31.1.17

Silêncio

Silêncio
Martin Scorcese
2017
Filme
7 em 10

Fomos ver este filme ao cinema :)

Inspirado num romance homónimo de autor japonês, conta a história de dois padres portugueses que foram ao Japão em busca de Ferreira, um outro padre jesuíta que desapareceu enquanto tentava converter mais pessoas ao cristianismo nessa terra. Ora, por esta altura da história universal, o Japão encontrava-se completamente fechado aos outros povos, sobretudo os europeus, e os cristãos locais eram perseguidos, torturados e mortos se não renegassem a sua fé. Será que os nossos padres irão conseguir o seu objectivo?

Este é um filme contemplativo sobre as questões de deus e a forma como nos podemos encontrar com ele numa situação absolutamente adversa. A verdade é que deus aparenta estar sempre em "silêncio", quando no final se vem a tomar outra conclusão. é um filme sobre o abandono da fé pela necessidade, mas que pode ser perspectivado como um diferente encontro com a fé. Uma nova maneira de ver as coisas.

Muito violento, o autor não se coíbe em mostrar alguns dos possíveis horrores que as pessoas nesta situação viveram. Ainda assim, até ao final, o personagem parece não conseguir encontrar uma resposta para a sua dúvida, para a forma de "como salvar todos" sem perder a sua visão de fé. Mostram-nos belas paisagens da ilhas japonesas mais remotas, mas apesar de tudo o filme pareceu muito escuro, quando tenho a certeza que existe alguma outra luz nesta terra.

O mais admirável será, sem dúvida, a exactidão histórica, em pormenores que não saltam à vista de toda a gente. Fiquei com esta ideia depois de ter falado com um amigo que, por acaso, é padre e que, por acaso, veio ver o filme connosco por uma segunda vez. :) Os dados históricos que ele me deu sobre a ordem jesuíta na época e sobre algumas ideias religiosas em vigor nessa era deram-me uma outra ideia sobre o filme.

Finalmente, deixo uma nota para Liam Neeson, que - apesar da sua curta presença - teve um discurso excelente, pleno de realismo e absolutamente adaptado ao seu personagem que, dentro do mistério que o envolve, apresenta ainda uma outra ideia sobre a fé.

Em todo o caso, este filme recordou-me uma história que contavam quando eu andava na escola (católica):

"Um homem andava pela praia e via sempre dois pares de pegadas. Eram as dele e as de deus. No entanto, por vezes um dos pares desaparecia. Quando chegou ao fim do caminho, o homem perguntou: "deus, quando foram os momentos mais difíceis, tu não estavas lá: eram apenas as minhas pegadas! Porque me abandonaste?" E deus respondeu: "quando foram os momentos mais difíceis, fui eu que te carreguei ao colo".

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