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15.1.19

Blindspotting

Blindspotting
Carlos López Estrada
2018
Filme
6 em 10

Um filme surpresa.

Em Oakland, um tipo que esteve preso vive os últimos três dias da sua pena suspensa. Tem de se esforçar ao máximo para que nada aconteça que o faça parecer um criminoso, mas parece que as ondas do destino não são favoráveis.

Este é um filme muito divertido, que nos mostra com simplicidade e de forma sincera o processo de adaptação da faixa marginal de Oakland aos modernos hipsters que estão a invadir todas as casas. Também permite um excelente desenvolvimento aos personagens, que conseguem expandir-se e encontrar novas formas de viver dentro do seu contexto, terminando com um tom de bom-humor, aceitação e realização.

Narrado de forma muito dinâmica e bastante criativa, temos um showdown de discursoss cantados, um hip-hop casual que parece fazer parte da própria linguagem desta comunidade. Também temos uma mostra quase publicitária deste bairro, desta cidade, que demonstra que nem tudo o que vemos nos filmes - mesmo que falem sobre pessoal ligado a drogas e a armas - tem de ser um sítio esconso, horrível e sujo.

Não deixem passar este filme ao lado.

Absurdistão

Absurdistão
Gary Shteyngart
2006
Romance

Absurdistão é um romance absurdo. Foi-me oferecido pelo Natal.

Conta a história de um judeu russo riquíssimo e muito obeso, que está a viver nos Estados Unidos a boa vida do estudante e filantropo artístico. O seu pai, pouco antes de morrer, ordena que volte para a Rússia, de onde não mais pode sair devido aos crimes do primeiro. Então, acaba por ir parar a uma estranha terra, o Absurdistão, que fica ali algures entre o Irão e a Rússia. Lá, envolve-se em batalhas pelo poder e numa guerra sem sentido nenhum em que se afunda cada vez mais.

É um livro muito curioso e muito estranho, mas que vale a pena pela sucessão do discurso e, talvez, enquanto análise biográfica do autor (que, confesso, não conheço nem nunca tinha ouvido falar). A personagem de Misha parece um auto-retrato grotesco, assim como todas as relações sociais - nomeadamente com mulheres. As descrições hediondas do pénis do personagem e das suas actividades, assim como os relatos do corpo massivo de Misha a engurgitar-se com comidas nojentas, tornam a narrativa num festim dos horrores verbal.

No entanto, no meio de todo este caos, desperta um personagem que - físicamente rejeitado - acaba por se demonstrar como uma pessoa sensível, preocupada e intimamente maravilhada com o mundo "das pessoas normais", querendo ajudá-las ao máximo até que a sua inocência, finalmente, lhe demonstra que nada o poderá salvar.

ULeitura muito interessante, que recomendo pela simples bizarria.

First Man

First Man
Damien Chazelle
2018
Filme
6 em 10
Tenho estado um pouco motivada para a ideia das viagens espaciais, por isso este filme calhou-me muito bem. Conta a história da missão Apollo, que levou o primeiro homem à Lua (Neil Armstrong). Segue esta figura ao longo de toda a narrativa, construindo uma ligação emocional que - penso - tenta mimar a excitação corrente nos anos 60 em que tais eventos se passavam.

Infelizmente, o filme é apressado, saltando muitas partes do projecto que - menos interessantes - poderiam ser igualmente importantes. Há um foco especial nas tragédias que vão acontecendo, sendo que é dada uma aura a Neil Armstrong que vai pouco de encontro ao sonho  lunar. Mostram-no como pessoa ausente, desfazada, inadaptada, pouco interessante e, por isso, nunca se sabe muito bem porque é que é ele o escolhido para a missão. Os feitos espectaculares que faz em testes não convencem, porque o actor nunca mostra confiança, nem alegria, nem nenhuma outra emoção que seja diferente de "estou triste porque SPOILER aconteceu".
 
O facto de a narrativa da missão Apollo ser focada nesta dor contida no personagem, faz com que tudo pareça menos realista e que o feito de lá terem chegado pareça irrisório, já que a contemplação da nova realidade não é feita de cara lavada mas sim ainda plena de uma emoção sofrida que, sejamos sinceros, cansa rapidamente.
 
Fica uma nota especial para os cenários e efeitos. Nunca imaginei que os primórdios da exploração espacial fossem tão... Frágeis. Torna tudo muito mais assustador, porque ficamos a sentir na pele o perigo que estes astronautas corriam, em nome de um sonho e em nome da ciência.
 
Pena que nem sonho nem ciência estejam presentes.

Darkest Hour

Darkest Hour
Joe Wright
2017
Filme
7 em 10
Este filme estava à espera de ser visto desde os óscares do ano passado. Estava esquecido, mas foi boa a hora em que assistimos a este Darkest Hour.

O filme fala dos primeiros dias de Churchill enquanto primeiro ministro do Reino Unido, na deflagração da geurra mundial que viria nos anos seguintes. Acompanhamos o seu processo de tomada de decisão nestes momentos difíceis, em que a sua teimosia e coragem promoveram o envolvimento do seu país nesta guerra, pensada perdida desde logo, impedindo assim o nazismo de se levantar em toda a Europa e mundo.

Acredito que a história tenha tomado algumas liberdades de estilo, mas ainda assim é muito emocionante. E tudo isso se deve quase em exclusivo ao actor. A sua interpretação é de um realismo contagiante, apresentando-nos um Churchill divertido e igualmente assustador, ligado a valores de extrema ética e bondade. Isto talvez possa ser um certo exagero estilístico, mas funciona muito bem no contexto.

De resto, não existe nada de especialmente atractivo neste filme. Até houve uma inclusão de material digital perfeitamente desnecessária, como quem diz "para ter um filme de prémios tehop de ter uma perseguição de barcos espectacular".

Vale a pena pela performance.

9.1.19

Green Book

Green Book
Peter Farrely
2018
Filme
7 em 10
Inspirado numa história real, Green Book baseia o seu nome no guia turístico que indicava onde os negros podiam ficar hospedados no sul dos Estados Unidos, numa época em que a luta pelos direitos civis ainda só se iniciava.
 
Um tipo descendente de italianos, meio rufia, meio ligado à máfia, meio não sei quê, é contratado por um misterioso "Doutor" como motorista. Vem-se a saber que esse "Doutor" é Doc Don Shirley, um talentoso e famoso pianista de música contemporânea. Que vai fazer uma tour pelo "Deep South". E que é... Negro.
 
Em oposição às intervenções racistas que vão injustiçando o par ao longo do filme, desenvolve-se uma relação entre as duas personagens que se vem a tornar numa grande amizade. Se o motorista ensina sobre a pobreza e a sinceridade ao artista, o artista ensina a arte de bem falar, de bem vestir e de bem socializar. E assim as personagens crescem e mudam a cada momento difícil, aproximando-se mais uma da outra e encontrando um ponto em comum: a música, o talento, o respeito pelo outro.
 
Gostaria de deixar uma nota para a extraordinária banda sonora. Não tenho a certeza se o actor era também o intérprete, mas se assim for é algo de fabuloso!
 
Forte candidato aos Oscaros, vamos ver até onde o filme consegue chegar.

Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão

Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão
Mário de Carvalho
2014
Ensaio 

Comprei este livor na Feira do Livro 2018, tendo tido a sorte de o ter autografado pelo autor. Trata-se de um ensaio que reúne algumas ideias sobre o que o novel escritor deve fazer para melhorar a sua arte e, assim, escrever com tanto prazer como qualidade.

Atenção: este não é um livro que fala de escrever em quantidades astronómicas em muito pouco tempo (estou a falar da anormalidade que é o Nanowrimo). Também não é um livro que fala sobre publicar livros e ter sucesso pessoal e financeiro enquanto escritor.

O que o autor faz é partir da sua própria experiência para dar alguns exemplos do que pode e deve ser feito enquanto se escreve e do que se deve evitar. Repare-se que a experiência principal a que se remete é a da própria leitura. Logo no primeiro capítulo, Mário de Carvalho insiste na importância da leitura enquanto objecto educativo e de pesquisa.

Fascina-me que haja pessoas que queiram escrever e não gostem de ler.

Durante o resto do livro, são-nos dados várias dicas de coisas giras que podemos utilizar e como o fazer sem cair na tentação do ridículo. No entanto, a prosa é muito dura, intrincada e um pouco difícil para um leitor menos avisado.

Um livro muito útil e divertido!

Beautiful Boy

Beautiful Boy
Felix Van Groeningen
2018
Filme
6 em 10


Havia quem estivesse ansioso por este filme, pois o actor principal também participava no querido Call Me By Your Name.

Em "Beautiful Boy" explora-se uma história (real) da relação entre pai e filho. Apesar deste filho ter sempre sido um exemplo maravilhoso, descobre-se agora que tem um vício e um prazer terríveis: as metanfetaminas. E a heroína, entre outras coisas. A espiral de decadência em que se envolve, após várias tentativas falhadas de reabilitação, é um sofrimento para o próprio e para a sua família, nomeadamente o seu pai. Este procura sempre apoiar o filho mas acaba por não conseguir compreender o vício nem o que faz o vício viciar.

Apesar de ser uma história sobre esta relação familiar, aliás muito bem interpretada por todos os intervenientes, o filme acaba por ser uma terrífica ode ao anti-consumo, um apelo desesperado para a rejeição da droga: o filme admite que a droga não pode ser (nem deve ser!) compreendida e que os seus utilizadores devem ser imediatamente retirados da sociedade de forma a não se prejudicarem a si próprios.

Esta análise emocional e muito doutrinadora torna o filme quase como um ralhete ao espectador, em que todos os personagens, o realizador e o resto da equipa nos dizem "as drogas são más, meu filho". E apesar de termos alguns momentos de grande qualidade, não consigo deixar de sentir que há algo de muito pessoal neste filme que não nos é dado a compreender.

Fica pelas interpretações. Realmente, temos aqui alguém com futuro.