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  • O Fim do Homem Soviético

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    O Fim do Homem Soviético - Um Tempo de Desencanto
    Svetlana Aleksievitch
    2013
    Não-Ficção
    Este livro tinha sido muito recomendado no Bookcrossing, mas na altura escolhi não me juntar à lista de leitura porque tive medo que fosse muito grande e muito aborrecido. Quando no meu aniversário recebi (mais uma vez) o mesmo livro repetido de Murakami, decidi trocá-lo por este, que ainda por cima estava em promoção.

    Trata-se de um conjunto de relatos e entrevistas a pessoas russas normais que viveram tempos muito anormais. O foco principal é a mudança do estado de uma fase comunista para a perestroika, um assunto que conheço bastante mal pois era muito pequena quando estava a acontecer. Com este livro continuo sem saber muito bem os meandros políticos em que tudo aconteceu, mas uma coisa fiquei a saber: como todos se sentiram com as mudanças.
     
    Se por um lado temos histórias de amor improváveis, pontuadas por guerras horríveis de separação de um país em muitos, por outro lado temos relatos simpels da vida diária e de como de repente todos podiam comprar calças de ganga mas o dinheiro deixou de valer o que quer que fosse para ser uma riqueza inútil.
     
    Temos relatos terríveis sobre as guerras e sobre a participação das pessoas nelas e como ficaram traumatizadas para toda a vida pelas acções que teriam sido obrigadas a cometer. Denúncias, torturas, prisões... Mas também temos pequenos hinos à vida e ao prazer de ler e de participar nas manifestações, como se os momentos mais felizes fossem aqueles em que finalmente podia haver um envolvimento livre na política.
     
    A autora coloca-se na voz das pessoas e isso torna este livro único. Brutal e chocante por vezes, extremamente belo na maior parte das ocasiões.

  • O Elefante Branco

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    O Elefante Branco
    Henri Troyat
    1970
    Romance
    Quando visitei a Conchas Little Free Library, no Jardim da Quinta das Conchas, a propóstio de um assunto do BookCrossing, tinha levado um livro para deixar, com intenção de trazer outro. Trhouxe dois, um dos quais já li. O outro era este. Decidi trazaer este porque me oi contado que o senhor que o tinha deixado gostava muito destes livros e que tinha muita pena que ninguém os levasse emprestados. Assim, decidi dar um pouco de motivação ao senhor! Força senhor!
     
    ao início não estava a gostar muito deste livro. O livro fala de uma "família" de revolucionários russos, composta por três velhos que fugiram desse país antes que a revoução acontecesse, encontrando-se agora exilados em França. Percebem mal a língua e os costumes e têm uma vida pobre, baseada na construção de guarda-chuvas. Aguardam apenas a glória da revolução, que será - segundo eles - consumada o mais brevemente possível. 
     
    Por isso, recebem algumas pessoas que acreditam fazer parte da revolução. No entanto, o seu jeito de idosos acaba por impedir que eles tenham relacionamentos simples com as outras ou que, na verdade, tenham uma vida normal e adaptada.
     
    O aspecto que me pareceu mais curioso foi a ironia da situação de termos um revolucionário que, supostamente, acredita plenamente na diluição de classes sociais mas que, apesar de tudo, trata o seu amigo que o vem acompanhando desde a infância como um mero cirado mujique.
     
    É um livro bastante triste e melancólico. Acabei por o apreciar bastante.

  • Dez Dias que Abalaram o Mundo

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    Dez Dias que Abalaram o Mundo
    John Reed
    1919
    Não-Ficção

    Recebi este livro como RABCK no BookCrossing.

    A Revolução Russa é um assunto do qual apenas soube nas aulas de história. Tinha uma vaga noção de que chegaram os bolcheviques e mataram a princesa Anastácia à queima-roupa. Com este livro, para o qual me inscrevi por puro acaso, vim a aprender uma série de coisas que não se conjugam em nada com aquilo que eu pensava.

    John Reed foi um dos pouquíssimos comunistas americanos. Estava na Rússia, em Petrogrado, quando aconteceu esta revolução vermelha e, assim, pôde narrar-nos com toda a exactidão o que realmente se passou. E o que realmente se passou parece digno de um livro de Kafka.

    Para começar, a minha primeira realização. Sempre aprendemos a primeira guerra mundial e a revolução bolchevique em capítulos diferentes. Por isso, apesar das datas (1917 e tal), nunca me ocorreu que as duas se passassem ao mesmo tempo. Isso explica muita coisa. Afinal, o mote para tantas revoluções são exércitos a passar fome.

    Mas a diferença destas pessoas para outras, de outro lugar qualquer do mundo, é que estas pessoas são comunistas. Comunistas na origem do comunismo. Eu gosto bastante da teoria, mas este livrinho vem a provar que é tudo demasiado difícil para funcionar. Demasiado burocrático. Vejamos um exemplo abstracto:

    "Muito bem, estamos a fazer a revolução. Vamos tentar organizar-nos de forma democrática. Por isso votamos. Votamos num comité que vai votar para formar outro comité que votará a divisão igualitária de bens por todas as pessoas, que se formam em comités e votam para decidir a divisão igualitária real, por todos aqueles que votam"

    É mais ou menos assim ao longo de 10 dias/250 páginas.

    Isto é hilariante, mas ao mesmo tempo um pouco triste. Afinal, as ideias são boas. As pessoas é que as complicam.
  • Invention of Love

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    Invention of Love
    Andrey Shushkov
    Animação - Curta Metragem
    2010
    6 em 10

    Depois, para bater a hora certa, vimos algumas curtas metragens, mas só me lembro bem desta (não me estava a sentir muito bem)

    Uma interpretação do teatro de sombras tradicional, conta a história de uma paixão entre uma mulher normal e um homem mecânico, com subsequente tragédia. A história tem o seu interesse e mereceria uma continuação, pois há material no conceito para isso. 

    Em termos de animação, a escolha estilística é interessante, mas acaba por ser um pouco aborrecida passado uns minutos, pois tem muito pouca variedade, sendo o detalhe apenas limitado a alguns momentos. Há uma boa utilização de luz nas cenas nocturnas, mas na maior parte do tempo a cor dos cenários não enfatiza as figuras negras, que se movem. Para mais, a utilização de elementos digitais não funciona muito bem neste contexto, pois a tridimensionalidade acaba por não fazer grande sentido.

    Ainda assim, isto é coisa para durar dez minutos, portanto aí fica para vocês verem :3


  • Contos de Tchékov

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    16/16
    Houve aqui um erro. A verdadeira review 16 era para ser uma coisa totalmente diferente e original, algo que nunca fiz e provavelmente não voltarei a fazer, mas não consegui terminar o material em causa em tempo útil. Assim, fica a review do último media a ser utilizado na Twilight Zone, terminado no aeroporto.

    Contos
    Tchékov
    Contos
    1880s

    Comprei este volume, capa dura em cabedal, por um preço ridículo num sebo. Um sebo é como um alfarrabista, mas 700 vezes maior e com livros modernos e com livros interessantes. E existem por todo o lado.

    O volume que obtive contém seis contos:
    • O Beijo
    • Kashtanka
    • Viérotchka
    • Uma Crise
    • Uma História Enfadonha
    • Enfermaria Nº6
    Seguidos de umas poucas páginas com comentários históricos e editoriais.

    Este autor, do qual eu apenas tinha ouvido falar, revelou-se interessantíssimo. A escrita é muito sensível e contemplativa e há uma utilização de descrições metafóricas e eficazes do ambiente para caracterizar os sentimentos dos personagens e a sua posição emocional.

    Os contos contêm críticas sociais acutilantes mas discretas, que terão passado desapercebidas à censura da época mas que ainda assim existem e são muito fortes.

    O meu conto preferido foi Kashtanka, seguido de Uma História Enfadonha e Enfermaria Nº6. O primeiro fala sobre uma cadelinha que se perde e é feito na perspectiva da dita cuja, o que torna o conto muito engraçado e quase infantil, mas ainda assim fervendo de emoções.

    Desejo ler mais Tchékov no futuro e estou extremamente curiosa em relação ao seu trabalho de dramaturgia. Recomendo este autor.
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