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  • Ashita no Joe 2

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    Ashita no Joe
    Dezaki Osamu - Mushi Productions
    Anime - 47 Episódios
    1980
    6 em 10 
     
    Dez anos após a estreia de Ashita no Joe, somos agraciados com a continuação desta história, épico desportivo que tanto marcou a sua época. 
     
    Após um inusitado desaparecimento, no final da primeira season, Joe Yabuki regressa pronto para novas aventuras e novos combates. Surpreendentemente, este personagem vem bastante diferente. Se na primeira season tínhamos um Joe insuportável, irresponsável e muito pouco cativante, durante esta "ausência" ele parece ter crescido de forma surpreendente. DEtas feita é um rapaz que quer realmente vencer e que já não passeia pela vida com aquele ar de indiferença que o tornava uma pessoa horrível.

    Assim, temos combates bastante mais interessantes, em que os níveis de motivação estão sempre ao rubro e em que a significância de ganhar e perder ganha uma nova forma. Desta vez já não há casos de vida ou morte mas apenas o puro prazer desportivo de continuar a subir nas categorias essenciais.

    Infelizmente, a animação tem um valor de produção muito baixo que, devido à longevidade da série, não foi de todo aproveitado. A animação é precária para a sua época, o que é uma pena, pois os combates estão bastante bem coreografados. O design das personagens contém também algumas falhas, sobretudo nas cenas de mais acção.

    Agora, a parte que eu gostei mais deste anime foi, sem dúvida, a banda sonora. Com um conjunto de peças com tonalidade blues, é recriado um ambiente de bar que não só ajuda na caracterização das personagens como torna o anime numa experiência muito mais agradável.

    Um bom anime.

  • Raging Bull

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    Raging Bull
    Martin Scorcese
    1980
    Filme
    7 em 10

    Tarde de Domingo, pouco que fazer, que tal ver um filme? :)

    Este filme é baseado na autobiografia de LaMotta, um boxer peso médio que chegou ao estrelato e depois entra numa espiral descendente, devido aos seus terríveis hábitos de violência, ciúme e gula descontrolada.

    O filme está a preto e branco, excepto uma curta secção de breve felicidade, sendo que esta técnica fornece um excelente efeito visual para os combates que, sendo extremamente violentos muitas das vezes, passam desapercebidos e tendo em si uma aura quasi-artística.

    A narrativa é bastante simples (ascendente, topo, queda), mas nunca teria sido possível sem o excelente trabalho de actor de Robert de Niro, que nos transmite uma pessoa extremamente desagradável, mal educada e, sobretudo, muito violenta. Esta personagem está em constante mutação, e o actor consegue encontrar um equilíbrio perfeito entre a sua própria anatomia e a pretendida para o papel.

    É um bom filme desportivo e, para além disso, é bastante diferente do habitual, na medida em que não nos identificamos em nada com os personagens retratados. Talvez não a melhor obra que vi de Scorcese, mas ainda assim plena de validade.

  • Ashita no Joe

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    Ashita no Joe
    Dezaki Osamu - Mushi Productions
    Anime - 79 Episódios
    1970
    5 em 10

    É com muito orgulho que anuncio que chegámos ao milésimo post neste espaço! Talve em breve faça uma pequena celebração, mas queria só dizer a toda a gente. :) Tem sido muito agradável partilhar convosco estes meus comentários mais ou menos malcheirosos sobre coisas diversas :) É também com orgulho e um certo sentimento de dever cumprido que este milésimo post é sobre um marco histórico na indústria do anime como o conhecemos hoje: Ashita no Joe.

    Estreado na televisão há 45 anos, é um anime bem presente na sua época e que definiu todo um género. Foi um dos primeiros animes de desporto com uma ligação bastante forte ao lado negro da sociedade, tema que vem evoluindo desde essa altura para outros animes de que tanto gostamos. Assim, é um anime muito importante em termos históricos e, apenas por isso, todos deviam experimentar vê-lo. Conhecimento nunca é demais, já dizia o meu Professor.

    No entanto, olhando objectivamente para este anime, mesmo se tentarmos tirar os óculos dos anos 10 e tentarmos regressar um pouco à época que é retratada nele, tem algumas falhas que me levam a dar-lhe uma nota um pouco mais baixa que a minha média. Comecemos pelo início.

    Este anime conta uma história simples, um "coming of age" de um rapaz que, tendo sido abandonado pelos pais e que não tem nada que o ligue às outras pessoas, acaba por se envolver num meio desportivo do boxe, começando a ganhar uma força diferente  e desenvolvendo relações. É precisamente nesse aspecto que a história não funciona. Para este tipo de narrativa precisamos de um personagem forte que, mesmo assim, esteja aberto à progressão e evolução. E, infelizmente, Joe não é assim. Simplesmente não combina com a sua personalidade.

    Temos, então, um personagem principal irascível, insuportável e detestável, com o qual é impossível que alguém se identifique se não para desejar que ele perca todos os combates. As suas atitudes nunca melhoram, ele parece nunca estabelecer uma ligação com quem quer que seja. Tudo aquilo que faz é negativo e a sua personalidade, apesar de carismática, não permite algo tão simples como... Gostar dele. Talvez nos anos 70 este seja o modelo ideal de desportista mas, para mim, foi impossível ganhar qualquer afeição por Joe. Quanto aos outros personagens, temos um treinador que faz muito pouco além de gritar, um grupo de crianças que serve mais como alívio cómico do que outra coisa, duas mulheres em extremos opostos que não revelam grande personalidade (excepto que são o contrário uma da outra e Joe, evidentemente, terá de escolher de quem gosta mais) e um parceiro de equipa que acaba por ser o personagem mais interessante da colecção.

    A narrativa processa-se de forma rápida, sem gastar tempo em coisas inúteis como treinos dos desportistas ou mesmo combates. Dedica-se mais a lutas de rua e às maldades que Joe vai deixando à sua passagem. Até a parte supostamente mais intensa, aquela em que Joe está na prisão, acaba por ser repetitiva e não nos transmite qualquer tipo de sentimento de horror.

    Em termos artísticos, mesmo para a época a animação não é extraordinária. Apesar de termos um design de personagens bastante limpo, existem repetições infinitas das mesmas frames, o que levam a combates extremamente repetitivos e pouco ou nada coreografados. Gostei bastante, ainda assim, da utilização de cores e sombras. A paleta é muito reduzida (o que faz sentido para uma série longa nesta década), mas está bem usada em termos gráficos, apesar de alguns erros que o olho mais atento detecta facilmente.

    Musicalmente, temos um tema que é repetido constantemente mas que, sendo tão belo, não cansa. Este tema e suas variações constituem toda a banda sonora do anime, incluindo as OPs e EDs que têm aquele aspecto "épico" das músicas antigas mas com uma interpretação algo fraca.

    Assim, é um anime histórico que vale a pena conhecer, mas que - apesar de tudo - não fica na memória pela qualidade.

  • Hajime no Ippo: Rising

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    Hajime no Ippo: Rising
    Shishido Jun - Madhouse Studios
    Anime - 25 Episódios
    2013
    6 em 10

    Infelizmente ainda não tinha o blog quando vi a primeira season, mas aqui está o comentário à segunda se tiverem interesse.

    Puro anime de desporto, shounen no seu maior esplendor. Esta terceira season pega exactamente onde ficou a segunda e, mais uma vez, vemos combates e a luta dos nossos personagens (que acho que já podem ser considerados amigos. Ou, pelo menos, conhecidos :) ) para conseguir chegar ao topo e manter a sua posição.

    Ippo já é campeão, mas desta feita ele tem de lutar para manter o seu lugar. Isto revela-se talvez ainda mais difícil do que chegar lá, porque os oponentes são fortes e, alguns, muito assustadores. O ênfase dado a cada  oponente, com a sua história e as razões porque luta, é a principal razão pela qual estes combates são tão interessantes. Aquilo que normalmente se resume a uma luta de vontades, acaba por ser uma luta entre histórias, entre o passado e o presente, entre a emoção e a lógica, tendo que haver um equilíbrio perfeito entre as duas para se poder vencer.

    Entre cada episódio, temos comédia protagonizada pelos simpáticos colegas de ginásio de Ippo. Realmente sabe bem ter de vez em quando um momento mais leve, para libertar toda a tensão construída em cada combate (que é realmente muita).

    No entanto, como anteriormente, não há uma linha narrativa que una cada história. O conceito geral é apenas "vencer tudo e todos", não havendo uma componente mais complexa para reunir tudo numa boa feijoada. Por exemplo, gostaria de mais ênfase na história romântica que corre em paralelo: apesar de não ser o mais importante, seria refrescante que fosse usada noutro contexto que não os momentos de comédia.

    A animação tem os seus momentos, caracterizada por traços fortes e linhas cinéticas. No entanto, não está muito equilibrada, estando muito mais enfatizada nos combates do que nos outros momentos: seria interessante ter uma variedade maior de perspectivas nos comentários aos ditos.

    Em termos musicais, uma escolha um pouco repetitiva, se bem que a OP e ED estão bastante adequadas.

    Foi um prazer ver este anime. Poderá terminar com esta season, porque fica bastante bem, mas não me importaria nada de ter mais uma.
  • Hajime no Ippo: New Challenger

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    Hajime no Ippo: New Challenger
    Shishido Jun - Madhouse Studios
    Anime - 26 Episódios
    2009
    6 em 10

    Bem, ao tempo que eu não escrevia nada sobre anime! Confesso que não tenho visto muito (estou com os semanais todos atrasados...) porque, bem, não tenho passado assim tanto tempo em casa. É Agosto pessoal! Mas bem, finalmente acabei de ver um novo anime, por isso aqui está a review. :)

    Pus-me a ver a segunda season de Hajime no Ippo em preparação para a terceira season, que irá começar (segundo consta) em Outubro. Já não me recordo exactamente dos detalhes da primeira, mas considerei que esta foi ligeiramente melhor, talvez por ser mais curta. Desta vez não vemos muitos combates do Ippo, em vez disso vemos dos outros boxers do mesmo ginásio (ou amigos). Isto dá uma perspectiva diferente à série, o que é bastante refrescante.

    A animação tem os seus momentos, sobretudo na variedade de perspectivas originais, mas também tem as suas falhas e elas estão também nas perspectivas. O resultado final são combates envolventes e emocionantes: os erros notam-se, mas são fáceis de ignorar.

    A história, como todo o anime de desporto, é muito simples e é suportada pela variedade de personagens. Estes, têm o seu verdadeiro desenvolvimento durante os combates, em que enfrentam as suas limitações e as ultrapassam. Os combates estão intercalados com momentos de comédia (mais parcos em termos de animação). Assim a série nunca se torna aborrecida, mas - de uma forma ou de outra - achei as lutas demasiado longas.

    Ainda nas lutas, elas são animadas por um sonoro muito variado e interessante, do jazz ao dubstep (acho que é dubstep, ainda não percebi bem o que é isso). Se a OP é vulgar, a ED cantada em inglês é bem original e interessante de ouvir.

    O veredicto final é que... Eu já tinha pensado ir com uns amigos ver um combate de boxe. Agora quero mesmo ir!
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