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  • Princípio, Meio e Fim

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    Princípio, Meio e Fim
    Bruno Nogueira, Nuno Markl, Filipe Melo e Salvador Martinha
    Série - 6 Episódios
    2021

    A nova série patenteada por Bruno Nogueira parecia ter um conceito brutal: em duas horas os quatro amigos criadores teriam de criar um argumento que, nos dias seguintes, seria concretizado por um grupo de actores. Infelizmente, esta ideia é muito boa na cabeça dos amigos, mas para o público em geral é hermética, forçada e um pouco parva.

    Para começar, os quatro nem sequer levam a sério a sua missão de escrever um argumento. A produção inflige-lhes distracções, como maltratar um burro ou um anão a fazer striptease, ou mesmo uma série de shots de vodka preto. Apesar de Filipe Melo insistir na correcção dos erros ortográficos, é impedido pelos outros - apenas para ser mais cómico. Escrevem e4rros de propósito: para ser mais cómico. E o efeito não é cómico: é forçado, piadas internas que mais ninguém entende. Então, porque é que isto passava na televisão?

    Depois, a concretização do argumento num episódio é falha na maior parte das vezes. Embora cada episódio tenha o seu momento cómico, chegamos à conclusão que Bruno Nogueira, enquanto actor, só consegue fazer uma personagem: ele próprio. E ele próprio é uma personagem extremamente aborrecida. Os outros actores, elenco de luxo, não se esforçam minimamente para encontrar soluções criativas para os problemas apresentados, e - aparentemente - estão ali só a divertir-se enquanto o famoso Bruno não se consegue concentrar e faz os outros rir e se parte a rir em todas as cenas.

    Portanto, esta série é um "queremos, podemos e fazemos", mas lá porque se é famoso e lá porque se quer fazer uma coisa, não significa que ela tenha de passar na televisão.

  • Sara

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    Sara
    Bruno Nogueira / Marco Martins
    Série - 8 Episódios
    2018

    Mais uma série portuguesa com o cunho de Bruno Nogueira. Dá vontade de dizer "claro que é uma comédia". Faz rir, mas não diria que é bem uma comédia.

    Sara Moreno é uma actriz, de teatro e filmes portugueses daqueles que estreiam em Cannes. Sempre teve jeito para chorar mas, um dia, decide que não consegue mais. A partir daí a sua vida altera-se imensamente, porque passa a encontrar o seu lugar no seio das novelas mais parolas e deprimentes de que há memória. Enquanto isso, tem de ler os escritos do seu pai doente e deprimido.

    Se esta série tem momentos hilariantes (a maioria das vezes protagonizados pelo bizarro "agente" Albano Jerónimo), trata-se mais de uma análise àquilo que é ser actor e ao lugar do actor no panorama cultural. Se não há espaço para uma actriz que, talentosa, é remetida para o lugar da novela porque "não consegue chorar", qual a função do entretenimento? Qual a função da televisão?

    Enquanto isso, temos personagens que - mais que uma caricatura - simbolizam um certo sorriso de desespero, um sorriso carnívoro da realidade brutal em que não há lugar para os inadaptados.

    No entanto, penso que a série não está perfeita. Encontro-lhe algumas falhas. Por exemplo, se ao início havia uma maior exploração do sentimento de Sara, a narrativa toca em pontos como a gravidez e as relações que depois são abandonados sem mais nem menos. Também é difícil de compreender algumas das interacções de Sara com os seus amigos, sendo que nos episódios finais existe mais uma contemplação da morte que não justifica algumas das atitudes dos personagens.

    Ainda assim, fartei-me de rir em alguns momentos, assustei-me em outros. Recomendo!

  • Odisseia

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    Odisseia
    Bruno Nogueira, Gonçalo Waddington e Tiago Guedes
    Série -8 Episódios
    2013

    Quando esta série saiu, ainda vi alguns episódios em casa de amigos. E sempre fiquei curiosa sobre como seria ela completa. Vim a descobrir a odisseia mais absurda que podia haver!

    Bruno e Gonçalo estão mal com a vida e por isso vão numa roulotte por ali a fora a tentar encontrar o sentido para todas as coisas. Estruturado como uma espécie de decalque da Odisseia Homeriana, temos os vários monstros e criaturas sob a forma de pessoas diversas que ajudam os nossos actores (ou personagens?) a descobrir um pouco mais sobre si próprios (ou não).

    Também temos um paralelismo com a vida e obra de António Variações, que aparece como uma espécie de profeta, ou mesmo semi-deus, sempre inspirador e salvador das coisas terríveis que vão acontecendo a este duo dinâmico.

    O resultado é violentamente cómico, sucessão de situações tanto mais engraçadas como exasperantes, em que o terror e o desespero se transmutam na zanga profissional de quem admite que isto, apesar de tudo, não passa de uma série.

    Gostei imenso de ver e ia morrendo de riso. Portanto, acho que vou dizer para verem também. :)

     
  • Último a Sair

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    Último a Sair
    Bruno Nogueira, Frederico Pombares, João Quadros e Ricardo Freitas 
    2011
    Série

    A pouco e pouco fomos vendo esta série, tão popular no ano da sua estreia, mas que eu tinha falhado (porque é raríssimo eu ver televisão, ainda para mais se for para acompanhar alguma coisa).

    Um show dentro de um show, reúne uma série de pessoas conhecidas do nosso querido povo portuguÊs num reality show. Num reality show muito realista. Porque, com estas pessoas envolvidas, o resultado não podia ser menos do que absurdo.

    Pleno de conversas existencialistas que não fazem sentido nenhum, diálogos surrealistas cheios de dicas filosóficas que ficam para a vida e cenas altamente sensuais entre vários membros do cast (os masculinos, os femininos e os coisos), é uma série chocante. Porque perante tamanha bizarria, não se pode fazer nada sem ser ficar PERPLECTOS em frente ao nosso ecrã.

    Ficamos a aprender sobre galinhas, ameijoas e carecas, ficamos a aprender sobre o próprio sentido da vida.

    Aos jovens que não acompanharam esta série no ido ano de 2011... Vão ao youtube. Admirem-se. Procedam. Vivam.

  • Som de Cristal

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    Som de Cristal
    Bruno Nogueira
    Série - 10 Episódios
    2015

    Como poderão constatar pelo conteúdo deste espaço, eu não sou muito de ver séries com pessoas. E como também puderam constatar anteriormente, era tudo menos fã do Bruno Nogueira. No entanto, apanhei por acidente uma repetição televisiva do primeiro episódio desta série. E é algo de surpreendente.

    Numa estética semelhante a outros programas de comédia com famosos, Bruno Nogueira convida diversos artistas para passeios de carro e jantares regados a vinho tinto e a cervejas. No entanto, que artistas são esses? Tratam-se, exactamente, de alguns dos nomes mais famosos da música popular Portuguesa, também conhecida como "pimba".

    Neste programa ficamos a conhecer um pouco da vida íntima destas pessoas, entrando nas suas casas, visitando as suas aldeias, assistindo aos seus concertos. Tudo tem um toque de cómico dado pelo anfitrião, mas também existem muitos momentos tocantes e trágicos. Porque Bruno Nogueira, apesar de comediante conhecido pro gozar com tudo e com todos, não troça dos artistas, não os provoca e, sobretudo, não os desrespeita. Assim, o programa faz um retrato muito humano destas pessoas a quem, normalmente, não damos qualquer atenção e que muitos de nós considera quase como criminosos e assassinos da boa música.

    Ficamos a conhecer os seus medos e os seus sonhos, a sua origem e o seu futuro. Ficamos a conhecê-los melhor enquanto artistas, enquanto força trabalhadora, enquanto pessoas que se dedicam a fundo aos seus projectos, por mais parolos que nos pareçam. E ficamos a conhecer os seus fãs e as multidões que movem. Pois é, apesar de tantos de nós dizermos "não gosto, faz-me doer os ouvidos, isso não é verdadeira música", há pessoas que adoram, há uma imensidão de gente que vive para assistir a estes concertos. E se não respeitarmos isso, não há mais nada que possamos fazer.

    Com efeitos de montagem interessantíssimos, o programa acaba por tornar estas conversas informais e partilhas de momentos em segmentos que podem chegar ao surrealismo abstracto, a um puro non-sense que dá azo a gargalhadas incontidas. É uma sucessão de momentos estranhos, desde o Roberto Leal bezano a assinar t-shirts, ao copo de bagaço do Marante e até mesmo ao histerismo das fãs açoreanas do Saúl.

    Também é boa oportunidade de ficar a saber quais as novas facetas artísticas destes cantores que conhecemos à tanto tempo. Podemos pensar que continuam ligados à sua estética do antigamente, como uns eternos anos 90, mas a verdade é que continuam sempre em evolução.

    Um programa extraordinário, que só peca por ser tão curto. Gostaria de ter visto outros artistas com a coragem de se mostrarem perante o público desta forma.

  • Tubo de Ensaio Parte II

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    Tubo de Ensaio Parte II
    Bruno Nogueira e João Quadros
    2009
    Crónicas

    Boa tarde minhas abéculas húmidas! Hoje tentarei escrever este comentário elevando-o ao imenso nível de piada que este conjunto de crónicas tem! Mas não conseguirei... Porque eu, oh!, eu, não tenho um pingo de veia cómica! O Bruno Nogueira também não, diga-se de passagem. Sempre embirrei com ele e não foi depois de ler isto que deixei de embirrar.

    Este livro reúne um conjunto de textos seleccionados do programa da manhã da TSF, o Tubo de Ensaio, em que o respectivo autor faz diversas tentativas de gozar com diversas coisas diversas, como por exemplo anões. Deve ser um trauma que ele tem de ser muito alto, mas aparece este aspecto dos anões em demasiadas crónicas. Quase um fetiche. Muito bem, está no seu direito.

    Existem vários conceitos que, realmente, poderiam ter sido engraçados. Por exemplo, o John Lennon cantar com um buraco na cabeça como as baleias teria piada, se ele tivesse levado um tiro na cabeça e não três no peito. Simplesmente o jovem, coitado, não está muito bem informado acerca dos assuntos sobre os quais poderia fazer piadas. Como a cor dos lavagantes. Nunca terá visto um lavagante, o que será compreensível.

    Sugeria ao jovem que estudasse um pouco o seu livro de gramática, porque o livro está cheio de erros surrealistas, que seriam admissíveis se isto fosse um quadro do Miró e não um livro. Sabem, os livros têm palavras. Convém estarem escritas correctamente.

    Para mais, há coisas com que é chato gozar. Isto é, é engraçado gozar com o pessoal a morrer lá em sítios onde ninguém vai. Mas acho que o jovem não acharia tanta piada ao cancro se a mãezinha dele tivesse um no pulmão (ou no lóbulo da orelha).

    De resto, é uma escrita sebosa que só me fez rir de vez em quando, o que não é normal para um livro de comédia. Lembre-se o jovem de que eu conheço o gajo que o ensinou a ter esta personagem que ele possuiu para toda a vida como uma segunda identidade. É melhor usarmos a primeira, pelo menos essa é genuína.

    Beijos no atlas, primeira vértebra cervical.
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