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Blade Runner 2049
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Blade Runner 2049
Dennis Villeneuve
2017
Filme
7 em 10
Trinta anos depois do Blade Runner original, vamos ao cinema para ver uma sequela que nos mostra a vida neste universo perdido no pó, também três décadas após o que aconteceu no original.
Agora, os replicantes mal fabricados são perseguidos e eliminados por outro tipo de Blade Runners: androides que funcionam perfeitamente e que foram fabricados por uma nova empresa que domina a terra devido à sua tecnologia de alimentação artificial. Neste filme seguimos a busca pela identidade de K, um androide sem nome, apenas o seu número de série, que após destruir um replicante muito antigo encontra algo que não devia dentro de uma caixa.
Novos conceitos nos são apresentados: para começar, os androides sem defeitos. Depois, alguns eventos como um grande "apagão" que destruiu todos os dados há muito tempo atrás. Tendo isso em conta, viajamos pelo mesmo tipo de cidade, atormentada por anúncios e publicidades invasivas, atormentada por uma identidade que se divide entre o que é real e humano e o que é a alma do andróide.
Quando vi o filme, não gostei muito de algumas partes, nomeadamente do argumento. Achei que foi forçado relativamente às personagens (note-se que eu lembro-me muito melhor do livro do que do primeiro filme) e que, por isso, não fazia muito sentido dentro do contexto. No entanto existem alguns elementos que, numa segunda análise, são preciosos: a relação do andróide com a sua inteligência artificial de estimação, o valor das memórias falsificadas... Tudo isso nos leva a que possamos explorar conceitos de identidade e da definição do que é realmente a humanidade. Não gostei da dica para a sequela, que tem todo o ar de vir a ser um filme de acção descerebrado. No entanto, o final ambíguo também nos dá um certo alívio.
Outro aspecto que não apreciei foi o uso e abuso de efeitos digitais. Estão, realmente, muito bem disfarçados. Mesmo muito bem. Mas da chuva à neve, não há maneira de dizer que não são falsos. De todos os modos, é um filme contido, com cenas de acção apenas utilizadas nos momentos chave, rápidas e eficientes.
Os actores fizeram todos um excelente trabalho, embora a caracterização física dos androides seja estranha, pois estão estruturalmente demasiado ligados à humanidade. A banda sonora não é de todo tão intensa como a do primeiro filme, sendo utilizada de maneira errática e, muitas vezes, induzindo as emoções do espectador em erro.
No entanto, é um filme que vale a pena ver, sobretudo para aqueles fãs do primeiro.
By : ladyxzeus
Do Androids Dream of Electric Sheep?
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Do Androids Dream of Electric Sheep?
Philip K. Dick
1968
Ficção Científica
Este foi o livro que inspirou Blade Runner, sendo que eu julgava que se tratava de um conto muito curto e veio a revelar-se um verdadeiro romance cheio de detalhes intrincados. O que acabou por ser uma excelente experiência :)
Em comparação com o filme, poderemos dizer que este livro inclui muito mais detalhes acerca da construção do universo e, sobretudo, acerca da filosofia de vida das pessoas que nele habitam. Por sua vez, o filme tem muito mais capacidade imagético-visual, que no livro não é tão contemplada.
Ora bem, depois da World War Terminus (em 1992 ou, nesta edição mais recente, 2021), o planeta está cheio de pós radioactivo e todas as pessoas têm emigrado para Marte, onde lhes são oferecidos andróides para que tenham vidas mais completas e felizes. Alguns destes, matam os seus patrões e fogem de volta à Terra. Aí entra Rick, um caçador de prémios que tem a função de eliminar ("retire") os andróides fugitivos. No entanto, estes são cada vez mais semelhantes aos serres humanos reais, quer na sua anatomia quer na sua forma de pensar. Há apenas uma coisa que os distingue: a empatia. Todas as pessoas deste mundo estão motivadas a ter empatia umas com as outras, sendo a sua religião baseada na experiência colectiva deste sentimento, e havendo um detalhe curioso sobre a possessão e cuidado de animais, que estão quase todos extintos devido à radiação. Rick, infelizmente, tem uma ovelha electrónica. Ninguém sabe disso, mas é a verdade.
O livro coloca o personagem em debate sobre a sua própria identidade e sobre a sua capacidade de eliminar os andróides: ele começa a sentir empatia por eles, o que é uma coisa que não deveria fazer snetido porque não são sistemas biológicos e sencientes (supostamente). Por outro lado, temos a intervenção do chickenhead Isidore (uma pessoa com QI suficientemente baixo para não lhe ser permitido emigrar), que sente realmente empatia pelos andróides na medida em que os identifica como seres pensantes e emocionais tal como ele, que apenas deseja amigos.
Por vezes, o livro pode tornar-se um pouco confuso, pois os diálogos não estão muito bem estruturados, assim como a linha de acção. Este é o principal defeito do livro, que acaba por ser compensado pela intensidade imaginativa da criação do universo.
Sem dúvida que vale a pena ler este livro, porque dá bastante que pensar.
By : ladyxzeus
Blade Runner
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Blade Runner
Ridley Scott
Filme
1982
7 em 10
Sábado, esse dia fantástico, ocorria em Alvalade a Sunset Party da Associação Portuguesa de Cosplay. Mas, como terão visto no post anterior, estávamos destruídos e destroçados e não nos apetecia mexer. Tinhamos de repor energia. Portanto, ficámos em casa a ver este filme. Espero que todos se tenha divertido na festa!
Este é um filme inspirado num antigo conto de ficção-científica, que eu ainda não li, denominado "Do Androids Dream of Electric Sheep?" Fala sobre um homem que procura destruir os últimos Replicantes no planeta Terra, androides humanos que têm tudo para ser iguais a nós. Excepto a empatia. Para os descobrir, o nosso personagem principal (Harrison Ford) efectua um teste de várias perguntas que visam testar a emoção dos Replicantes, avaliando a sua dilatação pupilar.
É um filme que coloca questões interessantes sobre a humanidade da máquina, mas apesar disso sinto que esse tema já teria sido explorado em outras ocasiões de forma (talvez) um pouco mais adequada. Achei que os Replicantes não estavam muito bem caracterizados, com excepção do chefe, pois foram todos eliminados com grande rapidez. Para mais, apenas um revela algum tipo de inocência que poderia ser considerada "humana", pelo que acabam por não ser realistas enquanto fonte de racionalidade e emotividade. O personagem de Harrison Ford aparece como um inadequado na sociedade do agora (2019 é o agora... Está quase aí, quero o meu Replicante), mas a falta de explicação sobre as suas atitudes acaba por as tornar um pouco erráticas.
O ponto forte do filme é a caracterização do universo, que parece muito grande e muito interessante. Numa Nova Yorque altamente asiática, toda a maquinaria, edifícios, arquitectura, tudo isso aparece com grandiosidade e detalhe extremo, com utilização de efeitos especiais muito avançados para a época.
Outro aspecto muito bom é a banda sonora, que insere tonalidades electrónicas muito complexas que distinguem cada cena como única.
Um bom filme de ficção científica, que me deixa curiosa para ler o conto original. Por sinal tenho-o no Kobo e como vou voltar ao Kobo em breve... Já sabem o que vai acontecer :3
By : ladyxzeus

