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Midori: Shoujo Tsubaki
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Midori: Shoujo Tsubaki
Harada Hiroshi
Anime - Filme
1992
8 em 10
É com grande alegria que o post que ultrapassa a barreira dos mil seja um excelente e recomendável exemplo de animação experimental num tema muito pouco falado em anime. Foi o Qui que o descobriu, por mero acaso.:)
Inspirado num manga pelo rei do Guro, Suehiro Maruo, trata-se da trágica história de Midori, uma menina que após a morte dos seus pais é entregue a circo de freaks, que a maltratam de todas as formas possíveis. Até à chegada de um anão que faz magia "ocidental", que se apaixona por ela e a protege, relativamente dos acontecimentos. É uma história triste, sem um final feliz ou satisfatório, mas que serve apenas como mote para a terrífica experiência visual em que este anime se torna.
A animação é extremamente simples, uma produção independente estimulada pelo realizador Harada Hiroshi que, espectacularmente, desenhou todos os momentos deste filme. O filme está formulado de tal forma que se assemelha a um teatro de sombras de papel, sendo que na realidade a história original era um desses teatros. Assim, a animação mantém-se integra com a ideia original, servindo bastante bem como homenagem. Apesar da simplicidade da animação, existe um detalhe profundo no design dos personagens e nos cenários, o que torna o visionamento numa experiência agradável (apesar dos momentos sangrentos e horríveis). De resto, existem algumas cenas em que se investe numa animação desregrada, muito experimental e original, que nos levam até um reino de pesadelo e magias terríveis, ultrapassando os limites da mais perturbada imaginação.
Adicionando a tudo isto temos uma banda sonora perturbadora e assustadora, que torna a narrativa, que já de si é pesada, numa experiência brutalizante.
É um anime horrível, tratando de temas horríveis, nada agradável para uma noite sem sonhos. No entanto, foi das coisas mais interessantes que vi ultimamente e não deixarei de o recomendar.
By : ladyxzeus
Mind Game
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Mind Game
Yuasa Masaaki - Studio 4ºC
Anime - Filme
2004
8 em 10
Chegados a casa, não sabíamos que filme ver. Como tínhamos estado a falar deste filme enquanto esperávamos que o Capitão Falcão começasse (não sou só eu que vejo animus dentro do meu grupo de pessoal :v ) fui buscá-lo ao Nyaa para o vermos. Assim, também ensinei ao Qui sobre o Nyaa. Já tinha visto este filme umas três vezes no passado, mas de cada vez é sempre uma experiência diferente: o filme tem tantos momentos e tantos detalhes que é impossível lembrarmo-nos de todos.
Tudo começa de uma forma calma: um rapaz encontra o amor da sua infância anos depois, indo jantar com ela. Quando são atacados por yakuza, ele é levado para um lugar onde nada existe: só ele e uma criatura sem forma a que chama de "deus". Depois de fazer um acordo com este "deus" (ou será o diabo?) Nichi, o rapaz, decide mudar a sua maneira de ver a vida. E a partir daqui desenvolve-se uma louca corrida de acção e uma aventura de contornos surreais em que os nossos personagens aprendem mais sobre si próprios, sobre o mundo que os rodeia e, afinal, sobre o que é realmente viver a vida e ser feliz.
É um filme extremamente experimental, com um uso de variadas técnicas de animação, que explodem em cor e acção a todo o momento, dando azo a grandes situações psicadélicas, simplesmente loucas, um prazer visual intenso que nos leva a perceber realmente quem são estas pessoas, o que as levou até ali e o que elas desejam. À medida que a solidão os ataca, que o aborrecimento os mata, inventam sempre novas coisas para fazer, cada uma mais alucinante que a anterior, revelando no final aquilo que realmente desejavam para a sua vida e ganhando nova força para sair da situação em que estão e, realmente, lutar para que as coisas aconteçam.
À primeira vista pode ser difícil de perceber quais os motivos destes personagens e o que os leva a ter estes desejos ocultos, pois a narrativa está quebrada em várias situações e os flashbacks são feitos de forma a mostrar apenas os elementos mais simples da vida diária, misturando memórias fortes do passado com momentos do quotidiano. Os eventos marcantes são repetidos ao longo do filme, o que por vezes pode ser um pouco aborrecido, mas o resultado final é tão imersivo que não deixamos de ficar a pensar no que foi realmente esta viagem.
Um filme ácido.
By : ladyxzeus
Mais Algumas Curtas de Osamu Tezuka
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Curtas-Metragens Experimentais
Osamu Tezuka
Anos 60 a 80
Depois de vermos três curtas metragens de meia hora no início da semana, deu-nos vontade de ver mais algumas enquanto esperávamos que o filme que íamos ver a seguir acabasse de chegar sob forma de torrent. Como são algumas e são todas bastante curtas, decidi colocá-las aqui neste espaço e falar delas (em vez de criar um post para cada uma, o que seria uma chatice)
Memory
Aqui, falamos um pouco sobre memórias. Com uma animação bastante enlouquecida, falamos de momentos marcantes da nossa vida, com leveza e um grande sentido de humor. No fundo, esta curta tenta moralizar-nos para a memória da guerra, que já nesta altura se dissipava para prioritarizar outras coisas.
Drop
Um marinheiro naufrago desespera em busca de uma gota de água. Aparenta ser apenas um exercício de técnica, de qualidade relativa, embora seja bastante engraçado.
The Genesis
Prova de que Tezuka era um hippie de opiniões fortes mas um pouco divergentes em relação ao que seria de esperar. Manifesto anti-feminista no seu âmago, poderá desagradar hoje em dia, mas dentro do contexto da época é muito engraçado.
Jumping
Para mim, esta curta é um pouco assustadora, pois eu tenho como pesadelo frequente isto de saltar cada vez mais alto e nunca mais parar. Também é uma curta metragem que fala um pouco sobre a guerra, mas que também se estabelece como exercício de animação. É bastante curioso.
Broken Down Film
Puro exercício de técnica, mas altamente moderno para a sua época.
Push
Estranho e filosófico, fala sobre um homem que obtém todas as coisas por carregar em vários botões. No entanto, nunca conseguirá um novo planeta Terra, que foi destruído. É uma curta metragem que dá que pensar e nos leva a questionar sobre a nossa própria realidade.
Mermaid
Para mim, o mais interessante e também o meu preferido deste conjunto. Fala sobre a liberdade de expressão e a liberdade de sonhar, numa história com uma elevada força moral que nos prova que imaginar é sempre possível. A animação é muito simples, mas dentro deste contexto tem resultados muito belos.
Para além destas também vimos Muramasa, da qual já tinha falado neste espaço. São filmes curtos e que vale a pena ver, não só pelo seu contexto histórico e narrativas originais, mas sobretudo pela animação revolucionária, que se veio a revelar mais tarde em filmes com uma produção mais abrangente.
By : ladyxzeus