Mostrar mensagens com a etiqueta irmãos coen. Mostrar todas as mensagens

  • Drive-Away Dolls

    0

     

    Drive-Away Dolls
    Ethan Coen
    2023
    Filme
    6 em 10


    Revelado no final como tendo o nome verdadeiro de "Drive-Away Dykes", este é um filme energético e divertido que segue a roadtrip de duas lésbicas de personalidades muito diferentes que transportam a mala mais importante do mundo, que tem dentro de si características dos membros mais relevantes da sociedade de então (e mais não posso dizer). No processo, as duas amigas vão conhecer outras comunidades queer e lésbicas e formar uma relação improvável.

    Colorido, cheio de humor e de ironia, este filme explora o que é ser queer nos anos 90, mas sem a parte difícil, sem a parte da doença, sem a parte do desprezo social, sem a parte da violência. Assim, quase parece um conto de fadas lésbico em que tudo é sexy e encantador, sobretudo o que está dentro da mala.

    No entanto, parece-me que estas personagens practicamente movidas pelo que têm no meio das pernas poderiam ter muito mais a dar se não fosse a sua necessidade constante de engate. O desconforto mostrado por uma delas é muito mais realista, e se não fosse isso tudo seria simplesmente absurdo.

    Enfim, um filme para passar uma boa tarde, mas não um dos melhores de meio Coen.

  • True Grit

    0

     

    True Grit
    Joel Coen & Ethan Coen
    2010
    Filme
    7 em 10


    Um puro western americano, mas - sempre à medida dos Coen - com uma narrativa improvável.

    Uma menina de 14 anos está lançada para se vingar do assassino do seu pai. Para isso convence um mercenário a acompanhá-la, juntamente com um ranger do Texas que lhe aparece pelo caminho. Vão cavalgar pelo lado mais selvagem da América e, nisso tudo, formar uma improvável amizade.

    Com actores de luxo, este filme distingue-se pelos seus diálogos acesos e literários, com um discurso que me pareceu simplesmente maravilhoso. A química entre os personagens sente-se e, por isso, temos um filme muito equilibrado com momentos tanto de comoção como de hilariedade.

    Também as paisagens naturais deste filme são muito interessantes, assim como a análise da forma de viver em viagem nesta época do antigamente.

    Recomendo bastante, nem que seja pela dramaturgia.

  • The Hudsucker Proxy

    0

     

    The Hudsucker Proxy
    Joel Coen
    1994
    Filme
    6 em 10


    Uma comédia doida e improvável pelas mãos dos Irmãos Coen.

    Quando o presidente de uma grande empresa se atira da janela do milésimo andar, os sócios precisam urgentemente de encontrar algum substituto. Procuram alguém que seja parvo, para que possam aproveitar para vender as suas acções e, ainda assim, enriquecer com a desgraça. Encontram a pessoa ideal na figura de Norville, que tem uma ideia fixa: um círculo. Para as crianças. E assim se faz uma grande invenção!

    Este filme é um grande gozo à norma, povoado por personagens inverosímeis e memoráveis, e com uma escolha de sets muito bizarra, que nos mostra um universo inventado fabril e desesperante, que apenas fica povoado de cor com este Norville, personagem inocente mas de certa forma inteligente.

    Os diálogos têm aquela arte Coen tão característica, apesar de o tema ser tão patético.

    Por isso, foi um filme divertido, mas que não ficará na memória.

  • The Tragedy of Macbeth

    0

    The Tragedy of Macbeth
    Joel Coen
    2021
    Filme
    8 em 10

    Os nossos irmãos do cinema favoritos dividiram-se e agora um único Coen toma conta do filme. E que filme extraordinário!

    Com um design de produção, setting e iluminação mágicos e assustadores, Coen reinterpreta o Macbeth Shakesperiano, utilizando actores inesperados que nos trazem muito de novo para estas personagens clássicas. As interpretações são fascinantes, trazendo-nos sempre novidade, e tornam o filme muito forte.

    Mas é o olho observador da camera que torna este filme uma experiência altamente imersiva, com momentos de grande pânico intercalados com toda uma tensão que, crescente, pontua o filme como um pesadelo.

    Penso que é sempre bom abordar os clássicos, sobretudo quando o fazem desta forma tão original.

     

  • Miller's Crossing

    0
    Miller's Crossing
    Joel e Ethan Coen
    1990
    Filme
    6 em 10
    Penso que só me faltava ver este filme dos meus adorados Coen! Desta vez, um filme sobre a máfia irlandesa nos Estados Unidos.
     
    O homem de confiança do chefe desta máfia é expulso e troca de lado, associando-se à máfia italiana. Neste jogo de confidências e interesses, tem de matar alguns, tem de salvar outros, e no processo de os matar e salvar parece que tudo vai dar para o torto a qualquer instante. O pior, é que cada vez que perde o chapéu, acontecem-lhe sempre desgraças!
     
    Este filme é uma roda viva de segredos e traições, com um final inesperado e uma narrativa singular, tal qual uma montanha russa. Mas a parte que gostei mais do filme foi a imagem. A fotografia é maravilhosa, sobretudo nas partes florestais, e existe toda uma atenção ao detalhe dos espaços que me fascinou.
     
    Também merece referência o trabalho dos actores, que muito me convenceram.
     
    Apesar de não ter sido o meu filme favorito dos irmãos, acho que não se deve perder

  • Barton Fink

    0
    Barton Fink
    Joel e Ethan Coen
    1991
    Filme
    7 em 10
    Faltava-me ver este filme dos irmãos Coen e veio a revelar-se uma grande surpresa. Afinal, grassa sobre um tema que eu gosto muito, o dos escritores.

    Um dramaturgo famoso em Nova York é convidado para fazer parte da grande indústria de Hollywood, sendo imediatamente contratado para escrever um filme sobre Wrestling. Instala-se num hotel um pouco decadente, mas não consegue escrever a sua história por nada deste mundo. A sua busca pela história perfeita dá o mote para uma série de acontecimentos bizarros que lhe vão sucedendo, levando-o a um estado de semi-inconsciência e desespero absoluto.
     
    Este filme mostra-nos um pouco do processo criativo falhado de um autor e a sua dependência da aprovação de entidades superiores que, por vezes, não percebem nada sobre a arte. Parece ser um filme um pouco autobiogbráfico da experiência dos irmãos em Hollywood. Mas também nos mostra uma excelente análise de uma personagem que, sem saber onde está metida, procura agarrar-se a conceitos que se não lhe aplicam e, com isso, consegue e não consegue escrever.
     
    É um filme pleno de simbolismos. Poderíamos mesmo analisá-lo como uma espécie de viagem no comboio dos infernos, em que Barton Fink se meteu por acaso.
     
    Um dos melhores filmes Coen, que recomendo.

  • The Ballad of Buster Scruggs

    0
    The Ballad of Buster Scruggs
    Joel Coen & Ethan Coen
    2018
    Filme
    7 em 10
    Desta feita, os nossos irmãos Coen surpreendem ao fazer um filme produzido e distribuído pelo novo gigante televisivo: a Netflix. No entanto, este é um filme digno de figurar entre aqueles com maiores valor de produção e maior dedicação dos autores. Baseado numa série de histórias escritas na infância dos irmãos, este é um conjunto de contos cinematográficos que nos remete para um universo de livros de cowboys e fantasias.

    Dividido em seis partes, que são também seis histórias distintas, algo une todas as histórias. Para começar um mordaz sentido de humor que deixará por terra até os mais fortes. Tendo isso em consideração, as histórias são surpreendentes, trágicas e, ao mesmo tempo, terrivelmente engraçadas. Depois, todas elas têm um tema em comum. Todas falam, de uma forma ou de outra, da morte e da contemplação do fim.

    Para além disso, temos um conjunto de imagens fotográficas ao longo do filme que nos remetem para um passado longínquo e para uma natureza distante e agressivamente selvagem, mas em que o pior continuam a ser sempre - e para sempre - as pessoas.

    Um filme que passa num instante, de uma comicidade culpada e filosófica.
  • Suburbicon

    0
    Suburbicon
    George Clooney
    2017
    Filme
    5 em 10

    Tinha ouvido falar sobre este filme na rádio e, só por isso, fiquei com vontade de o ver. :) E foi curioso porque, já que estávamos numa onda de direitos civis, este filme também trata um pouco sobre isso. Mas a sinopse que deram na rádio é completamente diferente!

    Suburbicon é uma cidade maravilhosa, em que toda a gente vive feliz e contente. Quando uma família de negros se muda para lá e um crime estranho acontece na casa do lado, todos relacionam uma coisa com a outra. Mas há mais mistério do que se possa imaginar.

    Este é um argumento dos irmãos Coen, que tinha ficado na gaveta por muitos anos apenas para ser recuperado por George Clooney, agora tornado realizador de cinema. A tentativa é boa: o argumento tem aquele humor típico dos irmãos, a crítica social, o americanismo intenso. Mas a execução fica um pouco aquém das expectativas.

    Para começar, toda a cidade, todo o ambiente, as personagens, até mesmo os actores, tudo parece falso, construído, exagerado. Uma caricatura de um estereótipo que poderia servir bem como uma piada social se fosse simplesmente um pouco mais realista. Isto faz com que muitas cenas supostamente violentas sejam muito engraçadas e cenas supostamente muito engraçadas não nos toquem de todo.
     
    Assim, acaba por ser uma experiência muito estranha, embora divertida. Clooney ainda tem muito caminho a percorrer.

  • A Serious Man

    0
    A Serious Man
    Ethan Coen & Joel Coen
    Filme
    2009
    6 em 10
     
    No terceiro e último filme das micro-férias, assistimos a mais um trabalho dos irmãos Coen, dupla de que gosto imenso. Esta é uma película sobre a tradição judaica, sempre presente nestes filmes.

    Um homem vive uma vida normal, até ao momento em que surgem problemas atrás de problemas. A sua mulher troca-o por um estranho amigo com uma atitude demasiado positiva, o seu emprego na faculdade está em risco depois de ter chumbado um aluno asiático, os seus filhos preocupam-se com coisas que não interessam a ninguém... E no meio disto tudo ele começa a questionar a sua fé. Assim, dirige-se a vários rabinos, que lhe contam histórias curiosas mas que não o ajudam em nada.

    No fundo, o filme quase que diz que as histórias e o método destes representantes religiosos são perfeitamente inúteis para os problemas do dia a dia. E o homem acaba por não descobrir nada de interesse que o possa ajudar.

    Infelizmente, neste filme, os personagens acabam por não estar propriamente caracterizados. As suas figuras aparecem apenas como retratos de uma situação e os momentos reveladores das suas personalidades são insuficientes. Sobretudo no caso da filha, que parece apenas preocupar-se em lavar o cabelo, sendo que teria sido interessante termos também essa perspectiva.

    A parte que gostei mais do filme é que finalmente há uma conversa sobre a cultura judaica sem entrarmos numa profusão de auto-comiseração e perseguição emocional.

    Finalmente, não gostei nada do final. O filme parece estar incompleto, porque a verdade é que não se chega a lugar nenhum.

    Desapontou-me.
  • Hail, Caesar!

    0
    Hail, Caesar!
    Ethan & Joel Coen
    2016
    Filme
    6 em 10

    Finalmente este filme apareceu por aí numa qualidade aceitável, então aproveitámos a nossa viagem ao mundo do campo para o vermos. Foi assim a primeira noite. Infelizmente, houve um erro com as legendas e não tínhamos internet para tirar umas novas, portanto teve mesmo de ser visto sem elas. Eu tive alguma dificuldade, porque praticamente todos os personagens têm um cerradíssimo sotaque, o que para mim é um pouco complicado de compreender.

    Adiante.

    Este filme fala sobre a época dourada do cinema, mas de uma maneira que não a torna nada dourada. Vários personagens estão concretizando uma série de filmes, mas acabam todos por se encontrar em conclusão. E, no fundo, os nossos Irmãos Coen tecem aqui uma crítica cerrada aos acontecimentos cinematográficos dessa época, retratando tudo como ridículo, exagerado e estupidamente brilhante, em contraste com as pessoas envolvidas que são todas incapazes e, como dizia um crítico qualquer, "bovinas".

    No entanto, este aspecto bovino dos personagens acaba por se desvanecer com o seu desenvolvimento que, sempre puxando o lado cómico de todas as coisas, se revela subtil e orquestrado de tal forma que as mudanças próprias dos personagens se diluem nas mudanças do cinema da época: através destes personagens podemos observar as alterações que se seguem na indústria, prevendo os dias de hoje.

    De resto, talvez um dos filmes mais hilariantes destes autores!

  • Blood Simple

    0
    Blood Simple
    Ethan Coen & Joel Coen
    Filme
    1984
    7 em 10

    Como fã dos Coen que sou, era uma falha gigante ainda não ter visto o seu primeiro filme. Feito logo depois de terminarem a faculdade, tem todos os elementos que depois vieram a caracterizar o seu cinema.

    O mistério inicia-se com um estranho caso amoroso entre a mulher de um famigerado dono de bar e o empregado deste. Mal sabem eles que estão a ser seguidos por um detective privado. Quando este temível personagem aparece, uma nova peça é colocada no jogo: ele é contratado pelo marido traído para matar o casal mas, em vez disso...

    A narrativa aparenta ser muito simples, mas os personagens têm tal densidade que tudo se torna num jogo de gato e rato, num jogo de suspense e medo que todos têm de conseguir ultrapassar. Temos personagens incónicos, nomeadamente o detective (até escolhi um poster mais obscuro para por aqui para não o mostrar, porque é realmente único) e interpretações fantásticas. Há uma atenção ao detalhe evidente e preponderante, sem espaço para erros. Tudo nos cenários e objectos tem um sentido e objectivo, técnica teatral que muitos filmes esquecem.

    O forte do filme é o estado de espírito das personagens, que se encontram numa espécie de calma depois de uma tempestade de pânico e horror, que nunca se sabe quando irá acabar. Há sempre alguma coisa a acontecer ou alguma coisa que pode acontecer e correr pelo pior.

    Blood Simple é uma obra muito diferente de um primeiro trabalho. É a génese de todos estes filmes de homenagem ao ideal americano que os Coen tão bem sabem fazer. É o filme que diz "epah, estes gajos têm jeito para coisa!"
  • Irmão, Onde Estás?

    0
    Irmão, Onde Estás?
    Joel Coen e Ethan Coen
    Filme
    2000
    7 em 10
    Mais um filme dos Irmãos Coen, que se mantém com a estrutura que tenho referido anteriormente, a da viagem pelo profundo dos Estados Unidos, mostrando coisas inusitadas e imprevisíveis. Mas este filme tem uma particularidade: o texto foi inspirado e livremente adaptado da Odisseia de Homero.

    Assim, temos três prisioneiros que fogem e procuram chegar até ao sítio onde deve estar um tesouro, que um deles roubou. Pelo caminho, encontram todo o tipo de pessoas estranhas e têm uma viagem muito acidentada. No entanto, há algo que os pode salvar: a música! Porque, de certa forma, este filme é uma espécie de musical. Em todos os momentos há músicas, músicas folk antigas e esquecidas que pertencem a um património cultural com quem tantos, hoje em dia, se recusam a identificar.
     
    Cada cena está carregada de estranheza, mas sem nunca perder o humor improvável tão característico desta dupla de realizadores. O texto em si tem alguns momentos impecavelmente bizarros, que apenas poderiam ser transmitidos por um trio de actores de qualidade que interpretam na perfeição os seus papéis, desenvolvendo uma relação entre as personagens que acaba por ir além da premissa inicial.
     
    Para além disto, podemos assistir a uma sucessão de belas paisagens, caracterizando o interior sulista dos EUA da época com toda a circunstância.
     
    Um filme imperdível.

  • Este País Não É Para Velhos

    0
    Este País Não É Para Velhos
    Ethan Coen & Joel Coen
    Filme
    2007
    8 em 10

    Sem ideias sobre o que ver numa calma noite, decidimo-nos por mais um filme dos Irmãos Coen, dos quais gosto sempre imenso.

    Este é um filme que fala de uma fuga e de uma perseguição. Chego, com ele, a uma certa conclusão sobre os filmes dos Coen... Todos eles se tratam de uma viagem visual por um ideal Americano corrupto e desmembrado, uma imagem de uma realidade que, se não aconteceu, poderia perfeitamente ter acontecido naquele contexto. Desta vez a viagem é feita pelos confins de um estado árido e desértico.

    Um homem comum encontra, por acaso, uma cena de morte e horror, com muita droga e muito dinheiro. Decide apoderar-se do dinheiro e esse é o seu primeiro erro: a partir desse momento vê-se perseguido por um psicopata muito escrupuloso, com ideias sobre a vida bastante distintos dos das pessoas comuns. Para além dessa pessoa, também é procurado por mais uma série de gente. No fundo, ele deseja apenas escapar mas... Parece que é inevitável.

    Recheado de diálogos interessantíssimos e muito filosóficos, este é um filme que sobrevive sobretudo com as suas personagens, que estão muito bem construídas e, sem dúvida, interpretadas de forma excelente. É sobretudo curioso este nosso "psicopata", pois o seu código moral é muito intricado e difícil de interpretar, mas claramente existe e ficamos muito curiosos com ele.

    Como disse anteriormente, o filme é uma viagem. Isso é caracterizado por imagens muito fortes dos elementos típicos deste local Americano, com um uso de fotografia agudo que funciona muito bem. Outro elemento curioso é o facto do filme não ter quase nenhuma música a acompanhá-lo: é uma narrativa feita de silêncios que, por sua vez, causam mais ansiedade do que qualquer ruído poderia.

    Um filme original, que dá que pensar. Como sempre, estes irmãos estão lá.


  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan