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In English: Cosplay Portfolio (Updating) | SALES

20.7.18

Golden Kamuy

Golden Kamuy
Nanba Hitoshi - Geno Studio
Anime - 12 Episódios
2018
7 em 10

Este anime da season que passou (como podem reparar só estou a terminar agora) pode ser um sete, mas é um sete muito muito baixinho. Vejamos porquê.

Temos uma premissa muito interessante. Um soldado, perdido nas florestas nevadas de Hokkaido, junta-se a uma rapariga de uma tribo Ainu para encontrar homens tatuados. Estas peles, todas juntas, farão o mapa para encontrar um tesouro na floresta. No entanto, este soldado é um desertor e, por isso, vê-se perseguido por todos os lados. E não é apenas ele quem procura o ouro...

Este anime é sobretudo interessante (e é daí que vem o ponto do sete) pela caracterização da cultura e hábitos Ainu, colectivo de tribos essencialmente extinta pela intervenção da "civilização" do Japão  bélico. Temos acesso a dados culturais muito interessantes, mostrando-nos o anime uma forma de viver muito eficientemente adaptada ao ambiente e, por isso, um excelente elemento para colocar num anime de mistério e sangue como este.

Temos também personagens com motivações claras, embora o desenvolvimento que lhes é oferecido peque por - muitas vezes - se basear numa relação cliché de amor-ódio-com-humor.

A questão principal encontra-se na arte. O estilo utilizado não favorece a caracterização dos cenários, que poderiam ter sido muito mais ricos, detalhados e realistas. A neve, elemento principal, acba por se tornar pesada, monótona e abafada. Também a animação de lutas e outros combates, é quebrada, com estranhezas anatómicas e pouca eficiência para muito sangue.

Em termos musicais, não existe nenhum momento memorável.

Apesar de estar a apreciar mais a série quando todos ainda eram "maus", verei a segunda season com todo o gosto. Eu também quero o tesouro!

A Eterna Desculpa

A Eterna Desculpa
Miwa Mishikawa
2016
Filme
7 em 10

Fomos ver este filme ao cinema, aqui perto. Um filme baseado num livro, ambos da mesma autoria. Combinação curiosa.

Neste filme, dois homens enfrentam o luto pela perda das suas esposas, tornando-se companheiros devido à amizade entre as duas. Um deles, um escritor embriagado de sucesso, irá tomar conta dos filhos do outro, um camionista um pouco bimbo, cirando assim uma relação de familiaridade que irá (ou não) fluir para dentro da ausência da esposa, preenchendo-a.

Os personagens enfrentam diversas fases do seu luto e da sua busca por compreender a morte e por compreender a reacção à morte. Cada cena é simbólica para o desenvolvimento da aceitação e a passagem para uma "nova vida", para um novo entendimento. No entanto, pareceu-me que o filme se prolongou demasiado na exploração de novos símbolos e momentos de transição, o que acabou por tornar o final um pouco moroso.

O argumento tem também grande vivacidade e sentido crítico social,  o que é manifestado sobretudo pelas interpretações dos actores. Tomaram as personagens como suas e deram-lhes uma individualidade muito própria, sem exageros mas também sem comedimentos.

Um filme muito interessante. Só tenho pena que pouca gente tenha ido ver.

Conhecimento do Inferno

Conhecimento do Inferno
António Lobo Antunes
1980
Romance

Finalmente um livro de Lobo Antunes que me enche as medidas, depois destes todos que tenho lido (ainda me faltam dois e depois fecho a lista de leitura para começar outra, woohoo!)

Com uma certa tonalidade autobiográfica, o autor esforça-se por nos contar o seu dilema, entre ser médico e ser pessoa, entre ser soldado e ser médico e ser pessoa. Numa estranha alegoria, ele coloca-se na posição do internado de psiquiatria, aquele que ele próprio trataria, preso na memória louca da guerra colonial, pesadelo sempre presente no discurso. Discurso esse que, cada vez mais obscuro, cada vez mais quebrado, nos leva para os meandros de traumas com fontes diversa.

O autor analisa-se enquanto médico rodeado dos seus pares e enquanto ser primal, o animal doente que se urina e se enoja, em comparação com o animal febril que destrói com indiferença o que desconhece, o que lhe faz medo. Este contraste caracteriza a personagem: o autor dissecando o seu próprio cerebelo e apresentando uma versão de si que transcende o próprio horror que uma pessoa (sempre) tem a si própria.

Penso que, talvez, o vocabulário do livro seja um pouco complexo para quem tem pouca formação técnico-científica. Penso também que o tema do colonialismo e subsequente gu4erra é um tema sempre visitado pelo autor e que isso me chateia, mas neste caso admito que esteja próximo demais aos acontecimentos para ser menos do que uma imagem viva.

Fiquei encantada com este livro, vamos ver os próximos dois!

Cardcaptor Sakura: Clear Card-Hen

Card Captor Sakura: Clear Card-Hen
Asaka Morio - Madhouse Studios
Anime - 22 Episódios
2018
6 em 10

Se há algo de que eu não estava à espera, era que Card Captor Sakura alguma vez me desapontasse. Umas das séries fulcrais da minha adolescência, acabava de receber uma sequela. O que viria daí. Mas se há algo de que eu devia estar à espera... Era que CLAMP me desapontasse.

Pegando no imediato após o término da primeira série, existe uma reunião - agora numa nova escola - dos personagens anteriores e de algumas novas figuras. Sakura tem acesso a um conjunto de novas cartas, umas cartas transparentes a que chamamos as Clear Cards. Portanto, tem de lutar contra elas para as capturar e fazer tudo como antes. Óptimo! O pior acontece a seguir.

É-nos apresentado um grande mistério mágico, com o aparecimento de estranhas figuras. E a partir daí a história parou. Temos de saber quem são estas figuras. Estas figuras passam a aparecer a toda a hora e a motivação dos personagens deixa de se enquadrar no desenvolvimento pessoal para nos envolver numa história de detectives com magia. Bem. Não foi para isso que eu comprei o bilhete.

Ainda assim, poderíamos aceitar isto se tivessem circundado a história a apenas uma season. O que mais pode acontecer para além de voltarmos ao mesmo filme de sempre, os mundos estão todos colados, etc.? Mas mesmo considerando a eventualidade de não fazerem isso, o que podemos dizer da animação? Um pastel deslavado, coreografias pouco dinâmicas, designs repetitivos. Tão suave para os olhos que quase se deixa de ver.

Musicalmente temos OPs e EDs interessantes, plenas de fantasia e com um toque de feminilidade.

Deixou muito a desejar e só verei a segunda season (existindo) por mera consistência técnica.

Bakemono no Ko

Bakemono no Ko
Hosoda Mamoru - Studio Chizu
Anime - Filme
2015
6 em 10

Este premiado filme, estreado em Portugal numa Monstra, passou no outro dia na nossa querida, culta e adulta RTP2. Aproveitámos para o ver. Infelizmente, senti-me um pouco defraudada. Tanto pela RTP2, que passou um rip de DVD absolutamente horrendo, como pelo autor deste anime que, filme após filme, tem vindo a desapontar.

Um rapaz órfão de mãe, pai ausente, perde-se nos caminhos da noite de Tóquio, achando-se num labirinto que o leva até ao mundo dos monstros. É acolhido por um monstro muito especial, que luta para conseguir ganhar o lugar de senhor, o que lhe permitirá reencarnar como deus. Assim se desenvolve uma história de amizade familiar improvável, com algumas peripécias e crescimento pelo meio.

O problema neste filme não é tanto o desenvolvimento dos personagens que, realmente, é consistente e realista. O meu principal celeuma é, pois portanto, a caracterização. É que estas crianças, estes monstros, eles aparecem do nada. Não existe um passado a que se possam agarrar quando dizem que têm vidas tristes e difíceis. Assim, aparece este grupo de rejeitados vindo do nada que, por nenhuma razão em concreto, crescem até um zénite. Uma curva ascendente, mas sem um ponto de base.

A animação saiu desaproveitada com a qualidade terrível a que a nossa televisão pública teve acesso. Temos designs interessantes e originais, bastante consistentes dentro do universo, e alguns detalhes curiosos no ambiente circundante e cenário, que dão muita vivacidade ao mundo. No entanto, os cenários de cidade real são monótonos e repetitivos, sendo que não nos dão o detalhe necessário para que o apreciemos tanto como as personagens.

Musicalmente, temos alguns temas muito recorrentes em animes do género.

Um filme com uma moral engraçadinha e que se esforça por puxar a lagrimeta, mas que não poderá passar de mais uma estreia infantil com pouca densidade narrativa. Sorry.

Sci-Fi Lx 2018

 
Sci-Fi Lx 2018
Evento
Este era um dos eventos de cultura geek que, apesar de já existir há algum tempo, nunca tinha conseguido visitar. Trabalho, outros eventos, coisinhas, coisinhas sempre me tinham impedido de lá ir. Mas queria muito. Então guardei o fim de semana! =D
 
Fui apenas no Domingo à tarde. A minha intenção inicial era ir aos dois dias e assistira a imensos workshops e palestras mas a verdade evidente é que não aconteceu. Havia imensas coisas giras para ver, desde workshops de literatura (como matar personagens? Eu preciso de saber isto!) a sessões iniciáticas à impressão 3D, passando por alguns temas que terão dado, certamente, debates interessantíssimos.
 
Mas ocorreu-se que não vi nada. Boo para mim.
 
Levando a minha nova obra prima, um vestido com um cão girino, nome científico Gatus gatus estragadus, apresentei-me plena da energia de uma pessoa com grande talento para o estacionamento paralelo. Com isso dentro de mim, atravessei todo o jardim inicial do Instituto Superior Técnico, questionando-me avidamente sobre onde raios seria o edifício certo. Caminhando debaixo do sol de Julho, embora com alguns estratos, encontrei isto:


Good Omens, dizem eles.

Afinal, o edifício que procurava era o que estava mesmo à minha frente.

Organizado de uma forma circular, este evento é um carrossel de bancas das mais variadas formas e feitios. Muita literatura por onde escolher, tanta que nem fui capaz de o fazer! Por mim, todos! Queria todos! Então não trouxe nenhum. Arte muito interessante, num nível de profissionalismo que é raro noutros eventos. Os artistas (que são bons artistas), tinham até telas com temas ciber-surrealistas ou sobre esse rural bucólico que é o da fantasia clássica. Pelo caminho aproveitei para ver algumas queridas pessoas, a quem sempre me dá grande gosto conversar.

Tive também a sorte de falar com outras pessoas, nomeadamente o professor que se sentou comigo a mostrar-me modelagem 3D para crianças (uma arte fascinante que, afinal, parece bem simples!) e o representante de uma editora que organiza concursos em que gosto de participar. Eles foram os organizadores da maior parte (se não todos?) os workshops literários, pelo que gostaria de os encontrar mais vezes nestas andanças. ;)







Cosplay, esse, muito pouco representado. Agora, uma confissão: eu era para ir de cosplay. Estava há cerca de dois meses a trabalhar num cosplay simples e confortável que - para mim - tinha tudo a ver com este evento. Era a Mamiya de Hokuto no Ken! =D Mas não o consegui acabar, faltam só as ilhoses, as peças de armadura e o yoyo! Fica agora para um evento futuro, quem sabe?


Mas adiante. Cosplay, esse, muito pouco representado. Apesar de estarem a fazer um cosplay ao vivo durante o evento, o que é uma coisa muito gira de se ver, só encontrei estas pessoas.

SOIS AS MÁIORES



Este é de bónus

 Foi um evento simples, muito agradável e sinceramente relaxante. Adoraria tê-lo aproveitado melhor e espero que, para o ano, o possa fazer! Esta estrutura de evento começa a perder-se um pouco, no meio de grandes ecrãs com estrelas que dançam. Mas é neste tipo de evento que as pessoas acabam por poder recolher-se um pouco da histeria colectiva e aproveitar o serviço educativo que esta comunidade, sempre (e espero que cada vez mais) nos tenta oferecer.
Até para o ano!

13.7.18

Alexandra Alpha

Alexandra Alpha
José Cardoso Pires
1987
Romance

Um estranho romance, do mesmo autor da famosa "Balada da Praia dos Cães" (que me traz algumas memórias interessantes, que ficarão para outro dia, haha).

Alexandra é uma mulher que trabalha numa empresa chamada Alpha Linn. O autor finge que estas pessoas são reais (conseguindo convencer-nos durante grande parte do livro) e que a sua história vem de uma recolha de "papéis" encontrados na tal empresa, todos eles com uma tonalidade diarista. Assim, pela perspectiva de Alexandra, o autor apresenta-nos um conjunto de figuras inusitadas do eixo Linha de Cascais dos anos 70 em Portugal. Dos anos 70 antes da revolução, claro.

Estas personagens enfrentam problemas complicadíssimos, a maior parte deles relacionados com sexo matinal e abortos. E, pela sua voz um pouco queque, ficamos a saber mais ou menos como vivia uma pseudo-elite intelectual e empresarial, frequentadora de bares e de actividades lúdicas que envolvem bebidas destiladas. Penso que o livro se propôs a caracterizar uma época, mas dado o facto de as pessoas escolhidas para a representar serem, de todo, de um estrato social minoritário faz com que isso se perca completamente.

Finalmente, existe a secção inevitável e nunca ultrapassável quando se fala do que quer que seja da história portuguesa. Viva a revolução. E não é que o actor se despega da Alexandra Alpha e narra os acontecimentos da sua própria perspectiva? Poderia ser um elemento necessário num livro deste tipo, mas acaba por ser completamente irrelevante devido ao facto de ter sido completamente incosequente para todas as personagens.

Podia ter corrido tudo muito bem, mas enfim...