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  • O Esplendor de Portugal

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    O Esplendor de Portugal
    António Lobo Antunes
    1997
    Romance


    Quando comecei este livro pensei logo "eu não percebo nada disto, devia desistir". Mas desta vez habituei-me logo ao estilo de Lobo Antunes, e consegui lê-lo num instante.

    Este livro conta a história de uma mãe e dos seus três filhos, nascidos e educados em Angola e depois expulsos durante a Guerra Colonial. É um relato doloroso de quatro situações diferentes, de quatro situações de violência, de quatro situações de solidão.

    Existem passagens terríveis, de horror corporal, de puro gore. Existem também passagens tristes, de desespero, de horror familiar. À medida que o autor vai revelando a história familiar destas pessoas, encontramos personagens que têm tanto de humano como de incompleto, o que as torna extremamente realistas.

    Apesar de toda a violência, acaba por ser um livro anti-colonial, uma história que revela que o horror da guerra não afecta só os seus intervenientes, mas também os que mudam, e os que ficam.

  • Daqui a Nada

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    Daqui a Nada
    Rodrigo Guedes de Carvalho
    1992
    Romance


    Quem diria que o nosso pivot de televisão teria escrito um romance nos anos 90? Aqui está ele.

    Rodrigo Guedes de Carvalho conta-nos com mestria um drama familiar, tendo por base um casal e a sua filha, cada um narrando a sua versão dos acontecimentos que, devido ao trauma da guerra, devido ao trauma da ausência, se tornam trágicos e contundentes.

    Numa realidade da cidade do Porto, vista pelos olhos tanto do jovem como do maduro, este casal irá contemplar as suas opções passadas e tentar tomar decisões para que a sua vida futura seja o mais feliz possível. Mas talvez não o seja.

    O livro está bem escrito e as visões da guerra são perturbadoras. No entanto, o drama familiar propriamente dito é tão vulgar que talvez o interesse por esta história não seja aquele que se pretendia.

    De todos os modos foi uma leitura rápida e fluída.

  • Cartas da Guerra

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    Cartas da Guerra
    Ivo M. Ferreira
    2016
    Filme
    4 em 10

    Este filme esteve no cinema aqui ao pé e queria muito ir vê-lo, mas não foi possível na altura. Assim, quando vimos que estava disponível por streaming, decidimos vê-lo em casa.

    Um desapontamento completo.

    Inspirado nas cartas de António Lobo Antunes para a sua esposa durante a sua estadia na guerra colonial em Angola, este filme é uma sucessão de textos, narrados por uma voz feminina (que se pensa ser a esposa), acompanhados por cenas a preto e branco daquilo que seria a guerra colonial em Angola.

    Apesar de termos paisagens muito belas para ilustrar, o filme acaba por ser um aborrecimento indescritível: as cartas estão descontextualizadas, já que não existe qualquer tipo de caracterização dois personagens (ainda por cima, tendo em conta que existem mesmo e estão vivos). O resto dos diálogos é muito fraco e as interpretações não merecem grande destaque. De todos os modos, o argumento não o permite, pois são palavras que se sucedem a palavras e perdem rapidamente o seu sentido.

    Um filme que ficou muito aquém das expectativas.

  • Os Vampiros

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    Os Vampiros
    Filipe Melo e Juan Cavia
    2016
    Banda Desenhada

    Comprei este volume no passado Anicomics. Escolhi-o sobretudo pela sinopse: porque não é vulgar vermos um trabalho gráfico sobre a guerra colonial. E ainda bem que o trouxe, porque foi das coisas mais arrepiantes que li ultimamente.

    Um grupo de soldados portugueses e o seu guia é enviado para o Senegal em busca de uma base, sobre a qual deverão dar certas coordenadas. Mas o caminho torna-se mais complicado do que parece à primeira vista. À medida que vamos conhecendo a equipa, situações bizarras começam a acontecer, misturadas com os seus sonhos e as suas memórias, cada vez mais conturbadas pela guerra em que são forçados a viver. As situações que ocorrem têm um misto de fantástico e real, em que nunca é estabelecido o que se passa realmente. Será que é tudo imaginação? Será que as coisas estão mesmo a acontecer?

    Existem mesmo vampiros nestas florestas? Ou somos nós os vampiros?

    Este álbum caracteriza no seu pleno um imaginário da guerra que, sempre cada vez mais romantizado pelo cinema americano, se caracteriza pelo horror constante, pelo medo e pelo desespero. Os pesadelos dos personagens ajudam muito no grafismo deste pânico constante, em que se torna difícil distinguir o que está certo e o que está errado, ou mesmo qual a atitude correcta a tomar quando confrontados com situações agressivas.

    A arte é luxuriante e apelativa, com designs estilizados mas ainda assim muito realistas. Isto acaba por tornar esta leitura numa experiência muito cansativa emocionalmente, em que o coração quase para em alguns momentos, para logo recomeçar a bater com toda a intensidade. Um livro que nos faz querer gritar e chorar e dizer "vão por todos os caminhos, mas não vão por aí". Um livro que não romantiza e que mostra que, de entre todos os horrores, as pessoas são os piores deles todos.

    Trata-se de uma edição de luxo, com páginas e capa de grande qualidade. Acho que vale a pena a compra, se não pelo volume, pela própria leitura. Fascinante e arrepiante, merece um lugar de destaque no universo da banda desenhada actual.

  • O Teu Rosto Será o Último

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    O Teu Rosto Será o Último
    João Ricardo Pedro
    2011
    Romance

    Livro curtinho que recebi no BookCrossing.

    Através de episódios curtos, aparentemente sem conexão entre eles, forma-se a história de uma família assombrada pela guerra colonial, num contexto doloroso e humano. Cada capítulo conta uma história, por vezes com personagens recorrentes, por vezes com pessoas que não sabemos quem são, mas que estão intimamente envolvidas na narrativa geral, apenas revelada no final.

    Enquanto isso, acompanhamos o crescimento de Duarte, um jovem que tem um fantástico talento para o piano. Apesar desse talento, existe uma relação de amor-ódio com o instrumento (com a qual me identifico), que tende a cair no exagero, no momento de libertação sobretudo.

    A prosa é muito interessante. Através de várias perspectivas de enumeração, o efeito é sarcástico e humorístico, apesar de haver muito sofrimento por detrás das palavras. Talvez esta técnica tenha sido utilizada demasiadas vezes, tendo sido melhor que o autor a guardasse para momentos mais específicos, sem abusar do efeito.

    No geral, gostei bastante. Como se lê num instante, acho que não se perde nada em experimentar.
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