso, vim a aprender uma série de coisas que não se conjugam em nada com aquilo que eu pensava.

    John Reed foi um dos pouquíssimos comunistas americanos. Estava na Rússia, em Petrogrado, quando aconteceu esta revolução vermelha e, assim, pôde narrar-nos com toda a exactidão o que realmente se passou. E o que realmente se passou parece digno de um livro de Kafka.

    Para começar, a minha primeira realização. Sempre aprendemos a primeira guerra mundial e a revolução bolchevique em capítulos diferentes. Por isso, apesar das datas (1917 e tal), nunca me ocorreu que as duas se passassem ao mesmo tempo. Isso explica muita coisa. Afinal, o mote para tantas revoluções são exércitos a passar fome.

    Mas a diferença destas pessoas para outras, de outro lugar qualquer do mundo, é que estas pessoas são comunistas. Comunistas na origem do comunismo. Eu gosto bastante da teoria, mas este livrinho vem a provar que é tudo demasiado difícil para funcionar. Demasiado burocrático. Vejamos um exemplo abstracto:

    "Muito bem, estamos a fazer a revolução. Vamos tentar organizar-nos de forma democrática. Por isso votamos. Votamos num comité que vai votar para formar outro comité que votará a divisão igualitária de bens por todas as pessoas, que se formam em comités e votam para decidir a divisão igualitária real, por todos aqueles que votam"

    É mais ou menos assim ao longo de 10 dias/250 páginas.

    Isto é hilariante, mas ao mesmo tempo um pouco triste. Afinal, as ideias são boas. As pessoas é que as complicam.
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