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  • Vagabundo ao Serviço de Espanha

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    Vagabundo ao Serviço de Espanha
    Camilo José Cela
    1948
    Livro de Viagens

    Recebi este livro numa actividade do BookCrossing, sendo que o escolhi porque - depois de ter lido um livro de José Cela no original Espanhol - gostaria de experimentar de novo este autor. Vim a saber, então, que uma das suas vertentes de escrita mais exploradas é a chamada literatura de viagens. Este livro é um desses exemplares.

    O autor traveste-se de "vagabundo", enquanto viaja por uma Espanha sulista sem um objectivo definido. É neste ambiente de calor e quase deserto que ele observa as formas de viver de cada lugar por onde passa e conversa com as pessoas que habitam esses ermos locais. Conhecemos, então, uma Espanha antiquada, violenta mas cheia de um sentido de humor desviado e ligeiramente ácido.

    O autor relata exactamente o que observa o que, por vezes, se torna ligeiramente enfadonho. Porque, para ser sincera, os hábitos e vivências destes lugares estão fossilizados numa época que já não existe e que, para mim, tem apenas um interesse lateral.

    Ainda assim, li este livro num instante, pelo que - para os fãs das viagens - recomendo bastante!

  • Mazurca para Dois Mortos

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    Mazurca para Dois Mortos
    Camilo José Cela
    1985
    Romance

    Livro estranho e denso, conta a vida diária de uma aldeia na Galiza, antes, durante e depois da guerra civil.

    O livro conta com uma enumeração constante, quase repetitiva mas ainda assim melódica, de grupos de personagens, famílias, referindo sempre, uma e outra vez, as características principais que o narrador encontra nas pessoas. O narrador pode não ser sempre o mesmo, pois existem ocasiões em que se refere a si mesmo de diferentes formas: o narrador pode até ser o próprio autor, mas tambékm pode ser qualquer uma das personagens.

    No final acabamos por perceber que o que procurávamos desde o início era saber de que forma morreram os dois mortos: isto não nos é nunca revelado e é apenas uma inferência que se tira após toda a leitura.

    No entanto, não gostei mesmo nada dos elementos sexuais, sempre repetidos, sempre constantes, que demonstram uma falta de valorização do ser feminino e do próprio ser humano, em que toda a gente é tida como porca, suja ou incapaz de fazer o que quer que seja. As pessoas deste livro não sabem o que deve ser feito nem porquê, apenas limitando-se a criticar e a ofender todos os outros.

    Foi a minha segunda experiência com o autor, desta feita em português, e desapontou-me um pouco.
  • El Espejo y Otros Cuentos

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    El Espejo y Otros Cuentos
    Camilo José Cela
    1999
    Contos

    E agora, para variar, um livro da minha irmã que não só foi fixe como gostei imenso! Li este livro em Espanhol, o que não foi tão fácil como parecia porque tem muito vocabulário vulgar e gíria, que não conheço bem.

    Este é um conjunto de contos, uma antologia, que reúne algumas cenas da vida de um narrador, de um personagem, quiçá do próprio autor. O narrador sempre observa o mundo à sua volta, constatando as pequenas estranhezas da normalidade da vida e concluindo sempre de uma forma muito humorística. A verdade é que a conclusão da maioria das histórias dá muito em que pensar, pois a maior parte delas não termina quando a acção da história termina por si mesma. Antes. Assim, tudo parece um pouco incompleto, mas o efeito final é muito, muito intrigante.

    A minha história preferida foi sem dúvida a última (a do Chivo Smith), porque envolvia uma compontente de fantasia mas ao mesmo tempo de infantilidade que, dentro do contexto, caía tão a despropósito que o efeito é simplesmente hilariante.

    E, tenhamos em consideração, as coisas lidas em espanhol têm sempre a sua dose de piada extra. ;)
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