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  • Gosenzo-sama Banbanzai!

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    Gosenzo-sama Banbanzai!
    Mamoru Oshii - Studio Pierrot
    Anime OVA - 6 Episódios
    1989
    6 em 10

    Trata-se de um dos primeiros trabalhos do Sr. Oshii, um OVA muito experimental que explora o tema da unidade familiar em oposição aos acontecimentos estranhos que lhe podem ocorrer.

    Contado como se de uma peça de teatro se tratasse, cada episódio começa com um pequeno relato sobre um animal bizarro e, a partir daí, desenvolve-se a narrativa de cada uma das secções, sempre acompanhados por muitos momentos musicais, situações de monólogos inusitados e cenários que podem cair aos bocados em qualquer momento. A narrativa não é especialmente directa, mas se uma pessoa atentar a todos os detalhes, mesmo os menos lógicos, poderá tirar algumas conclusões sobre a evolução dos personagens que, aparentemente, podem representar algo da vida do autor.

    Apesar de tudo, os personagens estão cientes de que não passam de bonecos e que estão presos ao destino que o autor lhes traçar.

    A animação tem alguns momentos de puro bizarro, mas no geral está bastante regulamentar, sem nada de extraordinário que seja distinguível. Os designs dos personagens e o desenvolvimento das suas expressões está bastante básico, apesar de serem as típicas da época.

    O anime tem muitos momentos musicais, cada um mais patético que o outro, mas que funcionam dentro do contexto.

    Um anime estranho, engraçado, que não me cativou especialmente mas que tem o seu valor enquanto experiência.
  • Angel's Egg

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    Angel's Egg
    Mamoru Oshii - Studio Gallop
    Anime - Filme
    1985
    7 em 10

    O Qui requisitou um filme de anime e lembrei-me de lhe mostrar este. Já o havia visto há muitos anos e, recordo, na altura compreendi muito pouco do que se passou. Na verdade, inventei uma interpretação qualquer só para fingir que tinha percebido, mas admito agora que os seus significados me passaram ao lado. Assim, achei que seria bom revê-lo com outra pessoa, com quem o pudesse discutir e, assim, obter uma nova opinião. A classificação que ali está atribuída é a primeira que lhe ofertei, já que tendencialmente nunca mudo a minha classificação inicial, mas talvez agora lhe desse um pouco mais.

    Tentarei, desta vez, apresentar uma opinião um pouco mais capacitada.

    Primeiramente, devemos observar o contexto deste anime (que me foi revelado pelo Qui, que teve a curiosidade de ir pesquisar): um dos trabalhos iniciais de Mamoru Oshii, que ganhou a fama depois de ter dirigido o primeiro filme de Ghost in the Shell, aparece numa altura da sua vida em que este se encontra desapontado com o mundo da religião e da espiritualidade em geral. Tendo isto em conta, apresenta-se-nos um anime complexo, denso, negro e pessimista, que nos leva até a um universo sem vida.

    Uma menina (aspecto discutível) anda por um mundo desolado, uma cidade cheia de monstros e de elementos predominante aquáticos, em busca de água para encher mais uma garrafa. Consigo, tem um ovo, que deve proteger e incubar para que nasça uma criatura alada que encontre a saída para aquele mundo. Entretanto, encontra um misterioso homem, que se decide a acompanhá-la e com quem vai trocando várias palavras. É numa destas conversas que aparece um conceito que me ficou fixado na mente: a arca de Noé nunca encontrou terra e está a afogar-se num mar infinito. 

    Ora, ao início vemos que pousa dentro de água uma estrutura estranha, semelhante a um olho, povoada de estátuas que podem ser qualquer coisa: humanos perdidos, humanos falecidos, santos antigos. No meu entender, pegando no conceito de que isto poderia ser a arca de Noé que se perdeu, este elemento poderá representar as pessoas que se esforçam por se libertar de um mundo espiritual que se encontra decadente e que só pode ser consertado através da chegada de um novo ser iluminado, representado pelo esqueleto do humano alado e, portanto, do ovo que tem a menina. No entanto, repare-se que no final descobrimos que este objecto está pousado nas águas de uma praia e que o homem misterioso é o habitante deste local. Como ele destrói o ovo, posso inferir que talvez a terra segura, o homem (repare-se que ele transporta uma cruz e usa um crucifixo) é o representante das crenças antigas que ainda se estabelecem e que, com tudo isto, impede estas pessoas de chegar a terra firme e de serem livres para terem os seus próprios anjos.

    Talvez esta ideia seja suportada pelo conceito dos peixes, que em sonhos representam normalmente um certo tipo de liberdade sexual e emocional. Na cidade perdia, pescadores tentam apanhar sombras de peixes, isto é, continuam presos à ideia de temer a mudança, podendo mesmo atacar a menina e o seu ovo que os representam. No entanto, considerando que eles estão dentro de água e cada vez mais se afundam nela, as sombras podem realmente ser apenas isso: sombras de peixes reais que nadam em volta da cidade.

    Como digo, é um filme bastante complexo e talvez tenha de o rever mais tarde para o compreender na sua totalidade. Segundo consta, nem o próprio Oshii sabe muito bem o que fez disto. No entanto, podemos ver directamente o que ele criou: apesar da fraca animação, em que apenas os personagens manifestam algum tipo de movimento, há um cuidado extremo no detalhe dos cenários, sendo que todo este universo aparece quase como uma interpretação surrealista de uma cidade muito populosa. Também a música contribui muito para este efeito de quase pesadelo, sendo que há um conjunto contínuo de peças corais que nos envolvem e absorvem de forma a que entramos realmente neste universo.

    Este é um filme que é igualmente amado e odiado pelos fãs e crítica, mas que - ao longo dos anos - se veio a tornar um culto dentro dos visionantes mais experientes. Assim, gostaria de o recomendar para saber também qual a vossa opinião acerca dele, para ver se conseguimos - todos juntos - encontrar uma explicação que nos satisfaça a todos.
  • Ghost in the Shell: Innocence

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    Ghost in the Shell: Innocence
    Mamoru Oshii - Production I.G.
    Anime - Filme
    2004
    8 em 10

    Este filme está nomeado para o meu clube e, para mais, o Qui tinha interesse em vê-lo. Assim, foi boa ocasião para o rever, pois pouco me lembrava dele além do facto de ser brilhante. E isso confirma-se numa segunda visualização, apesar das legendas desta versão estarem um pouco aquém das expectativas.

    Este filme acaba por complementar o primeiro da saga e franchise. Se no primeiro filme falávamos da máquina enquanto entidade, Innocence é uma humanização desta, um exercício contemplativo sobre a capacidade de adaptação das pessoas neste universo, sobre o verdadeiro sentido de Ghost e sobre o funcionamento da mente humana.

    Após o desaparecimento do Ghost da Major Makoto Kusanagi no meio da rede, Batou e Togusa vêm-se juntos em equipa para investigar uma série de assassinatos perpetrados por robots sexuais, que têm vindo a assassinar pessoas de importância e cujo caso pode ser, ou não, uma manifestação de terrorismo. Vemos a vida tal como ela é depois do elemento aglutinador da Section 9, a Major, ter desaparecido. Estão todos à deriva e vemos, da perspectiva de Batou, como procuram adaptar-se a uma vida sem este elemento tão importante. Batou arranjou um cão, mas nem o cão é uma coisa viva. Será que conseguirá encontrar um sentido de família e pertença?

    À medida que a investigação prossegue, vemos uma narrativa de detectives mas, sobretudo, vemos a interacção entre os personagens e a sua caracterização, a forma como Togusa sabe que não pode substituir a Major, a forma como Batou não consegue lidar com a sua perda. A força da caracterização é impressionante e comovente, acabando todo o filme por culminar numa cena natalícia em que finalmente, parece, os personagens se encontram consigo mesmos.

    No entanto, não é apenas das personagens que o filme vive. Toda a situação do "crime" leva a um debate filosófico sobre a função do robot, sobre a alma da máquina, sobre o que é na realidade o Ghost e o cyberbrain. À medida que a nossa equipa se depara com diferentes situações, todos estes conceitos são postos em causa, sendo que acabamos por perceber mais diferentes opiniões sobre a situação do mundo "actual", sobre a realidade do filme. Esta, é a pura caracterização do cyberpunk, de tal forma aperfeiçoada que o universo se torna assustador: quão próximos estamos já de um mundo como este?

    Para complementar tudo isto, temos sequências de arte maravilhosas. Este filme é uma verdadeira viagem visual, por um universo de cores, texturas e maquinaria, apresentando-nos momentos que - associados à banda sonora - são altamente intensos e muito esclarecedores. Sem dizer uma palavra, o autor consegue mostrar-nos o que se passa, consegue apresentar-nos os conceitos e explicá-los apenas com recurso apenas a estes momentos animados. Apesar de tudo, alguns deles estão um pouco desactualizados e não envelheceram muito bem, mas devemos considerar que era o melhor que se fazia na época, sendo que o valor de produção do filme foi muito alto.

    Quanto à música, essa... Retomando os fogos corais a que nos tinham habituado no primeiro filme, são muito intensos e levam o espectador a encontrar novos significados nas cenas que ilustram.

    Um filme muito completo, mas também muito intimista. Para fãs, mas não só.

  • Urusei Yatsura: Beautiful Dreamer

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    Urusei Yatsura: Beautiful Dreamer
    Mamoru Oshii - Studio Pierrot
    Anime - Filme
    1984
    6 em 10

    Vi este filme para o meu clube, mas irei votar que não.

    Na verdade, e quem me conhece sabe isto, eu abomino todos as instâncias criadas por esta pessoa Rumiko. Detesto, e detesto mesmo, a Lum e todas as pessoas à volta dela. Vi isto há muito, muito tempo, seguramente há décadas idas (bem, não tantas assim) e o pouco que me lembro é que detestava todos os aspectos. Simplesmente não acho graça a isto. Ainda assim, muni-me de toda a minha boa vontade para ver este filme, uma hora e quarenta minutos. E se por um lado o filme não é de todo mau... Simplesmente poderia ter sido feito com um conjunto de personagens completamente diferente.

    Para começar, não é simples seguir o filme quando pouco ou nada se lembra do universo de Urusei Yatsura. Todos aparecem tendo em conta que já temos um conhecimento prévio. Assim, os personagens não sofrem desenvolvimento, nem progressivo nem retrógado, pois são aqueles que "todos conhecemos" (menos eu). São os personagens a principal falha do filme, pois são simplesmente insuportáveis na sua génese. Deve haver quem goste. Em certo sentido, esta é uma opinião inteiramente subjectiva.

    A história, essa, tem um conceito muito interessante. Será que a realidade é um sonho que se repete? Ou será que o sonho é que é a realidade? Até se chegar a este ponto, dançamos entre a descoberta das diferenças deste universo para o universo real e, depois, fazemos uma corrida por vários sonhos idealizados por um antagonista muito pouco convincente. Estes sonhos, envolvem - quase todos - maminhas. E aí está uma coisa que era perfeitamente dispensável para se explorar o conceito. Mesmo que haja quem lhe encontre piada.

    Em termos de arte, temos duas variações. Em certas cenas, temos uma animação absolutamente primorosa, extremamente original, com excelente uso de perspectivas e cenários altamente originais, que ilustram muito bem o objecto pedido pela narrativa. Mas noutras cenas, temos movimentos repetidos, expressões pouco detalhadas e, no fundo, uma busca constante por um objectivo cómico que nunca é conseguido.

    Musicalmente, temos muito pouco a apontar. As vozes tentam ter a sua graça, mas em nada são capacitadas. As músicas não têm muito que se lhe digam. E a ED é um pop muito típico da época, mas que calha um pouco mal tendo em conta todo o teor anterior do filme.

    No geral um filme que desapontou. Não fez renascer uma paixão latente sobre Urusei Yatsura, de todo. Trata de um assunto complexo e muito interessante, mas os personagens são tão fracos - apesar de únicos - que tudo se resume a uma mixórdia visual pouco organizada. Não fosse a arte, que tem momentos brilhantes, e nada salvaria este anime.
  • Jin-Roh: The Wolf Brigade

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    Jin-Roh: The Wolf Brigade
    Mamoru Oshii
    Anime - Filme
    1998
    6 em 10

     E aqui está mais uma história de Mamoru Oshii, director de Ghost in the Shell e outras coisas mais. Gosto deste realizador, excepto que ele não realizou Jin-Roh e apenas fez o Storyboard. Mas ainda assim vamos considerar que este é um dos seus trabalhos.

     Infelizmente, não se distingue como um dos melhores. A história de base é iverosímil. Tudo o resto poderia muito bem acontecer a qualquer soldado. O seu dilema está bastante bem explorado, se bem que a história do Capuchinho Vermelho nunca é uma boa analogia (devido, talvez, à sua simplicidade).

     Jin-Roh, o personagem principal, é bastante consistente e - poderia mesmo arriscar dizê-lo - está bem construído. No entanto falta-lhe suporte de história e de outros personagens, que são todos (bem, são poucos...) muito fracos quer em termos de personalidade como em termos de desenvolvimento. O design está apropriado e realista.

     Música pouco memorável, arte boa mas nada fora do vulgar.

     Um bom filme para quem gosta destas coisas de soldados.
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