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17.11.17

H2O: Footprints in the Sand

H2O: Footprints in the Sand
Tachibana Hideki - Zexcs
Anime - 12 Episódios
2008
5 em 10

Como é que um anime que tem um primeiro episódio tão bom se pode revelar como uma confusão de conceitos?

Pois é. O primeiro episódio começa com uma das minhas histórias da escola preferidas (sobre deus, eu andei numa escola que curtia do J.C.) e a ideia de que um rapaz cego chega a uma aldeia perdida para conhecer uma série de pessoas. Depois, subitamente, ele volta a ver. Ok. E o que vê ele? As meninas em fatos de banho e outras situações inusitadas. No final, lá se decidem a desenvolver um pouco a história, mas esta é uma salganhada pegada, com pessoas que tentam ser outras, vinganças familiares e ressurreições misteriosas. Se as personagens nos pareciam cheias de potencial no tal primeiro episódio, rapidamente entendemos que não passam de um mau disfarce para um harém básico.

Animação é coisa que não temos e os designs dos personagens são absurdos. Estas fardas simplesmente não fazem sentido e o facto de as meninas serem todas iguais, mudando a cor dos cabelos, não contribui em muito para que a história possa ser devidamente compreendida. O mesmo acontece com a música, que é aquela balada pop básica sem nada que se lhe diga.

Mas, confessemos: o primeiro episódio foi brutal. Se o resto da série tivesse ao menos sido assim...!

O Suspiro de Haruhi Suzumiya

O Suspiro de Haruhi Suzumiya
Nagaru Tanigawa
2003
Light Novel

Continuo a batalhar para ler as light novels que me restam da minha lista e assim cheguei ao segundo volume da mítica Haruhi Suzumiya. É uma história que adoro e uma personagem que adoro, mas acho que já não estou a adorar muito a novel.

Neste volume falamos do filme que Haruhi decide fazer para a festa da escola, com todas as coisas que isso implica. Como Haruhi deseja um filme da acção, começamos a ver algumas ligeiras alterações na realidade, nomeadamente a capacidade de Mikuru lançar lasers dos olhos. A premisa é engraçada, mas no fundo este livro parece uma justificação para colocar a personagem de Mikuro sob todo o tipo de sofrimento, revelando Haruhi como uma pessoa execrável e sem qualquer sentido de relação social.

Ora, apesar de isto caracterizar a personagem, torna-a um pouco limitativa dentro daquilo que conhecemos. Aqui Haruhi nunca é capaz de um gesto de colaboração, como anteriormente, o que nos deixa um pouco frustrados.

Para além disso, o livro não está especialmente bem escrito. Acabamos por nunca saber se os diáligos internos de Kyon são, na verdade, diálogos reais que são ouvidos. Se assim for, o livro atinge o limiar da parvoíce e o personagem de Kyon também.

Vamos ver o que os próximos volumes nos reservam.

There Will Be Blood

There Will Be Blood
Paul Thomas Anderson
2007
Filme
7 em 10

O Qui queria muito mostrar-me este filme, um dos seus 10/10 de sempre. Não diria tanto assim, mas gostei. Tivemos de o ver em duas vezes, devido a erros na nossa televisão que tem o apropriado nome de "Vidiota".

Um homem faz sucesso na descoberta e desenvolvimento de poços de petróleo. Mas a sua ambição e a sua ganância vão levar a pequenas tragédias na sua vida que o levarão a um estado de torpor e quase loucura em que nunca mais confiará em ninguém. Este personagem tem uma força impressionante, sendo que a sua deterioração corresponde quase a uma análise do homem enquanto ser potente e maléfico, movido apenas pelo desejo de ser superior, pelo desejo de ter mais e de ser melhor. Não é um desejo de auto-superação, não. É o desejo de vencer a qualquer custo para manter a superioridade emocional, moral e pessoal sobre o outro. E a magia deste filme ecnotnra-se precisamente na revelação de que mesmo aqueles que aparentam ser puros não são, afinal, os escolhidos.

Em termos cinematográficos, temos algumas cenas espectaculares, com um óptimo aproveitamento da paisagem circundante e efeitos plásticos difíceis e de alto investimento. Apenas achei que as cenas nocturnas eram um pouco húmidas demais, com uma utilização da luz muito limitativa. Também existem alguns detalhes que não se conjugam bem com as várias épocas e um pequeníssimo erro de actor: por vezes, o homem coxeia, devido certamente à primeiríssima cena do filme. Mas por vezes, anda normalmente. Então?

A banda sonora, de intenção impressionante, acaba também por se tornar um pouco repetitiva e pouco estimulante.

De resto, um óptimo filme para fazer uma análise de personagem.

Guin Saga

Guin Saga
Wakabayashi Atsushi - Satelight
Anime - 26 Episódios
2009
7 em 10

Este era um anime que eu queria ver já há muito tempo, por sugestão de um amigo próximo. Veio a revelar-se um excelente anime de fantasia e aventura que nos deixa a chorar por mais.

Tudo começa com uma tragédia palaciana em que os príncipes gémeos de um reino conquistado se vêm como fugitivos numa floresta. Nessa floresta encontram Guin, um guerreiro amaldiçoado a ter  uma cabeça de leopardo, que os irá proteger e, com ajuda de outros companheiros, permitir o restauro do seu reino.

Se a história pode ser um pouco complexa à primeira vista, devido à trama política e bélica sempre presente em todos os episódios, este é um anime que se demarca dos restantes por ter um conjunto de personagens de excelência. As personagens sofrem um desenvolvimento muito evidente, passando da inocência ao conhecimento do próprio e do mundo em redor, muito apoiadas umas pelas outras mas também por si só através das suas atitudes que, dentro do contexto, podem dar azo a muitas surpresas. O mistério de Guin é fascinante e queremos saber sempre mais sobre os caminhos que todas estas pessoas irão tomar e como resolverão as suas questões, recorrendo a amizades, mas também a traições.

Infelizmente, não temos uma arte nem animação excelentes para suportar esta história maravilhosa. As cenas de acção, que são sobretudo confrontos entre grandes exércitos, têm alguns erros que, sendo pequenos, não deixam de se notar. Os designs dos personagens são altamente detalhados, mas a força da paleta de cores retira um pouco do romantismo que isto nos poderia trazer.

Musicalmente, temos uma banda sonora que se ajusta muito bem ao contexto, com peças orquestrais muito sólidas. A ED destoa um pouco.

Este é um anime que poderia ter sido perfeito não fosse a parca animação e o facto de estar incompleto. Dá mesmo vontade de ler o manga!

15.11.17

A Metamorfose

A Metamorfose
Franz Kafka
1915
Novela

Confesso que sempre tinha tido um medo imenso de ler este livro. Diziam-me que o personagem se transformava numa barata e eu tenho pânico! Mas ganhei coragem e chego à conclusão que não, Samsa não se transforma num baratóide baratum, transforma-se num querido e inocente e fofinho bicho da conta. ^_^

Pois é, Gregor Samsa um dia acorda transformado num insecto (que é, definitivamente, um bicho da conta). E agora, o que fazer? A sua metamorfose acorda a sua família, que não sabe como lidar com a situação. O pobre Samsa esconde-se debaixo do sofá para deixar a sua irmã Greta tratar od seu quarto e deixar-lhe comida. Mas todos têm medo dele!

Este é um livro curioso e, talvez, o mais terra-a-terra (na medida do possível dentro do surrealismo) que li do autor. A metamorfose do personagem principal acaba por ser simbólica da metamorfose de toda a família. à medida que se vai adaptando cada vez mais ao seu corpo de múltiplas patinhas de bicho da conta, a família vai-se deteriorando, enfraquecendo e sofrendo cada vez mais. Aquando a seu triste desfecho, voltam a acordar, como saídos de um casulo.

De resto, achei muito engraçada a forma como o autor se imagina no corpo de um insecto, cada vez menos humano mas ainda ligado à realidade que o define enquanto pessoa e não como monstro realidade essa incompreendida por aqueles que se estão a tornar monstros ao invés de pessoas.

É comovente ver a alienação do insecto, mas também perfeitamente natural a sua perda de consciência. Um livro que se lê numa hora e que vale, sem qualquer dúvida, a pena ler.

Ender's Game

Ender's Game
Orson Scott
1985
Ficção Científica

Apesar deste livro ter mais de 900 páginas, li-o de uma assentada e em dois dias ficou despachado. Sim, é esse tipo de livro viciante!

Ender é um "Third". Neste universo futuro, os seres humanos lutam contra a sobre-população, pelo que ser o terceiro filho de uma família não só é raro como muito mal visto. A sua infância, até agora, tem sido um inferno. O seu irmão mais velho, Peter, é um selvagem. Os colegas da escola? Terríveis. O seu único alívio é a sua irmã Valentine. Mas tudo muda quando ele é escolhido pelo exército para vir a ser o mais competente dos seus comandantes na luta contra umas entidades alienígenas conhecidas como "buggers".

Desde o início que o autor estabelece Ender como o melhor, o mais inteligente, o mais capaz. E isso leva o personagem a um isolamento tanto involuntário como provocado pelos seus professores. Tudo isto para criar o melhor soldado, o melhor comandante da história. Mas a que custo?

Este é um livro de ficção científica extraordinário pelo universo criativo em que está inserido. Para 1985, muitos dos seus conceitos são revolucionários e quase preditivos do futuro (por exemplo, uma "world wide web"...) Mas o mais interessante é a análise do personagem, que começando nos "jogos" militares desde a mais tenra infância se desenvolve para ser tudo aquilo que é contrário ao que acredita.

Para mim, o único defeito é, na verdade, a idade dos personagens. É estabelecido que neste universo elas não têm infância e que são, certamente, mais inteligentes do que as crianças da nossa era. Ainda assim, os diálogos são estranhos para miúdos entre os seis e oito anos.

Apesar disto, parece-me um dos maiores exemplos do que se pode fazer de bom com a ficção científica. O final é filosófico, melancólico e contemplativo sobre toda a história do livro. Vale realmente a pena lê-lo apenas para chegarmos a esta conclusão.

Daqui Ninguém Passa!

Daqui Ninguém Passa!
Actos Urbanos
2017
Teatro

Ainda incluído na Mostra de Teatro de Almada, fui ver esta peça juvenil a convite da sua dramaturga, que por acaso é a minha querida vizinha do segundo. :) Devo dizer que me diverti imenso e que, passados todos estes dias, ainda me rio cada vez que penso nisto!

Inspirado num livro editado pela Planeta Tangerina no ano passado, esta peça conta-nos a história de um simples soldado que tem ordens de dividir o palco ao meio. E dali... NINGUÉM PASSA!Ora, o problema é que toda a gente precisa de passar para o outro lado, pelas mais diversas razõesrazões, desde encontrar o amor da vida até ir à casa de banho.

De uma forma hilariante, muito dependente da biomecânica dos actores (que, diga-se de passagem, apesar da falta de experiência não estavam menos que brilhantes!), cada personagem ou grupo de personagens dá o seu melhor para passar para o outro lado. Até que, finalmente, com toda a naturalidade, um cão (o melhor papel!) faz o que tem a fazer. E assim se faz uma revolução!

Uma forma simples e natural de mostrar a um público mais jovem como nos podemos revoltar contra o sistema, como podemos combater a autoridade e como podemos lutar por aquilo em que acreditamos. Um texto hilariante com actores no nível certo que puseram uma sala cheia a cantar FORA TEMER TIBÉRIO! =D