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  • The Man Who Killed Don Quixote

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    The Man Who Killed Don Quixote
    Terry Gilliam
    2018
    Filme
    9 em 10
    Há quantos anos não dave eu uma nota tão alta ao que quer que fosse? Este épico de Terry Gilliam, que tanto esforço, tempo, dedicação e paciência demorou a fazer, entrou-me no coração e lá ficou.

    Com uma graça e actualidade surpreendentes, Gilliam adapta o livro de D. Quixote com uma exactidão irrepreensível misturado com uma liberdade original que apenas beneficia a primeira história. Não irei contar muito sobre a narrativa, para não estragar o filme aos que aí vierem, mas posso dizer que faz um jus extremo ao livro e que se nota que o autor não só o leu atentamente como viveu (tal como quase todos os que o leram) as verdadeiras aventuras do Cavaleiro da Triste Figura.

    Com efeitos especiais extraordinários e paisagens bastante conhecidas por nós (existe mesmo uma secção passada em Portugal, apesar de todas as dificuldades), acompanhamos uma aventura maravilhosa, encantadora, cheia de humor e uma verdeira paixão pela arte de fazer um filme.

    Um filme surpreendente e estelar.
  • D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte

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    D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte
    Miguel de Cervantes
    1615
    Romance
     
    Interrompamos a nossa programação habitual para terminar de ler um dos livros mais geniais da humanidade. Durante esta curta semana, foi tempo de me deliciar com a segunda parte do grande D. Quixote de La Mancha, do nosso amigo Cervantes!
     
    Escrito dez anos após a primeira parte, este novo conjunto de aventuras situa-se - no tempo - algo depois das primeiras. Agora, já toda a gente sabe quem é D. Quixote, pois a primeira parte foi publicada e lida pelo mais variado tipo de pessoas. Quem a escreveu? Pois que Cervantes diz que foi um mouro e que ele próprio está apenas a traduzir a situação.

    O extraordinário deste livro é ver como os personagens evoluiram, e de que forma o fizeram. D. Quixote continua louco, mas um pouco mais terra à terra. Agora, nem sempre cai em todas as esparrelas, sendo que o seu discurso é muito mais lógico e bem situado. Já Sancho Pança, esse sim sofre uma transformação extraordinária. Agora, erra muito menos nas palavras e, continuando a dizer ditados a torto e a direito, di-los com muito mais certezas. Aliás, podemos ver a sua capacidade enquanto ser humano livre e justo quando lhe é dado o governo da tal ínsula que sempre desejou. No entanto, os personagens mantêm-se fiéis a si próprios, sendo que nunca deixam a sua simplicidade natural.

    Nas suas novas aventuras, o Cavaleiro da Triste Figura faz outra coisa revolucionária para a literatura: está sempre mudando de local. E todos os locais são diferentes. Esta viagem, retratada em grande detalhe, leva-nos por paisagens muito diversas, sendo que a capacidade descritiva do autor - apesar de arcaica - nos mostra com precisão aquilo que gostaríamos de ver. Para além disso, esta segunda parte é muito saborosa, com todas as descrições de comida que são feitas.
     
    Desta vez, o autor não nos maça com grandes novelas e histórias paralelas, o que demonstra uma capacidade de auto-crítica que falha em muitos dos autores de hoje em dia.

    O final é um pouco triste, mas também muito simpático. Li este livro enorme de uma assentada e não me arrependo. Agora, sinto-me ligeiramente mais completa. :)

  • D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte

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    D. Quixote de La Mancha - 1ª Parte
    Miguel de Cervantes
    1605
    Romance

    Tinha visto esta edição em volume manejável (relativamente) na Feira do Livro, mas estava tal fila para comprar que desisti. Mas não consegui resistir a comprá-lo mais tarde. E é nesta senda que tenho estado nos últimos tempos, sendo por isso que não escrevi nada sobre livros durante essa altura. Aproveitei o dia de Natal para terminar de ler a primeira parte (a segunda foi escrita dez anos depois, pelo que acho que tenho direito a um intervalo)

    Que dizer? É de génio! Cervantes, com D. Quixote e o seu escudeiro Sancho Pança, cria o próprio romance moderno. Segundo me disseram, antes deste livro os personagens e cenários dos romances eram todos estáticos. E aqui há sempre uma evolução constante. Os nossos dois amigos viajam por mundos e fundos (sem nunca, no fundo, saírem do mesmo sítio) vivendo aventuras impossíveis, aventuras de gigantes e princesas perdidas mas que... E isto é a melhor parte.... Estão todas dentro da cabeça de D. Quixote!

    Para mais, é um livro facílimo de ler. Não tenham medo da linguagem antiga: tudo se percebe perfeitamente. Para o que não se percebe, as traduções costumam ter notas. Mas a verdade é que é tudo tão claro e está tão bem escrito que se lê de uma assentada (ou duas, é muito grande...). Também é um livro recheado de momentos de humor absolutamente hilariantes. 

    A única parte um pouco menos boa, são os relatos de diversas aventuras paralelas. E os diálogos. No século XVII as pessoas fartavam-se de falar... As pessoas falavam 6 páginas seguidas e não se fartavam. Também achei um pouco surpreendente (e inútil) a transcrição de um outro romance, uma novela, que não sei se existe ou não (devia ter lido as notas) e que está só a ocupar espaço.

    Agora, farei um breve intervalo (uns cinco livros) para depois me iniciar na segunda parte! Estou ansiosa! =D
     

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