10.3.14

Senya Ichiya Monogatari

Senya Ichiya Monogatari
Osamu Tezuka - Mushi Productions
Anime - Filme
1969
8 em 10

Para marcar um momento importante, decidi ver um filme. O filme teria de ser bem escolhido, por isso pensei em ver um clássico esquecido. Já me tinham dito coisas estranhas sobre esta obra e queria saber o que realmente se passava com ela. Afinal, o momento importante deverá acontecer com outro filme, por um engano que ainda não compreendi bem. Mas vamos falar agora sobre este.

Ambiente surreal, estas 1001 Noites são uma alegoria para a vida moderna e para os desejos do homem actual. Temos de ter em consideração a data em que este anime foi feito: existem miríades de influências hippies e avant-garde, que aparecem tanto na história como na arte.

Falarei primeiro da história. Um vendedor de água em Bagdad apaixona-se por Miriam, uma escrava. Depois, vive estranhas aventuras pelo universo de influência árabe. Cada uma das aventuras pode ser representativa de algo para a vida normal, servindo como metáfora aos desejos de cada pessoa. A componente sexual é muito forte e explícita, apesar de não ser gráfica (como veremos depois). A luta pelo poder, o desejo de vingança, as dependências, tudo está simbolizado através de objectos, como animais estranhos e objectos mágicos, ou pessoas, outros personagens. No final, temos uma conclusão de que o ser humano é sempre um ser mutável e adaptável e que tudo poderá correr bem se nos mantivermos com sentimentos positivos, o sentimento flower power que grassava na época.

Tudo isto é atingido por uma capacidade artística cheia de detalhes. O bizarro é atingido pela paleta de cores, pelo uso variado de texturas, mistura com imagens reais de paisagens e assim por diante. Existem algumas sequências, nomeadamente as relacionadas com a actividade sexual, que são estranhamente brilhantes, pois demonstram de forma nada gráfica o erotismo da situação, tornando o filme apropriado a todas as idades.

Falando em todas as idades, o filme peca pela infantilidade de alguns momentos. Existem muitas piadas, verbais e estruturais, que por vezes calham mal, sobretudo ao início. A partir do meio do filme, parece que nos habituamos ao ritmo e acabamos por sorrir com as feitas e desfeitas de Alladin, o nosso personagem.

Uma nota especial para a música: o tema é recorrente, mas é excelente. Com uma clara influência progressiva, molda-se em cada situação e fica sempre bem.

No geral, um excelente filme que recomendo. É uma pena que todos se esqueçam destes clássicos, que nos deram tanto e nos fizeram chegar aos dias de hoje.

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