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  • O Sino da Islãndia

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    O Sino da Islândia
    Halldór Laxness
    1943
    Romance


    Livro que me oferecerem no Natal, mas que mais ou menos estive a adiar para ler porque me parecia um pouco aborrecido. E a verdade é que é mesmo um pouco aborrecido.

    Tudo começa quando levam o sino de uma aldeia da Islãndia para que o sino (derretido) participe no esforço de guerra. A partir daí seguem-se várias aventuras de um homem que é condenado à morte por assassinato, e exploramos um pouco a forma de vida nesta Islândia suja, triste e abandonada.

    Este romance não nos mostra as maravilhosas paisagens geladas nem o fulgor da natureza, preferindo em vez disso mostrar-nos uma série de paisagens urbanas que nunca me tinham cabido na imaginbação, pois nunca supus que a Islãndia pudesse ser um lugar aparentemente tão deprimente.

    O problema principal do livro é que se prolonga numa série de detalhes e personagens todas chamadas Jon, o que torna a leitura bastante complexa. Acabei por não o apreciar muito, talvez não tanto como deveria, e acabou por ser um desapontamento.

  • Carneiros

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    Carneiros
    Grímur Hákonarson
    Filme 
    2016
    7 em 10

    Mais uma vez, fomos ao cinema na biblioteca, desta feita para ver um recente filme islandês que tem dado que falar.

    No norte da Islândia, uma comunidade vive com e pelos seus carneiros, que criam e vendem e, de alguma forma, amam. Dois irmãos não se falam há quarenta anos e nem os carneiros os podem unir. Quando um dia se descobre que os animais estão infectados com scrapie e devem ser abatidos compulsivamente de forma a eliminar o foco da doença, um dos irmãos decide guardar alguns. Mas correm todos um grande perigo...

    Este é um filme poético e contemplativo, que caracteriza o modo de vida numa região remota da uma ilha remota, para além de falar da evolução da relação fraternal e como um objectivo em comum pode acabar com todas as quezílias. Os personagens estão excelsamente caracterizados, com diálogos e discursos plenos de realismo e sempre com um toque de humor.

    Mas o que mais me impressionou foram mesmo as imagens que, plenas de simplicidade, transmitem um ambiente nostálgico e praticamente inacessível, em que todos os elementos da natureza estão contra a humanidade e, mesmo assim, esta se consegue adaptar e viver os seus hábitos, descobrindo através dela coisas importantes para o seu crescimento colectivo.

    Também a banda sonora me impressionou muito, sendo que o tema principal é uma peça em piano melancólica mas altamente viciante.

    Um filme excelente que recomendo a todos os que tiverem oportunidade de o ver.
  • A Desumanização

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    A Desumanização
    valter hugo mãe
    2013
    Romance

    Depois da viagem à montanha, uma rápida leitura, um pouco mais leve, de um autor que tenho vindo a descobrir e de que tenho gostado muito.

    Numa aldeia nos confins da Islândia vive uma rapariga, que tinha uma gémea. Tinha: a gémea morreu. E esta história é a história da separação desta menina do seu ideal, a irmã, e do seu crescimento, tornando-se mulher mais cedo do que o esperado, com as consequências que isso pode trazer para ela própria e para os outros.

    Este livro tem dois temas principais, que são explorados numa linguagem poética e muito filosófica: o desflorar da puberdade feminina e a paisagem islandesa. No primeiro aspecto, isto é transmitido de forma muito exacta, com todos os momentos e pensamentos assustadores e com exemplos de pensamentos que estão entre o infantil e o adolescente e que têm imagens muito bonitas. Gostei sobretudo da ideia das "flores das mulheres" que achei muito bonita, apesar dos problemas que daí vêm mais tarde. No que respeita à tal paisagens, percebo porque é que este livro pode desapontar os fãs do país. Não há descrições de momentos naturais espectaculares, nem há uma pintura do ambiente que rodeia os personagens em termos exactos. O que existe, e isso eu gostei muito, é uma percepção natural, integrando os elementos do universo em que se vive na própria vida. Isto é, estes personagens são nativos deste país. Não faria sentido colocá-los a descrever grandes coisas, pois são vistas todos os dias.

    A história é triste e brutal, mas está escrita de forma muito bonita. Se por vezes o autor divaga um pouco nos pensamentos da personagem, isso pode ser tido como os momentos de dúvida e confusão da criança que cresce e, portanto, não necessariamente um erro.

    Gostei bastante e estou ansiosa por ler mais deste autor.
  • A Raposa Azul

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    A Raposa Azul
    Sjón
    2003
    Romance

    Um livrinho minúsculo. Comecei-o à hora de almoço (temos uma hora e meia para almoçar e eu demoro circa dez minutos...) e terminei-o pouco depois de entrar no autocarro para casa.

    Primeiramente, uma nota sobre Sjón: é amigo da Bjork. Colabora com ela em letras de músicas e tudo o mais. Daí que não seja espantoso que ela recomende este livro. E realmente, combina perfeitamente com ela.

    Passado na Islândia rural do século XIX, o livro é uma sucessão de imagens numa paisagem gelada que parece interminável. Há duas histórias: a de um padre que está a caçar uma raposa azul e a de um ervanário que adoptou uma rapariga com síndrome de down. No final, interligam-se, um momento verdadeiramente fascinante.

    O momento que mais gostei foi o culminar da caçada, a conversa com a raposa. No final, ficamos sem perceber quem é o feiticeiro, se ele próprio que estava a enlouquecer com a neve ou se outra pessoa...

    Realmente um "romance mágico". Gostava que depois de fazer a sua viagem pelo BookCrossing voltasse para mim para o emprestar a um amigo, mas tenho de pedir com muito jeitinhooo...!
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