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20.10.17

Yuri Kuma Arashi

Yuri Kuma Arashi
Ikuhara Kunihiko - Silver Link.
Anime - 12 Episódios
2015
5 em 10

Este anime foi criado e realizado por um senhor que conhecemos bastante bem de excelentes trabalhos, nomeadamente Revolutionary Girl Utena. Este anime segue-se numa linha semelhante em termos simbólicos mas acabou por ser uma experiência desapontante.

Neste universo, os seres humanos conviviam normalmente com ursos. Mas os ursos tornaram-se selvagens e agora as estudantes de uma escola dedicam-se a destruí-los. Duas raparigas, apaixonadas amantes, ingressam nessa escola. Mas o reino dos ursos ainda tem muito para revelar.

Para mim, o problema principal deste anime é que, até muito tarde, ele não se leva a sérrio, sendo uma sucessão de cenas lesbo-eróticas que, de uma forma ou de outra, terminam sempre com as raparigas a lamber-se umas às outras. O simbolismo existente é inconsequente porque não existe uma base de caracterização narrativa ou de estrutura de personagem que a suporte, acontecendo precisamente o contrário: os símbolos é que tentam transmitir a evolução da história, sendo eles mais importantes que esta.

No episódio final tudo isto se junta e acabamos por ter uma excelente conclusão, mas até lá não existe nada que nos cative neste anime, a menos que tenhamos uma necessidade intrínseca de ver miúdas a lamberem-se.

A arte está bastante capaz, sendo que os designs das personagens são muito simpáticos e cativantes e temos, em alguns episódios, algumas cenas bastante surrealistas em termos de mistura de formas e cores. As cenas de acção existentes não têm uma animação espectacular, apesar de funcionarem.

Musicalmente, temos uma banda sonora bastante fraca, da qual se distingue apenas a OP.

Um anime um pouco estranho, que não apreciei devidamente.

O Príncipe

O Príncipe
Nicolau Maquiavel
1532
Teoria Política

É raro encontrar livros tão antigos que continuam a ser lidos nos dias de hoje e, sem dúvida alguma, a influenciar as actividades políticas de muitos líderes mundiais, que nele se baseiam como inspiração para a sua tomada de decisão.

Maquiavel ensina a um jovem príncipe italiano o que é, na verdade, ser um príncipe. E, com isso, acaba por explorar todos os temas políticos que envolvem a governação de um território. Quando nso referimos a "maquiavélico", falamos de algo malévolo, com consequências nefastas. Mas Maquiavel apenas deseja o melhor para o seu príncipe, mesmo que isso não seja uma coisa boa para aqueles que vivem debaixo do seu poder.

No fundo, Maquiavel indica que em qualquer ocasião devemos apenas confiar em nós próprios, estabelecer-nos nas áreas conquistadas e conquistar o povo, soldados e corte através de uma violência ponderada, que por vezes pode parecer terrível mas que é sem dúvida necessária. Impressionou-me, por exemplo, "para dominar o povo deves destruí-lo ou tirar-lhe os bens, sendo que esta opção é a melhor pois um homem esquece mais rapidamente a morte de um pai do que a perda da sua propriedade".

Este tipo de sentimento pode, hoje em dia, ser considerado desactualizado: nos dias de hoje, penso eu, há uma maior valorização da vida colectiva de um povo, sendo que a sua destruição, considerada inumana, tornaria o príncipe moderno num inimigo da humanidade como um todo.

Uma excelente leitura que muito nos ensina sobre a própria natureza do que é governar.

Turning Girls

Turning Girls
Otsuka Masahiko - Trigger
Anime - 7 Episódios
2013
5 em 10

Um animezinho que se vê em meia hora. Afinal, são sete episódios com cinco minutos cada um!

Fala, de maneira um pouco inespecífica, de quatro raparigas que estão num ponto de viragem da sua vida. Quase nos trinta anos, sem ainda terem conseguido cumprir com os seus objectivos, as únicas coisas que as podem aliviar são aquelas que lhes causam algum tipo de diversão.

Por um lado, este anime é bastante original por falar de um tema e de uma demografia pouco usuais no mundo da animação japonesa. Mas o valor de produção mínimo acaba por não ajudar muito e, apesar de as história e personagens estarem bem feitas e serem cativantes, o anime não consegue nem nunca pode vir a ser bom. No entanto, penso que o anime faz um bom trabalho em admitir isso logo ao início.

Há aqui toda uma aura de comiket e doujinshi, como se esta animação não tivesse sido feita por um grande estúdio mas sim pelas próprias raparigas intervenientes no anime, nas suas casas.

Não se perde nada em vê-lo!

Big Fish and Begonia

Big Fish and Begonia
B&T
Filme
2016
7 em 10

Este é um filme de animação chinesa e a minha primeira experiência com animação deste país. Tem também produção coreana e japonesa e quase se pode caracterizar como anime.

No início, todas as pessoas eram peixes. Agora, são peixes que nadam por todo o mundo em busca de alguma coisa mais. No entanto, existe um outro mundo: o mundo dos seres que controlam a natureza. E as pessoas desse outro lugar têm de passar, aquando o seu décimo sexto aniversário, por um ritual em que visitam, sob a forma de golfinhos vermelhos, o mundo dos humanos e aprendem sobre ele. Uma rapariga, no entanto, sofre um acidente, sendo que é salva por um rapaz humano que morre no processo. Arrependida, ela fará tudo o que estiver ao seu alcance para lhe devolver a vida, mesmo que isso possa causar uma situação caótica no mundo da magia.

Este é um filme que nos mostra muito da cultura chinesa e do imaginário bestial deste país. Os designs são maravilhosos, curiosos e surpreendentes, sendo que existe um cuidado e atenção ao detalhe que em cada cena recebemos uma nova surpresa. Fique a nota que quero um daqueles rabos voadores! Também a aniamção está muito bem conseguida, com cenas de acção muito dinâmicas e com recurso a técnicas muito modernas, com uma mistura entre os elementos e os cenários que tem um resultado muito agradável à vista. Fique apenas a nota para o abuso de elementos digitais que estão muito desadequados, na medida em que nã se conseguem integrar com o resto dos cenários.

Se a história é muito simples, com personagens eficientes mas sem uma caracterização muito profunda, as acções dos personagens dentro deste universo levam-nos para sentimentos de pura magia e fascínio.

Já a música, perfeitamente adequada, adiciona muita emoção a cada uma das cenas. No entanto, enquanto peças singulares, não há nenhuma das músicas que me chame a atenção.

Gostei muito deste filme! Muitas boas coisas virão aí da China, certamente!

18.10.17

Blade Runner 2049

Blade Runner 2049
Dennis Villeneuve
2017
Filme
7 em 10

Trinta anos depois do Blade Runner original, vamos ao cinema para ver uma sequela que nos mostra a vida neste universo perdido no pó, também três décadas após o que aconteceu no original.

Agora, os replicantes mal fabricados são perseguidos e eliminados por outro tipo de Blade Runners: androides que funcionam perfeitamente e que foram fabricados por uma nova empresa que domina a terra devido à sua tecnologia de alimentação artificial. Neste filme seguimos a busca pela identidade de K, um androide sem nome, apenas o seu número de série, que após destruir um replicante muito antigo encontra algo que não devia dentro de uma caixa.

Novos conceitos nos são apresentados: para começar, os androides sem defeitos. Depois, alguns eventos como um grande "apagão" que destruiu todos os dados há muito tempo atrás. Tendo isso em conta, viajamos pelo mesmo tipo de cidade, atormentada por anúncios e publicidades invasivas, atormentada por uma identidade que se divide entre o que é real e humano e o que é a alma do andróide.

Quando vi o filme, não gostei muito de algumas partes, nomeadamente do argumento. Achei que foi forçado relativamente às personagens (note-se que eu lembro-me muito melhor do livro do que do primeiro filme) e que, por isso, não fazia muito sentido dentro do contexto. No entanto existem alguns elementos que, numa segunda análise, são preciosos: a relação do andróide com a sua inteligência artificial de estimação, o valor das memórias falsificadas... Tudo isso nos leva a que possamos explorar conceitos de identidade e da definição do que é realmente a humanidade. Não gostei da dica para a sequela, que tem todo o ar de vir a ser um filme de acção descerebrado. No entanto, o final ambíguo também nos dá um certo alívio.

Outro aspecto que não apreciei foi o uso e abuso de efeitos digitais. Estão, realmente, muito bem disfarçados. Mesmo muito bem. Mas da chuva à neve, não há maneira de dizer que não são falsos. De todos os modos, é um filme contido, com cenas de acção apenas utilizadas nos momentos chave, rápidas e eficientes.

Os actores fizeram todos um excelente trabalho, embora a caracterização física dos androides seja estranha, pois estão estruturalmente demasiado ligados à humanidade. A banda sonora não é de todo tão intensa como a do primeiro filme, sendo utilizada de maneira errática e, muitas vezes, induzindo as emoções do espectador em erro.

No entanto, é um filme que vale a pena ver, sobretudo para aqueles fãs do primeiro.

Gals!

Gals!
Fujii Mihona
Manga - 40 Capítulos/10 Volumes
1999
  4 em 10
 
Os pequeninos sobreiros que me acompanham há mais tempo, saberão que em tempos li o terceiro volume deste manga, para o qual cheguei a fazer um comentário. Na minha decisão de tornar Plan to Read todos os mangas e novels que tinha empatados, chegou a altura de ler os dez volumes por inteiro.

Não poderia eu ter ficado mais horrorizada. Vejamos:

Kotobuki Ran é uma GAL, palavra que - na época - definia as moças que se vestiam de maneira histericamente vistosa. Também uma palavra para "prostituta". Ora, Ran é efectivamente histericamente vistosa. É precisamente em Ran que o manga falha em todos os aspectos.

A história mostra-nos a vida diária das Gals de Shibuya, que por sinal estão quase todas na mesma escola e que, por sinal, tem o seu interesse resumido a ir às compras, salvar pessoas em apuros e desesperar sobre namorados. Parece uma vida adolescente perfeitamente normal, excepto pelo facto de que estas adolescentes são as personagens mais insuportáveis que vi nos últimos tempos. O seu diálogo é, como dizem os brasileiros, "abobrinha". Só abobrinha. Nada do que elas dizem tem interesse, valor ou consequência. Tudo acaba bem em todos os momentos. Estas raparigas, sobretudo Ran, não têm qualquer tipo de objectivo nem rumo na vida, sem ser o de "divertir-se até ao fim, porque somos jovens". Também a sua história pregressa, embora a autora a tente desenvolver, peca por falta de realismo e por forçar situações demasiado trágicas para que o leitor se sinta emocionado por elas.

A arte, que eu achava fofa, é na verdade pouquíssimo detalhada. As caras são todas iguais e muitas vezes é difícil de distinguir as personagens quando a autora usa sombras diferentes do habitual para os cabelos. As roupas, que deveriam ser uma parte integrante e muito importante deste manga, aparecem pouco acentuadas e não há qualquer tipo de apontamento ou referência a estas pelos intervenientes da história.

Todo este manga falha por tentar cativar uma adolescente que nunca existiu em mim. Se calhar só sou eu, apesar de tudo. Mesmo assim, não conseguiria recomendá-lo a ninguém.

15.10.17

Guardiões da Galáxia Vol.2

Guardiões da Galáxia Vol.2
James Gunn
Filme
2017
7 em 10

Repare-se que nunca vi o primeiro filme. O Qui prometeu-me que não seria difícil compreender este sem ver o anterior.

Os Guardiões da Galáxia são um grupo de aventureiros do espaço que, mais uma vez, se metem em problemas. Um deles encontra o seu pai perdido, um alienígena que o deixou na Terra, sendo que descobrimos que se trata de EGO, o planeta humano. Vão ter de encontrar uma solução apra que o universo não seja destruído na totalidade.

Para além disso, é um filme que se esforça por abordar as relações familiares e de amizade entre os personagens, com uma forte componente moral no respeitante a este assunto.

Filme muito divertido, cheio de pequenas piadas e auto-referências que só funcionam dentro do contexto. A parte mais espectacular são sem dúvida os efeitos especiais, que têm uma animação bastante realista e muito detalhada, com um valor de produção sem dúvida excepcional. Também a banda sonora tem imensos elementos referenciais e conjuga-se muito bem com as batalhas que vamos encontrando.

É entretenimento leve, muito divertido, sem grandes qualidades mas também sem nenhum especial defeito. Filme pipoca para pipocar. Pipoquemos.

13.10.17

The Suicide Club

The Suicide Club
Robert Louis Stevenson
1878
Contos

Juntei-me a um novo grupo de leitura que todos os meses irá propor um livro novo para petiscar. O primeiro que votámos foi este (votei nele porque o nome parecia interessante). É um volume que consiste em três contos de dimensões moderadas, todos interligados através das suas personagens.

A ideia inicial é realmente muito engraçada: dois amigos, muito ricos e poderosos politicamente, disfarçam-se para ir a sítios. Vão parar ao "Suicide Club", um clube de suicidas. A ideia de que este tipo de lugar poderia existir e o seu método de funcionamento são muito originais e uma fortíssima crítica social dentro da sua época. As personagens estão construídas de uma maneira tanto ácida como cómica, sendo que as suas atitudes, boas ou más, trazem sempre algum tipo de preversidade.

Agora, a partir da segunda história devo confessar que me senti um pouco confusa. A verdade é que todas as histórias estão ligadas de certa maneira, mas para quem não tinha uma expe3ctativa sobre isto a leitura acaba por se perder um pouco, já que o autor retira o foco inicial e dirige-o para outros lugares de que ninguém estava à espera.

Infelizmente a edição que li (e-book) era terrível, mas foi um livro que me deu gosto. :)

No Vazio da Onda

No Vazio da Onda - Trio e Quarteto
Robert Louis Stevenson
1894
Romance

Deste prolífico autor havia apenas lido a famosíssima "Ilha do Tesouro", pelo que nunca esperei voltar a encontrar-me com ele. Este livrinho revelou-se, infelizmente, uma chatice sem fim.

Nas ilhas do Pacífico existem muitos europeus que estão perdidos e querem voltar para casa. São criminosos, apátridas que não vêm maneira de sair das ilhas que tanto os aborrecem. Um dia, após várias conversações, um conjunto deles rouba um navio, tendo por base um grande esquema com condições monetárias favoráveis que envolve garrafas de champagne.

No trio vemos como estas pessoas se perdem no mar e o quão irresponsáveis são com a bebida. No quarteto, chegam finalmente a uma ilha, onde um misterioso europeu bem qualificado lhes apresenta a opção de redenção, apesar de os outros o quererem (e tentarem) matar.

O problema aqui não é tanto a história nem o tema, mas a forma como tudo está escrito. Os personagens são todos detestáveis e, por isso, é muito desinteressante ver o que eles estão a fazer, sendo que a maior parte do livro é isso. Também o ritmo da narrativa é demasiado lento e sem acções de grande consequência.

A sorte é que é muito pequeno.

Mobile Suit Gundam - Confrontation

Mobile Suit Gundam - Confrontation
Yoshiyuki Tomino
1981
Light Novel
 
O último volume da novel de Gundam! E a prova final de que o anime é completamente diferente. Na verdade, uma versão muito infantilizada dos acontecimentos.

Aqui, os personagens correm realmente risco de vida. E finalmente percebemos o que é realmente um NewType. As suas acções estão muito mais condimentadas com detalhes pessoais que dão toda uma dimensão emocional à história, sendo que as consequências das acções, os acidentes, as descobertas,, tudo isso contribui muito para a nossa percepção do que é a guerra no espaço.

Noutra nota, a intriga política é altamente detalhada e muito atemorizadora, pois ficamos a conhecer um pouco das mentes perversas dos que estão por detrás das grandes tragédias. A famílçia Zavi é apresentada de forma muito mais aberta, sendo-nos possível participar activamente nos seus dramas internos e naquilo que significam para o desenvolvimento das batalhas.

Desapontou-me um pouco o final, que me pareceu muito apressado e pouco detalhado.
 
Mas, no geral das três novels, gostei imenso de ver esta versão desta história de que tanto gosto! 

Mobile Suit Gundam Thunderbolt 2nd Season

Mobile Suit Gundam Thunderbolt 2nd Season
Matsuo Kou -  Sunrise
Anime OVA - 4 Episódios
2017
  6 em 10
 
Depois da primeira season de Thunderbolt, surgiu-me agora a oportunidade de ver a sua continuação.  Desapontou-me um pouco.

Desta vez vamos lutar, na eterna guerra entre Zeon e a Earth Federation, no próprio planeta terra. Este tipo de terreno dá azo a uma série de batalhas muito interessantes em que, numa das raríssimas vezes neste franchise, descobrimos que o Mobile Suit Gundam propriamente dito não é, de tpdp,. invencível e super-poderoso: também tem os seus calcanhares de aquiles.

A animação está tão boa como na primeira season e é-nos apresentada alguma maquinaria nova que é muito interessante de observar no seu espaço ideal. Também a banda sonora tem o brilhantismo a que fomos habituados. Aliás, recomendo vivamente a que tirem a banda sonora para a ouvirem com atenção, porque vale mesmo a pena!

No entanto, esta aparece como uma season de transição. Temos alguns personagens novos que são introduzidos, alguns elementos que não existiam no original mas que talvez possam vir a ser utilizados de maneira interessante, mas a reviravolta que acontece é muito ambígua e deixa-nos com água na boca para uma continuação.

Nesse aspecto, achei este anime bastante incompleto e, como estância individual, não o recomendaria. Veremos o que virá daí.
 

The Reflection

The Reflection
Nagahama Hiroshi - Studio Deen
Anime - 12 Episódios
2017
5 em 10

Outro anime da season que termina. Esta é o tipo de série que começa com uma premissa muito interessante mas que se perde completamente dentro do seu próprio conceito. Inspirada de maneira um pouco rígido na tradição do comic americano, distingue-se sobretudo por ter um design bastante diferente do habitual.

Ora, um dia na vida destas pessoas, acontece algo estranho: The Reflection. A partir daí, algumas das pessoas ficam com super-poderes, sendo que subitamente se vêm perseguidas por uma terrível organização. Isto é estranhamente semelhante a um certo comic americano, não é? O anime segue a vida deste conjunto de pessoas que são super-heróis, confrontando-as com diversas situações que têm tanto de fascinante como terrível. Mas a sucessão de acontecimentos acaba por facilmente previsível para quem tenha o mínimo de noção da estrutura da banda desenhada referida.

A arte é curiosa ao início, pois os designs estão muito ocidentalizados, assim como todo o sombreamento e cores. Temos a sensação de estar realmente a ler uma banda desenhada, pois os temas utilizados são muito reminiscentes desta, quer nos personagens quer nos próprios cenários. A animação não é, no entanto, extraordinária, sendo que o nível de produção não é especialmente notável.

A música é interessante, sobretudo a ED, sendo a banda sonora discreta mas, ainda assim, bastante eficiente.

Talvez este seja um bom anime introdutório ao universo da animação japonesa mas, fora isso, não lhe encontrei grandes qualidades.

Centaur no Nayami

Centaur no Nayami
 Oizaki Fumitoshi - Haoliners Animation League
Anime - 12 Episódios
2017
6 em 10

Mais uma season que termina e eu sempre atrasada com os animes sazonais... 

Escolhi ver este anime porque, recentemente, havia lido o manga. Não coloquei comentário aqui porque o manga anda está em publicação. O anime adapta os primeiros volumes, deixando ainda algum espaço para outras seasons, na eventualidade de a sua estrenheza ter surtido sucesso.

Neste universo, e para mim este é o foco mais interessante da história, os seres humanos dividem-se em várias raças bizarras. Existem faunos, anjos, centauros... Hime-chan é uma menina centauro, com preocupações de menina. Assim, temos um fatia-de-vida muito simples em que assistimos a alguns dilemas da adolescência, sempre com o curioso facto de esta vida diária ser protagonizada por seres estranhos.

Gosto sobretudo como essas partes foram animadas. Desde elementos como a roupa, até como utilizar a casa de banho ou fazer outras coisas normais, tudo é adaptado à anatomia em questão. Os personagens são amorosos, embora pouco definidos, o que torna o anime muito agradável de ver.

Também agradáveis são as cores, muito suaves, embora os designs e cenários tenham sido bastante reduzidos e se apresentem muito pouco detalhados. Já a música é bastante contraditória.

Apesar de ser um anime bizarro, gostei bastante dele. Gostaria que o manga continuasse giro, para o continuar a ler.



OUT.FEST 2017 - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro

OUT.FEST 2017 - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
Festival
No ano passado, havia desesperado porque não tinha ido a este festival. Portanto, este ano, acompanhada de alguns amigos e de um Qui, viajámos até à bela terra do Barreiro para experimentar um festival de música experimental. Ou exploratória, conforme dizem!

Chegados, comprámos o bilhete e aguardámos que permitissem a entrada. Ficou tudo um pouco atrasado, pois julgávamos que a entrada era na parte da frente, mas era uma mentira. Na verdade, era na parte lateral, junto à linha do comboio, onde o edifício de uma fábrica abandonada nos remetia para um lugar pleno de urbanismo artístico.

Analisámos o espaço. Em cada sala acontecia um concerto ou, se não tivesse condições para tal, tinha a exposição de um artista, provavelmente pertencente ao colectivo ADAO (espaço do festival). Eu espero um bocadinho de que talvez estes artistas e4stejam em residência. Enfim, cada sala era uma magia diferente, sendo que existiam instalações muito assustadores, enquanto que outras eram um pouco mais calmas.











Depois passámos aos concertos propriamente ditos.
Para começar vimos, na Sala das Colunas, um tal de Simon Crab. Era um senhor com um ar muito neutro que colocava sons num computador e tocava um pouco uma guitarra, acompanhado por uma rapariga com ar perdido que batia de vez em quando numa bateria e dizia poemas. Confesso que não foi a coisa mais interessante que vi nessa noite.

 

Depois, fomos até ao Palco Oficina para ver os cabeças de cartaz: This is Not This Heat. Esta banda vem de tempos mais antigos, em que chegou a ter outro nome. Agora, apresenta-se um colectivo com duas baterias, três guitarras, um clarinete estranho, violinos e tudo o mais que se possa pensar. Foi uma experiência absolutamente brutalizante! A forma como a banda experimentava todos os sons dos seus instrumentos, sempre seguindo uma batida militarizada, aterrorizante, com letras distópicas e um constante abuso dos sons enquanto elementos conceptuais. Uma música altamente detalhada, em muitas camadas, por vezes difícil de compreender, mas com um ritmo alucinante e irresistível. Foi a minha banda preferida da noite!


Cansados deste concerto, procurámos uma pausa. Sentar, talvez. Mas tal nunca veio a acontecer. Experimentámos a Sala de Jantar, onde tocava um tal de Jejuno. Não foi muito interessante, pelo que fomos embora. Repare-se então nas pessoas que estavam à nossa volta: um ambiente curioso, libertário, muito eclético, com representantes de todos os grupos urbanos, incluindo algumas pessoas que conhecia de vista. Note-se que estavam por ali umas cotas bezanas a fazer conversa com toda a gente, incluindo connosco. Fora isso, um ambiente muito agradável.

Seguidamente, tínhamos de escolher entre Black Dice e as Putas Bêbadas. Mas como estávamos já no palco principal, ficámos a ver os primeiros. Foi um concerto que me deixou dividida: por um lado, os produtores com as suas maquinarias, gritos e saltos estavam a criar um ambiente de caos com uma energia altamente dançável. Mas o tipo da guitarra, parecia mesmo que estava ali porque os amigos o tinham deixado. Até a tocar a estrelinha lá no céu se notava a sua enorme dificuldade em coordenar os dedos de forma a extrair um som que fizesse sentido. O efeito geral disto era um conjunto de sons que, efectivamente, não tinham sentido mas que, após a mistura, se tornavam numa sequência de ruído quase cardíaco.


Mais tarde soubemos que esta banda pertence ao estúdio dos Animal Collective, o que faz todo o sentido.

Acabou este concerto e vamos ver o que se passa na Sala das Colunas. O horário alterou-se, portanto quem lá está é o DJ Nigga Fox. É certo que, para algumas pessoas, o nome do senhor soa a ofensivo. Mas considerando que é um black de Angola, acho que pode escolher o nome que quiser! Ouvi, pela primeira vez, um género em expansão nesse país: "batida". É uma mistura de kuduro com as tonalidades mais progressivas da música electrónica, com um resultado muito mexido, muito interventivo e muito coreografado. Uma música perfeita para dançar!


Finalmente, subimos ao andar superior para ver o que estava a acontecer. Acabámos por sentar na Sala de Jantar a ver Gyur, um ser andrógino que estava totalmente focado a mexer num computador. Nunca chegámos a saber exactamente se estava a fazer música ou a jogar, pois foi o concerto mais impessoal e, ao mesmo tempo, mais introvertido que vi nos últimos tempos.

Em conclusão, devo dizer que foi uma experiência excelente, isto da música exploratória. Fiquei com vontade de ouvir todos eles em separado para saber realmente o que se passa por aí. O espaço é fantástico, o preço foi muito justo e valeu realmente a pena!

Para o ano, lá estarei de novo!

7.10.17

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