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10.12.17

Dan Doh

Dan Doh
Oomori Hidetoshi - Tokyo Kids
Anime - 26 Episódios
2004
6 em 10

E que tal um anime de desporto sobre... Golf? Pois é, o desporto mais improvável de sempre tem o seu próprio anime!

Dan Doh é um miúdo que, após pouco sucesso em outros desportos, acaba por ganhar a paixão do golf e decide que será o melhor jogador de sempre. Competindo com vários oponentes, confiará sempre na sua "bola do sorriso", na qual confia plenamente para conseguir a vitória a pouco e pouco.

No fundo, este é um anime um pouco infantil que apenas nos tenta converter para ganhar um certo interesse no desporto. Apesar de, no meu caso, o projecto tenha saído frustrado, penso que algumas crianças mais impressionáveis possam ficar com vontade de jogar, o que é sempre uma coisa muito boa. Temos personagens muito simples, estereótipos que funcionam sempre bem neste tipo de contexto, sem grande caracterização além do desejo de jogar cada vez melhor e sem desenvolvimento sem ser, precisamente, o facto de jogarem cada vez melhor.

Em termos desportivos, é um anime que faz um bom trabalho em explicar as regras do jogo e algumas estratégias simples que podem exercer sobre o tal público impressionável um certo fascínio. Não temos uma animação especialmente forte para acompanhar isto mas, para todos os efeitos, funciona suficientemente bem para que o jogo seja compreendido, sem haver grande exagero nas dimensões do cenário nem nos talentos dos participantes, um dos principais defeitos de animes de desporto.

A banda sonora é animada e saudável, com um ritmo pop um bocadinho viciante.

Um bom anime para crianças.

Sinais de Fogo

Sinais de Fogo
Jorge de Sena
1979
Romance

De volta aos livros físicos, começo a ler aqueles que recebi pelo meu aniversário. Este foi-me oferecido depois de eu muito ter gabado um livro de contos deste autor.

Romance incompleto, escrito ao longo de vinte anos da vida de Jorge de Sena, conta uma história com laivos autobiográficos. Um jovem (Jorge), recém entrado na vida adulta e estudante universitário, vai passar férias com os tios à Figueira da Foz. Lá, mete-se numa série de aventuras de cariz sexual, envolvendo grande variedade de prostitutas e descrições altamente detalhadas dos acontecimentos, tendo por pano de fundo o início da revolução republicana em Espanha, que depois teria como consequência o regime franquista. O tio de Jorge acolhe na sua casa dois foragidos espanhóis e o nosso personagem terá de os ajudar a escapar do país, utilizando para isso a ajuda dos seus amigos, que consegue através de uma série de mentiras.

O livro acaba, no entanto, por se tornar um pouco aborrecido. A ideia que Jorge de Sena dá é que os jovens dos anos 30 não fazem outra coisa senão ajudar à profissionalização do negócio do sexo. O pior é que são feitas descrições muito demoradas e exactas de toda a actividade sexual desta gente, que é muita gente, sendo que Jorge enquanto personagem acaba por se tornar progressivamente mais execrável. As suas dúvidas morais e existenciais, que culminam com a sua admissão de que é um apaixonado da poesia, são desviadas e pouco coerentes, revelando aqui uma injustiça remetida à figura feminina que rapidamente se torna insuportável. A falta de respeito pelas mulheres é, aliás, um dos temas centrais deste livro. Não como crítica, mas como algo de valor. Isso tira-me do séria.

Apesar de bem escrito, este livro também tem o defeito de ser incompleto. Isto é, não é tanto a história que tem o problema de estar incompleta. Tivesse eu de ler mais seiscentas páginas de actividades prostibulares acho que dava em doida. O problema aqui é que o livro não teve edição. Assim, existem bastantes incoerências narrativas, não só em mudanças de nomes de personagens mas até na própria caracterização destes, que num momento são de tal maneira e no outro já são diferentes.

Um bom livro para acrescentar ao conhecimento mas, pessoalmente, não foi dos meus preferidos.

No Direction Home

No Direction Home
Martin Scorcese
2005
Filme
6 em 10

Como parte da minha terapia de conversão, a ver se vou ver o concerto no próximo ano, o Qui mostrou-me este documentário sobre os primeiros anos de Bob Dylan como artista, realizado por Martin Scorcese. Dividido em duas partes, o realizador conta-nos, através de uma profusão de imagens de arquivo, o contexto histórico do panorama musical em que Dylan aparece e a sua transição para um universo artístico revolucionário, para a época, fazendo uso de instrumentos eléctricos e juntando o típico folk ao famigerado rock.

O filme é uma grande lição de história, em que aprendemos uma série de nomes e artistas que vieram a influenciar Dylan ou que foram os seus pares na exploração de novas texturas musicais. Com o próprio artista a dar a sua perspectiva sobre as situações e entrevistas a colegas e amigos, o filme conta-nos uma história: de onde veio, para onde foi. Termina precisamente num evento marcante da vida do artista.

Infelizmente, em termos de cinematografia, o filme para mim exibiu alguns defeitos. Nomeadamente, a transição entre cenas de arquivo e as entrevistas, era como se cada arquivo fosse um detalhe de uma cena que nunca era completado até ao fim, deixando-nos com desejos de saber como é que esse pequeno filme dentro do filme acabava.

Ainda não me convenceu que tenho de ir ao concerto, mas foi uma boa experiência.

Samurai Gun

Samurai Gun
Sonoka Hideki - Studio Egg
Anime - 12 Episódios
2004
6 em 10

Vi este anime ao engano, a pensar que era um outro, ainda por cima com dobragem americana. Mas acabou por ser uma surpresa agradável e um bom exercício de visionamento.

Estamos na dobragem da revolução industrial e o Japão não lhe fica atrás. Neste mundo que só agora se começa a separar do feudalismo, novas armas e novos tipos de luta começam a surgir. E é assim que temos um grupo de mulheres que são samurais com armas de fogo e que as usam para fazer prevaler a justiça.

Para mim, o aspecto mais interessante deste anime é a caracterização inicial dada às personagens, que têm uma história pregressa forte e sólida que irá influenciar em muito as suas atitudes e a interacção entre elas ao longo da narrativa. Temos personagens que vêm de um passado violento e que agora o utilizam como força e mote para a acção.

Esta, tem os seus momentos de interesse, mas muitas vezes peca por exagero e pelo facto de os antagonistas não terem a tal forte caracterização dos protagonistas. Na verdade, grande parte deles até parece um pouco ridículo na sua motivação. A animação não tem nada de extraordinário, tenndo até uns poucos erros evitáveis, mas funciona para o efeito.

O mesmo acontece com a música que, oferecendo um certo twist moderno, se conjuga apenas o suficientemente bem para que o anime funcione.

Não recomendaria à primeira instância, mas foi um anime engraçado na mesma.

3.12.17

Yakitate!! Japan

Yakitate!! Japan
Aoki Yasuhiro - Sunrise
Anime - 69 Episódios
2004
4 em 10

Apresenta-se-nos um shounen de batalha com um ligeiro twist. É que este anime é uma luta contra oponentes cada vez mais fortes, fazendo uso de poderes e talentos especiais, mas que consiste em falar sobre... Pão.

Pois é. Temos aqui um conjunto de personagens que enfrentam, ao longo de sessenta e nove sofríveis episódios, outras equipas de padeiros em concursos de pão, em que eles buscam o poder das "mãos douradas", que lhes dará a capacidade de fazer o melhor pão de sempre e, assim, salvar a sua empresa panificadora. Vemos pães de todos os géneros e feitios, desde aqueles que provavelmente existem até àqueles que provavelmente são inventados porque nunca ninguém no mundo teria uma ideia tão absurda para fazer um pão.

Os personagens não têm muita caracterização, para além daquela que pode ser dada aos protagonistas e elementos secundários de um shounen. Existem alguns momentos em que a série os impele a ter algum tipo de desenvolvimento, mas a oportunidade que lhes dão é tão idiota que mais valia terem ficado quietos. Porque, afinal, como é que um palhaço se pode revelar o rei do Mónaco, quando Mónaco até é um principado? Em outras ocasiões, a série tenta acrescentar algo de lógico a uma sucessão de piadas (secas), mas existem erros narrativos tão crassos que se torna impossível levar isto a sério. Se ao menos as piadas fossem, efectivamente, engraçadas...

Outro aspecto é a arte. Um pavor. Erros de anatomia, erros de perspectiva, erros de animação, erros a seguir a erros, coisas básicas tortuosamente erradas e, no geral, uma dor para os bastonetes oculares do pobre que se dê ao trabalho de ver isto.

Finalmente, a música. Apesar de termos (algumas) EDs engraçadas como música singular, os efeitos sonoros são ridículos e a banda sonora baseia-se essencialmente numa mutilação de peças clássicas conhecidas de todos, sendo reciclada a toda a hora e todo o momento.

Portanto, horrível. E nem sequer aprendi a fazer pão.


2.12.17

Con Air

Con Air
Simon West
1997
Filme
3 em 10

Tenho estado doente por estes dias, portanto ontem optámos por ficar em casa a ver televisão. E quando se vê televisão, existe sempre a possibilidade de se apanhar um filme péssimo! =D

Con Air é um filme de acção inusitado, em que a grande estrela é Nicholas Cage cheio de cabelo, que consiste num grupo de presidiários de alto risco que são, por uma decisão altamente inteligente, colocados todos no mesmo avião. Após um breve motim, Nicholas Cage, que é boa onda, tentará fazer com que eles sejam vencidos, com ajuda de um polícia um pouco incompetente mas com boas intenções.

Tudo neste filme peca pela falta de sentido. Os diálogos são absurdos, as situações são demasiadamente improváveis. No arco final, editado por uma pessoa com as narinas cheias de branca, o filme finalmente admite que está a gozar consigo próprio, já que matam o mauzão cinco vezes seguidas num espaço de vinte segundos.

Os efeitos especiais são péssimos, com chamas e slow-motions em exagero, sempre acompanhados por uma emocionante banda sonora de solos de guitarra, que também deve estar em chamas.

Ao menos fartámo-nos de rir e, por isso, senti-me um pouco melhor. :>

29.11.17

Não é Física Nuclear

Não é Física Nuclear - Saúde para Homens
Christopher Lewis
2005
Saúde e Bem Estar

E então eu terminei a lista de leitura do Kobo (por enquanto), portanto voltei à lista de livros físicos, iniciando-a com um livro que fiquei reticente em ler, devido a uma mistura de vergonha e curiosidade. Afinal, acabou por ser uma leitura muito divertida e valer a pena, apesar de eu não ser grande apreciadora deste género de livros!

Para começar, aprendi a tomar conta dos meus testículos o livro divide-se em capítulos práticos sobe cada um dos sistemas e aparelhos do corpo humano. Estas partes acabei por ler um ppouco na diagonal, pois é conhecimento que obtive em grande detalhe na faculdade. Depois, o autor enumera as doenças de cada aparelho e formas simples e práticas de as evitar ao máximo.

É claro que o livro está escrito tendo em objectivo uma perspectiva puramente masculina, mas a maior parte dos conselhos podem ser extrapolados aos vários géneros. Essencialmente, os conselhos são: deixar de fumar, fazer exercício e tomar conta da alimentação. E, de certa forma, o livro está escrito de uma forma altamente motivadora, sem assustar mas também sem omitir as piores verdades!

Apenas achei que o autor cobriu muito mal a secção das drogas (talvez por falta de conhecimento) e que poderia ter dedicado um capítulo à doença neurológica propriamente dita, sendo que se ficou apenas pela depressão. Teria sido importante falar de alzheimer e de formas de o evitar, por exemplo, através de exercícios mentais e por aí em diante.

Mas foi uma leitura rápida, simples e muito divertida que me deixou com vontade de aplicar algumas das sugestões em mim própria, sobretudo no cuidado dos meus testículos, pois já estou na idade em que uma pessoa precisa de ficar um bocadinho paranóica com a saúde. ;)

Spice and Wolf (8)

Spice and Wolf (8)
Isuna Hasekura
2006
Light Novel

Para os volumes anteriores, carreguem neste local ;)

Finalmente, após uma irritante pausa na narrativa, Hasekura volta a falar-nos das aventuras de Lawrence e Holo. Após voltarem para trás, encontram um segredo que lhes poderá dar uma pista sobre a localização de Yoitsu, a terra natal de Holo. Assim, nesta nova cidade, tentarão utilizar a sua rede de conexões para descobrir mais sobre este tema proibido, sendo que o livro acaba por ser uma descrição do funcionamento e dramas internos desta cidade mais do que alguma contribuição para a história propriamente dita.

Mais uma vez, o autor anda às voltas sobre si mesmo. O conhecimento que tinham obtido anteriormente revela-se completamente obsoleto. Portanto, porquê dar-lhes esse conhecimento? As personagens tomam atitudes erráticas dentro da sua caracterização, estabelecendo laços de amizade com pessoas que anteriormente os haviam traído. Para mim, o que me estragou realmente foi ver Holo a ter ataques de ciúmes inadequados à sua personagem, sobretudo porque se revelam infundados a cada momento. Aí está um "wisewolf" que sabe tantas coisas que se perde de ciúmes, está bem, está...

Também existem erros de edição estranhos, como o facto de numa página estarem num local e na outra já estarem noutro sítio. Mas o mais irritante é mesmo quando os personagens fazem uma série de coisas que se vêm a revelar inúteis. Porque é que o autor os faz dar tantas voltas sem justificação?

Fausto

Fausto
Goethe
1808
Poesia Épica

Este é um clássico da literatura alemã que sempre havia querido ler. Como consegui um e-book, com tradução portuguesa, iniciei-o. No entanto, esta edição continha apenas a primeira parte do poema, pelo que irei falar apenas dela.

Escrito como uma peça (bastante difícil, senão impossível, de encenar), conta a história de Fausto, um doutor versado em muitos conhecimentos que é tentado pelo demónio, Mefistófeles, que fez uma aposta com o divino em como conseguia corromper a alma deste homem. E quase que o consegue, pois a sede de conhecimento e o desejo de conseguir tudo com toda a facilidade, levam Fausto a envolver-se com todos os tipos de espíritos, feiticeiros e bruxas, tendo como consequência a corrupção da jovem Margarida, que de nada tinha culpa.

Apesar de ser um poema com alguns detalhes um pouco difíceis de entender, sobretudo se não se estiver plenamente concentrado, é uma leitura muito motivante, com uma cadência muito própria que nos deixa sempre a querer saber o que se irá passar de seguida. As situações, altamente detalhadas em termos cénicos e visuais, são bastante aterrorizantes da perspectiva do início do século XIX (sendo que os primeiros esboços foram ainda escritos no século XVIII), mas nunca deixam de ter uma certa ponta de ironia e diversão, com alguns momentos tão retorcidos que não podemos deixar de rir.

O poema está cheio de pequenas referências a outras obras clássicas, para as quais as notas ajudarão. Também tem uma aura de crítica social, sendo que muitos dos personagens são caricaturas de pessoas que realmente existem.

Agora só me falta a segunda parte, quando a encontrar logo vos falarei! =D

26.11.17

The Star of Cottonland

The Star of Cottonland
Ooshima Yumiko - Mushi Production
Anime - Filme
1984
6 em 10

E agora tempo para ver um dos filmes mais fofinhos em que consegui colocar as minhas patitas! Baseado no manga que popularizou a moda das orelhas de gato (nekomimi e kemonomimi), é um filme sobre gatos e gatinhos que... Se vêm como pessoas!

Chibi-Neko é uma gatinha de dois meses que tinha sido abandonada pelos seus donos originais. é adoptada por um estudante um pouco deprimido, Tokio, trazendo-lhe grande alegria. Mas quando sai à rua, conhece um misterioso gato de pêlo prateado, Raphael, que a convence a ir em viagem e ser uma gata vadia com ele. Quando ela o procura, acaba por viver uma série de aventuras.

Este filme pode ser interpretado como uma metáfora para a adolescência, mas eu não senti isso de todo. Na verdade, vi-o mais como uma sucessão de comportamentos de gatos que, sendo realistas, estão desfazados com o correspondente da realidade. Também o tratamento dado aos gatos é arcaico e improvável, mesmo nesta época. É um filme que tem muitos momentos de puro amor e muitos momentos engraçados, se bem que a escolha de alguns diálogos acaba por não fazer grand sentido e muitas vezes a narrativa acaba por roçar o absurdo.

A arte é encantadora, com uma boa utilização de técnicas tradicionais para transmitir os designs de personagens e de cenários. Temos uma cena final avassaladora em termos de animação, mas relativamente ao resto não há nenhuma parte que impressione especialmente, Nota para a utilização de expressões faciais nos personagens, que está tão bem utilizada que lhes dá um grande toque de personalidade.

A música dividiu-me. Apesar de ter alguns momentos muito bons, com um piano virtuoso como pan de fundo, existem outros momentos que não fazem qualquer tipo de sentido ("let's eat fish pies"? O que é uma fish pie?)

Ainda assim, recomendo bastante, pois é uma referência e certamente que se irão divertir ao vê-lo. :)

Takarajima

Takarajima
Dezaki Osamu - Madhouse Studios
Anime - 26 Episódios
1978
7 em 10

Este anime surpreendeu-me muito pela positiva!

Adaptação em jeito de World Master Theatre do famoso "A Ilha do Tesouro", livro juvenil que foi a referência de muitos nós, fala-nos das aventuras do pequeno Jim Hawkins num navio pirata, em busca de um tesouro misterioso numa ilha plena de armadilhas. Fala-nos da relação entre este jovem e John Silver, o pirata que provoca o amotinamento do navio, sendo que existe aqui uma dicotomia de sentimentos, um misto de adoração com ódio, que se vai desenvolvendo ao longo do anime de uma maneira tanto contida,  que é raro num anime desta época, como muito completa.

No entanto, achei que em termos de adaptação não se trata de um excelente anime, pois a caracterização dada aos personagens difere bastante da do livro, assim como as suas relações interpessoais. Também penso que desaproveitaram e não tomaram em consideração a deficiência de Silver, especialmente nos momentos de acção.


Falando em acção, este anime tem uma animação que deixaria de boca aberta muitos dos animes que saem na época corrente. Com uma fluidez rara, um excelente uso de recursos, atenção ao detalhe dos personagens e algumas cenas de grande virtuosismo técnico, este anime distingue-se dentor da sua época por ter uma animação perfeccionista e exemplar.

Musicalmente, não é especialmente impressionante, mas tanto a abertura como a música final ajudam a caracterizar muito este anime.

Gostei imenso e recomendo bastante!

Belas Maldições

Belas Maldições
Neil Gaiman & Terry Pratchett
1990
Romance

Originalmente conhecido por "Good Omens", este é um livro conjunto de dois grandes nomes da fantasia mundial: Neil Gaiman e Terry Pratchett. Se bem que eu penso que o livro terá sido mais escrito pelo último e mais pensado pelo primeiro.

É um livro divertido que fala sobre o crescimento de um pequeno anti-cristo que está mal localizado numa pequena cidade inglesa e do anjo e demónio que têm de o encontrar para que possa, então, ocorrer o tão esperado apocalipse e dia do juízo final. Mas rapidamente eles descobrem que preferem o mundo tal e qual como ele está e farão de tudo para impedir o ressurgimento do filho de todos os males, com ajuda de caçadores de bruxas, bruxas, videntes e outras figuras que tais.

É um livro muito leve e cheio de pequenas piadas que nos divertem, mas enquanto narrativa literária não se pode dizer que seja uma obra brilhante nem, uma referência. Existem vários erros no planeamento narrativo e pouca atenção à lógica e ao detalhe, parecendo mais que a história se baseia numa sucessão de pequenas situações engraçadas em vez de nos mostrar um plano geral daquilo que poderia ter sido.

Neste caso, a tradução brasileira era por demais terrível, o que também não ajudou. Penso que em inglês este livro teria muito mais força no seu jogo de palavras e nas referências populares.

De todos os modos foi bom tê-lo lido, já que me havia sido tão recomendado.

24.11.17

Boogie Nights

Boogie Nights
Paul Thomas Anderson
1997
Filme
6 em 10

Dizia-me o Qui que este filme é uma grande lição em cinema. Na verdade, sim, é. E eu gostei imenso do filme, que até agora me estou a rir com ele. No entanto, alguns detalhes impedem-me de dar uma nota superior. Vejamos.
 
Este filme fala sobre o início da indústria da pornografia tal como a conhecemos (será que conhecemos?). Um realizador de filmes pornográficos descobre um rapaz, que se passará a chamar Dirk Diggler, que tem um pénis gigantesco. Logo, ganha a fama e o poder. No entanto, a fata de formação aparente neste grupo de rejeitados e um consumo de drogas desenfreado, leva à quebra das relações entre eles e a um lugar do género fundo do poço. Felizmente, temos um final essperançoso e agradável.

Apesar da relação entre os personagens ser o foco principal da história, como se tivéssemos aqui uma família de pessoas altamente perturbadas que se unem na causa comum de fazer pornografia, e de termos algumas revelações bastante fortes no contexto da narrativa, penso que o autor poderia ter utilizado menos este filme como uma diversão e estudo de personagem e mais como forma de demarcar uma posição e lançar para o ar algumas dúvidas e opiniões que, sem dúvida, assolam o mundo retratado. Falo, por exemplo, da prostituição, das doenças sexualmente transmissíveis, do tráfico humano, etc. O autor parece evitar propositadamente estes assuntos, de forma a fazer um filme contente em que acaba tudo pelo melhor, mas isso, para mim, parece-me menos um erro do que uma irresponsabilidade social.

De resto, temos algumas cenas de grande qualidade cinematográfica, com uma banda sonora inesquecível, e uma sucessão de cenas altamente divertidas que certamente nos ficarão guardadas na memória!

Os Dragões do Éden

Os Dragões do Éden
Carl Sagan
1977
Ensaio

Este é um livro de divulgação científica pelo famoso Carl Sagan que tanto nos ensinou sobre o corpo humano e os aliens.

Infelizmente, considerando que eu até tenho umas bases sobre o assunto tratado, este livro peca por ter sido escrito em 1977. É que em quarenta anos muitas coisas aconteceram e mudaram e, por isso, é um livro de divulgação científica que está absolutamente desactualizado!

Carl Sagan fala-nos sobre a magia e os meandros do cérebro, esse órgão misterioso. No fundo, ele tenta estabelecer um paralelismo com o tamanho do cérebro e as suas funcionalidades, explorando temas como a memória, o sonho e estado de vigília, e terminando num debate bastante válido que é a definição de qual o momento em que se inicia a consciência humana.

No entanto, o autor esforça-se por fazer uma série de comparações entre os animais que nos estão mais próximos (e ainda assim sem considerar a proximidade filogenética), coisa que não pode ser feita sem se utilizar um conceito, não assim tão recente, que se chama "inteligência funcional". Isto, para mim, torna o livro especista e muito injusto para com as outras formas de vida que vivem à nossa volta. O autor também faz algumas comparações desnecessárias, como o tamanho do cérebro entre géneros e argumentos nessa onda.

De todos os modos, é um livro bem escrito e ainda me ensinou algumas coisas sobre austrolopitecos. Mas não posso dizer que o recomendaria.

Flanders no Inu

Flanders no Inu
Kuroda Yoshio - Nippon Animation
Anime - Filme
1997
5 em 10

Depois de ter visto a série, faltava-me o filme. Vimo-lo agora, para grande pânico do Qui que não queria ver um filme infantil.

Este filme é essencialmente um resumo da série original de 1975. Cortam alguns detalhes, mas no essencial está tudo lá, desde os momentos bons do início à sucessão de tragédias que vão decorrendo à medida que nos aproximamos do fim. Mais uma vez, Nello é uma vítima inconsequente, em que tudo de errado lhe acontece e o seu desespero leva a que a sua própria estupidez tenha consequências muito negativas.

Portanto, falemos dos outros aspectos:

A arte é muito fraca para o ano de produção, fazendo uso de técnicas ultrapassadas e poupando orçamento em lugares por demais evidentes, o que torna o visionamento um pouco desagradável em em alguns momentos. Mesmo no final, gastam o dinheiro todo desnecessariamente em animação digital de cenário state of the art, o que poderia ter sido evitado. Os únicos aspectos realmente agradáveis são os cenários bucólicos que preenchem o ecrã a todo o momento.

Musicalmente, também temos um anime bastante inferior ao esperado, com uma banda sonora repetitiva e pouco original.

Dizem ser o filme de anime mais comovente de sempre, mas para mim foi pouco intenso. 

19.11.17

Lisboa Games Week 2017

Lisboa Games Week 2017
Evento
Pelo terceiro ano consecutivo, tive a sorte de poder ir a este evento de referência no mundo dos jogos, desta feita acompanhada pelo fotógrafo Zé Gato. :) Essencialmente, fui fazer um skit com um fato que queria estrear há algum tempo, o Count D de Petshop of Horrors, mas que por acaso nem sequer combinava, em tema ou em contexto, com o evento propriamente dito.

Mas comecemos por falar do dia! =D

Mas antes do concurso o que se passou foi
 
O que se passou foi que no dia anterior tive um ataque de pânico e desespero por estar tão impossivelmente nervosa para o espectáculo. A minha confiança estava absolutamente destruída: o Count D é um fato que está um pouco fora da minha zona de conforto e, como não tem nada a ver com jogos, não sabia como ia ser a sua recepção. E, no fundo, aquele medo intrínseco qde que depois digam mal da gente porque estamos esquisitos.
 
Coloquei todo o fato, menos a luva e a peruca, e um casaco e passei para buscar o Zé Gato. Ainda tínhamos de passar na casa da minha mãe, para eu por as lentes que tinham chegado precisamente umas horas depois de eu me ter ido embora de lá por uns dias. E, lá chegada, cheguei à conclusão de que o pior... Bem, não o pior, mas uma coisa bastante chata... Que o pior tinha acontecido!
 
Pois é: no trajecto automobilístico entre a Cova da Piedade e a zona fronteiriça de Lisboa o fato RASGOU-SE! Não, não se descoseu: o tecido esgarçou e rasgou! Tentei rementá-lo com linha e agulha, mas na chegada ao evento mais rasgado estava. Conclusão: sobreestimei a minha capacidade de emagrecer e, no fim de contas, devia mazé ter feito o fato quatro centímetros mais largo na anca. Estou para ver como vou resolver aqui o assunto...
 
Entretanto, chegámos ao evento e o Zé Gato entrou gratuitamente com o seu fantástico cosplay de Peter Parker. Então, fomos à procura da banca do SOS Cosplay para confirmar a minha inscrição. Andámos por todo o lado. De trás para a frente, nos dois pavilhões. Encontrei a banca da Weatherlight Workshop, onde eu estava convencida que seria o SOS Cosplay, onde ela teve a amizade de nos indicar o sítio certo (por onde já tínhamos passado e não havia qualquer indicação) e guardar a minha mala de viagem que continha uma troca de roupa.
 
E, logo de seguida...
 
Concursemos!
 
Um concurso cheio de gente! Fantástico! Vinte pessoas, talvez até mais, todos a fazer as suas coisinhas! Muito bom! =D Eu era a oitava neste concurso super bem disposto e disponível, onde até um jovem que não estava inscrito se motivou para ir fazer um skit em cima da hora! :) Foi um concurso muito divertido até onde vi porque, confesso, não vi todos os concorrentes.
 
A minha cena era uma música da Rita Lee com uns laivos feministas. O que eu queria dizer desta vez é que, estando todos nós tão focades em dizer NÃO, também temos o DIREITO de dizer SIM. Por isso, todes aqueles que se identifiquem com o género feminino, peguem no eexemplo e sejam LIVRES para fazer aquilo que mais gostarem e amarem, sem se preocuparem com o que os outros vão pensar! De resto, foi um skit difícil em termos físicos, porque o fato do Count D tem um corpete, um binder e mais duas cintas e eu estava toda apertadinha em modo chouriça transmoontana da China, acrescentando uns saltos que me espantam pelo facto de, há uns anos atrás, eu os usar todo o dia todos os dias.
 
A quem queira ver o sukito, está na minha página de cosplay: Cosplay Portfolio by ladyxzeus =D
 
Os vencedores eram claros dentro do nosso conjunto e os prémios eram fantásticos! Uma consola é um prémio excelente! Isto é, no meu caso nem por isso porque eu não jogo jogos, mas afinal de contas este é um evento de jogos! Só não gostei muito, sem querer dramatizar, de uma dica de uma das juris: que ama League of Legends e que LoL é a coisa favorita dela. Até pode ser verdade, mas quando um jurado diz isto parece que a avaliação vai ter/teve um bias. O que provavelmente até é uma mentira completa, mas é o que soa. Temos de ter cada vez mais cuidado com as palavras que escolhemos. :( De todas as formas, este é um dos concursos em que mais gosto tenho em participar, sobretudo porque podemos falar com os apresentadores, também jurados, sobre o que o cosplay significa para nós, como fizemos o fato, porque o fizemos. Na verdade, eles estão genuinamente curiosos sobre todos nós e é um sentimento fantástico! =D
 
Deixo-vos algumas
 
Fotos do Concurso
 
 














Assim que acabou a minha parte, fui logo buscar a minha mala (volto a agradecer imenso pelo favor de me deixarem deixá-la na banca! :) ) e trocar de roupa. Estava quase num estado de semi-inconsciência com aquele fato e queria, mais que tudo, libertar o meu tórax de um milhão de cintas elásticas. Infelizmente, não havia sítio conhecido para trocar de roupa, pelo que tive de fazer uma ginástica de cubículo de casa de banho para me ver livre de ser uma chouriça para sempre.

Só depois vimos o evento. O espaço, este ano, apesar de um pouco maior, não estava de todo bem organizado. Não havia mapa disponível do evento (pelo menos nunca o encontrámos) e era muito difícil de encontrar a maior parte das coisas. Os jogos tinham todos filas gargantuaescas, apesar da imposição da maioria de apenas cinco minutos de jogo por participante. Pois, ainda não foi desta que experimentei a realidade virtual, que estou ansiosa por experimentar um dia destes! No entanto, consegui jogar um joguinho retro muito engraçado. Teria ficado lá mais tempo se a minha incapacidade não me tivesse impedido de aprender como raio é que o boneco atacava os maus.

A parte mais interessante, para mim, foi mesmo o retrogaming. Era muito variado e tinha montes de coisas giras para ver. Muito do espaço estava ocupado com coisas que não me fascinam especialmente, como youtubers, torneios de vários jogos e actividades físicas geeks, como wrestling (?) e corridas de drones. Alguns espaços apresentavam os novos jogos, sendo que também foi giro estar a ver as apresentações. As lojas eram variadas, apesar de estarem com preços muito caros e pouco competitivos. Nota-se que as lojas estão a apostar em vender para um público desinformado. Os artistas, que são bons artistas, estavam todos baralhados: foram separados em várias zonas nos dois pavilhões, muito mal localizados. Um grupo deles ficou condenado a ficar atrás dos soldadinhos de chumbo, que se esforçavam arduamente para convencer os putos a ir para o Call of Duty da vida real, onde só tens uma vida para gastar e, portanto, é um jogo muito mais interessante (sqn).










































Em termos alimentares, o evento não tinha grande coisa para oferecer, mas esforçou-se. Quando fomos almo-lanchar um hambúrguer de cinco euros que era suposto ter, além de queijo e hambúrguer, agriões e cebola caramelizada e nos é dado um hambúrguer com queijo num pão gelado e duro... Com uma antipatia imensa... Ficamos a pensar que mal fizemos nós! D: Em compensação, comprei um suminho nipónico que tinha gelatinas lá dentro e gostei muito, soube-me mesmo bem!

Mas, de que falamos nós? Falta o mais importante!

FOTOS COSPLAICAS


















E assim se concluiu mais um dia de evento. Muito, mas muito, mas muuuuito cansativo! Fomos comer à tasca e ficámos bem e, entre mortos e feridos, lá correu tudo direitinho. Espero que para o ano o espaço esteja é um bocadinho menos confuso, porque tal como está é uma canseira ir de um lado para o outro!

É sim, é essa a dica: até para o ano! =D =D