23.6.14

Bichos

Bichos
 Miguel Torga
1940
Contos

Numa das vezes que fui ao Porto, senti-me com falta de livros para ler. Comprei dois numa mini-feira que havia no centro comercial Via Catarina, incluindo este. Chegada ao hotel... Não o posso ler! Como o livro é do tempo da tuberculose, tinha as páginas todas coladas. Quando finalmente chegou a altura de o começar, tive de as cortar com uma tesoura. O ideal seria uma navalha, mas não sei onde para a minha (oferta do meu pai)

Cada conto é protagonizado por um bicho. Ou melhor, pela visão humana que o autor tem de um bicho. São aventuras muito próprias de cada espécie referida, caracterizando muito bem a sua natureza. Nestas histórias lutam contra os elementos, contra deus, contra os homens... Mas também os amam. Talvez a história mais emocionante, no que respeita à união com o mundo natural, seja a da cigarra, Cega-Rega. Mas as histórias que gostei mais foram a do cão (Nero), do gato (Mago) e do corvo (Vicente).

Na primeira, o cão recorda a sua vida enquanto espera a morte. Apenas pode morrer depois de ver as pessoas de quem gosta, e aguarda por ela.

A do Mago é a mais divertida, porque conta como um gato de rua foi parar a uma casa de uma senhora e vive a humilhação por se ter domesticado. No entanto, a história demonstra também que o autor não conhece muito da natureza dos gatos, animais extremamente sociais que formam laços muito fortes.

Finalmente, Vicente luta contra deus aquando o dilúvio universal. A sua obstinação, inteligência e, sobretudo, desejo pela liberdade são qualidades tanto animais como humanas. E é esta a história que prova que todos, humanos e não humanos, somos bichos.

Um livrinho que recomendo muito e que colocarei a circular. :)

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