23.4.17

Mardock Scramble: The Second Combustion

Mardock Scramble: The Second Combustion
Kudou Susumu - GoHands
Anime - Filme
2011
  6 em 10
 
Depois de vermos o primeiro filme desta saga, o Qui ficou cheio de vontade de ver a continuação. Assim, lá fomos nós em busca dela pelo mundo da internete :> 

Infelizmente, este filme é bastante inferior ao primeiro. Pode quase dizer-se que se trata de um filme de transição. Pegando precisamente onde a primeira instância nos deixou, começam buscas e salvamentos que, curiosamente, correm sempre demasiado bem. Temos muito menos cenas que potenciem acção e, assim, momentos de animação mais dinâmicos. Os personagens também parecem sofrer um retrocesso no seu desenvolvimento: fará sentido que, depois das acções que vimos anteriormente, esteja simplesmente "tudo perdoado"?

Em compensação, temos um cuidado extremoso nos cenários, com situaçlões muito belas e muito bem adaptadas ao universo que nos está a ser apresentado, sem nunca perder uma certa aura de cyberpunk.

É uma pena que este filme não tenha sido um pouco mais dinâmico e tenha muitos momentos que vão contra qualquer lógica.

Resta-nos ver o terceiro e saber o que vem daí.

21.4.17

Confesso que Vivi

Confesso que Vivi
Pablo Neruda
1974
Auto-biografia

Estou quase a finalizar o meu pequeno projecto de "conhecer Pablo Neruda e a sua obra antes de ver o filme sobre o Pablo Neruda". Um amigo BookCrosser fez-me o favor de me enviar este livro. Trata-se de uma auto-biografia do autor, em que ele fala de pequenos episódios da sua vida e como estes podem ter influenciado a sua poesia.

Neruda parece, através deste livro, uma pessoa muito simpática e disponível, que foi injustamente perseguida por ideais pelos quais nem sequer se manifestou violentamente: a única coisa errada que ele fez foi escrever poesia. Conta-nos neste livro episódios da infância e da juventude (por exemplo, não sabia que tinha sido cônsul chileno na Ásia), referido pessoas e eventos com os quais fez amizde e o marcaram de alguma forma.

No entanto, deve dizer-se que o autor escreve poesia muito melhor do que prosa. Existem, por exemplo, elementos que são enumerados num parágrafo para depois só um deles ser explicado no seguinte. E outros pequenos erros estilísticos.

Para além disso, há capítulos demorados em que o autor faz tanto o elogio como a depreciação de pessoas específicas que nós, não conhecendo, não poderemos achar relevante.
 
Foi uma boa maneira de ficar a conhecer a personalidade do autor. Agora só me resta uma biografia oficial, que já estou a ler, para fechar o meu mini-projecto. :)

As Asas do Desejo

As Asas do Desejo
Wim Wenders
1987
Filme
7 em 10

Celebrando o trigésimo aniversário deste filme, foi reposto no cinema da biblioteca aqui perto de casa. Fomos vê-lo e, diga-se, a sala estava cheia! Nunca tinha visto aquele auditório assim!

Os anjos andam entre nós, observando-nos, ouvindo os nossos pensamentos, documentando a humanidade desde o seu surgimento no planeta. Mas existe um anjo que, neste momento, não se consegue conformar. O seu maior desejo é sentir as coisas, poder agarrar nas coisas, poder descalçar os sapatos. Como se fosse um ser humano. A sua decisão torna-se cada vez mais forte quando toma um especial interesse por uma trapezista frustrada. Será que esta história de amor vai vingar?

É um filme pleno de detalhes que permitem leituras diversas e interpretações muito pessoais. Afinal, o que significam os anjos? Porque é que eles só vêm a preto e branco? Como sentem as emoções das pessoas, se a eles não é permitido ter emoções? É uma perspectiva um pouco assustadora, pensar que está sempre alguém aqui ao lado a ouvir os nossos pensamentos. Mas também é um pouco triste pensar que, estando eles aqui, não podem fazer nada. Não podem agir. Não podem intervir.

Os cenários são os do muro de Berlim antes da sua queda. Imagens tristes, decadentes, apodrecidas mas, apesar de tudo, muito contemplativas. O autor consegue mostrar-nos o mundo pelos olhos dos anjos e isso tem o poder de nos transportar para um universo que, existindo ou não, nos deixa um vazio no coração.

É um filme bonito mas, aparentemente, dividido em duas partes. Agora terei de ver a segunda.

O Sétimo Selo

 O Sétimo Selo
Ingmar Bergman
1957
Filme
9 em 10

Desde que ouvi dizer que havia um filme sobre um homem que jogava xadrez com a morte, tive logo imensa vontade de o ver. Esse momento aconteceu agora e, devo dizer, foi o filme mais brilhante que vi nos últimos tempos!

O tempo é o da peste. O homem é um cruzado que volta para o seu castelo após dez anos na guerra, acompanhado pelo seu escudeiro. No dia em que a Morte o visita, ele propõe-lhe um acordo: jogar xadrez. Se ganhar, a Morte o deixará em paz. Mas quem poderá ganhar contra a Morte?

Este é um filme com leituras diversas e uma complexidade narrativa tão rara como delicada. O homem busca o significado de deus, em busca do conforto que a vida ainda lhe poderá trazer, enquanto o jogo de xadrez não termina. Enquanto os dois homens viajam por aldeias consumidas pela peste e pelo medo dos demónios, conhecem uma série de pessoas que os acompanham, que os acompanham até à fatalidade.

Apesar de tudo, é um filme pleno de humor e pequenos detalhes que, como uma reflexão do que é negro e assustador, trazem um um brilho discreto aos personagens e às situações, que se sucedem num perfeito equilíbrio entre o horror pessoal e a ambição pela vida.

As imagens são de extrema beleza, um preto e branco maravilhoso que faz um uso perfeito da edição, dos planos e da variedade de sombras que se podem encontrar no mundo. Espantoso como como os recursos da época foi feita tão bela recriação de um ambiente tão antigo, com imagens emocionantes e tantas vezes comoventes.

Este é um filme que demonstra um equilíbrio perfeito entre todos os componentes que fazem o cinema. Um exemplo primordial do que ainda pode ser feito.

Circuito Habitual

Circuito Habitual
Teatro Extremo
2017
Teatro

Fui ao teatro com uma amiga! Esta peça está ainda no Teatro Estúdio António Assunção, pelo que recomendo vivamente que, havendo tempo, passem por lá para a verem. Afinal, foi uma peça surpreendente, de que gostei imenso!

Num ambiente de distopia, um pouco recordatório de 1984, um homem faz denúncias daqueles que se manifestam contra o sistema, encaminhando-as pelo "circuito habitual". Mas hoje ele é chamado pelo seu novo superior: afinal, existe uma quantidade inusitada de queixas redigidas contra o próprio denunciador!

O texto desta peça é interessantíssimo, assim como a forma como a encenação no-lo mostra. Temos um cenário minimalista mas muito eficiente e com alguma complexidade, que é usado na sua totalidade para transmitir um sentimento de opressão e, um pouco, terror. Também a sonoplastia contribui muito para este ambiente: se ao início parece estranha, como se houvesse algum erro a nível do sistema sonoro, rapidamente se entranha e dá toda uma outra dimensão à peça.

Achei apenas que os actores poderiam ter tido uma melhor prestação, sobretudo o mais jovem. A sua dicção não era muito boa, pelo que se perdeu um pouco de detalhe do texto.

De todos os modos, até gostava de ir ver esta peça outra vez, com outras pessoas! Recomendo vivamente!

Dom Casmurro

Dom Casmurro
Machado de Assis
1899
Romance

Fui à Quinta das Conchas encontrar-me com um editor de uma revista e aproveitei para levar alguns livros para a pequena biblioteca que lá está (a Little Free Library da Quinta das Conchas). Aproveitei para trazer este livro, que já queria ler há imenso tempo. Afinal, é um dos epítomos da literatura brasileira e já o devia ter lido há que tempos!

Infelizmente, não gostei muito. Temos de admitir que o livro está muito bem escrito. Machado de Assis escreve melhor português do que qualquer residente em Portugal. Começa logo por aí. Mas a história, apesar de simples, directa e bastante bem-humorada, está descrita de uma maneira que me levou ao sono demasiado frequentemente.

Para começar, há uma insistência por demais nas situações do seminário, que se arrastam durante quase toda a narrativa e que, no fundo, não têm grande interesse para a caracterização dos personagens. A revelação final é absolutamente inesperada, pois antes disso não há qualquer referência a uma desconfiança ou sequer suspeita.

Os personagens também não sofrem muita caracterização, o que torna um pouco difícil de os identificar.

O principal prazer deste livro é a forma como está escrito. Mas fiquei um pouco triste por não ter gostado tanto como pensava.

Mardock Scramble: The First Compression

Mardock Scramble: The First Compression
Kudou Susumu - GoHands
Anime - Filme
2010
7 em 10

Este é um filme que está dividido em três partes, cada uma lançada em momentos distintos.

Uma prostituta de quinze anos é brutalmente assassinada pelo seu protector. Mas a história não acaba aqui, porque um cientista encarregado de apresentar casos do género em tribunal lhe oferece um novo corpo e um ratinho dourado que se pode transformar em qualquer objecto. Assim começa uma história de perseguição e obsessão, com personagens plenos de força e histórias passadas bastante perturbadoras.

O desenvolvimento dos personagens, feito através de flashbacks, é muito intenso e ajuda muito na sua caracterização. São pessoas perturbadas, estranhas e com traumas que não poderão ser apagados em tão pouco tempo. Balot, a personagem principal, conhece muito pouco da vida e as suas perspectivas sobre o amor e amizade, conceitos um pouco desconhecidos para ela, são tão frias como assustadoras. Não podemos deixar de sentir uma certa pena por esta rapariga.

O universo, um pouco cyberpunk, está bem identificado e caracterizado, através de cenários muito ricos, embora haja um certo abuso das técnicas digitais que se nota bastante. Temos cenas de acção variadas, com inimigos assustadores e uma óptima produção no respeitante à animação. As coreografias são interessantes, apesar de simples e, sobretudo, eficientes.

Musicalmente temos peças variadas dentro do universo industrial, que acabam por ficar bem mas que se notam pouco. A ED veio pouco a calhar.

Um filme que deixa vontade de ver o resto da trilogia!