17.5.17

Nazo no Kanojo X

Nazo no Kanojo X
Watanabe Ayumu - Hoods Entertainment
Anime - 13 Episódios + 1 OVA
2012
4 em 10
Se por vezes vemos um anime excelente, é quase certo que o próximo será terrível. Nazo no Kanojo X começa como se fosse um anime de romance perfeitamente normal. Até que percebemos que o poder especial da rapariga é que quem come a sua saliva consegue sentir o que ela está, pois, a sentir.

Assim se sucede uma sequência de cenas sem sentido algum que envolvem partilha de fluídos salivares, escarretas, babas e nhanhas, e - de vez em quando - um ataque com uma tesoura mágica que se guarda na cueca.

Para adicionar a uma história que não faz sentido, com personagens que são menos densos que uma folha de papel de cenário, temos uma arte pavorosa, sem detalhe, cheia de erros, em que aparentemente a única parte que teve orçamento foi a animação das escarretas emocionais.

A música é  inexistente e fala, também ela, sobre coisas a babar.

Portanto, um anime para fetishistas de baba de  camelo. Sugiro que arranjem um S. Bernardo.

Clássicos da Banda Desenhada: Batman

Clássicos da Banda Desenhada: Batman
Vários
2003
Banda Desenhada

Este volume é uma colectânea de histórias curtas, organizadas por ordem cronológica, dentro do universo do Batman.

Conhecemos, então, a primeira história em que aparece Joker, que se revela de imediato um psicopata capaz de tudo para destruir e roubar. Conhecemos também a Batgirl, que tem uma história muito mais interessante do que se possa imaginar. Aliás, deu-me logo uma ideia para um skit de cosplay, que certamente nunca se irá concretizar. :p

Podemos apreciar a evolução do estilo de arte de década para década, sendo que nas primeiras histórias é tudo muito colorido, sem grande atenção ao cenário e vinhetas um pouco monótonas e, mais tarde, evoluímos para algo muito mais dinâmico, fazendo uso de diversos tipos de desenho.

Nestas histórias Batman não é o herói frágil e emocional que conhecemos de algumas graphic novels, mas sim um poderoso e imbatível morcego que consegue sempre vencer graças à sua estupenda inteligência. Conhecemos também Robin, que se revela ser o personagem mais inútil de toda a história da banda desenhada: apenas está ali para se meter onde não é chamado e ser raptado, para depois ser miraculosamente salvo pelo herói.

De todos os modos, foi uma leitura muito interessante!

Aliens: Inhuman Condition

Aliens: Inhuman Condition
John Layman, Sam Kieth & John Kalisz
2012
Graphic Novel

Ofereci este livro ao Qui a propósito de um aniversário (ou seria de um Natal)? Comprei-o na altura, na Kinpin Books, porque estávamos sempre a gozar com os aliens e gostei da arte.

Como não conheço nada sobre o universo do Alien, este livro caiu-me de forma um pouco estranha. Passa-se num planeta gelado, onde uma mulher ensina sociologia e empatia a cyborgs que serão utilizados para diversas funções. Uma delas é a de destruir as terríveis criaturas que têm vindo a ensombrar o destino da humanidade. No entanto, quando ela vê que os cyborgs são brutalmente utilizados para benefício dos humanos, ela esforça-se por provar que eles também possuem sentimentos humanos.

Esta história é uma mistura entre a relação máquina-pessoa e o desenvolvimento de uma personagem que vive afligida por um trauma do passado, que depois se vem a revelar menos verdadeiro do que se pensava. Trata-se de um bom estudo, embora não passe muito mais informação sobre o universo em que se passa a narrativa.

A arte é estranha, pois em termos anatómicos está bastante descuidada. No entanto, devido à pintura difusa isto acaba por funcionar bem de alguma forma.

Continuo sem vontade de ver o filme original, pois sei que morreria de medo.

Capitão América: Série Ouro

Capitão América: Série Ouro
Vários
2005
Banda Desenhada

Outro livro do Qui, uma colectânea com quatro histórias do Capitão América. Não conhecia esta personagem, mas depois de ler estes exemplos... Não fiquei a gostar nada dele.

Para começar, não gosto nada de nacionalismos obsessivo-compulsivos, sobretudo quando são dirigidos a um país tão ilógico com os US of A. Em todas estas histórias aparece-nos um inimigo super poderoso, sempre relacionado com alguma guerra que esteja em curso. E, evidentemente, é na América que está o lado do bem. Evidentemente. Porque esse belo país de liberdade e justia não fez nada de errado para ter inimigos. Nada de todo.

É esse pretensiosismo que me irrita no personagem e me impossibilita de o apreciar.

No entanto, temos de admitir que a arte da primeira história (Inimigos) é brilhante. Com cores suaves, lápis de cor, cenários muito detalhados e uma anatomia perfeita, é um prazer ler esta história nem que seja só pelos desenhos. Quanto às outras, são muito mais antigas, mas também são curiosas, embora a qualidade da arte deixe muito a desejar.

Enfim, não me verão com um cosplay de menina américa. Nunca.

A Misteriosa Ligação Entre Três Habitantes de Brooklyn

A Misteriosa Ligação Entre Três Habitantes de Brooklyn
Pedro Zamith
2000
Zine

Trouxe este exemplar da colecção Bedeteca 2000 da LFL da Quinta das Conchas. :) Esta colecção foi editada no ano cito, tendo por objectivo publicitar novos autores do panorama da banda desenhada portuguesa da época. Neste volume é-nos mostrada uma história de Pedro Zamith.

Que é horrorosa. 

Isto é, a história em si é engraçada. Tem um gag final com piada e alguns momentos que fazem rir. Mas a arte... A arte! Simplesmente grotesca. Com traços largos a preto sobre fundo branco, torna-se numa confusão estilística em que o ponto essencial é a deformação de todos os objectos. Isto seria interessante se os elementos de cada vinheta não se confundissem, tornando a leitura muito difícil e a distinção dos lugares, pessoas e eventos muito hermética.

Para além disso, diz que se passa em Brooklyn, mas pelos cenários poderia passar-se na Baixa da Banheira.

No me gustou.

Batman: Ano Um

Batman: Ano Um
Frank Miller & David Mazzucchelli
1986
Graphic Novel
Ok, estamos em 86 outra vez. Passa-se aqui algo de muito estranho...
 
Ofereci este livro ao Qui por um Natal anterior, já que ele gosta do Batima. Agora foi a minha vez de o ler: gostei mesmo muito!
 
Nesta história, o início da personagem de Batman é reinventada. Numa Gotham assolada pelo crime e por uma força policial corrupta, aparece esta estranha figura que, pela primeira vez, experimenta lutar contra as forças do mal. Ao início, nem tudo corre bem. São-nos mostradas as fragilidades do herói enquanto pessoa, enquanto ser humano que, não possuindo nenhum poder especial, pode apenas contar com a sua inteligência, a sua tecnologia e a sua forma física.
 
Mas o herói desta história é Gordon, que ainda não é comissário: acabado de chegar à cidade, tem de enfrentar todas as vertentes dos acontecimentos. Por um lado, tem de prender os criminosos, claro. Por outro lado, tem de lutar contra a pressão de uma esquadra corrupta que não só não o deixa trabalhar como o ameaça. E depois existe Batman: quem é ele e o que faz aqui? Devemos prendê-lo? Quando se começa a revelar o porquê da existência desta figura e Gordon descobre o que se passa na polícia, tudo poderá mudar.
 
Também nos é apresentada uma versão muito interessante da Catwoman, degenerada de um submundo em que a figura feminina nunca poderia vencer. Assim, apresenta a figura feminina com uma grande força colectiva: Catwoman como representação do feminismo.
 
A arte é crua, bruta, com cores simples e escuras. Existe um uso de sombras paisagísticas excelentes que, não adicionando muito detalhe, transmitem na perfeição o ambiente desta cidade feita de lixo e que deseja continuar assim.
 
Não conheço muitos comics americanos, mas parece-me que este é um excelente exemplo!

Leão, o Africano

Leão, o Africano
Amin Maalouf
1986
Romance

Parece que estamos presos em 86? :o Este livro foi um empréstimo do meu pai ao Qui, que infelizmente nunca teve oportunidade de o apreciar, porque eu lho roubei para ler. Foi uma leitura simplesmente fascinante!

Fala sobre um homem, o tal Leão, um muçulmano do século XV-XVII que viveu grandes aventuras enquanto embaixador, mercador e, mais tarde, como protegido do papa em Roma. Considerando que esta pessoa existiu realmente, este livro terá tido por trás um intensíssimo trabalho de pesquisa, que se revela pela atenção ao detalhe, quer nas personagens, nos seus hábitos e também nas paisagens.

Viajamos para um mundo encantado, como só ouvimos nas fantásticas histórias de Xerazade, mas que terá existido na realidade, antes de nós termos lá ido deitar tudo abaixo. São-nos mostrados detalhes culturais, em que a vida está sempre dependente da religião mas a religião (muito ao contrário do que pensamos hoje em dia!!!) não impede a vivência normal das pessoas. Os elementos religiosos estão perfeitamente integrados na sociedade de então e aparentemente todos conseguem viver mais ou menos felizes com as suas situações.

Hassan, o nosso protagonista, casa-se diversas vezes, com ou sem paixão, descasa-se também, viaja muito, fica perdido em muitas situações e acaba por se encontrar num mundo que não é o seu, não podendo revelar muito daquilo em que acredita sob o risco de ser inquirido e, posteriormente, preso ou assassinado de alguma horrível maneira. Esta visão do mundo europeu pelos olhos de um muçulmano é, de todas as partes, a mais negra mas também uma das mais curiosas.

De resto, lemos este livro como se de uma história de encantar se tratasse. Porque, realmente, encanta!

Coyote: Luzes da Califórnia

Coyote: Luzes da Califórnia
Rámon Charlo
1950
Folhetim

Quando estive no Brasil da última vez, achei por bem trazer um souvenir para aquele que viria a chamar-se Qui. Num sebo (alfarrabista), encontrei uma revistinha selada, que me parecia muito antiga e que me parecia ser BD. Afinal era um folhetim, do famoso "Coyote", um herói da Califórnia criado por um Espanhol. Agora que o li, diverti-me imenso, pois parece-me que era o tipo de história que o meu pai lia quando era miúdo. :) Afinal, é mesmo dessa época!

O Coyote é um herói mascarado que apanha bandidos diversos, sem olhar a meios. Nesta história, morre quase toda a gente de forma altamente violenta, sem rodeios nem floreios, há grandes tiroteios em que o herói quase sofre uma fatalidade (quase!), há perseguições a cavalo, há traições e grandes amores improváveis... Enfim, tudo aquilo que se poderia esperar de um pulp western, çpuro e duro!

Mas a melhor parte é que está escrito de uma forma tão simples e directa que a leitura é facílima e altamente viciante. Queremos mesmo saber como é que o nosso herói vai apanhar o vilão!

Fiquei com vontade de ler mais coisas do género, portanto quem souber onde se arranja, +é só avisar, hahaha

Platoon

Platoon
Oliver Stone
1986
Filme
6 em 10

Vimos este filme, ainda dentro do ano de 1986, que é especial para a gente. Trata-se de mais um tratado anti-guerra, tendo como panorama (mais uma vez) a guerra do Vietname, mas que acaba por não se distinguir com grandes honras de outros filmes do género.

Um tipo, contra todas as probabilidades, voluntaria-se para ir para a guerra. Começa por detestar, mas à medida que vai vendo os horrores a descortinarem-se à sua volta acaba por se converter em mais uma máquina, se bem que nunca deixa totalmente de lado a sua sensibilidade.

Aliás, o tema principal do filme é como, dentro de um pelotão, as opiniões podem divertgir conforme a visão da guerra é emocional ou puramente mecânica. Estas diferenças acabarão por ter consequências importantes no desenrolar do filme, apesar de não serem especialmente exploradas, na medida em que a narrativa divide imediatamente o espectador entre os "maus" e os "bons", sem deixar que os primeiros tenham um lugar na visão do autor.

As cenas de acção já foram muitas vezes vistas e só em algumas ocasiões transmitem o pavor dos intervenientes destas batalhas.

Um filme de guerra bom, mas pouco distinguível.

Earth Maiden Arjuna

Earth Maiden Arjuna
Kawamori Shojo - Satelight
Anime - 13 Episódios
2001
7 em 10

Um dos animes mais curiosos que tive o prazer de ver ultimamente.

Juna é uma rapariga simples que pratica arco e flecha. Tem um namorado e está com ele quando têm um acidente de mota. Nesse momento, ocorre a sua morte. Mas a morte nem sempre é o final. Ela entra num universo que, cruzando-se com o nosso, poderá vir a destruí-lo, através da acção de misteriosos monstros, os Raaja. Agora, terá de lutar contra eles e, ao mesmo tempo, lidar com a sua nova condição e manter as suas relações pessoais.

É um anime filosófico, com uma grande carga simbólica para os temas da destruição da natureza e do excesso de consumo capitalista. De forma discreta, bem inserida no contexto das personagens, este anime explora estes temas sem nunca deixar de fora a violência inerente, que todos aceitamos todos os dias mas que não deixa de ser terrível. Para isso, temos um conjunto de personagens altamente realista, apesar das situações em que se encontram serem inusitadas. A forma como Juna enfrenta as mudanças do seu corpo, também uma espécie de metáfora para a adolescência, transmite-nos aquilo que qualquer um de nós faria também. O que é estranho para ela, seria estranho para nós. O que é real na situação dela, seria real para nós. Isto parece-me extraordinário.

Sendo um anime do início dos anos 00, o estilo é muito característico da transição da década. Não temos um grande valor de produção, mas podemos ver uma certa integração entre estilos digitais que só muito mais tarde seriam plenamente utilizados na indústria. As cores são um pouco baças e as sequências de animação têm um toque de rascunho que acaba por funcionar, mas que beneficiariam de transições mais cuidadas.

É também um anime muito musical, contando com sete EDs diferentes, cada uma com uma sequência diferente que nem sempre é de animação. Aliás, estas sequências também estão presentes ao longo do anime, o que pode parecer estranho ao início mas que, após habituação, ficam muito bem.

Um anime único e uma excelente experiência. Recomendo!

12.5.17

John Lennon

John Lennon
Alan Posener
1987
Biografia

Iniciei uma nova TBR! Consiste em ler todos os livros desta casa que ainda não li, isto é, todos os livros do Qui. :) Comecei por este, que é uma biografia do John Lennon (o Beatle, para quem não sabe, que, bem, é ninguém), de uma colecção que havia saído no Expresso. Esta personalidade é uma figura mitológica do ideário Qui, portanto foi bom ficar a saber um pouco mais sobre ele.

E que se fica a saber? Que esta pessoa era muito mais execrável e insuportável do que se poderia pensar. Ficamos a saber que a maior parte das canções de amor iniciais são dedicadas a pessoas imaginárias e que ninguém na banda sentia essas coisas. Falam-nos um pouco do primeiro casamento e da autodestruição do artista por causa de ciúmes associados a crenças místicas relacionadas com o consumo de drogas.

Tudo isto é interessante, mas o autor deveria ter tomado uma distância um pouco mais profissional na descrição destes factos. Refere muitas vezes as suas preferências pessoais, os discos que comprou e onde estava quando X ou Y aconteceram. Isto não só não é importante como ainda tira muito do foco dosa factos.

Para além disso, os próprios factos, estando documentados, parecem apresentar uma perspectiva muito unilateral dos acontecimentos.

Confesso que não fiquei com vontade de ouvir os Beatles.

Pom Poko

Pom Poko
Studio Ghibli - Isao Takahata
Anime - Filme
1994
7 em 10

Como havíamos visto um filme de terror sem o meu consentimento, fui eu a decidir o que iríamos ver a seguir. Escolhi o filme de anime mais fofinho que tinha em disco. Não esperava grande coisa, mas é um filme fascinante!

Como todos sabemos, existem animais com a capacidade de se transformarem: raposas, guaxinins e alguns gatos. Quando se estabelece um projecto imobiliário que irá destruir a montanha onde vivem os guaxinins (tanuki), eles decidem fazer uso dos seus poderes. Começam por destruir a obra e depois decidem assombrá-la. Será que conseguem proteger a sua casa?

Esta é uma história que debate vários assuntos. Falamos aqui da protecção da naturesza e do habitat da fauna indígena dos lugares. Mas também falamos da luta pelo poder, da perda da tradição, da transformação do antigo em novo, da substituição de hábitos. Os tanuki podem ser uma metáfora para cada uma destas coisas, mas a própria personalidade da espécie, que brinca, canta e dança a toda a hora, faz como que estas ideias estejam perspectivadas de uma forma muito bem-humorada.

Com personagens únicos, que revelam mais humanidade do que se poderia esperar, acompanhamos as peripécias cómicas deste grupo. Mas nem tudo é bom: afinal, um animal não deixa de ser um animal e continua a correr perigos. E, pelo menos neste filme, os perigos têm consequências que podem ser fatais.

A animação é, também, exctraordinária. Se ao início os designs me deixaram um pouco de pé atrás (os tanuki têm testículos!), as sequências de transformação, em especial a parada dos yokai, revelam uma capacidade extraordinária, sobretudo considerando a década de produção dest efilme. Temos uma loucura, entre designs, perspectivas e cores, que formam uma amálgama que não precisa de fazer sentido para ser fascinante. Além disso, testículos para-quedas. E pronto.

A música é também muito variada, com coros diversos que cantam letras muito engraçadas. Talvez a parte que tenha gostado menos tenham sido as vozes e o facto de o filme ter um narrador.

No entanto, parece-me que este filme aparece numa posição difícil, pois é um pouco incatalogável. Se por um lado trata de temas (como a reprodução) quer não são apropriadas a um público infantil, os designs não são atraentes para um público mais velho.

De todos os modos, recomendo que o vejam!

Tokyo Marble Chocolate

Tokyo Marble Chocolate
Shiotani Naoyoshi - Production I.G.
Anime OVA - 2 Episódios
2007
6 em 10

Na realidade, pensava que este OVA era sobre um assunto completamente diferente. Na verdade, trata-se de uma história de amor, cândida e simples, entre duas pessoas que poderiam ser nós.

Uma rapariga tem tudo para ter sucesso no amor, mas por alguma razão tudo falha na hora H. Logo a partir daí, identifico-me plenamente com ela: penso que outras raparigas que passaram pelo mesmo também o sentirão. :) Entretanto, ela conhece um rapaz que tem uma caixa com um mini-burro. E apaixonam-se.

Parece-me que o elemento que está muito fora neste OVA é, precisamente, o mini-burro. É feito, é chato e não contribui em grande coisa para o desenvolvimento na história. Servindo como alívio cómico, poderia ter sido substituído por outro objecto qualquer e, sobretudo, poderiam ter-lhe dado um melhor design.

De resto, a animação é muito boa, exibindo o melhor que o estúdio tem para oferecer. Apesar de os designs serem muito simples, são utilizados de uma forma muito eficiente, fazendo uso de cores muito suaves e tendo um efeito tão exuberante como relaxante.

Não se dá pela música, o que não sei se seria uma boa coisa.

Um anime que se vê bem e que é muito curto.

10.5.17

Baby Steps

Baby Steps
Masashiko Murata - Studio Pierrot
Anime - 25 Episódios
2014
6 em 10

Há algum tempo que não via um anime de desporto, portanto este aparece como uma lufada de ar fresco.

Um rapaz muito estudioso decide começar a fazer ténis. Começa a envolver-se no desporto e a competir cada vez mais, sempre acompanhado pelos seus apontamentos. Vemos como o seu interesse desperta e os métodos que usa para melhorar, que são realmente pouco ortodoxos.

É um anime muito simples, sem grande desenvolvimento de narrativa ou personagem, que se foca especialmente nas estratégias utilizadas nos jogos. Estas tornam-nos bastante emocionantes, o que é um ponto a favor. Não existem demasiados momentos mortos, se bem que sempre me faz um pouco de estranheza a maneira como nos animes as pessoas masterizam um desporto: pela repetição ad nauseum.

A animação também não é extraordinária. Apesar de não ter erros, os jogos processam-se sobretudo com imagens paradas em pensamentos e teorias. Assim, poderíamos ter um anime muito mais curioso se ao menos tivesse havido um pequeno esforço para mostrar movimentos.

A música também é pouco distinguível, com uma banda sonora um pouco repetitiva e sem dúvida vulgar.

Um anime para comer bolachinhas ao mesmo tempo. Não me deu vontade de jogar ténis.


A Passageira

A Passageira
Jeanne Cordelier
1981
Romance
Este livro foi-me emprestado pelo pai do Qui, que mo apresentou como sendo um livro muito, muito bom. Curiosamente, tinha uma dedicatória: um tal Francisco oferecia um livro com um beijo. :)

Ao início a leitura estava a ser engraçada. A história é muito simples: uma mulher é amante de um traficante de droga que é apanhado. Então ela viaja até aos Estados Unidos para o tentar salvar, sendo então interrogada pela polícia. O romance desfia-se revelando o passado desta mulher, Sara, momentos que ela passou com família ou supostos amigos e o amor que ela tem pelo traficante, um amor obsessivo e realmente pouco saudável.

Mas a autora parece perder-se na sua própria história, demasiadas vezes. Assim, a leitura começa a tornar-se muito cansativa. Para começar, está sempre a mudar de narrador, muitas vezes até no meio da mesma frase. Depois, dedica-se a detalhes que não contribuem nem para a história nem para a caracterização da personagem, sobretudo em momentos de violência física ou verbal ou momentos supostamente eróticos que, não sendo horríveis, são bastante desnecessários.

 Portanto, não é que o livro seja especialmente bom. Mas lê-se.

A Mosca

A Mosca
David Cronenberg
Filme
1986
6 em 10

Sabendo em toda a perfeição que eu tenho pânico de filmes de terror, o Qui decidiu que haveríamos de ver este, que se trata de um dos seus filmes preferidos. Considerando que passei a maior parte do filme aos gritos, cheia de medo, não lhe posso dar uma nota superior em termos pessoais. Mas existem muitas coisas neste filme que estão muito bem feitas e delas falaremos.

Um cientista mostra a uma nova amiga a sua mais recente invenção: uma máquina de teletransporte. Um dia, para provar que consegue transportar matéria orgânica, teletransporta-se a si próprio. Não reparou que, juntamente com ele, foi transportada uma mosca que acidentalmente entrara no mecanismo. E assim começa a sua transformação.

Apesar de a história de amor ser muito emocionante, pareceu-me que se desenvolveu demasiado rápido para ser realista. Os personagens não são especialmente convincentes na sua concepção, apesar de os actores fazerem um bom trabalho com o pouco que tinham. Após a aplicação de maquilhagem, temos um jogo de olhares, mais que diálogo, que transmite muito do que estes personagens possam estar a sentir.

Falando em maquilhagem, deve dizer-se que é absolutamente grostesca. Num bom sentido, claro. A transformação é um horror e conseguimos perceber o desespero destas pessoas perante a situação.

Apesar destes pontos positivos, foi um filme que me aterrorizou. Nunca mais olharei para uma mosca da mesma maneira.

7.5.17

Half Baked

Half Baked
Tamra Davis
1998
Filme
6 em 10

Depois do Iberanime, fomos ver um filme. Estávamos numa de comédia, portanto o Qui escolheu este, cujo tema principal é a broa.

Um grupo de gajos (broados) apanha broas. Quando um deles é preso por assassinar um cavalo diabético, os outros decidem que precisam de ganhar dinheiro para lhe pagar a fiança. Então, começam a vender marijuana e a ficar cada vez mais broados. No entanto, um deles conhece uma rapariga que é straight edge e quer conquistá-la. O que fazer?

É um filme nostálgico e muito engraçado. Este pessoal tem grandes trips depois de fumar o que quer que seja, o que é muito cómico: nada faz grande sentido e não precisa de todo de fazer. Temos uma grande mistura de cores e os actores fazem um bom trabalho, apesar de uma evidente inexperiência.

Os diálogos não são nada de especial, mas os actores imprimem-lhe uma grande personalidade, apesar de um pouco estereotipada.

Um filme bom para relaxar.

Iberanime Lx 2017

Iberanime Lx 2017
Evento
Um ano maléfico. Um ano sem grupo para ir ao Iberanime. Um ano sem bilhetes grátis. Observei o preço. Dezoito euros. Agressivo, porque há milhentas coisas para pagar. Mas estava com tanta vontade de ir na mesma... Então comprei o bilhete! E descobri, por mero acaso, que comprando na Fnac com o cartão Fnac tinha um desconto de 20%! Assim, ficou o bilhete por apenas treze euros e meio, o que foi óptimo.

Chegado o dia propriamente dito, pus o meu cosplay no corpitxo (fui de Bela, da Bela e o Monstro) e arranquei por ali fora, para apanhar a meio do caminho a pessoas que faria o extraordinário favor de me manter acompanhada. Afinal, sendo que eu sou um animal irracional, preciso sempre de supervisão quando vou a lugares, para que não me perca, seja raptada ou morta, por esta ordem de conceitos. A vítima foi... Tabby! Aliás, Tarzan! =D
 
Ela tinha um bilhete grátis, pelo que tivemos de dar algumas voltas para que ela o pudesse encontrar. Enquanto aguardava, tive logo um feedback muito positivo do meu cosplau: uma menina pequenina, com os pais, gritava "olha, olha, é a Bela!" E os pais respondiam "deve estar aí para algum espectáculo". E eu ria. :)
 
A entrada foi rápida, com uns seguranças que não fizeram um excelente trabalho de revisão de corpos, já que eu poderia ter entrado com antrax no evento e ninguém daria por nada. Este ano não ouvi falar sobre problemas de props de cosplay bloqueados à porta, o que apesar de tudo é uma boa coisa.  Desta feita o espaço estava organizado de maneira ligeiramente diferente: na parte de cima estavam dois palcos secundaríssimos, bar e os artistas (que são bons artistas). Algumas das entradas davam para o palco principal (só descobri isso depois) e em cada ponta podíamos descer pelos backstages até ao pavilhão propriamente dito, onde estava a zona do gaming - que se pagava à parte - as lojas e um palco secundário.
 

 
 
Olhámos para o programa e concluímos imediatamente que não havia nada para fazer. Mais uma vez, os workshops disponibilizados não nutriam qualquer interesse para uma pessoas que vai a muitos eventos: são sempre os mesmos temas, dados pelas mesmas pessoas, o que é muito repetitivo. Portanto, decidimos andar por aqui e por ali enquanto aguardávamos pela final do CWM (Cosplay World Masters). Era a única coisa que queríamos ver, pois a nossa amiga Tatiana estava nesse concurso e queríamos apoiá-la. 
 
Por lá andámos a tirar fotos. Lanchei. A Tabby ofereceu-me uma imperial a preço de festival e comprei uma sandes de queijo por três (3) euros (€) (3€). Passo a descrever a sandes: tratava-se de uma carcaça com três dias e uma fatia de queijo do continente. Nem direito a manteiga tive! D: Como é que um evento cobra tanto por um bilhete e cobra, ao mesmo tempo, tanto por uma sandes!? É que as outras opções de comida não me pareciam nada, nada, nada agraáveis (aqueles noodles horrorosos D: )
 
Encontrei uma série de pessoas que não via há imenso tempo, desde pessoal do Porto (<3) até uma amiga de Almada que não via há praí uns sete mil anos! Gostei imenso de falar com toda a gente, obrigada por me terem aturado! *-* Também gostei imenso de todas as pessoas que quiseram tirar uma foto comigo, não estava nada à espera  que o meu fato fosse tão popular! Na eventualidade de alguém ter uma foto com a Bela, podem dar-ma? :) Aliás, eu até perguntei num grupo se haveria um grupo de Disney neste evento, para me encontrar com outras princesas, mas nada foi combinado. Posso mesmo dizer que quase no vi Disney neste evento.
 
Comprei poucas coisas, mas acho que são giras. Mostro-vas:
 
  • Um bloco com barquinhos
  • Um marcador fofinho
  • Cartões diversos de pessoas giras
  • Um jornal Jan-Ken-Po
Entretanto, descubro que circular pelo evento é bem mais difícil do que parece. Houve grandes melhorias nesse campo em relação ao ano passado, com a divisão do gaming, a forma de aceder às lojas e a localização dos palcos. Mas os palcos da parte de cima faziam uma acumulação de pessoas muito semelhante a rolhão de ranho e cera de ouvido e as lojas na parte debaixo continuavam demasiado juntas umas das outras. Não deu, realmente, para ver grande coisa.



Marcámos um ponto de encontro, mas perdemo-nos todos uns dos outros. Acabei por esperar que começasse o CWM num palco que não tinha nada a ver com nada, onde assisti a uns artistas japoneses a falar das suas artes, quaisquer que fossem.


Depois lá encontrei o palco principal e pus-me a assistir. A minha experiência como público foi simplesmente aterradora: as bancadas estavam demasiado longe para que se pudesse ver os cosplayers no palco (o que seria importante, pois estes fatos têm muitos detalhes) e o sistema de audio era absolutamente terrível. Tentei tirar umas fotografias de lá de cima, mas foi impossível... Só vimos até à quarta concorrente, que era a Tatiana, mas gostei bastante dos fatos (o que dava para ver) que vieram antes, embora os skits fossem pouco convincentes. Aliás, tenho de ver melhor o vídeo que fiz do sukito da Tatis, para lhe fazer as minhas críticas maldosas, injustificadas, feias, porcas e más. ^____^ Mas gostei muito da ideia do skit, embora possa adiantar desde já que me pareceu que algo não correu como esperado. Beijins na Tats! =D

E pronto, vamos ao que interessa, vamos? É que a seguir fomo-nos logo embora. :p E o que interessa são as....

FotoFotos!

 Uma Tabby a tabar







 Esta cena andava completamente alucinada a abanar os bracinhos, weee!




 Encontrei esta linda pessoa...










 E esta linda pessoa que não via há que tempos!


Portanto, este foi um evento um pouco diferente, porque fui como espectadora em vez de ir como participante em actividades. Penso que o evento tem vindo a melhorar, embora haja dramas recorrentes relacionados com o próprio conceito do Iberanime. Eu penso que é um evento focado nas famílias, embora eu não levasse a minha família (sobretudo se houvesse crianças pequenas, que poderiam ser esmagadas na multidão e feitas em puré infantil). 

Apesar dos seus defeitos, foi divertido, falei com montes de gente simpática e fofinha e bonita e gira e cheguei a casa prontinha para enfardar uma pizza gigante. :)

Até ao próximo!

Feira Medieval de Corroios 2017

Feira Medieval de Corroios 2017
Feira
Uma amiga fez anos e sugeriu que os celebrássemos nesta feira, que decorre (ainda hoje) na Quinta da Marialva em Corroios. O lugar onde costumam ser aquelas feiras e festas a que a gente vai o Verão. :)
 
Chegámos de noite, já passada a hora do jantar, para não ficar muito tempo, pois a hora de fecho é sempre por volta da meia-noite.
 
Para começar, a feira medieval não aparentava nada ser medieval, pois logo ao início estavam uma série de carroceis e carrinhos de choque. Só depois é que vimos um palco, onde um grupo de pessoas vestidas à época estava a fazer uma dança. As lojinhas eram engraçadas, sendo que havia muita comida tradicional (perdemos a sorte de ter cinco queijos a cinco euros, por exemplo) e objectos assim meio góticos, como bolsas de cabedal, vestidos pretos e cálices com um ar maléfico.
 
Bebemos um vinho quente em que, por três euros, nos ofereciam o vinho mais a taça de barro. Portanto, agora temos duas taças de barro muito giras! Também havia a opção de ser um corno, mas a gente não quer cá cornos.
 
Depois foi os parabéns e encontrámos umas bruxas que, silenciosas, andavam muito devagarinho. Vimos também camelos, que são bem mais enormes do que o esperado.
 
Foi engraçado e espero para o ano voltar também, talvez dessa feita para petiscar alguma coisa!

Mushi-Uta

Mushi-Uta
Sakai Kazuo - Zexcs
Anime - 12 Episódios
2007
5 em 10

Este é um anime que tentou ser uma série de coisas diferentes e que acabou por não conseguir ser nenhuma delas.

Tudo começa alguns anos depois de ter havido um misterioso ataque por insectos (mushi) que se alimentam dos sonhos e esperanças das pessoas. Portanto, temos de considerar que isto é plausível neste mundo misto de ficção científica com a vida real. Um rapaz conhece uma rapariga que tinha sido atacada por esses insectos. Desenvolve-se uma história de amor, que depois se torna num triângulo amoroso, mas subitamente também o governo e o exército estão envolvidos, já para não falar dos aliens.

A narrativa é um caos tão grande e os personagens tão pouco convincentes que este anime se vê com um misto de admiração e horror. Esta salganhada acaba por ser completamente inconsequente, o que é muito irritante.

A arte é infeliz, tem muitos erros quer de animação quer de anatomia. Também os designs são pouco concretos, tornando os personagens difíceis de distinguir. Não existem momentos musicais relevantes.

Um anime que esquecerei com toda a rapidez.

Dias Tranquilos

Dias Tranquilos
Kenzaburo Oe
1990
Romance

E o último livro que trouxe da LFL da Quinta das Conchas. Na verdade, o único que queria realmente ler, hahaha ;)

Este nobel da literatura tem um tema recorrente nos seus livros, que é a sua experiência autobiográfica na relação com a família e o filho deficiente mental. Neste livro ele coloca a narração na boca da sua filha do meio, Ma-chan, numa fase em que o autor (e personagem) e esposa se afastam para os Estados Unidos para reparar a criatividade do senhor, deixando os filhos entregues a si próprios.

É relato, efectivamente, de dias tranquilos. O autor mostra-nos um pouco da vida diária dos três irmãos, com todas as complicações que vão acontecendo e também todas as coisas boas. é um verdadeiro fatia-de-vida, pois muitas partes do livro são apenas conversas sobre temas pouco específicos ou mesmo a descrição de filmes ou livros que afectaram as personagens.

No entanto, reparo que neste livro há um certo debate do autor com os temas religiosos, nomeadamente com os dos católicos, sendo que existem muitas discussões sobre estes assuntos entre os intervenientes do livro.

Uma leitura agradável, mas que não é de todo simples.

Fora de Horas

Fora de Horas
Paulo Castilho
1989
Romance

Outro livro que trouxe da LFL da Quinta das Conchas, que me foi recomendado pelo seu steward. Mas devo dizer que, apesar deste ser um livro icónico da literatura portuguesa dos anos 80, que não gostei por aí além.


Um homem, acabado de se divorciar, vai para os Estados Unidos em busca de encontrar alguns amigos que lá estão estabelecidos. Vemos as perspectivas dele, Luís, e da sua amiga MAria José enquanto eles tentam encontrar um significado para a vida corrente no meio de toda a confusão nova-iorquina.

Os personagens, apesar de serem o foco principal deste livro, são pouco realistas e, por isso, acabam por ser muito desinteressantes: nada do que eles fazem, sentem ou experimentam parece real,embora isto contribua um pouco para o ambiente de alienação que o livro transmite do início o fim.

Existem muitas referências a eventos pop da época, desde referências a filmes, bandas, e até mesmo letras de músicas. Nesse campo, acaba por ser um livro bastante educativo, porque nos mostra uma série de músicos que ficaram esquecidos e que, se formos ver agora, até eram muito giros.

Agora viajará pelo BookCrossing ou, quiçá, voltará à sua biblioteca. :)

Selector Spread WIXOSS

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Satou Takuya - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10

Só depois de ter começado o anime é que descobri que se tratava de uma segunda season. Como já tinha começado, achei por bem ir até ao fim, mas fiquei com muita vontade de ver a primeira season, que - pelo resumo nos primeiros episódios - me pareceu muito interessante.

Nesta continuação, as meninas que jogam às cartas enfrentam um novo problema que, penso eu, serve como conclusão à história. Neste momento elas procuram a criadora do jogo, de forma a anulá-lo de alguma maneira. É curioso ver que as personagens já se encontram numa fase de desenvolvimento bastante avançada, como se na primeira season tivessem acontecido milhentas coisas que as mudaram profundamente. Assim, é muito interessante ver como, com estes novos conhecimentos vitais, as meninas conseguem vencer novas batalhas e encontrar o caminho para a resolução do seu problema actual.

Os designs são um pouco estranhos, na medida em que são muito infantis e, mesmo assim, há uma certa violência implícita nestes combates de cartas. De resto, a animação é aceitável mas não se torna espectacular à medida que as batalhas vão ficando mais complexas.

A música é bastante discreta.

Portanto, fiquei desejosa de ver a primeira season e conhecer estas meninas desde o início. Fica a nota para a própria de a adicionar à PtW. :)