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14.12.18

O Tumulto das Ondas

O Tumulto das Ondas
Yukio Mishima
1954
Romance
Um dos meus autores preferidos está de volta à minha estante! Comprei este livro na Feira do Livro 2018 :)

Desta feita, Mishima opta por uma história simples, um romance juvenil pontuado por uma aura de esperança, coragem e paixão. Mas, no final, poderemos vir a ser supreendidos.
 
É esta tensão que se forma no narrar da relação entre Shinji e Hatsuo que nos faz sempre estar ligados à história. Uma paixão tumultuosa mas, como o Pacífico japonês, de traços delicados, calmos e - talvez mesmo - frios. O gelo da água é o gelo do narrador, a violência das vagas essa é a força dos personagens.
 
Aproveitando para fazer uma caracterização tão delicada como aguçada da sociedade das ilhas remotas do seu país, no pós-guerra, Mishima não se poupa aos detalhes sobre a grande pobreza em que todos vivem, mas sem se deter para momentos de comiseração pelos habitnates deta história. Estes enfrentam a sua vida naturalmente, com sinceridade e até humor.
 
O remate final do livro é comovente e dilacerante.
 
Um livro que, simples à primeira vista, dá muito que pensar.

Livrarias

Livrarias
Jorge Carrión
2013
Livro de Viagens

Recebi este livro pelo BookCrossing! Parece que estou de volta às leituras partilhadas! :)

Ao ouvir dizer que este era um livro que falava das aventuras das livrarias, confesso que pensei algo diferente. Neste volume, Jorge Carrión descreve a sua viagem pelas livrarias à volta do mundo, referindo alguns pedaços de trivia sobre elas. Infelizmente, o autor parece ter gasto mais tempo a "coleccionar" as livrarias do que realmente a conhecê-las e a encontrar a história íntima de cada uma delas.

O livro passa a ser, então, um catálogo de livrarias, um catálogo frio e que não mostra nada do encanto do livro e do espaço do livro enquanto objecto. Existe um foco muito evidente na parte comercial e no livro enquanto objecto comercial, esquecendo as memórias dos sítios onde habitaram.

Apesar de existirem simpáticas referências a três livrarias portuguesas, o texto faz com que o passeio não pareça valer a pena. 

O próprio livro parece estar organizado por um critério muito pouco rigoroso, fazendo a análise desorganizada de vários "tipos" ou "regiões". Até mesmo sobre os que não se visitou ou mal conhece. Esta pesquisa parece ter sido feita para cumprir um contrato (quem sabe), em vez de uma busca apaixonada pelo objecto de maior interesse.

Não-ficção sem paixão é feio.

Aggressive Retsuko

Aggressive Retsuko
Rareko - Fanworks
Anime - 10 Episódios
2010
6 em 10

A vida de trabalhador é impecável, fora o facto de ter de se trabalhar. E com o trabalho vêm os chefes chatos e os colegas chatos e aquele ambiente que nos leva ao desespero. Para Retsuko, uma pequena panda vermelha num mundo de animaizinhos, isto tem solução.

A solução final: RAIVA

Um anime muito curto, de dez episódios de um quarto de hora cada um, esta história da REtsuko furiosa foi distribuída na Netflix, para felicidade dos potenciais-fãs-de-anime que ainda estão por vir. Com uma narrativa simples e directa, acompanhamos as aventuras numa grande empresa, conhecendo a fundo os seus funcionários e os seus problemas pessoais.

Com um conjunto de personagens memoráveis, Aggretsuko procura caracterizar os diversos estereótipos da sociedade japonesa actual pela caricatura. No entanto, esta é tão convincente e torna os personagens tão únicos e individualistas, que mais que uma qualquer paródia nos sentimos no seio da novela e do drama da vida social.

A animação é muito simples, mas suficientemente convincente. O problema deste anime prende-se, pelo contrário, à sobre-repetição, em que as piadas e os acabamentos finais acabam por se gastar, fazendo com que a fonte de riso seque.

Ainda assim, um excelente entretenimento! Ansiosa para ver mais!

12.12.18

Braveheart

Braveheart
Mel Gibson
1995
Filme
7 em 10
Um épico do cinema que eu nunca tinha visto. Um filme de aventura e guerras medievais que, sendo muito divertido, tem muitas coisas a apontar.

Em idos séculos, naquela a que chamamos hoje "idade das trevas", bravos escoceses procuram defender as suas terras e as suas esposas dos invasores ingleses, dominados por um rei ambicioso e maléfico. Um destes guerreiros se destaca e começa a ganhar batalhas, com ajuda do seu fiel grupo de seguidores. É motivado pelo desgosto de lhe terem assassinado a esposa a sangue frio e está a causar um grande fervor quer entre os seus companheiros quer entre os inimigos.

Apesar deste mote romântico e épico, o filme é muito simples, quer estruturalmente quer em conteúdo. As personagens têm um desenvolvimento concreto, mas este é pouco realista e improvável, tornando-as muito simplórias e pobres em complexidade emocional e humana. Mas, ao mesmo tempo, as personagens ganham o seu espaço no coração do espectador através da narrativa bem humorada, plena de pequenas piadas e deixas engraçadas, até nos momentos mais trágicos. Assim, esta viagem de três horas pelo coração das planícies escocesas torna-se numa verdadeira aventura, em que estamos a lutar ao lado destes guerreiros e pensamos com eles, através deles.

Gostaria também de referir que, embora o design dos cenários e guarda roupa, assim como os traços gerais da sociedade da época, tenham algum fundo de verdade, os materiais utilizados na produção são pobres e demasiado modernos para o contexto em causa.

Gostei muito deste filme e sobretudo do final emotivo e emocionante!

Castlevania: Curse of Darkness

Castlevania: Curse of Darkness
Yamada Sakurako
Manga - 4 Capítulos / 2 Volumes
2005
5 em 10

Recordo-me perfeitamente que comprei este manga através de um utilizador do AnimePortugal, entretanto extinto. Este utilizador, que poderei chamar de cabeça de escroto neste espaço, prometeu-me que o manga tinha apenas um volume. Podem imaginar a minha felicidade quando descobri que o segundo volume também existia e que ainda por cima era bastante difícil de encontrar (o que significa que sim, que foi caro). Com ajuda de um amigo, encontrei-o à venda e consegui obtê-lo, apenas para descobrir que deveria ter existido um terceiro volume que a autora nunca completou.

Agora, esta autora. Uma incompetência flamejante. A história, supostamente baseada no jogo, está apenas focada em Hector e Isaac depois do castelo do Drácula ter sido destruído. Hector tenciona ter uma nova vida com uma amiga e Isaac tenciona provocar o caos no mundo. Mas esta história, cheia de potencial, é difícil de descortinar devido ao estilo narrativo deste manga.

Vinhetas confusas, imagens passando de umas para as outras em traços muito finos que tornam difícil de distinguir as cenas e a quais corresponde o diálogo, uma leitura simples porque simplesmente temos de ignorar os desenhos. A maior parte não se entende porque os traços gerais estão incompletos, havendo uma utilização medíocre de um valor de produção que, aparentemente, também é medíocre.

Parece que a autora desenhou várias vinhetas e as atirou todas para um escorredor de esparguete. Um manga que me enfurece e desaponta, porque o cabeça de escroto do utilizador me enganou para se safar deste livro e porque gastei um pedaço da alma a tentar encontrar o resto.

A Viagem de Théo

A Viagem de Théo
Catherine Clément
1997
Romance
Recebi este livro gargantuesco através do BookCrossing. A sua leitura, um pouco prejudicada por me contarem o final (que eu não queria que fosse assim), foi morosa e desapontante. Mas esta autora já me tem desapontado mais vezes do que gostaria.

Théo é uma criança encantadora e riquíssima que está doente com uma doença misteriosa que nunca é revelada. A sua tia riquíssima leva-o então a uma viagem à volta do mundo, para descobrir as religiões todas do mundo e participar em todo o tipo de rituais que tenham em vista a sua purificação física.

O que mais me irrita nesta autora é como todos os intervenientes são "ricos". Não uma qualquer burguesia francesa, mas os extremamente ricos. Todos são cônsuls e pilotos de aviões e grandes industriais e todos são muito cultos e todos falam de uma maneira afectada. As interjeições entre os diálogos ("zangou-se a Tia Marthe", "reclamou o Imã", "retorquiu Ashiko") fazem com que todos pareçam ser horrivelmente antipáticos e fazem com que o ódio ao capitalismo se inflame dentro de mim. Assim, o meu desejo ao longo do livro foi que Théo morresse, de uma forma longamente explicada, infeliz e dolorosa. Ver acima o spoiler.

De resto, as explicações sobre as religiões são enfadonhas e pouco esclarecedoras, incluindo muitos viés da própria autora (se a Tia Marthe é ateia, porque diz "nós, os cristãos") e pouca atenção ao detalhe histórico e social.

Quando a autora, para falar dos intocáveis da Índia, escolhe uma pessoa da casta superior a todas as outras, algo me soa mal.

First Reformed

First Reformed
Paul Schrader
2017
Filme
6 em 10
Apesar de também ter um motivo religioso, não quero significar com este filme que estamos viciados em religiões. Mas calha. :p

Um padre de uma igreja turística vive a sua vida com grande calma e, um dia, decide fazer um diário para falar com deus. Pensa ele que não consegue mais rezar e, por isso, a sua chama enquanto clérigo começa a ceder. No meio das suas ocupações, um casal jovem procura-o para aconselhamento: o rapaz tem uma visão do mundo altamente pessimista e está envolvido com diversas associações ambientalistas. A partir desta relação se constrói uma análise de personagem.
 
Apesar desta análise ter o seu interesse, do encontro de deus num novo tipo de obsessão e no não-esquecimento da humanidade pessoal, parece-me que a personagem tem certas fragilidades que perturbam a narrativa da história. A sua bondade inerente, a placidez da sua loucura e o facto de estar cada vez mais doente fazem com que este padre fique aquém da revolução que pretende representar.
 
Também existem estranhos momentos de comédia que, apesar de darem alguma cor ao filme, parecem não vir a calhar na maior parte das vezes. No final, fica uma grande aventura social por contar.