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  • Porque Escolhi Viver

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    Porque Escolhi Viver
    Yeonmi Park
    2015
    Auto-biografia

    Recebido na Chuva de Livros de aniversário, este foi um livro que me deixou de pé atrás e logo se revelou uma leitura altamente viciante.

    Yeonmi Park é uma refugiada da Coreia do Norte. Nesta auto-biografia, numa linguagem simples e sem pudor, ela fala da sua vida nesse país inventado e da sua fuga, com as consequências inerentes.

    A visão da Coreia do Norte é a de um país de fantasia, algo quase distópico mas que na realidade existe. Alguns dos momentos levam-nos a pensar que tudo é inventado, que as coisas não podem ser assim. Como é que a comida preferida de alguém pode ser cabeças de libélulas. Como é que uma criança pode nunca ter visto um pavão, ou um elevador.

    Mas essa visão é ainda mais perturbadora quando percebemos o que acontece aos que se escapam: a escravatura, o tráfico humano. E após essa libertação, compreendemos que "podemos sair da Coreia do Norte, mas ela nunca sai de dentro de nós". Porque Yeonmi, na sua sinceridade, torna-se altamente influenciável, continua a responder à sociedade como um autómato. Busca libertar-se, mas será que o vai conseguir?

    Um livro real e perturbador pela estranheza dessa realidade.

  • Ébano

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    Ébano
    Alberto Vázquez-Figueroa
    1974
    Romance

    Um livro sobre um assunto que não conhecia, mas que é extremamente grave: o tráfico de escravos na época moderna.

    Tudo começa quando um casal multi-racial vai passar férias a África e a mulher é raptada por traficantes de escravos. Devido à sua beleza e cultura, pois ela foi educada na Europa, os traficantes consideram que vão ganhar um valor excelente por ela e, por isso, encetam uma fuga pelo deserto para chegar o mais rápido possível ao mar, que irão atravessar para chegar a península arábica, local onde estão os maiores compradores deste tipo de "produto".

    A escrita é muito simples e aventureira, oferecendo dados informativos sobre a cultura do deserto. Os personagens são fracos, na sua generalidade, e os diálogos muito simplificados. Por isso, é um livro que se lê muito bem, com algumas cenas de horror bastante impressionantes, nos termos de "o que as pessoas fazem umas às outras".

    Foi uma leitura muito interessante e rápida, que recomendo para quem tiver interesse no assunto.

  • Mandingo

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    Mandingo
    Kyle Onstott
    1957
    Romance

    Este foi um livro que o Qui encontrou perdido na casa dos pais. Num acesso de piedade, trouxe-o para que eu o lesse. E foi o que fiz.

    Apesar do livro se chamar "Mandingo" e de ter o subtítulo "Paixões Escaldantes", trata-se de uma narrativa quase inteiramente dedicada ao jovem fazendeiro que faz criação de escravos para venda e troca. O livro é, então, mais um manual de criação de seres humanos para consumo do que um romance propriamente dito.

    O livro fala de coisas terríveis, mas de uma forma tão obsoleta que acabam por se tornar irrelevantes. a população negra que habita este livro não aparenta ter qualquer tipo de sentimento ou personalidade senão os mais básicos traços de um mamífero, sendo que os outros personagens nem os consideram seres humanos "a sério". Apesar de tocar em diversos temas relacionados com a escravatura, desde o comércio em lotes às lutas até à morte entre escravos, o foco principal nunca é o negro enquanto pessoa: é antes o dono enquanto personalidade.

    As paixões escaldantes acontecem apenas nos finalmentes do livro, assim como os maiores acessos de violência. São tão inusitados, estes, que em vez de causarem pena causaram-me um acesso de hilaridade.

    De resto, é uma edição terrível cheia de gralhas e uma escrita que se perde em detalhes inúteis e nunca retoma o foco na história principal. Penso que terá sido um livro muito famoso, mas qvá-se lá saber porquê.
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