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The Hunger Games
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The Hunger Games
Gary Ross
2012
Filme
7 em 10
Como saberão, já li os livros desta saga há algum tempo e, surpreendentemente, gostei mesmo muito deles. Assim, quando o Qui sugeriu ver a tetralogia de filmes, concordei logo que era uma excelente ideia!
Este primeiro filme é uma trama adolescente mas, apesar disso, muito bem pensada. é a prova de que se podem fazer filmes para o estrato mais novo que tenham algum tipo de densidade e que nos façam realmente pensar. Para começar, o filme mantém-se bastante exacto ao livro a que corresponde, com excepção de um ou outro detalhe que teriam tornado a narrativa ainda mais impressionante. Assim, apenas poderia ter um bom argumento, que nos faz realmente dar voltas à cabeça e pensar na situação do "e se fosse comigo".
De resto, a realização é bastante boa, sendo que o filme recria com algumas liberdades o ambiente narrado, de forma a torná-lo verosímil e adaptado ao contexto da nossa realidade. Alguns detalhes no aspecto das roupas e pessoas são diferentes, mas tudo está muito bem estruturado, sendo que me impressionou de sobremaneira o guarda roupa escolhido para as pessoas do Capitol, revelando um excelente tom imaginativo.
O ambiente de pânico mantém-se ao longo de todo o filme, sendo que a inadaptação da personagem principal está muito bem interpretada por esta jovem actriz. Talvez os momentos de amor e paixão pudessem ter sido melhor explicados, já que no livro acontecem por motivos diferentes aos que aparentam estar apresentados aqui.
Portanto, foi um filme estranhamente viciante! Estou ansiosa por ver o resto do franchise!
By : ladyxzeus
Tron
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Tron
Brian Daley
1982
Ficção-Científica
Comprei este livro por um euro na Feira do Livro de Lisboa. Nunca vi o filme, nem o novo nem o antigo, portanto pensei em colmatar essa falha com o livro. Rapidamente aprendi que o filme veio primeiro e que isto é apenas uma novelização.
É uma história interessante com detalhes simpáticos, passado no mundo digital (de onde vêm os digimons, mas estes não aparecem). Na verdade, resume-se a uma novela normal, em que há um líder tirano - o Programa Mestre - que tenta absorver e destruir os programas que ainda obedecem aos seus users - Crentes-nos-Utentes. Quando um user, Flynn, é absorvido por uma máquina de teletransporte (pois) pelo mundo digital, une-se a Tron e a Yori - programas criados pelos seus amigos Alan e Lora - para vencer a força do mal.
Infelizmente, apesar dos conceitos serem bastante inovadores para a época em que se contextualiza, a escrita não é boa o suficiente para cativar, limitando-se a um estilo de aventura que é demasiado simplista para a história que se apresenta. As descrições são pouco claras, apenas sendo possível descortinar o que realmente se passa com ajuda das ilustrações (FABULOSAS POLICROMIAS) que estão nas páginas centrais. Para mais, os personagens sofrem pouco desenvolvimento, sendo que há uma humanização da máquina e do programa baseada na sua aprendizagem que calha um pouco ilógica nos momentos finais.
Ainda assim, foi bom variar do romance habitual com um pouco de ficção científica, um género que leio muito pouco e sobre o qual tenho curiosidade.
By : ladyxzeus
Snowpiercer
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Snowpiercer
Joon-ho Bong
2013
Filme
6 em 10
Visualizado depois de levar os turistas a passear a Almada. Gostaram pois não tinha turistas e porque os levámos ao tasco mais tascoso de Portugal.
Baseado numa graphic novel francesa, este é um filme passado numa realidade distópica. A humanidade terminou e o mundo enfrenta uma era do gelo. Os únicos sobreviventes são aqueles que conseguiram apanhar o Snowpiercer, um comboio de altíssima tecnologia que dá a volta ao mundo constantemente e que tem um ecossistema próprio. Infelizmente, como em tudo, existe uma grande divisão de classes dentro deste comboio, protagonizada pelas pessoas que vivem nas carruagens traseiras. Estas, lideradas por um jovem cheio de revolta dentro dele, decidem conquistar o comboio e fazer as suas próprias regras. Para isso, são ajudadas por dois coreanos - pai e filha - viciados numa estranha droga chamada Kronol.
O ambiente do filme, o comboio, é muito interessante. Está extremamente detalhado e realmente funciona como realidade alternativa. O que não funciona neste filme é o facto de os personagens interessantes serem todos eliminados da corrida à medida que as cenas de acção decorrem. Estas, apesar de animação compoturizada ser bastante falha, são muito engraçadas em certa medida, mas aterrorizantes se vistas pela perspectiva dos personagens.
Existem personagens muito interessantes, e a história pregressa de todos eles é quase comovente. Nota para Tilda Swinton que interpreta, possivelmente, a personagem mais fascinante do filme: Mason, o pau mandado das carruagens da frente que decide e faz as vidas das carruagens de trás. Também fiquei surpreendida pela intensidade dos actores coreanos, dado que apenas os tinha visto naquelas novelas horrorsas que todos adoram.
Para apreciar este filme, temos desde logo que admitir que esta realidade existe, apesar de alguns detalhes que poderiam ter sido explicados (por exemplo, porque razão se venderam os bilhetes, como apareceu a era do gelo, por aí em diante). De resto, é um bom filme de acção num ambiente bastante original, pelo que poderá ser um filme interessante para uma noite de mosquitos.
By : ladyxzeus
The Hunger Games: Mockingjay
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Mockingjay
Suzanne Collins
2010
Ficção Científica
Portanto, tirei a tarde porque fui trabalhar no sábado de manhã. São seis e meia e só agora estou em casa. Antes de avançarmos para os animes semanais que estão a terminar, façamos uma interrupção com tão famoso livro. É verdade, aqui está o terceiro volume da saga Hunger Games. Para saberem mais, leiam os comentários ao Primeiro e Segundo volumes!
Ora bem, que tenho eu a dizer? Depois do que eu gostei do primeiro volume, da impressão neutra do segundo... O terceiro só piora. Pois é... Agora o jogo é outro. De repente, Katniss vê-se envolvida numa guerra de rebeldes, numa revolução contra o sistema. Isto seria muito interessante, se não repetisse a fórmula anteriormente usada uma e outra vez, ao ponto de exaustão.
A personagem evolui da pior forma possível: regride. As suas fragilidades enquanto adolescente estão permanentemente em causa e, por culpa delas, a história desenvolve-se a um ritmo fastidioso, sem a emoção selvagem que caracterizava a personagem. Isto perde-se, apesar de compreendermos que esta moça já passou por muito na vida. Mas a verdade é que isso só revela como ela é fraca, pois não consegue ultrapassar as situações. Nomeadamente a situação Peeta vs Gale, que se demora demasiado tempo - ao longo de todo livro - apenas para terminar de forma apressada e sem muito fundo de lógica. Deu a impressão de que a autora tinha um limite de palavras e resolveu terminar com "e então passou-se isto e isto e fim"
Os novos personagens são muito pouco explorados e as revelações sobre os personagens antigos são demasiado inconstantes para serem levadas a sério. Da mesma forma, as descrições de paisagens e mortos (em geral) aparecem em excesso e acabam por cansar. O que realmente queremos é saber sobre a narrativa, não interessa muito sobre quem está a matar quem e como. Talvez o leitor de agora goste disto, mas o leitor de antigamente farta-se rapidamente.
Enfim, o terceiro volume desapontou, mas gostei da trilogia no geral. Acho que a ideia está boa e está bem escrito. Talvez seja um ponto de partida para o leitor jovem, se depois disto tiver vontade de ler outra literatura em universos distópicos que seja um pouco mais complexa. :)
By : ladyxzeus
The Hunger Games: Catching Fire
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Catching Fire
Suzanne Collins
2009
Ficção-Científica
Finalmente de regresso ao Kobo! Tenho andado extremamente ocupada, com o trabalho, o cosplay e as pessoas, mas li este livro de uma assentada. Depois do primeiro volume, tinha muita curiosidade em saber como continuava a histórai. Depois de Catching Fire, fiquei cheia de vontade de ver como a história vai acabar. Porque o livro acaba, mais uma vez num precipício e queremos, sem dúvida, saber o que acontece a seguir.
É essa a parte boa deste tipo de livros: envolvem muito rápido e são muito fáceis de ler. Uma boa lufada de água fresca entre livros mais para o pesado, mais complexos. Olhando as coisas bem a fundo, o livro divide-se em duas partes. A primeira prova que, realmente, é literatura para a adolescente fêmea e vai até meio do livro (isto é, meio da segunda parte oficial). A segunda relata outros Jogos da Fome, com toda a sua violência e insere um novo elemento na narrativa. Evidentemente, gostei muito mais desta segunda parte.
Inicialmente, podemos observar o dilema amoroso da personagem principal, Katniss, e uma multitude de vestidos e roupas de todos os géneros. Mais tempo é passado a descrever as roupas do que outra coisa. Há uma delas que faz um manifesto, o que é bastante interessante, com as tristes consequências que podem ocorrer num governo totalitário. Analisando bem o objecto, a personagem é formulaica, usada e repetida em muitos romances para jovens. Uma rapariga que tem uma característica que a define, sendo que tudo o resto é um pouco fosco, dividida entre um amor "correcto" e outro "incorrecto", o claro e o escuro. Envolve-se num problema que a afasta do verdadeiro amor (o incorrecto) e a faz aproximar daquilo que todos esperam dela.
O que distingue o livro dos outros do género é a natureza do problema que se lhe coloca: um jogo em que só um pode sobreviver. Neste aspecto, Catching Fire é mais interessante do que a prequela. Tem personagens mais interessantes (quanto mais velhos ficamos mais interessantes somos, oooh) e o campo de jogo também é mais complexo e requer algum entendimento.
O final de teor revolucionário é apetitoso e dá a esperança de que o último volume da trilogia adquira um teor mais adulto e menos focado no romance. Mas antes quero ler mais livros, tenho de rechear o meu bicho Kobo!
By : ladyxzeus
The Hunger Games
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The Hunger Games
Suzanne Collins
2008
Ficção-Científica
Queria ler este livro desde o meu estágio curricular, em que a minha colega comprou a trilogia. Tinha mesmo muita vontade de o ler! Por isso, ao receber o meu lindo e maravilhoso e-reader Kobo, foi o primeiro livro que arranjei!
Começo pelo Kobo. Não há bicho mais lindo que ele. A ver se ponho aqui uma foto mais tarde. É super leve, pequenino, fofinho, é táctil, é a preto e branco, só leva livros, dá para arranjar montes de livros na loja do Kobo a preços muito mais baratos. São assassinadas menos árvores a longo prazo. Tem dicionário incorporado. Só não tem luz, mas nada que não se resolva. Adoro-o e já tenho uma série de livros prontos para serem lidos nele. Não que eu vá abandonar para sempre o formato papel, mas isto realmente dá muito mais jeito. Por exemplo, estou a transportar esta trilogia de 800 páginas mais outro livro dentro da mala. E a capinha que a minha irmã me deu para fazer complemento também é toda jeitosa! E ele é cor de rosa por trás! =D
Mas o livro.
Num universo distópico, pós-apocalíptico, a América do Norte (Panem) é dominada pelo Capitol. Para provarem que mandam em tudo, eles organizam todos os anos os chamados Hunger Games, jogos de morte em que um rapaz e uma rapariga de cada terra (Distrito) são enviados para se matarem uns aos outros. Katniss acaba por ir parar aos Hunger Games. Mas ela tem uma vantagem: no Distrito dela, o Distrito 12, ela caçava com arco e flecha. Ela sabe mexer-se. Eu só penso... Se tivesse de ser eu a ir (ainda bem que já passei a idade), morria logo, que não tenho talento para nada de útil num cenário de guerra.
Foi um livro que adorei ler, apesar de - com toda a objectividade - não ser nada por aí além. Manteve-me sempre colada a ele, desejosa de continuar, desejosa de saber o que vinha a seguir. O livro conta em detalhe o que são estes Hunger Games: no fundo são um reality show em que as pessoas morrem. E realmente, só falta fazerem esse tipo de reality show. As pessoas iriam adorar. Existem alguns temas, como a exploração e a pobreza extrema, que são abordados, mas acabam por não ser o tema mais importante da história. A forma como tais temas estão descritos é, no entanto, feita com talento: são as considerações sobre a vida de Katniss, histórias do seu passado, que ilustram como as pessoas vivem fora do Capitol e como têm vidas difíceis.
As relações entre os personagens, colocados sobre tensão constante, acabam por ser bastante bonitas. Gostei especialmente de Rue e da forma como lutaram contra o sistema. No fundo, este é um livro sobre como lutar contra um sistema, um sistema injusto e corrupto a ponto de não respeitar a vida e a condição humana, ridicularizando-a e denegrindo-a.
O final soube a pouco e deu-me logo vontade de continuar para Catching Fire, o segundo volume. Mas resisti (gosto sempre de fazer um intervalo entre livros de uma série). Também me deu muita vontade de ver o filme, porque o livro é sem dúvida cinematográfico. As descrições são quase feitas para o ecrã, acabando por não ser muito exactas e deixando muito ao nosso critério. Mmm, vendo desta forma, talvez não seja boa ideia ver o filme. Espero que não me desaponte!
By : ladyxzeus
Hal
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Hal
Makihara Youtarou - Production I.G.
Anime - Filme
2013
6 em 10
Esta noite tive tempo para um filme. Fui à minha infinita lista de downloads e escolhi um aleatoriamente. Este foi a vítima.
Um filme que surpreende, mas sobre o qual não deixo de ter uma opinião neutra. Existe um casal, Hal e Kurumi. Hal morre num acidente de avião e, para curar a depressão de Kurumi, um robot é enviado para o substituir. Assim o filme fala do redescobrir do amor, através de um detalhe muito bonito e romântico: mensagens em cubos de rubik. Há uma grande reviravolta, muito surpreendente, no final, que vem a provar o meu ponto de vista do filme falar sobre o perdão e sobre a descoberta do que pode melhorar numa relação. Mas não o vou contar, porque se não o souberem é muito mais interessante. :)
No entanto, o filme tem muitas coisas que se sobrepõem e que acabam por retirar o foco. Além do mais, sente-se a necessidade de uma explicação mais detalhada sobre o trabalho da tecnologia neste universo e da relação humano-robótica. Esta poderia ter sido melhor explorada, o que tornaria o filme em algo mais virado para a ficção-científica e menos para o romance. Por isso, por um lado, até foi bom que deixassem os dados tecnológicos sossegados, pois assim puderam dedicar-se mais à relação Hal-Kurumi.
A arte é moderna e está cuidada, mas não é nada de extraordinário. O CG está bem integrado e mal se nota e há um uso interessante, se bem que não espectacular, da luz e da cor.
Musicalmente, o anime é fraco. A música final não traz nada de novo e as do parênquima são bastante vulgares, apesar de apropriadas.
Mas como o filme só tem uma hora, acho que não se perde nada em vê-lo. O conceito está interessante. Um filme bom para se ver encostado ao aquecedor, enquanto nos esforçamos por pensar que é Verão.
By : ladyxzeus
2001: Odisseia no Espaço
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2001: Odisseia no Espaço
Stanley Kubrick
1968
Filme
10/10
Creio que nos quase três anos que compreendem este blog nunca dei a nota perfeita a um filme, manga, anime, o que quer que fosse. Esta é a primeira vez. Bem vindos.
Fui ver este filme ao cinema, nas Sessões Clássicas do El Corte Inglés. Sem dúvida um filme que ganha por ser visto no grande ecrã. Com Kubrick vamos viajar até ao espaço, no ano 2001 de uma era longínqua. O filme está dividido em três partes mais uma e, assim, falarei delas individualmente. Tentarei analisar o que se passa, mas confesso que a minha opinião está limitada. Porque eu não percebi bem o que se passou. Duvido que alguém o consiga fazer e, segundo li, o objectivo dos autores era precisamente que as pessoas saíssem da sala com muitas ideias a borbulhar na mente. Objectivo conseguido.
Tudo começa com uma visão da Lua, Terra e Sol, ordenados numa simbologia que pode representar o infinito. Adornada essa imagem com a música mais famosa do filme, "Assim Falava Zaratustra"de Strauss, podemos imaginar desde já a viagem épica que se prepara para se desenrolar diante dos nossos olhos.
Na primeira parte falamos da origem do Homem. Num lugar inóspito, talvez Africano, um grupo de humanos primordiais luta pela vida. Partilham o espaço com tapires e leopardos, vivendo muitos perigos no dia a dia, lutando pelos recursos essenciais. Estes homens do passado parecem-se muito com chimpanzés. Mas não são: são um grupo de pessoas com uma maquilhagem perfeita e fatos peludos que, numa coreografia selvática, reproduzem os movimentos selvagens daqueles que ainda não aprenderam a andar com duas patas. Um dia, acordam perante um estranho objecto. Um monolito negro, um paralelepípedo que apareceu à sua frente. Tocam-lhe e a partir daí descobrem aquilo que irá definir a humanidade: a capacidade de usar objectos como forma de destruição. Pareceu-me, então, que o Monolito (com maiúscula, porque ele é importante) deu ao Homem a capacidade de matar, a capacidade de destruir. Se isso nesta fase é uma ferramenta para a sobrevivência, será que se tornará em algo mais no futuro? O filme não volta a tocar este assunto de forma evidente, mas parece-me que a influência deste primeiro Monolito é fulcral para o que se passa no resto da história.
A segunda parte é já num futuro distante. Eles dizem "2001", o novo século, o novo milénio... Na altura em que o filme foi feito, isto é longínquo. Daí se poderem imaginar todas as coisas que vamos ver. Uma arrebatadora cena espacial em que vemos a viagem para a estação e para a Lua, ao som do Danúbio Azul, introduz esta secção. Começamos então a reparar nos efeitos especiais, de um avanço surpreendente para a época, com reprodução fiel de máquinas do imaginário da ficção científica nas suas melhores proporções e imagens paisagísticas do espaço. Nenhum som se ouve, apenas a música. Cada objecto é tratado com o máximo detalhe, a forma de andar dentro das naves sem gravidade, a maneira como se vai à casa de banho (com um livro de instruções), a funcionalidade da maquinaria... E tudo isto é normal para as pessoas que vivem neste filme. Uma viagem ao espaço é algo corriqueiro, como demonstrado pelo telefonema (com cartões de telefone!) feito para casa, para a terra. Ficamos a saber que algo estranho apareceu na Lua. Pois é. É outro Monolito. Aparenta ter sido enterrado propositadamente há quatro milhões de anos ali.
E passamos, dentro da mesma parte, para uma viagem a Júpiter. Como viremos a saber depois, o Monolito enviou para lá um sinal, por isso temos de lá ir para ver o que se passa. Será vida inteligente fora da Terra? Mais uma vez, os efeitos especiais são um primor. Impressionou-me sobretudo a cena em que Dave, o nosso astronauta, faz jogging a toda a volta da sua nave espacial. A toda a volta, virado de cabeça para baixo. Sei que isto em 2013 deve ser a coisa mais simples de se fazer no cinema. Mas nesta altura não havia computadores para nos ajudarem. Surpreendente. Fascinante.
Esta nave espacial é conduzida por um super-computador de última geração: HAL 9000. Ele não passa de um olho vermelho omnipresente, uma luzinha como tantas, e de uma voz extremamente calma. No entanto, ele tem inteligência. Apesar de ser uma máquina, aparenta ter sentimentos humanos. Dave e Hal debatem diversos assuntos, até ao momento em que algo de errado se passa e o computador tem de ser desligado. Enceta-se então uma luta de homem vs máquina. Mas uma luta de um teor diferente. Neste filme não há um único momento de "acção", como gostam de lhes chamar, nenhuma luta épica corpo-a-corpo, nenhuma arma. É uma luta psicológica. Mas como travar uma luta psicológica contra algo que nem sequer é suposto ter emoções. É este debate, será que a máquina um dia ultrapassará o homem, que Kubrick quis demonstrar, com resultados impressionantes. Será que um dia a máquina será tão inteligente como o humano? Será que estamos a criar emoções artificialmente a ponto de um dia elas nos poderem dominar? Estas questões já foram abordadas numa série de filmes mas, mais uma vez, relembremos a altura em que isto foi feito: era uma questão relevante, com o desenvolvimento da tecnologia. E continua a ser, cada vez mais, porque se já temos concertos da Hatsune Miku o que faltará para criarmos o HAL 9000 e ele nos tentar destruir?
Dave, o astronauta, termina sozinho no caminho até Júpiter. Não faltava muito para lá chegar, mas agora ele está completamente só. Para Júpiter e para Além Disso é a terceira parte do filme. E é uma verdadeira festa visual. Vale a pena tomar uns psicotrópicos só para ver esta cena final, pois tudo o que vimos até agora vira-se e deixa de ser verdade. Ou ainda é mais verdade, tudo depende da perspectiva. Em Júpiter, Dave encontra Monolitos, uma data deles. E eu acho (eu acho) que ele entra dentro de um. Lá dentro observamos uma cena extremamente bizarra, o nosso herói a envelhecer sem sequer dar por isso, a envelhecer e a morrer, observado pelo Monolito. Nessa intensa viagem, a minha conclusão é que ele morreu e renasceu como o primeiro Monolito que foi parar à Terra, o que os macacos viram. O que me leva a concluir que tudo é um ciclo e que são os homens do futuro a ensinar os do passado, repetitivamente, até não precisarmos mais da acção do Monolito.
Agora, é ele uma entidade extra-terrestre? Eu creio que não. Acredito que ele não é um elemento físico, que existe, mas sim uma representação da evolução do ser humano, não uma força exterior mas sim algo que vem de dentro. Pois a mudança terá de vir de dentro.
Este filme é o epítomo dos efeitos especiais. Da banda sonora. Da realização. Cheio de detalhes deliciosos, tenebrosos, é um filme que enerva, que assusta, que perturba. Que faz pensar. Sem nunca mostrar sangue, lutas, todas essas coisas que povoam os filmes de agora. Um conjunto de cenas abismais, o épico discreto, o épico que o é sem o tentar.
Foi a minha primeira nota perfeita desde que tenho o blog e sim, vale a pena. Vejam-no assim que tiverem a oportunidade. Aproveitem o facto de estar no cinema. É uma viagem ao espaço que não tem retorno. Ninguém fica a mesma pessoa depois de fazer a Odisseia no Espaço.
By : ladyxzeus
Fórum Fantástico
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No lançamento da revista, fomos chamados ao palco. Nesse momento conheci a rapariga que ilustrou a minha história, de uma forma um pouco surpreendente.
Depois, observemos o programa:
Fórum Fantástico
Na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras - local já conhecido por ser casa da Anicomics - decorreu este fim de semana o Fórum Fantástico, uma pequena convenção de fãs de literatura fantástica. Ora, vocês já me conhecem... Já sabem que não é essa a minha praia. Portanto, o que fui eu lá fazer?
Toda ranhosa, desfeita em ranho, fui assistir ao lançamento da Revista Lusitânia, na qual foi publicado um dos meus contos. Intitulado "A Sereia de Cacilhas", é sobre o senhor da Transtejo. Comentarei tudo isso quando ler a revista, mas digo desde já que ela é bastante atraente. O meu conto pode ser lido no meu deviantArt, mas sugiro que comprem a revista para apoiarem o projecto. Assim, não coloco aqui o link - por agora. Comprei três revistas, além da que me deram por eu ser uma das autoras/colaboradoras, uma para o meu pai, outra para um amigo e outra para o meu mais amigo.
No lançamento da revista, fomos chamados ao palco. Nesse momento conheci a rapariga que ilustrou a minha história, de uma forma um pouco surpreendente.
Depois, observemos o programa:
Assisti a uma palestra interessantíssima sobre a evolução da literatura fantástica em Portugal, desde as histórias de cavaleiros (que foram salvas no D. Quixote!) até à ficção científica dos anos 70, que me pareceu tão deliciosamente foleira.
Como o que estava no resto do programa tinha que ver com steampunk, que não me interessa minimamente, fui para a rua conviver. Conheci desconhecidos, mas não fiquei com o nome de nenhum. Assim, mantiveram-se desconhecidos, apesar de termos tido conversas muito interessantes e educativas. Quase que me sinto tentada a ler mais de fantasia.
Falando nisso, estavam lá para vender uma série de livros. E uma série de livros que me interessavam também! Mas os que eu queria eram os do grupo dos 15€ e eu não ia preparada para gastar esse dinheiro, por isso acabei por não comprar nada. Ao menos fiquei com alguns títulos para referência.
Uma tarde bem passada, em que piorei da minha constipação. Veio a culminar em dois dias de baixa do trabalho e agora estou aqui sem fazer nada...
By : ladyxzeus
Suisei no Gargantia
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Suisei no Gargantia
Urobuchi Gen - Production I.G.
Anime - 13 Episódios
2013
7 em 10
Para mim o melhor anime desta temporada. Na sua génese está o criador das nossas famosas Megucas, mas este anime não tem nenhuma pretensão a deconstrução. É simplesmente um conto de ficção científica passado num imaginário extremamente bem concebido e muito original.
Comecemos pelo início, que é o melhor sítio para começar. Algures no meio do espaço, está um soldado (Ledo) dentro de um mecha (Chamber) a lutar contra umas anémonas espaciais (Hideauze). De repente, é absorvido por um wormhole e vai parar a um planeta a milhares de anos luz de distância. Esse planeta está coberto de água e os seus habitantes vivem em navios que formam ilhas flutuantes com a sua própria civilização. Esse planeta é o planeta Terra. Pois é, depois de mais uma idade do gelo, sobrou um planeta coberto de água e os seres humanos tiveram de se adaptar.
Ao início o anime explora as diferenças entre os dois universos, a Terra e a confederação artificial onde vivia Ledo. Existem diferenças na língua (o que é sempre uma coisa extraordinária) e dos hábitos e vemos Ledo a conformar-se e a adaptar-se ao novo universo em que se encontra. Mais tarde ele encontra umas criaturas parecidas com os Hideauze, a que eu chamo de Balulas (Baleia + Lula) e aí a história dá uma volta, mas sem nunca se desencontrar do objectivo inicial de explorar as diferenças.
Temos personagens variados e todos eles têm uma certa evolução, mas sobretudo Ledo e Chamber. Eles estavam habituados a uma sociedade autocrática e de repente Ledo vê-se confrontado com uma realidade em que viver é mais do que lutar contra seres aquáticos do espaço. O próprio Chamber, sendo uma inteligência artificial, adapta as suas decisões ao universo novo em que se encontra, sendo que o climax é atingido com a sua realização. De entre os outros personagens, apenas Pinion tem uma certa evolução, passando de convencido insuportável a mais ou menos humilde insuportável. Todos os outros aparentam estar lá como decoração ou como mecanismo para o avanço da história, sobretudo Amy.
A arte é deveras linda. Deveras lindíssima. Para um mundo todo coberto de água, temos uma variação de cores, nela e no céu, brilhante e bela. Os barcos, Gargantia sobretudo, estão desenhados com extremo detalhe. É um anime muito bonito e a paleta de cores trás uma vibração positiva. Existe algum CG, sobretudo no design dos mechas, mas está bem integrado com o resto do ambiente e acaba por não destoar.
O mesmo se aplica à música, isto da positividade. Olhando bem, não é nada de especial, mas adiciona bem-estar às situações.
Infelizmente temos alguns episódios, sobretudo na primeira parte, que parecem não estar ali a fazer nada. Nomeadamente o episódio da praia (que não é bem uma praia, mas tem fatos de banho) e o episódio das danças dos ventres. Senti-os mais como episódios de serviço inusitado, ali postos às três pancadas para ocupar o tempo e para tentar dar alguma densidade aos personagens femininos (que não a têm). Talvez também para aumentar o sentimento "feel good" de toda a parte inicial da série.
De resto, um anime muito original e muito bonito, com a sua dose de piada, que vale a pena ver.
By : ladyxzeus
Cloud Atlas
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Cloud Atlas
Tom Tykwer, Andy e Lana Wachowski
Filme
2012
7 em 10
Há tanto tempo que eu não ia ao cinema... Boa escolha, este filme. São quase três horas que passam num instante.
O filme podia ser muito confuso, mas é bastante simples. Temos uma série de histórias, aparentemente desrelacionadas, mas que têm consequência umas nas outras. Temos histórias no passado longínquo, no passado, presente, futuro e futuro longínquo. E no futuro ainda mais longínquo. E todas se influenciam umas às outras. Em resumo, vidas passadas.
Todas as histórias têm alguma relação com uma injustiça e com uma revolução necessária ao mundo. É muito interessante ter tantas histórias pois são muito variadas. E enquanto algumas são muito trágicas, temos outras recheadas de humor. Três realizadores foram precisos para termos tanta variedade e, acho eu, funciona. O filme até aproveita para nos dar algumas lições de vida, num universo futurista impressionante.
Não gostei especialmente dos efeitos especiais, não me pareceram nada realistas (até hoje bonecos continuam a ser bonecos), mas há um trabalho fabuloso em termos de maquilhagem e caracterização. Cada actor faz uma série de personagens, o que adiciona ao simbolismo de estarmos todos ligados uns aos outros. Há alguns que estão mesmo muito bem disfarçados. Também deve ter sido muito interessante para os próprios actores participar num trabalho em que têm de se mutar constantemente para fazer personagens completamente distintos.
Posso dizer que valeu a pena os mais de cinco euros que custou o bilhete. Só me faz impressão os bilhetes já não serem bilhetes e serem uns papéizinhos cuja tinta desaparece num instante.
By : ladyxzeus
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
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O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
Germano Almeida
1989
Ficção
Foi a primeira vez que li um livro cabo-verdiano. Diverti-me imenso.
Este livro fala do testamento de um comerciante bem sucedido, o Sr. Napumoceno da Silva Araújo, que deixa todo o seu dinheiro e negócios a uma filha secreta que todos (até ela) desconheciam em vez de o deixar ao seu sobrinho. O livro discorre sobre a vida deste Sr. Napumoceno, das vezes que se apaixonou, dos bons negócios que fez, das suas manias de higiene e de fatos para ocasiões sociais, do que sente pelas outras pessoas e porque razão se zangou com o sobrinho. E Germano Almeida faz isto com tanta mestria que a vida deste homem que nem sequer fez nada de especial se torna numa coisa muitíssimo interessante.
O livro prendeu-me do início até ao fim. Escrito em vários estilos, conforme o dita a necessidade, não deixa de nos surpreender, quer seja pela intensidade do relato ou pelos pequenos detalhes, que são tão engraçados.
Diz que também há em filme, mas em filme não deve ser tão giro.
By : ladyxzeus
A Wind Named Amnesia
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A Wind Named Amnesia
Hideyuki Kikuchi
Light Novel
1983
Já tinha ouvido falar deste livro por isso, quando o vi com desconto na Kingpin, comprei-o. E ainda bem.
Num futuro não muito remoto em que a humanidade se lança à conquista do espaço, acontece uma desgraça. Todos os seres humanos perdem as suas memórias. Esquecem-se de como falar e de como agir, as mães esqueceram os seus filhos e toda a humanidade tem de recomeçar a organizar-se. No meio de tudo isto, há um homem, Wataru, que mantém a antiga sabedoria. Ele encontra Sophia e juntos lançam-se numa fantástica viagem pelos Estados Unidos.
Esta é a primeira história. Para mim é, em todos os aspectos, brilhante. Está muitíssimo bem escrita, os personagens muito bem caracterizados e a história desenvolvida de forma excelente. A ideia é muito original. Apesar de agora nos parecer um pouco Saramaguiana temos de recordar a data em que isto foi escrito. Com alguns elementos de ficção científica que poderiam ter estragado tudo (mas que não estragaram), este livro é uma ilustração da humanidade e uma desconstrução da evolução da espécie como ser senciente e moral. Com Sophia, a observadora ignorante dos aspectos básicos da humanidade, e Wataru, aquele que é acometido por um forte sentido moral, contrabalanceando-se ao longo de toda a história temos uma caracterização cuidada e bela do que "poderia ter sido". Analisando os mais profundos sentimentos da humanidade, enquanto espécie, Hideyuki Kikuchi compôs uma obra fenomenal. Uma ficção científica que me faz ter vontade de ler mais ficção científica (eu que detesto o género). Gostaria de lhe escrever a congratulá-lo, mas qual será o seu e-mail?
The answer my friend, is blowin' in the wind.
Gostaria também que os Americanos fizessem um filme, ou uma série, disto. Há um filme de anime, que ainda hei-de ver e comentar aqui, mas tem todo o aspecto de ser uma valente porcaria.
O segundo livro desta edição conjunta, Invader Summer, não é tão bom. Numa pequena cidade Japonesa, o Verão é perturbado pelo aparecimento de uma misteriosa rapariga, por quem todos se apaixonam, seguido de fenómenos paranormais. Esta história era confusa. Tinha muitos nomes, o que tornava tudo mais difícil de acompanhar e demasiadas coisas a acontecer. Por momentos perdi o fio à meada e foi sempre difícil de o recuperar. Está bem escrito, é verdade, mas parecia estar desorganizado e com as ideias pouco fixas. De qualquer forma teve os seus momentos de beleza.
Para ambos, as ilustrações são um excelente complemento. Todas feitas em ballpoint pen, caracterizam especialmente bem as cenas essenciais do livro. De facto, algumas cenas não seriam essenciais e tão cheia de beleza se as ilustrações não as completassem.
Sem dúvida um livro maravilhoso, que recomendo a toda a gente, fãs de ficção científica ou não.
By : ladyxzeus


