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  • Ribbon no Kishi

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    Ribbon no Kishi
    Osamu Tezuka - Mushi Production
    Anime - 52 Episódios
    1968
    4 em 10


    Depois de ter lido o manga, estava muito curiosa com o anime de Ribbon no Kishi (A Princesa e o Cavaleiro). No entanto, foi um profundo desapontamento.

    Para começar, a história é completamente decepada, introduzindo elementos muitíssimo infantis e despropositados. Os efeitos sonoros à la Looney Tunes irritaram-me demasiado. A animação é fraquíssima, mesmo considerando o ano de produção, talvez porque tem demasiados episódios para o tema a tratar. E as personagens que me encantaram no manga, aqui estão completamente descaracterizadas.

    Enfim, fiquei triste por o anime ser tão infantil e mal feitinho, porque a história do manga é realmente boa.

  • Sasuke

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    Sasuke
    Shirato Sanpei - Eiken
    Anime - 29 Episódios
    1968
    6 em 10


    Um raro anime dos anos 60, que me deixou meio que mesmerizada.

    Sasuke é o filho de um poderoso ninja e, juntos, partem numa jornada para destruir todos os inimigos deste ninja. Daqui parte um anime muito pesado, extremamente violento, com muitas cenas de acção que poderiam ser consideradas chocantes na altura (muito sangue e ferimentos) e mesmo cabeças cortadas em fileira.

    Infelizmente Sasuke não é um personagem que nos cative muito, sobretudo a partir do momento (isto é um spoiler) em que ele usa o poder ninja da multiplicação e subitamente já temos quatro Sasukes. Também a animação não é um exemplo perfeito do melhor que se podia fazer nesta época, tendo um valor de produção bastante baixo.

    Ainda assim, um anime curioso para os fãs mais experientes.

  • Wanpaku Ouji no Orochi Taiji

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    Wanpaku Ouji no Orochi Taiji
    Serikawa Yuugo - Toei Animation
    Anime - Filme
    1963
    7 em 10

    Este filme foi-me recomendado na Roleta da Geringonça e penso que é o anime mais antigo que vi até agora (em termos de longa metragem)

    Wanpaku Ouji no Orochi Taiji é um clássico que me falhou, e foi uma óptima recomendação! 

    Fiquei absolutamente abismada com a arte, com a forma como utilizaram as cores e os cenários, como com quão tão pouco conseguiram fazer algo tão impressionante! Foi um verdadeiro regalo visual e foi óptimo termos visto na tv grande.

    Agora, relativamente ao resto, gostei bastante da forma como misturaram os vários mitos e lendas do Japão para tornar uma história coesa. No entanto, o personagem principal nunca sai do mesmo, continua sempre a recorrer à violência para resolver os seus problemas, mesmo quando todos lhe dizem que não é assim que se faz. Pensei que se fosse redimir na luta final, tendo de utilizar a cabeça para a resolver, mas não, foi tudo à base de força bruta. Nesse aspecto acho que a narrativa foi pelo caminho fácil.

     Foi uma óptima recomendação e a montra final é 7/10 :>

  • Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken

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    Taiyou no Ouji - Horus no Daibouken
    Toei Animation - Takahata Isao
    Anime - Filme
    1968
    7 em 10

    Desta feita aconteceu uma raridade: o Qui recomendou-me um filme de anime! Descobriu-o enquanto procurava animes influentes no ocidente e em Hollywood. Esta é uma obra dos idos anos 60 que não deve passar ao lado de um conhecedor.

    Temos uma história muito simples, mas num universo altamente sofisticado e muito detalhado. Neste país indígena existe um medo para com o Inverno. O Inverno pode chegar a qualquer momento, pelas mãos de um terrível feiticeiro. Enquanto luta contra os lobos que são seus criados, um jovem chamado Horus encontra a Espada do Sol. Com ela, poderá impedir a tragédia. A história simplificada surte um efeito muito bom tendo em conta a animação, da qual falarei em seguida. Infelizmente, achei que o método narrativo poderia ter sido diferente e melhor aproveitado. Há um intercalar de cenas com divisões muito patentes, o que quebra um pouco o ritmo da história e pode torná-la aborrecida.

    As personagens são encantadoras e reconhecíveis, distinguindo-se dentro do contexto pela sua força física e moral. Achei especial interesse na personagem de Hilda, que se encontra dividida entre o bem e o mal e apresenta esta dicotomia de forma extremamente versátil. Quanto a Horus e o seu oponente, estão divididos dentro do seu estereótipo e acabam por ter atitudes um pouco previsíveis.

    O ponto alto deste filme é, sem dúvida, a animação. É excelente, tanto para época quanto para os dias do agora. Apesar de algumas limitações, existem cenas muito bem coreografadas e um nível de fluidez que roça o excelente. Os designs e todo o cenário deste universo são muito detalhados e criam um ambiente identificável e único. Até mesmo a utilização de sombras e efeitos de luz diversos são muito trabalhados, o que era muito raro nesta época.

    Trata-se, também, de um filme com muita música. Não podendo classificá-lo como um musical, o som é parte integrante desta película e através dele compreendemos mais e mais sobre o universo que se pretende retratar. As peças em si são muito originais e típicas de uma era que se perdeu.

    Assim, apesar da idade, é um filme que se excede. Recomendo-o a todos os que queiram saber um pouco mais sobre a história do anime.

    Nota: depois de ler um pouco sobre ele descobri que Hayao Miyazaki teve um dedinho no filme. Era apenas um de muitos Key Animators. :p
  • Mais Algumas Curtas de Osamu Tezuka

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    Curtas-Metragens Experimentais
    Osamu Tezuka
    Anos 60 a 80

    Depois de vermos três curtas metragens de meia hora no início da semana, deu-nos vontade de ver mais algumas enquanto esperávamos que o filme que íamos ver a seguir acabasse de chegar sob forma de torrent. Como são algumas e são todas bastante curtas, decidi colocá-las aqui neste espaço e falar delas (em vez de criar um post para cada uma, o que seria uma chatice)

    Memory


    Aqui, falamos um pouco sobre memórias. Com uma animação bastante enlouquecida, falamos de momentos marcantes da nossa vida, com leveza e um grande sentido de humor. No fundo, esta curta tenta moralizar-nos para a memória da guerra, que já nesta altura se dissipava para prioritarizar outras coisas.

    Drop


    Um marinheiro naufrago desespera em busca de uma gota de água. Aparenta ser apenas um exercício de técnica, de qualidade relativa, embora seja bastante engraçado.

    The Genesis


    Prova de que Tezuka era um hippie de opiniões fortes mas um pouco divergentes em relação ao que seria de esperar. Manifesto anti-feminista no seu âmago, poderá desagradar hoje em dia, mas dentro do contexto da época é muito engraçado.

    Jumping


    Para mim, esta curta é um pouco assustadora, pois eu tenho como pesadelo frequente isto de saltar cada vez mais alto e nunca mais parar. Também é uma curta metragem que fala um pouco sobre a guerra, mas que também se estabelece como exercício de animação. É bastante curioso.

    Broken Down Film


    Puro exercício de técnica, mas altamente moderno para a sua época.

    Push


    Estranho e filosófico, fala sobre um homem que obtém todas as coisas por carregar em vários botões. No entanto, nunca conseguirá um novo planeta Terra, que foi destruído. É uma curta metragem que dá que pensar e nos leva a questionar sobre a nossa própria realidade.

    Mermaid


    Para mim, o mais interessante e também o meu preferido deste conjunto. Fala sobre a liberdade de expressão e a liberdade de sonhar, numa história com uma elevada força moral que nos prova que imaginar é sempre possível. A animação é muito simples, mas dentro deste contexto tem resultados muito belos. 

    Para além destas também vimos Muramasa, da qual já tinha falado neste espaço. São filmes curtos e que vale a pena ver, não só pelo seu contexto histórico e narrativas originais, mas sobretudo pela animação revolucionária, que se veio a revelar mais tarde em filmes com uma produção mais abrangente.
  • Tales of the Street Corner

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    Tales of the Street Corner
    Osamu Tezuka - Mushi Productions
    Anime - Filme
    1962
    7 em 10
     
    E para finalizar, um pequeno filme um pouco mais antigo. Aqui, acompanhamos a vida dos personagens que habitam um beco sem saída, entre postes de electrecidade e posters que estão na parede.
     
    Desenvolve-se entre todos eles uma série de histórias, histórias de sobrevivência, histórias de amor, que são interrompidas pelo aparecimento de um poster um pouco maligno, muito parecido (coincidência ou não) com o Estaline. Com a mudança dos posters na parede, vemos a evolução de um regime e de repente situamo-nos dentro de uma guerra da qual será muito difícil escapar, seja-se rato, traça ou urso de peluche.
     
    Com algumas cenas de animação delicadamente tocantes, de uma fluidez que ainda hoje parece ser difícil de obter, o foco principal deste anime são os vários desenhos dos posters, que são muitos e estão sempre a dançar. A imaginação que foi necessária para criar tantas imagens, cada uma delas única e altamente detalhada, é um ponto a valorizar bastante.
     
    A paleta de cores é bastante escura e limitada, sendo que não há muito uso de sombras. Dentro da opção estilística aqui apresentada, é algo que faz bastante sentido e acaba por funcionar muito bem, embora a menina - única pessoa verdadeira que aparece - necessitasse de algo que a diferenciasse um pouco dos outros personagens.
     
    Apesar do final trágico, de morte e destruição, esta curta metragem traz-nos mais uma vez uma mensagem de esperança ambientalista. É um anime marcante para a sua época, altamente moderno até para os conceitos de hoje em dia, que deve ser visto por todos aqueles com interesse na história do anime.

  • Pictures at an Exhibition

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    Pictures at an Exhibition
    Osamu Tezuka - Mushi Productions
    Anime - Filme
    1966
    8 em 10

    Como estive doente, as celebrações do Dia dos Namuraduhs, também conhecido por SãoValentimerda, foram transladadas para a noite entre segunda e terça feira de Carnaval. Para uma noite calma, sugeri vermos este pequeno filme, que tinha sido sugerido pelo meu clube. Como me esqueci de o levar, vi-mo-lo no Youtube, onde está juntamente com uma série de outros (que vimos a seguir)

    Osamu Tezuka, o pai do manga tal como o conhecemos e também do anime, passou os seus anos 60 trabalhando numa série de animações experimentais, exercícios de imaginação e técnica que não podem passar desapercebidas a qualquer fã de anime. Utilizando a animação como ferramenta de crítica social, Tezuka mostra-nos o melhor que a época tinha para dar, com resultados que ainda hoje são espectaculares.

    Neste pequeno filme, vamos visitar uma exposição ao som de música clássica (se bem que um pouco vanguardista). Passamos por quadros diversos, muitos deles que mostram pessoas famosas, cada um com um estilo distinto, e de repente podemos olhar para alguns em específico e imaginar a história que está por trás deles. Criticando todas as coisas, modernas para a época mas ainda actuais, desde a destruição da natureza à cirurgia plástica, passando por uma sequência impressionante sobre a guerra, podemos ver curtos momentos de animação sublime, diferente, sem regras e fazendo uso de toda uma imagética que viaja por todos os estilos comuns da altura.

    A história que mais me impressionou foi a do jardineiro do jardim electrónico que, com um toque da infantilidade que os desenhos animados tinham como estigma, aborda o assunto de forma poética e com um toque de sadismo.

    As sequências são muito vivas, embora a paleta de cores seja reduzida, o que faz todo o sentido tendo em conta o período histórico em que se insere.

    É um filme que todos podem ver e que vale realmente a pena, tanto em termos históricos como em termos artísticos propriamente ditos. A genialidade de Tezuka não se encontra na popularidade dada por animes como Astro Boy ou o Kimba, mas nestas pequenas coisas que, estando livres das convenções televisivas e censura, ultrapassam as barreiras do políticamente correcto e criam algo fundamentalmente único.
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