19.4.12

Memorial do Convento




Memorial do Convento
José Saramago
1982
Romance Histórico

Livro candidamente cedido pelo meu pai, que - aparentemente - está encarregado de escrever uma impossível adaptação para o cinema independente. E livro que, confesso, eu também queria ler. Porque toda a gente o odeia. Porque todo o aluno do secundário tem sido obrigado a lê-lo. E, por isso, odeiam-no. E depois disto, eu compreendo porquê. Não partilho do sentimento, mas compreendo. É um livro complicado, denso, pesado e complexo. Considerando que a maioria dos adolescentes não gosta de ler (ou gosta de vampiros), consigo imaginar o desagrado em serem obrigados a consumir esta obra. Existem outros livros do Saramago igualmente encantadores mas mais simples, nomeadamente a História do Cerco de Lisboa, mas foram logo escolher este. Enfim, que se dane. Eu cá gostei.

Gostei porque isto é uma coisa maravilhosa. Saramago tem (tinha?) um poder descritivo fascinante e, sobretudo, ele adorava escrever. E eu adoro ler coisas que foram amadas enquanto foram escritas. Por ele, acho que tinha continuado a escrever até ao infinito, do tipo "eu não tenho mais nada para dizer, mas vou continuar a escrever sobre isto porque me apetece e porque gosto". Pensando bem, foi precisamente isso o que ele fez.

Numa mistura de personagens reais, caracterizados de tal forma e com tal detalhe que se tornam ainda mais palpáveis, e fictícios, caracterizados com tanta simplicidade que se tornam apenas em pessoas de qualquer era, Saramago conta a história do megalómano projecto (que eu nem nunca vi) do Convento de Mafra. Projecto esse que inclui bois e pedregulhos gigantes, todos eles descritos até ao infinito.

No fundo, este livro é a história de uma época. Mais no fundo ainda, este livro é só uma história de amor. Foi dita muita coisa, mesmo muita coisa, montanhas de detalhes completamente irrelevantes e que ainda assim precisamos mesmo de saber. Para no fim ser de uma candura e de uma simplicidade comoventes.

É uma coisa lindíssima, que recomendo a toda a gente. Requer um bocadinho de paciência e perseverança, mas vale muito a pena.

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