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A Boda do Poeta
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A Boda do Poeta
Antonio Skármeta
1999
Romance
Tinha dito anteriormente que não queria ler mais livros deste autor, mas a verdade é que ainda me calhou mais este em sorte. Mais uma vez, não gostei.
Desta feita o autor usa outro método para contar a história. Conta-nos a história de um casamento desgraçado e uma invasão de uma ilha na costa italiana pelo exército austríaco na primeira guerra mundial, com consequente fuga para o Chile de parentes do próprio autor (supostamente).
No entanto, a forma de escrever é muito confusa e está sempre a fazer uso de palavras sofisticadas e absolutamente desnecessárias para o contexto. Penso que o objectivo seria tornar isto cómico, mas só me ir uma única vez (não resisti à chamada telefónica para o papa)
A história em si acaba por se tornar irrelevante devido à caracterização demasiado bem disposta dos personagens.
Autor a evitar a partir de agora.
By : ladyxzeus
Neruda - Antologia Poética
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Neruda - Antologia Poética
Pablo Neruda
Anos 20 - 50
Poesia
Continuo o meu pequeno estudo sobre a obra de Neruda, por forma a poder acompanhar o Qui no visionamento de um filme.
Esta é uma antologia poética bilingue, com tradução brasileira, que contempla excertos de todas as principais obras poéticas do autor. É uma antologia boa na medida em que nos mostra um pouco de todas as fases criativas do autor, sendo que se nota uma certa evolução, tanto estilística como temática, até ao final do livro, que marca o final da sua produção literária.
Rapidamente Neruda entrou no meu coração para se tornar num totem pessoal do meu universo poético. As suas imagens são fortíssimas, originais, belas, com uma utilização certeira das palavras, comparações e analogias, revelando uma grande capacidade de trabalho, por forma a encontrar a forma perfeita de dizer coisas que, muitas vezes, são tão simples.
Todos os poemas me marcaram e inspiraram muito, mas talvez o que me tenha cativado mais tenha sido uma simples ode: Ode à Cebola. Passo a citá-lo :)
Cebola
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.
Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.
Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.
Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona
e vive a fragância da Terra
na tua natureza cristalina.
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.
Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.
Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.
Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona
e vive a fragância da Terra
na tua natureza cristalina.
By : ladyxzeus
Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada
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Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada
Pablo Neruda
1924
Poesia
O Qui queria que víssemos um filme sobre o Pablo Neruda, mas eu nunca tinha lido nada do autor. Não gostaria nada de ver o filme sem saber nada sobre ele! Então, pedi no BookCrossing se alguém faria o favor de me ceder uns livros para ficar a conhecê-lo melhor. Prontificaram-se logo para me ajudar e, assim, comecei por este!
Este é um conjunto curto de poemas, numa edição bilingue com tradução brasileira, que tratam sobre o amor apaixonado e a celebração do corpo feminino, sempre associado a uma imagética natural relacionada com plantas e elementos aquáticos, de que o autor parece gostar muito.
São poemas um pouco imaturos, escritos na juventude, muito directos ao tema da sexualidade feminina e da paixão que o autor revela por esta e pelo materialismo da mulher como objecto.
Como primeira leitura, pareceu-me bem, embora o tema seja um pouco comum ou mesmo vulgar.
By : ladyxzeus


