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  • Licorice Pizza

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    Licorice Pizza
    Paul Thomas Anderson
    2021
    Filme
    8 em 10


    Fizemos questão de ir ver este filme ao cinema, apesar de na altura já ter essencialmente desaparecido de todas as salas.

    Paul Thomas Anderson volta, com este filme, ao seu passado remoto, uma adolescência perdida algures na Califórnia dos anos 70. Não a Califórnia do brilho de Hollywood e dos famosos, mas algo um pouco mais suburbano. Este filme conta-nos a história inusitada da relação quase-platónica entre um rapaz, actor infantil, empreendedor e um pouco louco, e da rapariga muito mais velha que conhece a tirar fotografias na escola. Juntos irão viver aventuras diversas, irão aproximar-se e afastar-se e a conclusão... Isso já é spoiler. :)

    Com uma grande química, actores muito diferentes conseguem trazer à vida um conjunto de personagens tanto bizarro como extremamente realista. Aliás, o realismo é o aspecto mais vívido deste filme, com banda sonora, guarda roupa e caracterização que nos levam para este tempo tão próximo e ainda assim tão diferente.

    Também é uma crítica mordaz à indústria da contratação de actores e a alguns aspectos políticos.

    Em suma, este filme é como uma pizza de alcaçuz. Algo que toda a gente gosta, mas com um sabor muito estranho!

  • János vitéz

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    János vitéz
    Marcell Jankovics
    Animação - Filme
    1973
    6 em 10

    Uma adaptação do poema épico homónimo, húngaro, em animação.

    É um filme com recursos simples e uma animação um pouco desactualizada para a época, mas em que os elementos fantásticos se desdobram para criar uma festa visual inusitada, romântica e divertida, em que realmente entramos nesta história de encantar.

    O nosso protagonista é um homem que vive apaixonado pela filha de uma bruxa, que os afasta. A partir daí ele vai viver muitas aventuras, por vezes com esperança, outras vezes com desespero, mas sempre com uma grande atitude e coragem.

    Cada encontro do nosso herói vai revelar-nos algo sobre o folclore húngaro e outros mitos e lendas, tudo com diálogos belos - ou não fosse um poema épico.

    Apesar das suas falhas, é um filme encantador.

  • Battles without Honor or Humanity

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    Battles without Honor or Humanity
    Kinji Fukasako
    1973
    Filme
    6 em 10

    O primeiro de uma série de filmes yakuza que conta a ascensão de grupos de gangsters em Hiroshima no pós-guerra.

    Com um ritmo frenético, cenas de acção violenta podem por vezes ser confusas. Existem muitos intervenientes nesta história (sem honra ou humanidade) que se podem confundir uns com os outros, porque - apesar de os nomes serem referidos em legendas - a sua caracterização é muito semelhante.

    Ainda assim, o final foi bastante emocionante e revela que apesar de tudo ainda resta um pouco de honra nestas pessoas, apesar de estar bastante deslocada do nosso conceito regular.

    Gostei de ver.

  • Alexandra Alpha

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    Alexandra Alpha
    José Cardoso Pires
    1987
    Romance

    Um estranho romance, do mesmo autor da famosa "Balada da Praia dos Cães" (que me traz algumas memórias interessantes, que ficarão para outro dia, haha).

    Alexandra é uma mulher que trabalha numa empresa chamada Alpha Linn. O autor finge que estas pessoas são reais (conseguindo convencer-nos durante grande parte do livro) e que a sua história vem de uma recolha de "papéis" encontrados na tal empresa, todos eles com uma tonalidade diarista. Assim, pela perspectiva de Alexandra, o autor apresenta-nos um conjunto de figuras inusitadas do eixo Linha de Cascais dos anos 70 em Portugal. Dos anos 70 antes da revolução, claro.

    Estas personagens enfrentam problemas complicadíssimos, a maior parte deles relacionados com sexo matinal e abortos. E, pela sua voz um pouco queque, ficamos a saber mais ou menos como vivia uma pseudo-elite intelectual e empresarial, frequentadora de bares e de actividades lúdicas que envolvem bebidas destiladas. Penso que o livro se propôs a caracterizar uma época, mas dado o facto de as pessoas escolhidas para a representar serem, de todo, de um estrato social minoritário faz com que isso se perca completamente.

    Finalmente, existe a secção inevitável e nunca ultrapassável quando se fala do que quer que seja da história portuguesa. Viva a revolução. E não é que o actor se despega da Alexandra Alpha e narra os acontecimentos da sua própria perspectiva? Poderia ser um elemento necessário num livro deste tipo, mas acaba por ser completamente irrelevante devido ao facto de ter sido completamente incosequente para todas as personagens.

    Podia ter corrido tudo muito bem, mas enfim...

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