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  • Total Recall

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    Total Recall
    Paul Verhoeven
    1990
    Filme
    6 em 10
    Apanhámos este filme na televisão. Trata-se de uma adaptação cinematográfica de um conto de Philip K. Dick e mostra-nos tudo o que é bom na ficção científica.

    Um trabalhador braçal tem sonhos recorrentes com Marte. Quando decide fazer umas férias imaginárias, através de uma empresa que as fornece, a esse planeta, tudo corre mal e começa a ser perseguido por uma misteriosa organização. O que vai descobrindo sobre si mesmo é tão surpreendente quanto perigoso.

    Este filme é uma festa de efeitos práticos e reviravoltas, cada uma mais espantosa que a outra. O conceito da perda de memória e da sua alteração está bastante bem elaborado e explorado, ultrapassando em interesse a própria aventura em Marte. Os cenários são curiosos, bem estudados e, na sua improbabilidade, bastante realistas.

    O grande problema aqui é o nosso amigo Shwarzenegger, que nem com uma marreta na cabeça consegue ser bom actor.

    Fiquei curiosa em ler a história.
  • The Man in the High Castle

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    The Man in the High Castle
    Philip K. Dick
    1962
    Ficção Científica

    E quando a ficção científica é ficção mas nos mostra um universo alternativo à nossa realidade, tão plausível como atemorizante? Phipil K. Dick acerta de novo, mostrando-nos como seria viver num universo em que o Eixo venceu a Segunda Guerra Mundial. Exacto: agora quem manda são os nazis e os japoneses.

    São várias personagens que se cruzam, cada uma com a sua história, cada uma com as suas dificuldades. Conhecemos a perspectiva das minorias perseguidas, mas também conhecemos a vida da elite japonesa que domina a parte Oeste dos Estados Unidos. Com extremo detalhe, o autor mostra-nos as diferenças essenciais entre a nossa realidade e a vida num mundo dominado por forças que são maléficas, que são instáveis e que constantemente lutam por um poder maior, por uma força superior.

    Os personagens vivem acompanhados e, talvez até, atormentados por um livro, o que foi escrito pelo "man in the high castle", livro proibido que conta como seria o mundo ao contrário, o mundo em que os Aliados venceram a guerra. Este livro e o seu significado, associados a uma série de outros elementos místicos e, pode-se dizer, filosóficos, tornam este livro num assustador exercício de conceitos em que se torna difícil de perceber qual o foco da realidade. Será que somos nós, leitores, que somos fantasia?

    Restam as dúvidas.
  • Do Androids Dream of Electric Sheep?

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    Do Androids Dream of Electric Sheep?
    Philip K. Dick
    1968
    Ficção Científica

    Este foi o livro que inspirou Blade Runner, sendo que eu julgava que se tratava de um conto muito curto e veio a revelar-se um verdadeiro romance cheio de detalhes intrincados. O que acabou por ser uma excelente experiência :)

    Em comparação com o filme, poderemos dizer que este livro inclui muito mais detalhes acerca da construção do universo e, sobretudo, acerca da filosofia de vida das pessoas que nele habitam. Por sua vez, o filme tem muito mais capacidade imagético-visual, que no livro não é tão contemplada.

    Ora bem, depois da World War Terminus (em 1992 ou, nesta edição mais recente, 2021), o planeta está cheio de pós radioactivo e todas as pessoas têm emigrado para Marte, onde lhes são oferecidos andróides para que tenham vidas mais completas e felizes. Alguns destes, matam os seus patrões e fogem de volta à Terra. Aí entra Rick, um caçador de prémios que tem a função de eliminar ("retire") os andróides fugitivos. No entanto, estes são cada vez mais semelhantes aos serres humanos reais, quer na sua anatomia quer na sua forma de pensar. Há apenas uma coisa que os distingue: a empatia. Todas as pessoas deste mundo estão motivadas a ter empatia umas com as outras, sendo a sua religião baseada na experiência colectiva deste sentimento, e havendo um detalhe curioso sobre a possessão e cuidado de animais, que estão quase todos extintos devido à radiação. Rick, infelizmente, tem uma ovelha electrónica. Ninguém sabe disso, mas é a verdade.

    O livro coloca o personagem em debate sobre a sua própria identidade e sobre a sua capacidade de eliminar os andróides: ele começa a sentir empatia por eles, o que é uma coisa que não deveria fazer snetido porque não são sistemas biológicos e sencientes (supostamente). Por outro lado, temos a intervenção do chickenhead Isidore (uma pessoa com QI suficientemente baixo para não lhe ser permitido emigrar), que sente realmente empatia pelos andróides na medida em que os identifica como seres pensantes e emocionais tal como ele, que apenas deseja amigos.

    Por vezes, o livro pode tornar-se um pouco confuso, pois os diálogos não estão muito bem estruturados, assim como a linha de acção. Este é o principal defeito do livro, que acaba por ser compensado pela intensidade imaginativa da criação do universo.

    Sem dúvida que vale a pena ler este livro, porque dá bastante que pensar.

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